24 março 2016
E sob o princípio dos Direitos Humanos, tudo é posto em causa - artigo
23 junho 2013
Moçambique, a quem interessa a desestabilização?

(imagem da Internet)
24 agosto 2012
A crise do Lago Niassa - artigo
19 abril 2012
Guiné-Bissau: Militares e oposição assinam acordo…
Apontamento transcrito no portal Guiné-BissauDocs (http://guinebissaudocs.wordpress.com/2012/04/19/analise-pululu-guine-bissau-militares-e-oposicao-assinam-acordo/) e publicado como Manchete do Notícias Lusófonas
04 dezembro 2011
02 dezembro 2011
Guiné-Bissau, nova crise à vista?

Há muito que corriam rumores que o presidente Malam Bacai Sanha estava com sérios problemas de saúde. Eram conhecidas as constantes visitas, algumas repentinas, outras preparadas, a Dakar e a Paris para consultas e alguns internamentos, devidos a uma doença, nunca publicamente esclarecida.
Soube-se, há dias, que Sanhá tinha ido, uma vez mais a Dakar e recambiado de urgência para Paris onde o primeiro-ministro ter-se-ia deslocado para saber da situação clínica do Presidente, enquanto, na região, haveria algumas movimentações de países limítrofes, abrigando-se sob o chapéu protector da Comunidade Económica para Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO), para, caso necessário, intervir no único país lusófono daquela região africana – exceptuando, claro, mas este é outro “piano”, Cabo Verde – caso a situação degenerasse, como parecem não só prever, como desejar e ansiar.
E para reforçar a sempre latente crise que se reproduz na Guiné-Bissau, acabámos de saber, através do semanário electrónico “A Nação” que o Presidente Bissau-guineense já estará em coma hospital Militar Val de Grâce, em Paris, devido a sérias complicações de saúde, com os seus principais colaboradores a temerem pelo que se possa desenrolar no País onde, periclitante ou não, ia-se cimentando uma pequena estabilidade política, militar e social.
Esta situação não será tão estranha dado que, ainda recentemente, o premiê cabo-verdiano, José Maria Neves, que esteve durante uns dias de visita à Guiné-Bissau, também teria confirmado que o estado de saúde do presidente Bissau-guineense, transferido no último fim-de-semana de um hospital de Dakar para outro em Paris, inspirava “alguns cuidados”.
Igualmente a Oposição anda preocupada e deseja ser devidamente informada do verdadeiro estado de saúde do Presidente até porque o Chefe de Governo carlos Gomes Júnior que se tinha deslocado de propósito a Paris para ver o Presidente, facto que acabou por não acontecer, dizia ter recebido “notícias encorajadoras” quanto ao seu estado de saúde.
Para reforçar a já visível instabilidade política no País, também o Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, Antonio Indjai – que há quem sussurre ter sido um dos mentores que levaram ao desaparecimento de alguns políticos no país após a última crise militar que quase depôs Carlos Gomes Júnior – terá avisado que haverá as habituais “barafundas” para a Guiné-Bissau, caso a CEDEAO decida enviar uma missão militar sob o propósito de garantir segurança às figuras públicas nacionais Bissau-guineenses, bem assim uma força de Paz.
Isto levou os cabo-verdianos, através do seu Ministro de Defesa, a apelar algum bom senso à CEDEAO e muita “prudência” na condução do processo de reforma da Defesa e Segurança na Guiné-Bissau, para evitar “factores de stress” e se prosseguir com o roteiro já orientado e definido com a CPLP.
Ora o que parece, está a passar, de novo, com a Guiné-Bissau. Uma nova e pungente crise à vista com muitos colaterais a salivar nos dedos. Será bom que a CPLP se mostre realmente e, goste-se ou não, que Angola sirva de charneira face a tão grandes e avassaladores apetites...
Não esqueçamos que Angola tem “observadores militares” a ajudar a reformular as forças de segurança na Guiné-Bissau e foi um dos principais financiadores para o o fundo de pensões para ex-militares Bissau-guineenses.
