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24 março 2016

E sob o princípio dos Direitos Humanos, tudo é posto em causa - artigo

"Desde o 9-11 (11 de Setembro de 2001) que tudo tem sido colocado em causa em nome de um princípio que deveria ser sagrado para a Humanidade: os Direitos Humanos.

O efeito devastador pós 9-11 levou a ataques, ditos cirúrgicos – ainda que, na realidade, retaliadores – a países que supostamente suportavam e apoiavam ideologicamente os autores dos mortificos atentados de Nova Iorque, Washington DC e Pensilvânia.

Afeganistão foi o principal visado, dado que a autoria teria sido reivindicada pela al-Qaeda que se acoitava neste país, levando ao fim do domínio – mas não ao seu desaparecimento – dos extremistas talibãs.

Em paralelo, aconteceram punições militares ao Iraque, com o derrube de Saddam Hussein, à Líbia, com a deposição de Kadhafi, o quase desmembramento da al-Qaeda com a captura e morte do seu líder Osama bin Laden, a chamada «Primavera árabe» em vários países do Norte de África e da Península arábica e, mais recentemente, o surgimento do inicial Califado, mais tarde reconvertido em Estado, Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL ou EI) (ou ISIS ou IS na versão anglófona, ou Daesh, na versão pejorativa árabe).

Ora foi com o EI e a sua progressiva e acelerada conquista territorial no Iraque e na Síria, que parece tudo se ter desencadeado com maior amplitude. E este tudo, mais não é, que o terrorismo urbano.

É certo que este terrorismo urbano só começou a ser efectivo, quando o Ocidente, baseado numa eventual prorrogativa concedida pelo Conselho de Segurança, e apoiado por alguns países árabes, passou a intervir militarmente – ainda que através de surtidas aéreas – desde Setembro de 2014; a estes se juntou, mais tarde, a Rússia.

O EI passou a ameaçar os países integrantes da coligação anti-Daesh de intervir e aterrorizar os seus países ou interesses, com atentados levados a efeito por suicidas e militantes jihadistas, naquilo que eles chamam de «dias negros».

Se o avisaram, assim o fizeram. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no Novo Jornal, edição 424, de 25 de Março de 2016, página 19 81º caderno)

23 junho 2013

Moçambique, a quem interessa a desestabilização?


(imagem da Internet)

Moçambique parece estar a viver um período indefinido e desestabilizador.


Primeiro foram os médicos a reivindicar melhores condições sócio-profissionais (melhores vencimentos, mais e melhor qualidade na saúde, etc.), como já antes tinham sido os problemas com aumentos de produtos de primeira necessidade ou os aumentos dos chapas...

Agora surge - de novo, começando a ser já uma situação recorrente - a RENAMO e o seu líder a exigirem mais democracia, mais participação "nas despesas do Estado", ou seja, menos para a FRELIMO e mais para os antigos rebeldes.

Manda a democracia que haja - para isso tem de saberem jogar no sistema - alternância do Poder entre as forças políticas em presença eleitoral. Diz a voz popular que só quem tem unhas toca viola ou guitarra. Parece que só a Frelimo e os seus dirigentes têm conseguido manter as unhas grandes para bem tocarem os referidos instrumentos, enquanto os da Perdiz não conseguem descolar da eterna segunda posição e, em alguns caos, até quase subjugados pela nova força política emergente na beira, o MDM.

Até aqui tudo normal e nada de novo. Uns reclamam (Renamo), outros aprendem a caminhar (MDM) e enquanto isso a Frelimo - como outros parceiros irmãos noutras latitudes - vai mantendo o seu status quo.

Talvez por isso ou talvez por ver que nunca mais consegue alterar o rumo da partida a que se propôs também jogar, Afonso Dhlakama resolveu ir passar uma "férias" algo bem compridas para a zona protegida da Gorongosa, onde, segundo algumas bocas anda a ver se consegue recuperar parte da sua antiga força paramilitar visando, talvez, uma tomada de força perante o actual poder instituído da Frelimo, mesmo que acusado de fraude.

Se isso está ou não acontecer cabem aos moçambicanos verificar, denunciar e chamar à razão as forças políticas que não é com crises militares de consequências absurdas e imprevisíveis, excepto para a economia e vidas moçambicanas perdidas, que se consegue a necessária alternância.

Se há fraudes nas eleições, então solicite-se a presença de forças e ONGs credíveis para monitorizar as ditas e acate-se o veredicto dos eleitores. às vezes parecem ignorantes mas os eleitores sabem sempre o que querem e o que consideram melhor para comandar os seus destinos políticos e governativos.

Por isso não se compreende as recentes atitudes políticas de Dhlakama em se "refugiar" no mato desprezando o duplo veredicto popular (legislativas e autárquicas), nem as acusações de hipotéticos ataques paramilitares, endereçados por certas fontes à Renamo, a localidades,  a paióis, ou a caminhos rodoviários com vítimas a registar.

Parece-me que alguém está a usar de afirmações infantis de um porta-voz da Renamo, um tal Brigadeiro Malagueta - ninguém de bom senso as poderia levar em consideração - como base para extrapolar divergências políticas e torná-las militarizadas.

E se olharmos o que se passa no outro lado do continente africano, constata-se que algo se passa de similar com a UNITA a questionar de uma certa legitimidade eleitoral do MPLA, independentemente dos resultados eleitorais, e haver quem, nas páginas sociais se aproveite destas habituais questiúnculas entre os manos e o habitual Poder para excitar e incitar à violências, como umas recentes imagens obtidas no Brasil - a de um motorista assassinado - e "trazidas" para Angola com acusações rácicas e políticas visando, precisamente, o partido do Galo Negro.

São por causa de factos como estes que continuamos a ser olhados de soslaio pelos nossos concorrentes económicos. São por casos como estes é que só esporadicamente somos aceites nos Gs, como o G20.

Tirando a África do Sul, nenhum dos nossos Estados consegue aceder ao grupo dos países emergentes e não é com acusações similares que alguma vez passaremos a ser melhor aceites.

