03 dezembro 2011

Hoje há mais uma manif…

Hoje, dia de sua majestade suprema e incontestada – pelo menos pelos seus correligionários e indefectíveis –, 3 de Dezembro de 2011, está – ou esteve – prevista (repito, está prevista…) mais uma manifestação por vários direitos e manifestos, com organização e realização da Organização 27 de Maio.

Entre os vários manifestos contam-se “Abertura de um processo sobre o 27 M”; entrega das ossadas das vítimas reclamadas e nunca disponibilizadas nem indicadas o lugar do seu enterramento e “emissão de certidões de óbito”; um “Memorial pelas vítimas do 27 M”; ou “indemnizações aos presos políticos e seus familiares”.

Está ou esteve prevista porque até ao momento já há notícias de expurgados, pela Polícia, que estariam no local da manif, no Cazenga, Luanda, e de espaçamento – por indivíduos que estariam à civil e pretensamente fardados – de um dos mais activos lutadores dos Direitos Humanos e um dos principais impulsionadores das últimas manifestações Carbono Casimiro (CC).

Este ignóbil acto contra o activista, que teve de ser assistido numa clínica do Prenda, na cidade da Kianda, aconteceu quando falava com a senhora Lisa, da Human Right Watch, e, segundo dizem e escrevem nas páginas sociais, sob a "vista" de jornalistas da RTP - será que vão mostrar imagens, ou... - do activista e escritor Rafael Marques, da Rádio Ecclésia-ECA, da Voz da América e de alguns membros de jornais privados nacionais.

Não é assim, com atitudes musculadas de quem devia fazer respeitar a diferença de ideias e a Constituição, que se afirma uma Democracia nem se dá ao respeito ou à afabilidade. Muito menos em vésperas de aniversário, de Congresso e da campanha eleitoral se houver…)!

NOTA COMPLEMENTAR: Segundo Jose Gama, "O Rafael Marques acaba de ser posto em liberdade. O regime havia prendido, também a jornalista Isabel João, Coque Mukuta e Antonio Paulo por terem feito cobertura de uma manifestação em Luanda. O Jovem Carbono Casimiro é dado como desaparecido enquanto que outros estão a receber tratamento no hospital após terem sido espancados pela Policia Nacional e elementos do SINFO que se fizeram passar por marginais. (Este é um dos muitos lamentos que correm na rede social Facebook).

Assim, dificilmente há um mínimo de credibilidade. Principalmente quando as televisões estrangeiras fazem uso deste tipo de informação - até as que mais próximas estão do Poder - ou quando circulam na Internet fotos bem sugestivas de indivíduos fardados a agredirem uma pessoa sentada no chão. É bom que Luanda se recorde que as fotos de Santa Cruz (Timor) levaram à queda do regime indonésio...

02 dezembro 2011

Guiné-Bissau, nova crise à vista?

Há muito que corriam rumores que o presidente Malam Bacai Sanha estava com sérios problemas de saúde. Eram conhecidas as constantes visitas, algumas repentinas, outras preparadas, a Dakar e a Paris para consultas e alguns internamentos, devidos a uma doença, nunca publicamente esclarecida.

Soube-se, há dias, que Sanhá tinha ido, uma vez mais a Dakar e recambiado de urgência para Paris onde o primeiro-ministro ter-se-ia deslocado para saber da situação clínica do Presidente, enquanto, na região, haveria algumas movimentações de países limítrofes, abrigando-se sob o chapéu protector da Comunidade Económica para Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO), para, caso necessário, intervir no único país lusófono daquela região africana – exceptuando, claro, mas este é outro “piano”, Cabo Verde – caso a situação degenerasse, como parecem não só prever, como desejar e ansiar.

E para reforçar a sempre latente crise que se reproduz na Guiné-Bissau, acabámos de saber, através do semanário electrónico “A Nação” que o Presidente Bissau-guineense já estará em coma hospital Militar Val de Grâce, em Paris, devido a sérias complicações de saúde, com os seus principais colaboradores a temerem pelo que se possa desenrolar no País onde, periclitante ou não, ia-se cimentando uma pequena estabilidade política, militar e social.

