23 janeiro 2009

E se descansasse um pouco?

(imagem adaptada)

É isso o que vou fazer este fim-de-semana!

Dar descanso ao computador, à vista e tentar ver se uma constipaçãozinha, que já tem um mês, adormece para, igualmente, anestesiar uma alergia que se encontrava em sonolência há já uns dois anos.

Procurar enganar o frio e a chuva que persistem estes dias na província euro-atlântica do sul da União e do Norte de África, passeando pelas margens mitomanias olhando, a Sul, o meu Continente e a Paz que alguns teimam em não deixar poisar.

Salvo alguma situação imponderável, este computador e o seu habitual servidor vão descansar estes dois próximos dias.

Até lá, façam o favor de serem felizes e de lerem e ouvirem só boas notícias, como, por exemplo, o Benfica, em futebol, se manter no primeiro lugar e no basquete ter conseguido passar à final da Taça;
ou que o Governo português ponderou a situação dos Média e mandou suspender as demissões que proliferam no meio para não dar razão à União Europeia quanto ao aumento do desemprego;
que na R. D. do Congo, a Paz está no bom caminho depois da, parece que sim, detenção no Ruanda do líder rebelde tusti-congolês Laurent Nkumba;
que as populações das Lundas, devido ao encerramento da fronteira com a RDCongo, por causa do ébola, sejam reabastecidos de géneros alimentícios por Luanda;
que as pessoas falecidas em Malange não estavam contaminadas pelo ébola;
que os aeroportos, as vias rodo e ferroviárias, os estádios e os diversos hotéis para o CAN2010 não estejam tão atrasados como alguns andam a fazer crer...

Porque hoje é um dia importante na Guiné-Bissau…

A Guiné-Bissau celebra hoje mais um aniversário, o 46.º, do seu levantamento revolucionário contra o colonialismo.

Porque a Guiné-Bissau precisa de Paz, estabilidade social e governativa, de ultrapassar todos os problemas que, não poucos, persistem em manter deixo aqui um trecho de um artigo escrito, no princípio do ano, mas que mantém um pouco da sua actualidade.

Posteriormente e logo que possível o artigo será disponibilizado, íntegra, no Notícias Lusófonas e na minha página-pessoal.

Só uma pequena nota que traduz o habitual nos Média (Comunicação Social, porque é esta a expressão lusófona) portugueses só a Lusa faz referência a este facto segundo uma pesquisa feita no Google (realmente, assim, para quê manter uma secção “Mundo”?)


“Alguém explica porque, pudicamente, as televisões portuguesas omitem o que, eventualmente, se terá passado em Bissau, no fim-de-semana, porque é que a união Europeia e a ONU nada transpiram; mas no caso da UE não estão tão despreocupados assim porque ontem e hoje vários endereços, com origem no Luxemburgo e em Bruxelas, acederam ao Pululu com a questão “quem quis assassinar o Chefe de Estado-Maior da Guiné-Bissau” (esta era, é, a pergunta mais colocada e que dá acesso ao blogue)-

E, hoje, somente a RTP-África noticiou o desarmamento das “Anguentas” as milícias pretorianas que protege o presidente João Bernardo Vieira, de onde, segundo parece, terá saído um “destemperado” tiro – os Aguentas dizem que foi por acidente o disparo, mas segundo alguns militares que estavam na comitiva do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Tagmé Na Waié, terão ouvido disparos.

E se quem denunciou, como referi na nota complementar a um texto no Pululu, sobre este assunto, em 5 de Janeiro passado, foi uma ONG, o Movimento Nacional da Sociedade Civil, através do seu porta-voz Mamadu Queitá, numa conferência de imprensa realizada de manhã, também é verdade que à tarde o ministro da Defesa, Marciano Barbeiro dizia que nada sabia oficialmente (…)
” (ver este texto integral aqui)

22 janeiro 2009

Partidocracia política angolana emagrece

(imagem A24H)
Dando resposta positiva ao pedido do Procurador-geral da República (PGR) para que fossem extintos os partidos que não tivessem atingido o mínimo obrigatório de 0,5% de votos validamente expressos nas últimas eleições, as legislativas de 5 (e 6) de Setembro de 2008, o Tribunal Constitucional decidiu, ao abrigo do art.º 33.º da Lei dos Partidos Políticos, decretar a extinção de 20 partidos angolanos dos 22 propostos pelo PGR.

