19 outubro 2009

Angola entra na rota dos Casinos

País que se preze e que queira ser um aprazível local de inúmeros turistas, procura mimá-los com tudo o que é lhe possível apresentar.

Mesmo que a entrada não seja tão fácil como seria desejável, nem a quantidade anual de turistas entrados pareça o justificar, apesar das paradisíacas praias e paisagens que pululam neste maravilhoso País que se chama Angola, nem as camas disponíveis são suficientes para atrair os ditos turistas – espera-se que, com o CAN, essa disponibilidade seja maior, embora haja, com muita pena, quem duvide que os hotéis estão prontos a tempo – tudo o que possa chamá-los é sempre uma mais vantagem.

Por isso, ou talvez por isso, mesmo, ainda que as praias pareçam não ser suficientes, ainda que os Parques Nacionais, pareçam estar no esquecimento de alguns agentes turísticos; ainda que a heterogénea mistura cultural que cimenta uma proto-Nação como Angola – uma das pouquíssimas em África – pareça estar algures em parte incerta, há algo que não escapa aos gestores e visionários turísticos angolanos: o Casino.

Ou não houvesse em Angola, a rodos para dar e vender, bué de kumbu, embora só em tão pouquíssimas mãos enquanto o povo vai (sub)sobrevivendo como pode e como os expedientes vão deixando fazê-lo. E se há Povo que sabe fazer das amarguras, um naco de vida, alegre e folgazona como o Angolano…

Por isso, Angola abriu um concurso público para
abertura de Casinos e outras salas de jogo pelo País.

Um dos primeiros vai abrir no novo Hotel Intercontinental (cinco estrelas), que se encontra em fase final de construção, sob a gestão de um consórcio (joint-venture) entre o magnata macaense luso-chinês Stanley Ho e a empresária angolana Isabel dos Santos.

Além deste, e segundo a agência Macauhub, o consórcio terá obtido a concessão do futuro Casino que vai ser erguido no Complexo Gika, em Luanda.

Registe-se que estas duas salas de jogo estava, inicialmente, segundo parece, destinadas à Plurijogos, cujo líder se chamará Kundi Pahiama, actual Ministro da Defesa, e que já deterá as salas de jogos do Hotel Tivoli e as casas Embaixador, a coberto de um exclusivo da gestão das salas de jogo em Luanda.

Parece que alguém achou que esse exclusivo deveria ir para a sarjeta. Ou não estivesse no Consórcio concorrente alguém que se chama Isabel dos Santos, uma empresária de sucesso que, só por mera casualidade – claro, e outra coisa não seria expectável – é filha de sua Excelência Engenheiro de Petróleos, José Eduardo dos Santos, o Presidente da República.


Não há dúvidas que investimentos rendosos no estrangeiros são uma mais valia. É claro que ninguém acredita que uma filha de um presidente angolano iria ter uma considerável fortuna por via paterna. Ora como se consta um vencimento de um Presidente em Angola, é muito baixo, logo, só uma inteligência e visão gestoras conseguiria a importante fortuna que faz estar entre as angolanas – está correcto o substantivo – que dominam a bolsa portuguesa e, indirectamente, as principais empresas petrolíferas, bancárias e de telecomunicações lusitanas…

O Povo não tem dinheiro para os Casinos, não há problemas. Em Monte Carlo e em Macau, os seus Povos também não ou não podem mesmo lá entrar, como é no caso dos monegascos. O que interessa é encher os bolsos dos gestores e lapidar os dos incautos que vão à procura de fortunas desconhecendo que as transferências para o exterior são condicionadas…

E viva o turismo lúdico-casiniano…

Angola no fim-de-semana desportivo

(foto e montagem ©Elcalmeida/Notícias Lusófonas – via TPA)

Atlético Petróleos de Luanda (Petro de Luanda) conquista o Bicampeonato após vitória sobre o ASA por 2-1 e beneficiando do tremendo tropeção do Benfica de Luanda, no sábado passado, frente ao 1º de Agosto por expressivos 5-1.