Não basta estarmos de "amizade"  económica e política - e em alguns caos até militar - com as grandes potências para dizermos que somos claramente aceites nos diferentes areópagos internacionais. É tapar o sol com a peneira e esquecer as verdadeiras intenções dos nossos compagnons de route.

Para eles, e nisso os chineses são mestres, só os interesses dos seus Estados prevalecem. Nada perguntem que eles nada questionarão.

Só que eles não estão nos nossos países mas sim nós, os eleitores. E teremos de ser Nós e só Nós que decidir como devemos usufruir das nossas vantagens: o voto! mesmo que isso nos rotule de frustrados!

24 agosto 2012

A crise do Lago Niassa - artigo

"Parece que é apanágio das organizações regionais necessitarem, de quando, em vez, terem uma crise interna para se tornarem credíveis ou mais críveis.

Creio que não existe nenhuma onde isso não tenha acontecido; pelo menos, nas mais conhecidas. Até nas de caraterísticas mais globais, como a ONU ou a OUA/UA.

Recordemos nas crises da Organização do Tratado de Varsóvia (vulgo, Pacto de Varsóvia) com as tentativas de “libertação política” da Hungria e da Checoslováquia abafadas pelo Exército Vermelho e seus aliados,

Ou a continuada crise político-militar que se mantém no seio da OTAN/NATO, entre a Grécia e a Turquia;

Já para não falar dos indisfarçáveis e inalterados litígios políticos-fronteiriços na América Latina…

Se no continente africano continuam a persistir demandas entre os Estados, nomeadamente, na região dos Grandes Lagos, no Corno de África e nos “dois Sudões”, já para não esquecer o que se vai passando no seio da CEDEAO, porque é que a SADC não haveria, também, ela, aparecer com indícios de um estranho – ou talvez não – e perigoso latente conflito no seu interior?

Uma curiosa disputa entre a Tanzânia e o Malawi sobre a delimitação fronteiriça do Lago Niassa.

Um interessante pleito que surge no momento em que Angola passa a presidência da SADC – e está em plena campanha eleitoral, ou algo semelhante – a Moçambique que, quer queira, quer não, é também ele parte muito interessada nesta contenda. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 240, de 24/Agosto/2012, página 23. (transcrito no portal do Jornal Pravda.ru)

19 abril 2012

Guiné-Bissau: Militares e oposição assinam acordo…


(A calma que as aves nos oferecem de lição: foto Jorge Rosmaninho)

Segundo o porta-voz do auto-intitulado Comando Militar e um designado porta-voz de forças políticas de Oposição foi negociado e assinado, ontem, um acordo de transição político-militar de dois anos, no fim dos quais, o poder transitaria para os civis.


À partida tudo indicaria ser um gesto de compromisso interessante e de bom senso. À partida, só que…

Os dirigentes depostos continuam presos ou escondidos e acossados sem direitos alguns.

Sabe-se que a Cruz Vermelha Internacional terá visitado, também ontem, os dois mais altos dignitários políticos da Guiné-Bissau, tendo-os entregues roupas, medicamentos e artigos de higiene. Mas eles continuam detidos…

Os ditos partidos da Oposição, onde se inclui o PRS cujo presidente, Koumba Yalá, esteve, ainda há dois dias, rejeitar o Golpe (?!), aceitam que a actual Constituição seja só “parcialmente respeitada” e que a “Assembleia seja "declara extinta" pelo Comando Militar bem assim confirme a destituição do Presidente interino e do Governo, e saliente que os partidos políticos declaram manter a organização do poder judicial, civil e militar e manter a chefia militar vigente”.

Segundo o comunicado lido pelo porta-voz dos oposicionistas no fim dos dois anos de transição haverá eleições simultâneas das presidenciais e legislativas, com base num recenseamento biométrico e de raiz e com a participação de eleitores guineenses na diáspora.

Se bem nos recordamos esta não é a primeira vez que existe um Golpe de Estado efectivo ou frustrado na Guiné-Bissau.

Tal como das outras vezes, também a vontade castrense e dos políticos oposicionistas em ver o País caminhar para a Democracia e estabilidade política com os militares confinados nos quartéis tem sido a prerrogativa dos Golpes.

E quais têm sido os resultados?

Golpes seguidos de Putschs e Golpes!

E qual tem sido as movimentações dos militares? Mudanças sistemáticas dos trajectos entre os aquartelamentos e os palácios governamentais, Ou seja, nunca se ficam pelos quartéis!

A tão referida eventual carta de Carlos Gomes Júnior à ONU e a tão propalada conversa do embaixador angolano em Bissau, junto dos militares guineenses, parecem confirmar, inequivocamente, as suas pertinentes dúvidas e, porque não dizer, certezas!

Face a estes habituais desenvolvimentos que garantias têm os políticos Bissau-guineenses que agora será de vez o definitivo aquartelamento dos militares?

Penso que ninguém de bom senso e de boa memória acreditará nisso! Tal como o anúncio de um produto de limpeza, a História não engana!
A solução para a Guiné-Bissau passa por adoptar um sistema como o da Costa Rica!

Ou seja, desmilitarizar e acabar com os militares no País e adoptar uma boa polícia de protecção territorial criada de raiz e com uma sustentada vertente democratizadora.

É certo que esta perspectiva foi uma das razões para o Golpe, já que o tal documento de Gomes Júnior, o eventual documento secreto que o Comando Militar tanto evoca – pensemos que será este – preveria a destituição do comando castrense e das forças militares guineenses e a sua substituição por uma força de intervenção legitimada através de um mandato do Conselho de Segurança e Paz da União Africana.

Interessante que hoje estará a ser discutida no Conselho de Segurança da ONU essa eventual ideia sob auspícios de Portugal em nome da CPLP e, talvez, com o beneplácito da União Africana – que já suspendeu, preventivamente a Guiné-Bissau – e, talvez, da CEDEAO.

Talvez, porque, não é líquido que não haja uma clara mãozinha francófona, face ao xenofobismo linguístico quer dos militares quer de uma certa classe política guineense face à CPLP.

O que, em boa verdade, até se compreende…

O certo é que Angola, em primeiro lugar, e a CPLP em seguida, estão a perder a face na disputa pela primazia política na Guiné-Bissau.