A Frente para a Democracia (FpD) e o Partido para Aliança Juventude Operária Camponesa de Angola (Pajoca) apesar de estarem no mesmo rol não foram considerados por duas razões distintas. Enquanto sobre o Pajoca ainda decorrem
processos burocráticos o FpD já há muito tinha solicitado a sua extinção – na Convenção de 5 de Outubro passado – pelo que no acórdão de 16 de Janeiro o TC decidiu não ser necessário dar provimento ao pedido do PGR. Também sobre o PDP-ANA decorrem trâmites burocráticos que poderão levar à sua extinção.

Foram
formalmente extintos os partidos Liberal Democrático (PLD), de Apoio Democrático e Progresso de Angola (Padepa), Renovador Democrático (PRD);

Os que se apresentaram coligados no Fórum Fraternal Angolano (Fofac), como segue: Angolano Conservador do Povo (Pacopo), Democrático dos Trabalhadores (PDT), Juvenil da Social Democracia (Presa/PJSD) e a Frente Nacional de Desenvolvimento Democrático de Angola (FNDDA);

Os partidos coligados na Plataforma Política Eleitoral (PPE): Aliança Nacional Democrática (AND), Democrático Unificado de Angola (PDUA), Nacional Independente de Angola (PNIA), Angolano para a Unidade Democracia e Progresso (PAUDP), de Convenção Democrática e Progresso (PCDP), União Nacional Democrática (USD), da Comunidade Socialista de Angola (PCSA), Movimento Democrático de Angola (MDA), Centro Democrático Social (CDS) e da Aliança Nacional Democrática (AND):

E, finalmente, os que se apresentaram ao eleitorado sob a coligação Aliança democrática (AD-Coligação): os partidos da Unificação Democrática de Angola (UDA), Nacional Ecológico de Angola (PNEA) e a Convenção Nacional Democrática de Angola (CNDA).

Pessoalmente creio que os partidos que se apresentaram coligados não deveriam ser extintos até mostrarem que, efectivamente, não representam nem têm qualquer legitimidade junto do eleitorado.

Todavia não é essa a leitura do PGR nem a interpretação do TC pelo que Angola, que chegou a ter entre
125 e 135 partidos registados no então Tribunal Supremo, viu o seu ainda enorme leque de partidos, fortemente emagrecido.

Reconheça-se, embora quem o deva fazer publicamente só o faça dentro de muros, que muitos destes partidos e agrupamentos políticos existiam como satélites dos principais partidos políticos angolanos e só foram criados com vista tirarem potenciais votos aos seus adversários!

21 janeiro 2009

O que difere Gaza de Kivu ou outras paragens?

"Poderia e gostaria de começar este artigo de outra forma que não fosse relembrar que em Gaza (Palestina), no Kivu (Rep. Dem. do Congo) e em outras paragens, principalmente africanas, os trovões que assinalaram a passagem de ano deveram-se não a festejos pelo Dia Mundial da Paz mas, e tão só, devido à guerra.

E sendo locais “favoritos” da guerra o que as pode diferenciar?

Desde logo, e à primeira vista, o facto de Gaza ser na Ásia, embora mesmo ao lado de África, e Kivu ser no centro de África. Só por si isto já seria um motivo para as diferenciar.

Seria se não fosse o facto de ambas regiões estarem sob o espectro da guerra, de massacres que a mesma sempre provoca e de vítimas inocentes, porque também as há.

Mas há outros factores que diferenciam Gaza de outras regiões onde persistem crises militares, massacres, violações, assassinatos e tudo o que de mais abjecto acompanha as guerras.

Em Gaza os povos que lá a habitam têm uma coloração semelhante às dos países que mais têm vociferado – e bem, diga-se, – contra os cobardes ataques de mísseis sobre populações civis levados a efeito por uma organização considerada, mesmo no areópago que é a ONU, como terrorista, o Hamas, e que não reconhece a existência de Israel; também esses países exigem de Israel o fim dos ataques e o massacre que os seus raids aéreos e terrestres têm provocado sabendo que os terroristas, como cobardes que são, se acoitam entre os civis na esperança de não serem atacados ou passarem incólumes. E como isso não demove Israel, os civis, nomeadamente crianças, acabam por ser alvos fáceis dos ataques.

Em Kivu os povos que lá habitam são, não raras as vezes, vistos como sub-humanos, como não-gente, pelos mesmos Países que agora tão solidariamente se preocupam com uma parte da Palestina. São, de facto, sub-humanos porque são esses países que não se interessam pela sua condição enquanto pessoas, enquanto seres vivos. Como alguns diriam, embora soa pejorativamente como uma crítica racista – e não me admiraria que o editor, por pudor, e muito bem, registo, retirasse esta frase – são somente… pretos!