Esta situação não será tão estranha dado que, ainda recentemente, o premiê cabo-verdiano, José Maria Neves, que esteve durante uns dias de visita à Guiné-Bissau, também teria confirmado que o estado de saúde do presidente Bissau-guineense, transferido no último fim-de-semana de um hospital de Dakar para outro em Paris, inspirava “alguns cuidados”.

Igualmente a Oposição anda preocupada e deseja ser devidamente informada do verdadeiro estado de saúde do Presidente até porque o Chefe de Governo carlos Gomes Júnior que se tinha deslocado de propósito a Paris para ver o Presidente, facto que acabou por não acontecer, dizia ter recebido “notícias encorajadoras” quanto ao seu estado de saúde.

Para reforçar a já visível instabilidade política no País, também o Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, Antonio Indjai – que há quem sussurre ter sido um dos mentores que levaram ao desaparecimento de alguns políticos no país após a última crise militar que quase depôs Carlos Gomes Júnior – terá avisado que haverá as habituais “barafundas” para a Guiné-Bissau, caso a CEDEAO decida enviar uma missão militar sob o propósito de garantir segurança às figuras públicas nacionais Bissau-guineenses, bem assim uma força de Paz.

Isto levou os cabo-verdianos, através do seu Ministro de Defesa, a apelar algum bom senso à CEDEAO e muita “prudência” na condução do processo de reforma da Defesa e Segurança na Guiné-Bissau, para evitar “factores de stress” e se prosseguir com o roteiro já orientado e definido com a CPLP.

Ora o que parece, está a passar, de novo, com a Guiné-Bissau. Uma nova e pungente crise à vista com muitos colaterais a salivar nos dedos. Será bom que a CPLP se mostre realmente e, goste-se ou não, que Angola sirva de charneira face a tão grandes e avassaladores apetites...

Não esqueçamos que Angola tem “observadores militares” a ajudar a reformular as forças de segurança na Guiné-Bissau e foi um dos principais financiadores para o o fundo de pensões para ex-militares Bissau-guineenses.

É que a estabilidade na Guiné-Bissau pode ser um farol para a estabilidade na região, principalmente quando com o fim da crise na Líbia se detectam, naquele espaço geográfico, do regresso “de várias pessoas ao Mali e Níger, provenientes da Tripolitânia, algumas delas na posse de armas pesadas”.

Cai ministra, viva ministro…

(o novo símbolo da EDEL - Empresa de Electricidade de Luanda - que "corre" nas páginas sociais)

Já há muito que se especulava que a Ministra da Energia e Águas, Emanuela Vieira Lopes, poderia cair dada a sua inoperacionalidade governativa numa área tão sensível tanto em Angola, no geral, como em Luanda, em particular.

Recordemos que o semanário Novo Jornal, na edição de 9 de Setembro, já antevia esta hipótese, quando num despacho do gabinete do Presidente Eduardo dos Santos, datado de 16 de Agosto passado, lhe eram já então retiradas todas as competência para exercer o cargo. Ora a queda acabou por acontecer neste início do mês e… ministro posto, ministro empossado.

Hoje o Presidente da República – ainda não mudou, continua a chamar-se e tudo parece indicar que assim se vai manter por mais 5 anos – José Eduardo dos Santos, empossou o novo Ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, até agora Secretário de Estado deste ministério, apelando para que acabe a “«falta de eficiência» do sector eléctrico, designadamente no abastecimento de electricidade à capital”.