Benfica de Luanda, 1º de Agosto e Recreativo do Libolo, entram na última jornada a olhar para o segundo lugar do Girabola 2009 que também pode dar acesso às provas da CAF.

De salientar os regressos do Sporting de Cabinda e do lunda Sagrada Esperança ao convívio dos grandes enquanto aguardam qual a terceira equipa que os irá acompanhar nesta subida e que sairá do duelo entre o Benfica do Lubando e o Petro do Huambo.

(*) Entretanto, em Antananarivo, Madagáscar, as senhoras de Angola
conquistaram a medalha de bronze ao vencerem na última partida as suas opositoras da Costa do Marfim (Cote d’Ivoire) por 76-57.

Por sua vez Moçambique, neste campeonato não foi além do sexto lugar ao perder a última partida com a Nigéria por 67-57.

O Senegal, vencedor do Mali (a então campeã em título) conquistou o seu 10º Campeonato e, tal como o Mali, vai participar no Mundial que decorrerá, no próximo ano, na República Checa.

(* Imagem do Basquete: a FIBA-África parece não encontrado melhor imagem das senhoras angolanas….)

16 outubro 2009

Pululu no Blog da Comunicação

Às vezes há situações que torna o nosso ego enorme. E quando de entre as referidas situações estão aplausos dos nossos companheiros de estrada com o relevo que o Blogue da Comunicação me proporcionou, ainda mais se torna evidente essa enorme intumescência balonista quase olímpica.

Aos editores deste conceituado blogue – eu chamar-lhe-ia mais portal que simples blogue tal a natureza e a qualidade do mesmo e dos seus autores – o meu muito obrigado.

É bom vermos ser reconhecidos no exterior quando no nosso País, apesar do reconhecimento externo e dos acessos internos, passamos quase despercebidos em certa comunicação social, mesmo que previamente contactados sobre o blogue.

“Todas as sexta-feiras é dia de indicações de excelentes blogs no Blog da Comunicação. Essa semana indicamos aos nossos leitores o blog Pululu, de autoria do escritor e académico angolano Eugénio Almeida. O Pululu é o blog mais popular e acessado em Angola e está entre os 150 mais vistos da África, segundo o portal Afrigator. Este blog também é muito citado na mídia angolano e no portal Global Voice. Há cerca de dois anos, foi indicado pelo jornal brasileiro Gazeta do Povo como um dos 50 blogs onde se podem entender o Mundo. Ano passado o Pululu foi finalista na categoria Repórteres Sem Fronteira do Prêmio Mundial The Bobs.

Eugénio afirmou que se lançou na blogosfera porque achava que a África, em geral, e Angola, em particular, tinham pouca divulgação na blogosfera. “Além de que a criação do blog serviu também, como apoio às investigações que fui fazendo para o meu doutorato, o qual, incidia, naturalmente, sobre África e Angola”, disse o escritor que entrou para blogosfera a convite do jornalista de Guiné-Bissau Aly Silva, para escrever algumas coisas para o blog
Ditadura do Consenso.

O blogueiro angolano afirmou que gosta de escrever artigos sobre a África e Angola, sua pátria e questões sociais, políticas e intervenções de natureza cívica. “O continente Africano, em geral, e Angola, em particular, ainda têm muita coisa que necessitam ser denunciado. Quando caso, e, ou, aplaudido, infelizmente menos do que seria desejável, quando aplicável”, diz Eugénio.
O Blog da Comunicação indica essa semana o blog Pululu (
http://pululu.blogspot.com/). Semana que vem tem mais. Boa leitura!”

Obrigado!

A quem interessou a crise dos “expulsados”?

Angola, Congo e República Democrática do Congo uma triangulação que pode ser petroliferamente explosiva (in: N. Lusófonas)

"Nestes últimos dias assistimos a uma pequena batalha de, ora expulso eu, ora expulsas tu, entre Angola e a República Democrática do Congo (RDC), de início, e também da parte da República do Congo, mais recentemente.

Ou seja, Angola expulsava congoleses, na maioria ilegais e garimpeiros, e a RDC respondia com a expulsão de angolanos, a maioria a viverem no Congo há muitos anos e, a maior parte deles, em situação legal.