Enquanto isso, os guineenses continuam sem gozar de uma Paz política e democrática  no País!


Apontamento transcrito no portal Guiné-BissauDocs (http://guinebissaudocs.wordpress.com/2012/04/19/analise-pululu-guine-bissau-militares-e-oposicao-assinam-acordo/) e publicado como Manchete do Notícias Lusófonas

02 dezembro 2011

Guiné-Bissau, nova crise à vista?

Há muito que corriam rumores que o presidente Malam Bacai Sanha estava com sérios problemas de saúde. Eram conhecidas as constantes visitas, algumas repentinas, outras preparadas, a Dakar e a Paris para consultas e alguns internamentos, devidos a uma doença, nunca publicamente esclarecida.

Soube-se, há dias, que Sanhá tinha ido, uma vez mais a Dakar e recambiado de urgência para Paris onde o primeiro-ministro ter-se-ia deslocado para saber da situação clínica do Presidente, enquanto, na região, haveria algumas movimentações de países limítrofes, abrigando-se sob o chapéu protector da Comunidade Económica para Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO), para, caso necessário, intervir no único país lusófono daquela região africana – exceptuando, claro, mas este é outro “piano”, Cabo Verde – caso a situação degenerasse, como parecem não só prever, como desejar e ansiar.

E para reforçar a sempre latente crise que se reproduz na Guiné-Bissau, acabámos de saber, através do semanário electrónico “A Nação” que o Presidente Bissau-guineense já estará em coma hospital Militar Val de Grâce, em Paris, devido a sérias complicações de saúde, com os seus principais colaboradores a temerem pelo que se possa desenrolar no País onde, periclitante ou não, ia-se cimentando uma pequena estabilidade política, militar e social.

Esta situação não será tão estranha dado que, ainda recentemente, o premiê cabo-verdiano, José Maria Neves, que esteve durante uns dias de visita à Guiné-Bissau, também teria confirmado que o estado de saúde do presidente Bissau-guineense, transferido no último fim-de-semana de um hospital de Dakar para outro em Paris, inspirava “alguns cuidados”.

Igualmente a Oposição anda preocupada e deseja ser devidamente informada do verdadeiro estado de saúde do Presidente até porque o Chefe de Governo carlos Gomes Júnior que se tinha deslocado de propósito a Paris para ver o Presidente, facto que acabou por não acontecer, dizia ter recebido “notícias encorajadoras” quanto ao seu estado de saúde.

Para reforçar a já visível instabilidade política no País, também o Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, Antonio Indjai – que há quem sussurre ter sido um dos mentores que levaram ao desaparecimento de alguns políticos no país após a última crise militar que quase depôs Carlos Gomes Júnior – terá avisado que haverá as habituais “barafundas” para a Guiné-Bissau, caso a CEDEAO decida enviar uma missão militar sob o propósito de garantir segurança às figuras públicas nacionais Bissau-guineenses, bem assim uma força de Paz.

Isto levou os cabo-verdianos, através do seu Ministro de Defesa, a apelar algum bom senso à CEDEAO e muita “prudência” na condução do processo de reforma da Defesa e Segurança na Guiné-Bissau, para evitar “factores de stress” e se prosseguir com o roteiro já orientado e definido com a CPLP.

Ora o que parece, está a passar, de novo, com a Guiné-Bissau. Uma nova e pungente crise à vista com muitos colaterais a salivar nos dedos. Será bom que a CPLP se mostre realmente e, goste-se ou não, que Angola sirva de charneira face a tão grandes e avassaladores apetites...

Não esqueçamos que Angola tem “observadores militares” a ajudar a reformular as forças de segurança na Guiné-Bissau e foi um dos principais financiadores para o o fundo de pensões para ex-militares Bissau-guineenses.

É que a estabilidade na Guiné-Bissau pode ser um farol para a estabilidade na região, principalmente quando com o fim da crise na Líbia se detectam, naquele espaço geográfico, do regresso “de várias pessoas ao Mali e Níger, provenientes da Tripolitânia, algumas delas na posse de armas pesadas”.

12 abril 2011

A queda de Gbagbo...

O 11 de Abril de 2011, pode ter marcado não só o fim de um regime com a detenção do antigo presidente ivoirense Laurent Gbagbo pelas forças conjuntas franco-onusianas, como pode, ainda, potenciado a alteração de um rumo de uma determinada potência regional, no caso, Angola, como ter aliado a reafirmação de uma antiga potência colonial, a França, e de um novo estatuto das Nações Unidas. pela intervenção clara e inequívoca de forças da ONU num conflito.

É certo que, de acordo com as autoridades francesas, teriam sido as forças milicianas de Alessane Ouattara, declarado internacionalmente como vencedor das eleições de Novembro passado, a deter Gbagbo. Mas também é certo que isso só terá acontecido devido ao apoio aerotransportado das forças francesas num ataque promovido contra a residência presidencial onde estava acoitado o declarado vencido presidente após solicitação do secretário-geral das nações Unidas, Ban Ki-moon, para que fosse evitado um massacre das populações civis.

Mas se Gabgbo foi o derrotado e franceses e milicianos de Ouattara os grandes vencedores numa refrega onde o povo foi quem mais sofreu, é também certo que a estratégia de Angola, na região, saiu fortemente beliscada. Veremos como os parceiros da União Africana verão, no futuro, esta atitude angolana de persistir na manutenção de Gbagbo como presidente, apesar dos esforços da comunidade internacional no sentido contrário.

E as palavras da senhora Clinton, ontem, foram bem elucidativas quanto a um certo futuro…

01 abril 2011

Quem perde na Cote d’Ivoire?

(Foto © Jean-Philippe Ksiazek/AFP/Getty Images, in Zwela Angola)
A Cote d’ Ivoire está a ferro e fogo total e isso já todos sabemos.


O vencedor internacional – que não institucional – das eleições presidenciais de Novembro de 2010, Alassane Ouattara, está a avançar inexoravelmente para Abidjan a fim de forçar a destituição do antigo presidente e declarado vencido nas citadas eleições, Laurent Gbagbo.