É que a estabilidade na Guiné-Bissau pode ser um farol para a estabilidade na região, principalmente quando com o fim da crise na Líbia se detectam, naquele espaço geográfico, do regresso “de várias pessoas ao Mali e Níger, provenientes da Tripolitânia, algumas delas na posse de armas pesadas”.
12 abril 2011
A queda de Gbagbo...

O 11 de Abril de 2011, pode ter marcado não só o fim de um regime com a detenção do antigo presidente ivoirense Laurent Gbagbo pelas forças conjuntas franco-onusianas, como pode, ainda, potenciado a alteração de um rumo de uma determinada potência regional, no caso, Angola, como ter aliado a reafirmação de uma antiga potência colonial, a França, e de um novo estatuto das Nações Unidas. pela intervenção clara e inequívoca de forças da ONU num conflito.
É certo que, de acordo com as autoridades francesas, teriam sido as forças milicianas de Alessane Ouattara, declarado internacionalmente como vencedor das eleições de Novembro passado, a deter Gbagbo. Mas também é certo que isso só terá acontecido devido ao apoio aerotransportado das forças francesas num ataque promovido contra a residência presidencial onde estava acoitado o declarado vencido presidente após solicitação do secretário-geral das nações Unidas, Ban Ki-moon, para que fosse evitado um massacre das populações civis.
Mas se Gabgbo foi o derrotado e franceses e milicianos de Ouattara os grandes vencedores numa refrega onde o povo foi quem mais sofreu, é também certo que a estratégia de Angola, na região, saiu fortemente beliscada. Veremos como os parceiros da União Africana verão, no futuro, esta atitude angolana de persistir na manutenção de Gbagbo como presidente, apesar dos esforços da comunidade internacional no sentido contrário.
E as palavras da senhora Clinton, ontem, foram bem elucidativas quanto a um certo futuro…
01 abril 2011
Quem perde na Cote d’Ivoire?
(Foto © Jean-Philippe Ksiazek/AFP/Getty Images, in Zwela 01 abril 2010
Guiné-Bissau de novo em crise?
Segundo fontes em Lisboa o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, e o chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, terão sido feitos reféns por militares hoje de manhã na capital guineense.
Ainda não se sabe bem se houve alguma tentativa de Golpe de Estado ou alguma das habituais e persistentes movimentações militares por que, ciclicamente, passa o País.
Uma primeira análise só aquelas duas personalidades estarão sob alçada dos militares, sendo que o premiê já terá sido reconduzido ao seu gabinete enquanto o paradeiro de Induta estará em situação de desconhecido ou, eventualmente, morto como anuncia o jornalista Aly silva no seu blogue “Ditadura do Consenso”, onde poderemos acompanhar desenvolvimentos do processo.
Vamos esperar que realmente os militares não queiram "mais golpes de Estado", como fazem questão de apresentar como uma das suas palavras de ordem.
O certo é que quem parece comandar estas movimentações era o homem que estava “resguardado” nas instalações das Nações Unidas há cerca de 90 dias após regresso “secreto” da Gâmbia para onde se tinha refugiado: falo do almirante Bubo Na Tchuto acusado, em tempos, de atentar contra Nino Vieira.
Estranho, ou talvez não…
05 junho 2009
Guiné-Bissau e nova crise
Parece que a Guiné-Bissau viveu mais uma etapa negra na sua vida enquanto País com mais uma tentativa de Golpe de Estado onde, parece, estariam implicados dois ex-ministros do País, um dos quais candidato presidencial e, pasme-se ou talvez não, o outro dos implicados teria regressado recentemente do Senegal para coordenar as operações.Lamentavelmente, e uma vez mais, os eventuais líderes da intentona foram mortos pelo que nunca saberemos as reais intenções que estariam por detrás deste absurdo acto.
Vamos aguardar e, quem sabe, a eventual existência de outros participantes – porque um qualquer Golpe não se faz só com duas pessoas – possa ser conhecida e eles falem…
24 fevereiro 2009
Fradique diz nim, mas…
O presidente santomense Fradique de Menezes, na declaração que hoje fez ao País na sequência da crise dos ex-Búfalos e afins, decidiu não renunciar ao cargo presidencial mas, segundo ele, não quer continuar a ser factor de instabilidade ou de desestabilização do País.O problema do presidente Menezes é que muitas vezes são praticados actos que têm por meta, directa ou indirectamente, o próprio presidente santomense.
