08 janeiro 2009

Gana deu exemplo

(foto AFP)

O Gana foi a eleições presidenciais. Perfeitamente natural quando se acede à Democracia.

A campanha eleitoral foi dentro do normal, houve uma segunda volta, naturalmente, e o candidato oposicionista foi o vencedor com cerca de 50,23% dos votos expressos.

Tal como é natural em votações o potencial derrotado criticou as notícias que davam o seu opositor como vencedor porque, segundo aquele, os votos ainda não estavam contados e a omissão eleitoral ganense não tinha dado o seu parecer final.

A diferença foi na tomada de posse, como presidente, do candidato vencedor, professor de direito John Evans Atta Mill. Ao contrário do que se costuma ver nas restantes eleições em África, o candidato derrotado, Nana Akufo-Addo, do governamental Novo Partido Patriótico (NPP), e o ex-presidente, John Agyekum Kufuor, que esteve dois mandatos consecutivos, estiveram presentes na tomada de posse.

Tal como quando se tornou no primeiro país africano, da era moderna, a ascender à independência, o Gana deu novo exemplo à comunidade africana.

05 janeiro 2009

Na Guiné-Bissau as intentonas continuam?

Recordam-se, certamente, qual foi o maior sapo vivo que o presidente João Bernardo (dito “Nino”) Vieira foi obrigado, recentemente, a engolir; e em duplicado.

Primeiro a vitória do seu antigo partido, o PAIGC – sentimentalmente parece que ainda o é, desde que não esteja nas mãos de outrem – e com maioria, e em segundo, e mais recentemente, ter de dar posse ao seu (não assumido) arqui-inimigo Gomes Júnior como primeiro-ministro.

O senhor Bernardo Vieira, Presidente da República da Guiné-Bissau (com a nova grafia que abole, na maioria dos casos, o hifén (ou será ifén) continuaremos a dizer Guiné-Bissau? –, também tudo fez para protelar essa posse que teve o seu efeito só – repito SÓ – no passado dia 2 de Dezembro, cerca de mês e meio depois das eleições e quinze dias depois da tomada de posse do Parlamento. E como um “mal” nunca vem só além de ter de dar posse a Canoto Júnior ainda teve de levar com a imprensa nacional que não entendeu este atraso político.

Entretanto, no meio desta palhaçada política Mohammed (ex-Kumba) Yalá que ameaçou, ou fez por isso, dar com a língua nos dentes quanto às suas relações e “amizades” com o Presidente viu o seu passaporte ser confiscado e impedido de sair mas, como prenda de Reis – num País maioritariamente islâmico, a quem Yalá também se converteu – o Procurador-geral da República decidiu deixá-lo sair por “razões humanitárias e de saúde”.

Não fosse o senhor Yalá falar de mais, ao ser ouvido no Tribunal, e levar o senhor Vieira a não saber com o justificar o Putsch de Novembro passado que continua na estranheza de muita gente, incluindo, pasme-se, até da própria União Europeia. E só aconteceu depois de se saber que era o PAIGC o vencedor. Factos das estórias do consulado do senhor Vieira.

Mas como não pode haver uma sem duas – e, provavelmente, nem duas sem o célebre três – soube hoje através de uma nota do jornalista Fernando “Didinho” Casimiro, por via de um alerta de Bissau que o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, Tagme Na Waie, terá sido alvo de uma tentativa de assassinato e que o Estado-Maior iria dar uma conferência de imprensa para denunciar “esta intentona”. E se nos lembrarmos de umas pequeninas palavras que Na Waie terá proferido sobre o senhor Vieira depois daquele ter sido preso sob suspeita de um golpe e por causa do qual terá ficado ligeiramente diminuído física e psicologicamente…

Vamos aguardar pelos próximos capítulos de um Pais que não paga os salários aos seus funcionários públicos há cerca de 4 meses – depois de ter lido que não se paga imposto(?!) neste País, não me posso surpreender – e de parte da dívida já ter sido paga aos funcionários dos Ministérios da Defesa (lógico) e da Educação (e mesmo assim vão para a greve no próximo dia 19)…