As forças de elite presidenciais e as milícias de Gbagbo estão impotentes face à vantagem adquirida pelas milícias e pelas Forças Republicanas da Costa do Marfim, o novo exército criado por Ouattara, que já conquistaram a capital política, Yamoussoukro, o principal veículo de escoamento da fonte de subsistência de Gbagbo, o cacau, o porto de San Pedro, e terão ocupado a televisão ivoirense aproximando-se do palácio presidencial, no bairro do Plateau, onde estará acoitado Gbagbo.


Quase toda a comunidade internacional tem pedido ao cessante e derrotado presidente que entregue pacificamente o poder a Ouattara. Quase toda até ontem quando as duas maiores potências austrais fizeram uma “fleec-flack” á retaguarda e decidiram apoiar os esforços da União Africana a favor da Paz e da entrega do poder a Ouattara.

É que tanto Angola como África do Sul reconheciam Gbagbo como o presidente da Cote d’Ivoire dado que afirmavam que teria havido uma precipitação da comunidade internacional em reconhecer a vitória de Ouattara, declarada pela Comissão Eleitoral Independente, quando ainda decorriam contagens finais dos votos pelo que achavam que a declaração final do Conselho Constitucional, próxima de Gbagbo, é que validava as eleições e estas davam o presidente cessante como vencedor.


Posteriormente, primeiro Zuma, numa declaração pública, e quase logo de seguida apoiada por Angola, começaram a propor que Gbagbo ficasse no poder como presidente transitório até serem efectuadas novas eleições presidenciais no país, sob supervisão da comunidade africana, o que foi liminarmente rejeitado quer por Ouattara, quer pela Nigéria, com interesses potenciais na região – que disputa com Angola – quer, sem espanto, pela França, um dos principais apoiantes d Ouattara e suporte das forças das Nações Unidas que, desde o fim da guerra-civil, em 2009, se encontram na terra do cacau.


É certo que os grandes derrotados desta situação caótica e violenta são o povo iroirense – mais que um derrotado, é a maior vítima –, porque o fim da crise trará, inevitavelmente, actos vingativos tais como “Saques, extorsões e, mais graves, raptos, detenções arbitrárias e maus tratos aos adversários”, que já estará acontecer como alertam as Nações Unidas, através da ONUCI, bem assim o presidente cessante renitente Gbagbo.


No entanto, é fatal que tanto Angola como a África do Sul pautam-se como as grandes derrotadas da questão ivoirense ao verem as suas pretensões pró-Gbagbo serem “condenadas” pela União Africana ao apoiarem Ouattara e a sua caminhada para o palácio presidencial, apesar do presidente em exercício da UA ser Teodoro Nguema Obiang, o autocrata chefe de Estado da Guiné-Equatorial, um dos sete países africanos que Gbagbo afirma ainda o apoiarem (África do Sul, Angola, Congo Democrático, Gâmbia, Gana, Guiné Equatorial e Uganda).

Citado no Zwela Angola, na coluna "Malambas de Kamutangre"

01 abril 2010

Guiné-Bissau de novo em crise?

(A detenção de Gomes Júnior; foto ©Aly Silva, retirado do Ditadura do Consenso)

Segundo fontes em Lisboa o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, e o chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, terão sido feitos reféns por militares hoje de manhã na capital guineense.

Ainda não se sabe bem se houve alguma tentativa de Golpe de Estado ou alguma das habituais e persistentes movimentações militares por que, ciclicamente, passa o País.

Uma primeira análise só aquelas duas personalidades estarão sob alçada dos militares, sendo que o premiê já terá sido reconduzido ao seu gabinete enquanto o paradeiro de Induta estará em situação de desconhecido ou, eventualmente, morto como anuncia o jornalista Aly silva no seu blogue “Ditadura do Consenso”, onde poderemos acompanhar desenvolvimentos do processo.

Vamos esperar que realmente os militares não queiram "mais golpes de Estado", como fazem questão de apresentar como uma das suas palavras de ordem.

O certo é que quem parece comandar estas movimentações era o homem que estava “resguardado” nas instalações das Nações Unidas há cerca de 90 dias após regresso “secreto” da Gâmbia para onde se tinha refugiado: falo do almirante Bubo Na Tchuto acusado, em tempos, de atentar contra Nino Vieira.

Estranho, ou talvez não…

05 junho 2009

Guiné-Bissau e nova crise

Parece que a Guiné-Bissau viveu mais uma etapa negra na sua vida enquanto País com mais uma tentativa de Golpe de Estado onde, parece, estariam implicados dois ex-ministros do País, um dos quais candidato presidencial e, pasme-se ou talvez não, o outro dos implicados teria regressado recentemente do Senegal para coordenar as operações.

Lamentavelmente, e uma vez mais, os eventuais líderes da intentona foram mortos pelo que nunca saberemos as reais intenções que estariam por detrás deste absurdo acto.

Vamos aguardar e, quem sabe, a eventual existência de outros participantes – porque um qualquer Golpe não se faz só com duas pessoas – possa ser conhecida e eles falem…

24 fevereiro 2009

Fradique diz nim, mas…

O presidente santomense Fradique de Menezes, na declaração que hoje fez ao País na sequência da crise dos ex-Búfalos e afins, decidiu não renunciar ao cargo presidencial mas, segundo ele, não quer continuar a ser factor de instabilidade ou de desestabilização do País.

O problema do presidente Menezes é que muitas vezes são praticados actos que têm por meta, directa ou indirectamente, o próprio presidente santomense.

Por isso não sei como Fradique de Menezes vai conseguir subsistir sem acabar por não renunciar antes do fim do mandato.

Com tantos sisões internos e externos a rondá-lo…

22 fevereiro 2009

Quem não quer a estabilidade em São Tomé e Príncipe?

(palácio presidencial santomense; imagem internet)
"Ciclicamente e quando tudo parece que está a estabilizar São Tomé e Príncipe é abanada por convulsões sociais ou paramilitares.

Recentemente um líder sindical foi detido por actividades que, segundo o Estado não estariam bem de acordo com a sua natural convicção social, ou seja, não estaria em actividade sindical, já que algumas reivindicações que levaram a ser auscultado iam para além do admissível.