Não está aqui em causa a legitimidade dos Países em expulsarem estrangeiros quando as condições a isso o levam, mesmo que isso tenha por detrás, e não poucas vezes, razões extra-políticas e, principalmente, atropelos aos Direitos Humanos.

Sabe-se, ou disso foi feito anúncio público que tudo terá começado com a expulsão de muitos congoleses que faziam vida ilegal em Cabinda, onde, se alguns faziam o trajecto diário entre a fronteira e a Cidade diariamente – Cabinda dista da fronteira congolesa cerca de 20 a 25 km e há transportes diários e contínuos – outros assentaram a vida na capital provincial mais a norte do País, de forma permanente e ilegal onde faziam transacções comerciais em competição com os legais e os próprios cabindenses.

Mas também é domínio público que muitos dos congoleses estavam ilegais em zonas diamantíferas – onde o monopólio de certos senhores da nomenklatura predomina – sem cumprirem com os deveres tributários da exploração e delapidando um bem natural público e, principalmente, muito, mas muito, proveitoso para ajudar certas entidades a comprar quintas, bancos e outros bens em zonas fora de Angola, o que, no mínimo, era inaceitável.

Alia-se a esta absurda situação de múltiplas expulsões, o facto de uma pessoa além de ser expulsa de um País onde, não poucas vezes, tem uma vida social estável ou estabilizada e se vir perante o facto de estar confinar a um campo de refugiados sem as condições, muitas vezes, infelizmente, mínimas de sobrevivência tornam a vida de um refugiado preocupante, se vê ainda confrontado com a dúvida, apesar de tudo, legítima, de o questionarem se de facto é ou não angolano, esquecendo-se o seu inquiridor que muitos fugiram do País sem documentos válidos devido a uma confrontação fratricida que grassava em Angola, aliado ao facto de, entre os “expulsos” se encontrarem congoleses que procuram uma nova nacionalidade e uma fuga aos caos social da RDC.

Ora isso provoca problemas psicológicos e muito traumáticos entre os “expulsos” qualquer que seja a sua efectiva nacionalidade. Todos passam a ser vistos pela mesma linha de pensamento, ou seja, todos acabam por ser vistos como intrusos que terão de provar a sua efectiva nacionalidade perante factos pouco edificantes e perante amigos que, naturalmente, não se sabe se também eles não estarão a fazer o jogo do “coitadinho”, ou seja, se serão mesmo angolanos.

Um problema dos países que ainda não dispõem de condições viáveis para que todos os seus cidadãos sejam devidamente enquadrados. Um problema por que passam todos os países onde a palavra “refugiado” é tão comum como a fome ou a miséria.

Se de início esta troca de expulsões era só entre Angola e RDC, acabou por se estender, e por vontade de Brazzaville, à República do Congo.

E aqui se levanta a questão que, muito pertinentemente, alguns analistas já afloraram mas que parecem ter receio de o expor publicamente. A quem, realmente, interessa este caso de múltiplas e paritárias expulsões? (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado como "Manchete" do sob o sugestivo título de "A quem interessa uma crise com epicentro em Cabinda?" e retranscrita no portal Angola Digital, sob o título acima, de onde foi retirada a foto para este apontamento, e no Correio Digital

13 outubro 2009

Autor moçambicano vence Prémio Leya 2009

(imagem "Moçambique para todos")

João Paulo Borges Coelho e o romance "O Olho de Hertzog" conquistaram a segunda edição do Prémio Leya, conforme anunciou hoje o presidente do júri, Manuel Alegre.

O prémio, no montante de 100 mil euros distingue, segundo Manuel Alegre, "um romance de grande intensidade, em que se conjugam a complexidade das personagens, a densidade da trama narrativa e a busca do olho de Hertzog, que é, de certo modo, uma metáfora da demanda do destino individual e colectivo".