Por isso não sei como Fradique de Menezes vai conseguir subsistir sem acabar por não renunciar antes do fim do mandato.
Com tantos sisões internos e externos a rondá-lo…
22 fevereiro 2009
Quem não quer a estabilidade em São Tomé e Príncipe?
Guiné-Equatorial e STP sob os mesmos interesses?
Posteriormente, e no seguimento ou por causa disso e de observações pouco claras de dirigentes políticos nacionais, o presidente Fradique de Menezes numa reunião com pessoas muito próximas terá deixado sair que estaria farto e pronto a bater com a porta – leia-se, demitir-se.
Entretanto, na madrugada da passada terça-feira, 17 de Fevereiro, um alegado grupo de indivíduos terá desembarcado em Malabo, capital da Guiné-Equatorial, e tentado invadir o palácio presidencial, onde se acoita Teodoro Obiang Nguema que, segundo a revista Forbes, é só um dos homens mais ricos de África. Num país onde a riqueza do petróleo não se reflecte, nem pouco mais ou menos, na vida dos guineenses.
Se alguns foram detidos, cerca de 15, outros há que estão feridos e outros terão perecido em alto mar depois de alvejados pela Marinha da Guiné-Equatorial (estarão no fundo do mar como terá dito o ministro da Informação e porta-voz do governo, Jerónimo Osa).
Onde há partida poderia parecer nada haver mais que uma mera coincidência de actos e datas, esbate-se quando os eventuais membros atacantes parecem pertencer ao Movimento de Emancipação do Delta do Níger (MEND). Um grupo nigeriano, que, segundo consta, terá interesses junto dos ex-Búfalos santomenses.
Tal como já referi, por mais de uma vez, sempre que um destes países se aproxima de um dos potenciais países-directores da região – Angola ou Nigéria – acontece sempre alguma coisa.
Quer STP como a Guiné-Equatorial começavam, directa ou indirectamente, a aproximarem-se mais de Angola. São Tomé através dos contratos que terá celebrado com Angola, via Sonangol; a Guiné-Equatorial, pela cada vez maior proximidade da CPLP via STP.
Nenhuma destas situações agrada à Nigéria. Mas porque esta imagem também não satisfaz aos nigerianos, estes já desmentiram a proximidade do grupo á Nigéria, esquecendo-se que têm sido eles que, recentemente, criara, problemas em Dacca e nalgumas regiões dos Camarões além de ir conseguindo raptar pessoas e destruir interesses estrangeiros, bem assim praticar alguns actos de pirataria, sem que, assim parece, a Nigéria mostre ter condições de os impedir.
Como há dias afirmava a um amigo santomense, cada vez mais se parece que se torna mais vantajoso para STP ser um porta-aviões da marinha americana, podendo assim, ser mais facilmente defendível dos “amigos da onça”, mesmo que isso implique sair um pouco da CPLP; mas também quando um responsável de uma progressista empresa de exportação portuguesa afirma que STP faz parte da zona francófona como os Camarões, Gabão, Senegal, Costa do Marfim ou Chade que interessa se falam português ou inglês com sotaque do tio Sam?
Sabe-se que na região esta vontade norte-americana em estabelecer bases na zona é malquista devido a um possível incremento do fundamentalismo islâmico na região. Mas não será isso uma esfarrapa desculpa para impedir essa entrada e manter o actual status quo?
10 novembro 2008
Vergonhoso!
Vergonhoso que os líderes da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) não tenham assumido, de vez, que Mugabe é um tirano despótico e não pode continuar a manter o seu País como coutada pessoal, suserado, sem rumo e cada vez mais empobrecido.Vergonhoso, porque se acoitam na ideia de acordarem na maquinação de um Governo de Unidade Nacional, quando sabem que esse já foi um acordo já foi aceite há mais de dois meses e que Mugabe tem, sistematicamente, protelado.