Na passada quinta-feira a cidade de São Tomé acordou com um aparato militar e policial que visariam não só a proteger os palácios presidencial e de governo e do quartel general das Forças Armadas, como sitiaram o edifício onde estavam membros da Frente Democrática Cristã, partido sem assento parlamentar, incluindo o seu presidente, Arlécio Costa, que pertenceu ao extinto Batalhão 32, mais conhecido por “Batalhão Búfalo”. Juntamente com mais três dezenas de companheiros seus, foi detido, bem assim capturado algum, e não pouco material e munições paramilitares.

Arlécio Costa também é representante em São Tomé de um grupo financeiro e turístico sul-africano “Falcon Group.

Segundo parece, pelo que pude ouvir e ler, os membros do extinto “Batalhão Búfalo” têm mostrado uma capacidade financeira e interventora nas questões sociais e, porque não dizê-lo, políticas, que parecem pouco extravasar os limites admissíveis.

Depois de há alguns meses os ex-Búfalos terem sitiado o Tribunal de Contas (TC), agora parece que queriam uma “mudança” do Poder. Em 2003, foram co-autores de outra tentativa de golpe contra o governo da 1ª Ministra Maria das Neves, enquanto o Presidente da República estava na Nigéria. (...)" (continuar a ler aqui)
Publicado no semanário , edição 204, de 21/Fev./2009

Guiné-Equatorial e STP sob os mesmos interesses?

Há dias São Tomé e Príncipe (STP) esteve sob os holofotes da comunicação social internacional devido à denúncia de uma possível crise político-militar que estaria preparada para ser levada a efeito por antigos elementos do extinto Batalhão 32 (o célebre grupo paramilitar sul-africano reconhecido como Batalhão Búfalo), facto que encheu as prisões de São Tomé (sobre esta matéria poderão ler num dos próximos dias, um artigo de opinião que escrevi para o Correio da Semana e publicado na edição 204 desta semana), embora alguns estejam descansados fora delas por eventuais ordens telefónicas de alguém que ninguém saberá quem foi.

Posteriormente, e no seguimento ou por causa disso e de observações pouco claras de dirigentes políticos nacionais, o presidente Fradique de Menezes numa reunião com pessoas muito próximas terá deixado sair que estaria farto e pronto a bater com a porta – leia-se, demitir-se.

Entretanto, na madrugada da passada terça-feira, 17 de Fevereiro, um alegado grupo de indivíduos terá desembarcado em Malabo, capital da Guiné-Equatorial, e tentado invadir o palácio presidencial, onde se acoita Teodoro Obiang Nguema que, segundo a revista Forbes, é só um dos homens mais ricos de África. Num país onde a riqueza do petróleo não se reflecte, nem pouco mais ou menos, na vida dos guineenses.

Se alguns foram detidos, cerca de 15, outros há que estão feridos e outros terão perecido em alto mar depois de alvejados pela Marinha da Guiné-Equatorial (estarão no fundo do mar como terá dito o ministro da Informação e porta-voz do governo, Jerónimo Osa).

Onde há partida poderia parecer nada haver mais que uma mera coincidência de actos e datas, esbate-se quando os eventuais membros atacantes parecem pertencer ao Movimento de Emancipação do Delta do Níger (MEND). Um grupo nigeriano, que, segundo consta, terá interesses junto dos ex-Búfalos santomenses.

Tal como já referi, por mais de uma vez, sempre que um destes países se aproxima de um dos potenciais países-directores da região – Angola ou Nigéria – acontece sempre alguma coisa.

Quer STP como a Guiné-Equatorial começavam, directa ou indirectamente, a aproximarem-se mais de Angola. São Tomé através dos contratos que terá celebrado com Angola, via Sonangol; a Guiné-Equatorial, pela cada vez maior proximidade da CPLP via STP.

Nenhuma destas situações agrada à Nigéria. Mas porque esta imagem também não satisfaz aos nigerianos, estes já desmentiram a proximidade do grupo á Nigéria, esquecendo-se que têm sido eles que, recentemente, criara, problemas em Dacca e nalgumas regiões dos Camarões além de ir conseguindo raptar pessoas e destruir interesses estrangeiros, bem assim praticar alguns actos de pirataria, sem que, assim parece, a Nigéria mostre ter condições de os impedir.

Como há dias afirmava a um amigo santomense, cada vez mais se parece que se torna mais vantajoso para STP ser um porta-aviões da marinha americana, podendo assim, ser mais facilmente defendível dos “amigos da onça”, mesmo que isso implique sair um pouco da CPLP; mas também quando um
responsável de uma progressista empresa de exportação portuguesa afirma que STP faz parte da zona francófona como os Camarões, Gabão, Senegal, Costa do Marfim ou Chade que interessa se falam português ou inglês com sotaque do tio Sam?

Sabe-se que na região esta vontade norte-americana em estabelecer bases na zona é malquista devido a um possível incremento do fundamentalismo islâmico na região. Mas não será isso uma esfarrapa desculpa para impedir essa entrada e manter o actual status quo?

10 novembro 2008

Vergonhoso!

Vergonhoso que os líderes da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) não tenham assumido, de vez, que Mugabe é um tirano despótico e não pode continuar a manter o seu País como coutada pessoal, suserado, sem rumo e cada vez mais empobrecido.

Vergonhoso, porque se acoitam na ideia de acordarem na maquinação de um Governo de Unidade Nacional, quando sabem que esse já foi um acordo já foi aceite há mais de dois meses e que Mugabe tem, sistematicamente, protelado.

Vergonhoso que os líderes da SADC adoptem a política britânica e norte-americana de "quem não está junto que se separe". Só que para não os considerarem britânicos ou norte-americanos adoptaram o inverso. Mugabe tem de ter os mesmos direitos e regalias que a Oposição que venceu as eleições, mesmo que, para isso, um Ministério-chave tenha de ser bicéfalo.