Nota Complementar: Na parte da tarde, mais correctamente ao fim da tarde, a Lusa (agência noticiosa portuguesa) emitiu uma nota onde dá conta das denúncias feitas pelo Movimento Nacional da Sociedade Civil (por acaso comunicadas de manhã em conferência de imprensa), tendo escapado, segundo parece já que nada ouvi, à mesma Lusa, a nota de imprensa do Estado-Maior, que foi emitida oficialmente a meio da tarde. Sobre este assunto ver mais detalhes aqui.
Este texto foi posteriormente publicado no , na rubrica "Opiniões e Análises", de 6/Jan./2009

04 janeiro 2009

Kassange, 48 anos depois…

(imagem ximunada daqui)

"… continuam as mesmas questões a sobressaírem nas comemorações.

Não elevam a capacidade e a vontade dos agricultores em combater o
livre arbítrio da empresa belga que dominava a região e que colocava os povos da Baixa do Cassange quase como escravos ou objectos se trabalho.

Não se preocupam quais as razões que estavam subjacentes à revolta iniciada em Dezembro e que, previsivelmente e de acordo com certas informações nunca confirmadas pelo regime português nem pelo Arquivo Histórico lusitano que continua, estranhamente – como muito bem recorda
Orlando Castro –, numa esconsa gaveta, teve o seu apogeu numa alvorada de um 4 de Janeiro com o massacre dos camponeses angolanos.

Continuam a não se preocupar se foi uma revolta de base ou se teve líderes políticos desde que possa, politicamente, se aproveitar do facto. (...)
" (Pode continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no
, "Colunistas", de hoje

02 janeiro 2009

Os 50 anos da entrada do Exército 26 de Julho em Santiago de Cuba

(Fidel e Che numa imagem da Internet)

Que pena uma Grande Revolução conduzida, na altura, por grandes mestres revolucionários, se tenha degenerado numa Grande Ditadura, única e exclusivamente, “aturada e suportada” pelos EUA…

Uma Revolução criada para destruir o mito da “pessoa”, no caso o general Fulgêncio Baptista e seus muchachos, mas que não se tem renovado, bem pelo contrário, como se constata nos actuais chefes, onde o presidente, Raul Castro, tem 77 anos e a cúpula do Conselho de Estado, o órgão de Governo da ilha, apresenta uma média de idade superior a 71 anos…

Um Revolução que defendia a Liberdade dos Povos, dos Humildes, dos Cubanos, mas que tem inúmeros presos de delito de opinião (recordemos a “damas ou mães de branco”), jornalista e bloguistas presos ou sob vigilância e com acessos à internet condicionados…

Tal como Martin Luther King esperava para os Estados Unidos e que se tornou realidade com Obama, também eu espero que um dia a Liberdade glorifique a Revolução Cubana de 1959!

01 janeiro 2009

Análise de 2008 dos PALOP pela rádio DW

Tal como previsto a secção portuguesa da rádio alemã Deutsche Welle – a mesmo que patrocina o The BOB’s – apresentou, através da sua jornalista Nádia Issuf, uma análise retrospectiva do ano 2008 e o que se espera para 2009 dos países africanos de expressão portuguesa.

Na rubrica da manhã (ouvir
aqui) e repetida na da noite (ouvir aqui) foram analisados Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau (aqui uma referência ao jornalista Bissau-guineense falecido no passado dia 26 de Dezembro não sem antes ter transmitido esta sua última reportagem), Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Sobre Angola coube-me a mim a honra de proferir uma análise que podem ouvir acedendo à ligação acima, no “iniciar do download” colocando o cursor nos 4’40” quer numa quer noutra rubrica.

Dia Mundial da Paz

Comemora-se hoje o primeiro dia do novo ano e desde há muitos anos o Dia Mundial da Paz.

Por favor, digam isso aos palestinianos e aos israelitas que parece que não sabem o que isso é; perguntem aos congoleses e aos zimbabueanos por onde ela anda; interroguem os sudaneses do Darfur ou aos chadianos se a Paz já lá chegou; será alguém o relembrou aos somalis, iraquianos, afegãos, ossetas, georgianos ou aos diferentes povos do Cáucaso que a Paz é o bem maior da Humanidade?

Ainda assim, ou porque ainda acredito na Humanidade, um bom Dia Mundial de Paz para todos e os que a têm saibam sempre preservá-la.