Mas há mais quanto ao que difere Gaza de outras regiões onde ciclicamente existem focos de guerra ou crises sociais humanitárias: seja em Kivu, no Zimbabué, na Somália, ou seja – ainda se lembram onde é? – no Darfur. (...)
" (Pode continuar a ler aqui)
Publicado no semanário santomense , edição 199, de 17 Janeiro 2009

Poder e Média ou a mútua adulação

(imagem com base numa ximunada daqui)

Interessante, embora não surpreendente, o queixume de Francisco Trindade, autor do blogue “ANOVIS ANOPHELIS” e antigo colaborador do Suplemento de Cultura do Diário de Notícias, entre 1987 e 1996, e ex-coordenador da Página da Educação, quando alerta para a subserviência do Poder aos Média e destes ao Poder com as evidentes consequências junto dos leitores.

Mas isso parece não preocupar, minimamente, o Poder ou os donos dos Média.

Naturalmente que ao Poder quantos menos o atacarem menos os leitores saberão e menos juízos farão na altura da colocação da cruz no papel rectangular que se coloca nas urnas.

Para alguma coisa, em alguns sítios, só existe um jornal, uma rádio e, ou televisão oficial porque são os únicos que oferecem a protecção necessária ao Poder aí ou ali instituído.

Já para os donos dos Média a preocupação é relativa porque sabem que o Poder precisa deles e são eles que, não poucas vezes, elegem ou fazem eleger quem melhor defenderá os seus interesses. Sabem que muitos dos eleitores preferem que lhes digam o que fazer ou quem devem votar em vez de se preocuparem em pensar por si.

Se assim fosse muitos elegíveis não teriam lugar nos diferentes areópagos para onde são eleitos.

Há já uns anos que isso, por exemplo, acontece em Portugal e, sublinhe-se, sem que o Poder tenha qualquer cor política definida. Bem pelo contrário. Para um Poder novo há sempre um Sistema velho e habitual. Mútua subserviência para defesas comuns.

20 janeiro 2009

Sim, eles quiseram poder (can) e conseguiram-no

(imagem Sapo.pt)

Aos 20 dias da Graça do Senhor, do mês de Janeiro, do ano de 2009, às 12,06 horas locais, Washington DC, os EUA e o Mundo viam ser concretizado o primeiro grande passo oficial para a concretização do sonho de muitos, de Luther King e, principalmente, de Obama e dos norte-americanos.

Os EUA deixam de ver somente na vida ficcionada dos pequenos e grandes ecrãs um presidente negro (afro-americano) e passam a ter a realidade na Avenida Pensilvânia.

Pela primeira vez, 40 anos depois de Martin Luther King ter divulgado ao Mundo o seu sonho, 43 anos depois dos atletas (membros e, ou simpatizantes) do Black Power terem mostrado ao Mundo o seu punho cerrado nas Olimpíadas do México, pouco mais de 20 ou 30 anos depois do KKK começar a sentir, fortemente, o peso da Justiça americana e ver os seus membros serem condenados a pesadas penas de prisão por ataques a todos os que não evidenciavam, geneticamente, a sua arianidade, os EUA têm, oficialmente, um afro-americano sentado na Sala Oval da Casa Branca a mandar os destinos da ainda Nação mais poderosa do Mundo.

Barack Hussein Obama é, desde hoje, oficialmente, o 44º Presidente dos EUA, acompanhado por Joe Biden Jr como seu vice-presidente e, entre outros, por Hillary Clinton como Secretária de Estado.

Os Estados Unidos da América, o país dos sonhos, das liberdades, da multirracialidade – embora esteja ainda um pouco mitigada – provaram hoje que podem, realmente, conseguir atingir a sua meta.

De facto, o primeiro grande passo oficial para o conseguirem já foi dado. Que outros, nomeadamente em África, sigam o exemplo e consigam eleger políticos geneticamente diferentes e tal como os americanos escolham a “esperança em vez do medo”…

O primeiro grande discurso de Obama foi claramente mais para dentro do País que para o Mundo.

Todavia não deixou de mostrar as mãos nuas ao exterior e pedir que mostrem que estarão disposto a acompanhar a América na luta pela Paz, pelo fim do Terrorismo e forte combate aos Extremismos, pela maior intervenção das Nações em vias de Desenvolvimento, pela luta contra o fantasma do Aquecimento Global.

Vamos aguardar os próximos discursos e as primeiras medidas da nova Administração para no fim dizermos que o seu “Yes, We Can” se torne no “Yes, They really succeeded”!