Vergonhoso que Angola mantenha uma política de apoio, por vezes nada discreta, a Mugabe, segundo a perspectiva que um Libertador é impoluto e nunca se altera. Mugabe foi, de facto um dos principais Libertadores do Zimbabué. Só que se tornou no que é actualmente e Angola perdeu uma grande oportunidade soberana de se afirmar – confirmar –, com firmeza, como um líder na região. Não é proteger os tiranos, que se afirma na cena internacional. E Angola, em vésperas das festas da Dipanda, sabe quanto isso é verdade…

Vergonhoso que, quando as acusações de participações estrangeiras no conflito no Congo Democrático são cada vez mais consistentes, não seja a União Africana a tomar uma posição firme e tenha de ser a SADC a pensar no envio de tropas de manutenção de Paz para, por certo, justificar a presença de tropas e conselheiros não congoleses no conflito.

Vergonhoso que a União Africana não consiga mostrar capacidade decisória e consinta que seja a União Europeia a mandar uma frota para combater a pirataria na Somália. Enquanto os países africanos se limitarem a considerar que só o exército e a aviação são factores de defesa continuaremos a ver África ser gerida por agentes externos ao Continente.

Vergonhoso!!

07 novembro 2008

O conflito no Congo Democrático e a inoperância da União Africana

Sob o título “A União Africana e o conflito congolês”, Lutina Santos, estudante angolano de Ciências Políticas, num artigo publicado na edição online do Jornal de Angola, coloca algumas reflexões sobre a atitude da União Africana (UA) no conflito da República Democrática do Congo e como ela não deveria manter atitudes como as que teve na crise queniana, nos actos xenófobos sul-africanos, ou a pouco, muito pouco, enérgica atitude na crise que opõe a oposição e o Governo de Robert Mugabe.

Entre as reflexões colocadas destaque para estas duas:
1 - Será que a intervenção da União Europeia no conflito congolês denuncia alguma incapacidade interventiva da União Africana?
2 - Será que a União Africana, unilateralmente, não estaria em condições de resolver a crise?


Aquele futuro analista político relembra a pronta atitude da União Europeia (UE) em conflitos regionais europeus, tal como aconteceu recentemente com o conflito entre a Rússia e a Geórgia; nesse conflito a União, por força dos acordos assumidos, mostrou que tinha legitimidade para interferir diplomaticamente ou usar outros meios.

Também a UA, tal como recorda Lutina Santos, “com mais de 50 Estados membros, tem capacidade suficiente para, unilateralmente, encontrar os melhores meios diplomáticos para pôr termo ao conflito congolês”, até porque, de uma forma ou outra, o Congo democrático “tem a sua soberania ameaçada e o facto de dispor de vários recursos, um contingente militar insuficientemente proporcional à sua dimensão geográfica, faz dele um Estado vulnerável a invasões dos rebeldes”.

E se recordarmos que neste conflito além de haver rebeldes e milícias pró-governamentais – em tudo, um pouco semelhante a Darfur – que já deram claras e inequívocas mostras que
não respeitam quaisquer Direitos Humanos, também se perfilam no horizonte a presença de forças militares convencionais externas, bom seria que alguém procurasse esclarecer quem está, realmente, por detrás desta crise dado que as “acções militares do líder rebelde podem estar a encobrir fortes interesses económicos, não só de Estados africanos, bem identificados, mas também de Estados bem posicionados na comunidade internacional”.

Estranhamente, ou talvez não, quem mais se preocupou, no imediato, com a crise foi a UE, através do seu presidente em exercício, a França, e do Reino Unido – por estranho que pareça nem faz parte da actual troïka presidencial (Eslovénia, França e República Checa) – e só depois houve as movimentações pontuais de alguns Estados vizinhos, com Kabila Jr. acusar o Ruanda de proteger os rebeldes e estes acusarem Angola e Zimbabué de se prepararem para intervir no conflito ao lado de Kabila Jr., embora, hoje, um funcionário da ONU e um oficial da MONUC tenham afirmado que as tropas angolanas já estão em Goma a
combater os rebeldes.

Talvez porque foi a UE a primeira a intervir prontamente no alerta para a crise humanitária e militar da região e porque, como já
anteriormente recordei, o Congo Democrático é rico em matérias-primas primordiais para as novas tecnologias, tal como alguns dos seus vizinhos, talvez fosse importante que a UA se mostrasse mais activa na defesa dos interesses africanos até porque, e como recorda a dado passo o Lutina Santos “existirem outras forças, pouco visíveis, cujo apoio militar ao líder rebelde parece incondicional” e, num “outro ângulo, uma intervenção militar de forças externas ajudaria a criar situações mais catastróficas nas áreas em conflito e nas proximidades” o que, segundo parece, já estará a acontecer.

Esta é, certamente, a primeira grande oportunidade da União Africana, depois dos fracassos que foram Darfur e Somália, mostrar que tem capacidade para liderar o Continente e conter as crises político-militares nas regiões mais periclitantes, como o é, seguramente, a região dos Grandes Lagos.

06 novembro 2008

Quem quer incendiar a África Central?

(Kabila Jr., quem com ferros matou…)