A obra retrata e oferece-nos o "contexto histórico dos combates das tropas alemãs contra as tropas portuguesas e inglesas na I Guerra Mundial, na fronteira entre o ex-Tanganica e Moçambique, o confronto entre africânderes e ingleses, a emigração moçambicana para a África do Sul, a reacção dos mineiros brancos, as primeiras greves dos trabalhadores negros e a emergência do nacionalismo moçambicano, nomeadamente através da imprensa e dos editoriais do Jornalista João Albasini".

Ao prémio concorreram 201 originais.

Notas sobre o autor:

João Paulo Borges Coelho é historiador e escritor moçambicano, apesar de ter nascido no Porto, em 1955. Todavia, sendo filho de pai transmontano e de mãe moçambicana, cedo foi viver para Moçambique e adquiriu nacionalidade moçambicana. Estudou em Moçambique, obtendo posteriormente Doutoramento em História Económica e Social conferido pela Universidade de Bradford (Reino Unido) e Licenciatura em História conferida pela Universidade Eduardo Mondlane, Maputo, onde hoje ensina História Contemporânea de Moçambique e África Austral.

É, também, professor convidado no Mestrado em História de África da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem-se dedicado à investigação das guerras colonial e civil em Moçambique, tendo publicado vários textos académicos em Moçambique, Portugal, Reino Unido, Espanha e Canadá.

Como escritor, estreou-se na ficção com "As Duas Sombras do Rio", em 2003, e , 2005, foi o vencedor do Prémio José Craveirinha, atribuído em 28 de Março de 2006, com o livro "As Visitas do Dr. Valdez".

Normalmente, Moçambique é o principal pano de fundo de todo o seu trabalho de ficção.

Outras obras publicadas pelo autor:

“Índicos Indícios I. Setentrião”, Editorial Caminho, 2005; “Índicos Indícios II. Meridião”, Editorial Caminho, 2005; “Crónica da Rua 513.2”, Editorial Caminho, 2006; “Campo de Trânsito”, Editorial Caminho, 2007; “Hinyambaan”, Editorial Caminho, 2008; e dois livros de animação “Akapwitchi Akaporo. Armas e Escravos”, Maputo, Ed. do Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1981; e “No Tempo do Farelahi”, Maputo, Ed. do Instituto Nacional do Livro e do Disco, 1984 (o autor assina apenas João Paulo).

Fonte SAPO/LUSA/Grupo Editorial Leya e Publicado em simultâneo com o Notícias Lusófonas (Cultura)

12 outubro 2009

Animais fora do Circo…?

(No Ano Internacional do Gorila, talvez uma medida acertada para acabar com imagens dergradantes com esta; imagem Internet)

Segundo a agência noticiosa portuguesa LUSA, terá sido hoje publicado uma portaria governamental 1226/2009, de 12 de Outubro, conjunta dos ministérios do ambiente e da Agricultura e Pescas, que proíbe a “exibição de animais nos circos” porque a mesma portaria “proíbe a compra de novos macacos, elefantes, leões ou tigres e que impede a reprodução dos animais já detidos pelos circos”.

Mas também estão incluídos na lista animais como avestruzes, ursos, outros primatas, focas e “família”, jacarés e “famílias” ou serpentes de características boídeos, como a “boa constrictor”, por exemplo, e pitões, entre outros definidos nos citados anexos que acompanham a portaria e que remetem para o n.º 2 do artigo 8.º do Regulamento (CE) n.º 338/97, do Conselho, de 9 de Dezembro de 1996, relativo à aplicação da Convenção de Washington, sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES).

Uma medida talvez justa embotra, por certo, irá colocar em perigo muitas empresas circenses.

Não contesto a proibição da compra de novos animais. Agora o que não entendo é a proibição de reprodução pelos já existentes em Circos sabendo que muitos deles têm a sua existência e manutenção da espécie salvaguardada pelos Circos.

Mas, naturalmente, por aqueles que mostram respeitar os animais e não por, como já foram denunciados e provados, por aqueles que os mantém em abandono e em sofrimento.

Vamos aguardar e ver se a portaria terá mesmo algum efeito ou se será contraproducente. É que não basta uns dizerem Basta e outros caçá-los furtivamente e, não poucas vezes, com o pouco discreto beneplácito de autoridades locais onde são caçados!