O que não deixa de ser interessante é que o ministério era totalmente inoperativo como se manda abaixo o titular e se eleva o secretário de Estado, por norma, quem mais deveria estar a produzir. Curioso e relevante…

Se o “jacaré” acordar…

e citado no Pravda

"A República Democrática do Congo (RDC) está na ressaca das votações presidencial e legislativa ocorridas na passada segunda-feira, 28 de Novembro. No momento que iniciei a escrita destas linhas ainda não se sabia quantos teriam votado e quem liderou a votação. Sabe-se, outrossim, que houveram distúrbios e boicotes em alguns círculos, nomeadamente em Lubumbashi, capital do Shaba/Katanga [, que estão confirmados a existência de, pelo menos, 9 vítimas mortais entre eleitores e simpatizantes dos candidatos e que um dos candidatos, Etienne Tshisekedi, viu a sua natural pretensão em votar ser impedida, numa primeira secção de voto – foi bloqueado pela polícia – e só numa segunda secção é que teve o privilégio de expressar sua preferência eleitoral.

Além de Joseph Kabila Júnior e de Tshisekedi, o já experiente candidato oposicionista, houve mais 9 candidatos à cadeira da presidência. As eleições tiveram o impacto e as incertezas que se conhecem. Da parte dos observadores há a ideia que tudo não correu tão mal que não fosse previsível. De acordo com uma ideia do observador internacional, John Stremlau há que esperar que além da paz que persistiu(?!)"(…) os candidatos devem aceitar os resultados das urnas". Sejam quais forem, talvez acrescente eu…

Ora a paz foi tão grande que a comissão eleitoral da RDC (CENI) decidiu prolongar por mais um dia as eleições. E estas já estão inquinadas não só com as vítimas mortais ocorridas durante o acto eleitoral como já haver candidatos, como o ainda presidente do Senado, Léon Kengo, a exigiram que o sufrágio seja considerado nulo devido às irregularidades constatadas e já assumidas pela CENI e por observadores independentes.]

Todavia, é ponto assente que Kabila Júnior, tem todas as condições para voltar a ser o escolhido como o “leopardo” da RDC à frente, bem a frente, de todos os seus adversários, por muito que estes sejam mais credíveis, estrebuchem ou tenham apelado a um boicote sectorial nestas últimas eleições.

E se Kabila parece estar na “pole position” para continuar como presidente da RDC, apesar da persistente concorrência eleitoral de Tshisekedi, essa é também a vontade de Luanda e do Governo angolano dado que, por um lado, já conhece a “peça” e por outro Luanda quer a manutenção da RDC estabilizada porque os dois países partilham uma longa fronteira comum (apesar desta estar a ser sujeita a um escrutínio feroz por parte dos congoleses na parte norte marítima angolana) onde as populações convivem há muitos séculos e pelo facto dessas eleições poderão ser determinantes para o futuro das relações entre os dois países. (...)" (continuar a ler aqui)

NOTA: a parte a azul, por razões de envio tardio à paginação já não pode ser incorporado. Fica aqui para análise e só por isso)

Publicado no semanário Novo Jornal, ed. 202, de 2/Dez./2011, pág. 23; e transcrito no portal, em língua portuguesa, do jornal Pravda, secção Mundo, sob o título "Eleições na RD Congo: Se o jacaré acordar" (http://port.pravda.ru/news/science/05-12-2011/32566-eleicoes_rdc-0/)
Publicado no semanário Novo Jornal, ed. 202, de 2/Dez./2011, pág. 23 e transcrito no jornal Pravda, sob o título "Eleições na RD Congo", em 4/dez./2011

01 dezembro 2011

Bobagens... ou caça aos gambozinos?

Tanta preocupação com os feriados que dão prejuízo de milhões às finanças portuguesas (e pensava eu que daria era às das empresas porque são as únicas que não dão pontes) e vem o Estado, o sempre grande patrão Estado a continuar a dar grandes benesses, como as pontes do Natal e Ano Novo (e, provavelmente, as da Páscoa), enquanto os outros são pura e simplesmente "lixados"!...

1º de Dezembro, Dia Mundial do HIV/SIDA


"A estabilização do VIH/SIDA, a diminuição das novas infeções e do número de mortes e o aumento do número de pessoas a viver com o vírus, são as principais conclusões de um relatório internacional da ONUSIDA, Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado ontem. A África Subsariana continua a ser o foco central da doença, com 68% do total de infectados a nível mundial" (in sapo.pt)