Quando não é porque um qualquer tirano está afrente de um depauperado e aflito Pais e não quer sair por nada deste Mundo – nem do outro – e goza do apoio descarado de alguns “amigos”;
Quando não são umas quaisquer eleições, mesmo que hipoteticamente possam estar viciadas à partida, mas que sejam eleições e recebam o rótulo de democratas, correctas e justas;
Quando não é um presidente que cai em desgraça porque o partido que o sustentava mudou de “senhor” e este está sob vigilância judicial por razões que, só por si, seriam normais para que nem tivesse tomado posse como líder partidário, quanto mais obrigar o partido a derrubar” o seu anterior presidente e presidente do Pai;
Quando não é um qualquer barco de um grupo de ricaços europeus que, apesar de todos os avisos, gostam de sentir a adrenalina que já não conseguem obter na Europa e se aventuram pelas “impróprias” águas somalis à espera de um qualquer rapto e poderem dizer aos netos que foram salvos por uma qualquer secção de um qualquer exército especial do seu País;
Quando já todos estão calados e esquecidos de Darfur e dos crimes contra a Humanidade que ali se tem praticado;
Aparece sempre qualquer coisinha em África para relembrar que aquele é um Continente a manter incandescente porque há muito material bélico em stock para ser vendido e matérias-primas para explorar ao preço mais reduzido, mesmo que, para isso, se tenha de pôr vizinhos contra vizinhos, povos contra povos, provocar a morte de inocentes civis, ou, melhor ainda, criar milhares de refugiados para uns quantos poderem aparecer como salvadores humanitários e vociferarem contra o status quo do momento.
É isso o que se passa na República Democrática do Congo nas ricas regiões do Kivu.
Existe uma MONUC que nada faz, foge – repito FOGE – juntamente com o exército regular de Joseph Kabila Jr. e de xx (filho de Mobutu), as FARDC, face aos rebeldes tutis Banyamulengue, do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), do excomungado (sê-lo-á?) general Laurent Nkunda.
Aparece uma União Europeia, liderada por uma França e Reino Unido, muito aflita a pedir protecção aos refugiados e avisar que estamos perante uma nova catástrofe humanitária, mas esquecendo-se, como convém, que muito do material bélico ali presente tem por remetente os países europeus, nomeadamente aqueles dois bons samaritanos.
Não vemos a União Africana, cada vez mais decrépita e inerte – tal como outras organizações regionais e linguísticas – a exigir uma pronta intervenção, diplomática ou mesmo militar, dos países aliados para pôr fim aos problemas na região. Só se ouve as vozes críticas e preocupadas dos analistas políticos.
E, depois, constatamos que alguns países procuram conceber Conferências para a resolução do conflito, com a participação de outros países que nada têm de proximidade político-militar, nem diplomática, com a região, enquanto outros vão mantendo um silêncio discreto só cortado por declarações avulsas de possíveis intervenções de países terceiros no conflito na linha do que, já anteriormente, tinham feito.
E é assim que, um País que procura consolidar a sua Paz interna – esquece-se, ou parece fazer gala de o esquecer, o que se passa em Cabinda – e o desenvolvimento social e económico do seu Povo e um outro País que, só por acaso, tem a maior e mais gigantesca inflação do Mundo, um Povo à míngua, e um tirano que não quer largar o poder, se perfilam para intervir num conflito quase regional para darem uso ao seu volumoso armazém belígero e manterem ocupados os seus “funcionários” castrenses – os diamantes também se acabam...
Por onde é que, realmente, anda a União Africana e a sua vontade na resoluções de conflitos? Porque esperou tanto tempo para convocar uma Conferência em Nairobi?
Será que só aparecerá quando a África Central estiver totalmente em chamas? Esquecem-se que os históricos ventos da região são sempre inconstantes e que as chamas se podem propalar para as chanas e nharas ou savanas vizinhas descontroladamente?
Ou querem que apareçam os habituais “médicos” com as suas promessas de ajuda desde que, não esquecendo, comprem tudo aos países deles e forneçam as matérias-primas necessárias e carecidas a custos baixos, muito baixos.
Na região pode não haver petróleo, normalmente o produto associado a conflitos regionais, mas há, e com fartura, minérios – quase únicos e ali unicamente localizados – que são necessários para as novas tecnologias.
Antes quem dominava o Rimland, dominava o Heartland; e quem dominasse o Heartland dominaria o Mundo. Hoje, quem domina as matérias-primas para as chamadas novas tecnologias claramente pode dominar o Mundo, nem que, para isso, se tenha de fabricar portáteis/pochettes.
E, por isso a corrida é desenfreada sem que olhem aos meios utilizados para esse fim!
Mesmo que, para isso, seja necessário incendiar uma região. E, se for em África… como já estão habituados!

21 agosto 2008

Cabinda não tem Paz mas não é assim que se faz ouvir a voz…

Numa campanha eleitoral é admissível, embora nem sempre aceitável, o confronto entre os opositores desde que o mesmo não ultrapasse a via verbal.

Por isso tem sido questionado e verberado os ataques que os partidos, nomeadamente os da oposição são alvos, muitas vezes por indivíduos que se dizem afectos – onde se incluem alguns com cargos directivos – ao partido do poder.

Mas mais grave se tornam os ataques quando os mesmos acontecem numa província que o poder e alguns sectores castrenses teimam em afirmar que está quase totalmente pacificada.

Segundo o
Jornal Digital, na última terça-feira, na região de Miconje, uma caravana do MPLA em campanha eleitoral na província de Cabinda terá sido atacada por elementos secessionistas cabindenses – ou que se dizem cabindenses – que provocaram inúmeras vítimas entre os membros da caravana.

Tudo porque a guerrilha cabindense quer impedir a população da província de participar na campanha eleitoral e nas eleições e já avisou que vai continuar com ataques destes.

Uma base democrática começa na aceitação das vontades contrárias à dos próximos.

Se a guerrilha cabindense não admite que pessoas como eles possam ter outros valores que não os mesmo que eles, significa que o espírito democrático não vive entre eles.

As eleições podem ser o princípio de uma alteração qualitativa na província.

Parece que o que querem é a manutenção do actual status quo e não a defesa dos interesses cabindenses.

Não é com ataques como os que levaram a efeito que solidificam simpatias, nem mesmo internamente.

O medo, porque é isso o que querem impor, pode se instalar por muito tempo, por anos, mas nunca se instalará definitivamente.

Ninguém consegue governar sobre o medo por muito tempo. É bom que pensem nisso!

08 agosto 2008

A Euroásia em chamas, efeitos do Kosovo?

(imagem base daqui)

Desde a “shatterização” (ou implosão) da União Soviética que os países dela resultantes não se têm entendido.
Desde o combate absurdo e estulto que alguns países fizeram à russofonia, a incapacidade da Rússia em aceitar a perca de alguns das suas regiões, ou a disseminação de povos por regiões diferentes da sua origem que os períodos estalinista e brezneviano provocaram – azeris na Arménia e arménios no Azerbaijão (nas qualificações do último Europeu os dois que se encontravam no mesmo grupo, uma incongruência da UEFA que pensa colocar o futebol acima das questões nacionais levou a que os dois países não se defrontassem e sofressem derrotas por falta de comparência), ou russos no Báltico ou no Cáucaso e na Ucrânia – são alguns desses paradoxos que continuam a criar um clima de conflitualidade latente.
Mas também dentro da Rússia se verificam situações análogas. Recordemos a Chechénia e as centenas de vítimas que o consulado de Vladimir Putin conseguiu provocar dentro da região e no próprio País. Quem não se recorda do morticínio numa escola russa levada a efeito pelo terror checheno com, cada vez mais corroborado, a conivência da incapacidade russa em gerir calmamente as crises.
Agora, no dia em que o Mundo parecia estar pregado às belíssimas imagens televisivas da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing e quando se esperava que as “crises” viriam dos manifestantes pelos Direitos Humanos e pela liberação do Tibete, Geórgia e a Rússia decidiram incendiar a região por causa dos separatista da Ossétia do Sul.
Georgianos afirmam que russos invadiram e bombardearam o País tentando consolidar a secessão ossetiana e, futuramente, anexá-la junto à russa Ossétia do Norte.
Os russos declaram que se limitaram a defender os seus militares que estão a defender os russófilos e que teriam sido atacados por tropas georgianas.
De uma coisa o presidente russo Dmitry Medvedev fez questão de afirmar, citando de certa forma o seu quase antigo colega George W. Bush, que a Rússia defenderá os seus filhos onde quer que eles estejam.
Ou seja, o presidente russo limitou-se a dizer que a Rússia estava preparada, de novo, para projectar o seu poder militar e político de uma forma planetária pelo que os Países deverão aceitar esta declaração como um aviso de guerra uranorama.
E s pensarmos que também Putin, o ex-presidente e agora Primeiro-ministro russo, fez um sério aviso quase semelhante em Beijing e ao mesmo tempo que demontrava uma calma olímpica durante a cerimónia…
Enquanto isso o Conselho de Segurança das NU vai se reunindo sabendo de antemão que o resultado do voto está definido. Russos ou Norte-americanos, consoante o disposto na resolução irão dar o seu… veto!!
E às 1400 vítimas actuais muitas mais se vão juntar e a Eurásia ficará, inevitavelmente, em chamas para gáudio dos especuladores do petróleo que assim terão mais uma razão para voltar a ver o crude aumentar de preço!

07 junho 2008

Guiné-Bissau, há 10 anos...

(Bijagós; foto daqui)

"Há 10 anos Bissau acordava a ferro e fogo com os militares da Engenharia e da Brigada Mecanizada, a porem a nu a incompetência governativa dos líderes nacionais.

Tudo tinha começado na véspera com a detenção do brigadeiro e ex-Chefe e de Estado Maior-General das Forças Armadas, brigadeiro Ansumane Mané sob acusação de fraude e tráfico de armas para separatistas de Casamanse.

Esta acusação seria, mais tarde, devolvida ao Governo de João "Nino" Vieira quando Ansumane Mané assumiu a liderança de uma auto-designada Junta Militar para a Consolidação da Democracia, Paz e Justiça, através de uma declaração ao país, lida na Rádio Nacional.

Nessa declaração Ansumane Mané declarava querer derrubar o presidente Nino Vieira e o actual Governo, ao mesmo tempo que exigia, num breve prazo, a efectivação de eleições legislativas procurando, desta forma, reimplantar “uma verdadeira democracia” e entregar “de verdade o poder aos civis e ao povo”.

Nessa altura, países vizinhos decidiram intervir na contenda e apoiar de forma clara e inequívoca, os senegaleses, discreta mas incisiva, os guineenses de Konacri, com o apoio quase declarado dos gendarmes franceses, o presidente “Nino” Vieira levando milhares de civis a fugirem do País.

De facto, os militares, após destronarem e remeterem "Nino" Vieira para o exterior tudo procuraram fazer para devolver o poder aos civis.

Houve eleições. O habitual partido estacionado no poder foi derrotado e a população Bissau-guineense esperou, em vão, infelizmente, que os destinos do Pais entrassem, de vez, no bom caminho do desenvolvimento, da prosperidade e, acima de tudo, da Paz.

Uma espera em vão, como demonstrarão os anos seguintes. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no /Colunistas, de hoje sob o título "Há 10 ano Bissau acordou a ferro e fogo..."

02 maio 2008

Somália, até quando um pária em África?


(As duas habituais imagens da Somália dos últimos anos, um islamita e um dito combatente(?) somali; fotos daqui e daqui )

Até quando o Mundo, já que parece a União Africana não tem capacidade ou não quer chamar a si essa responsabilidade, vai continuar a aceitar um pária em África chamado Somália?
Não é só o Zimbabué ou o Sudão que têm graves problemas e merecem as parangonas diárias da comunicação e o enleio de artistas conhecidos.
Na Somália ainda se acoitam e se manifestam, porque a Lei isso o permite afinal, mesmo com a presença de tropas etíopes, supostamente cristãs, e de um governo próximo dos EUA, piratas que não só colocam em causa a navegabilidade ao longo do Corno de África como a chegada de mantimentos às populações somalis.
A guerra para desalojar os islamitas de Al Shebab, continua insana e, apesar da morte recente de dois dos seus líderes, Aden Hashi Ayro e o xeque Muhidin Mohamud, devido a um ataque aéreo norte-americano a Dusamareeb– o Al Shabaab é considerado como o grupo da Al Qaeda na Somália – não parece dar mostras de minorar, fazendo fé nas dezenas de mortos que juncam as ruas de Mogadíscio e dos ataques jihadistas sobre algumas das principais localidades somalis.
Como não bastasse a guerra entre os jihadistas e a coligação somali-etíope, uma pequena explosão em Baidoa levou os militares da coligação começarem a disparar desenfreadamente provocando vítimas entre civis o que só aproxima estes dos islamitas.
Finalmente como se não bastasse o anteriormente já referido, os somalis ainda padecem das desinteligências entre os diferentes líderes dos diferentes clãs islamitas que ainda proliferam no País.
Até quando a União Africana vai continuar assobiar para o lado e só falar daquilo que o Mundo externo fala?
Esperemos que o novo presidente da Comissão da União Africana (UA), o gabonês Jean Ping consiga o milagre que o seu antecessor, o maliano Alpha Oumar Konaré, tantas vezes tentou e não conseguiu: criar uma força pan-africana para substituir os etíopes e colocar um fim à crise da Somália.