Vergonhoso que os líderes da SADC adoptem a política britânica e norte-americana de "quem não está junto que se separe". Só que para não os considerarem britânicos ou norte-americanos adoptaram o inverso. Mugabe tem de ter os mesmos direitos e regalias que a Oposição que venceu as eleições, mesmo que, para isso, um Ministério-chave tenha de ser bicéfalo.
Vergonhoso que Angola mantenha uma política de apoio, por vezes nada discreta, a Mugabe, segundo a perspectiva que um Libertador é impoluto e nunca se altera. Mugabe foi, de facto um dos principais Libertadores do Zimbabué. Só que se tornou no que é actualmente e Angola perdeu uma grande oportunidade soberana de se afirmar – confirmar –, com firmeza, como um líder na região. Não é proteger os tiranos, que se afirma na cena internacional. E Angola, em vésperas das festas da Dipanda, sabe quanto isso é verdade…
Vergonhoso que, quando as acusações de participações estrangeiras no conflito no Congo Democrático são cada vez mais consistentes, não seja a União Africana a tomar uma posição firme e tenha de ser a SADC a pensar no envio de tropas de manutenção de Paz para, por certo, justificar a presença de tropas e conselheiros não congoleses no conflito.
Vergonhoso que a União Africana não consiga mostrar capacidade decisória e consinta que seja a União Europeia a mandar uma frota para combater a pirataria na Somália. Enquanto os países africanos se limitarem a considerar que só o exército e a aviação são factores de defesa continuaremos a ver África ser gerida por agentes externos ao Continente.
Vergonhoso!!
07 novembro 2008
O conflito no Congo Democrático e a inoperância da União Africana
Entre as reflexões colocadas destaque para estas duas:
1 - Será que a intervenção da União Europeia no conflito congolês denuncia alguma incapacidade interventiva da União Africana?
2 - Será que a União Africana, unilateralmente, não estaria em condições de resolver a crise?
Aquele futuro analista político relembra a pronta atitude da União Europeia (UE) em conflitos regionais europeus, tal como aconteceu recentemente com o conflito entre a Rússia e a Geórgia; nesse conflito a União, por força dos acordos assumidos, mostrou que tinha legitimidade para interferir diplomaticamente ou usar outros meios.
Também a UA, tal como recorda Lutina Santos, “com mais de 50 Estados membros, tem capacidade suficiente para, unilateralmente, encontrar os melhores meios diplomáticos para pôr termo ao conflito congolês”, até porque, de uma forma ou outra, o Congo democrático “tem a sua soberania ameaçada e o facto de dispor de vários recursos, um contingente militar insuficientemente proporcional à sua dimensão geográfica, faz dele um Estado vulnerável a invasões dos rebeldes”.
E se recordarmos que neste conflito além de haver rebeldes e milícias pró-governamentais – em tudo, um pouco semelhante a Darfur – que já deram claras e inequívocas mostras que não respeitam quaisquer Direitos Humanos, também se perfilam no horizonte a presença de forças militares convencionais externas, bom seria que alguém procurasse esclarecer quem está, realmente, por detrás desta crise dado que as “acções militares do líder rebelde podem estar a encobrir fortes interesses económicos, não só de Estados africanos, bem identificados, mas também de Estados bem posicionados na comunidade internacional”.
Estranhamente, ou talvez não, quem mais se preocupou, no imediato, com a crise foi a UE, através do seu presidente em exercício, a França, e do Reino Unido – por estranho que pareça nem faz parte da actual troïka presidencial (Eslovénia, França e República Checa) – e só depois houve as movimentações pontuais de alguns Estados vizinhos, com Kabila Jr. acusar o Ruanda de proteger os rebeldes e estes acusarem Angola e Zimbabué de se prepararem para intervir no conflito ao lado de Kabila Jr., embora, hoje, um funcionário da ONU e um oficial da MONUC tenham afirmado que as tropas angolanas já estão em Goma a combater os rebeldes.
Talvez porque foi a UE a primeira a intervir prontamente no alerta para a crise humanitária e militar da região e porque, como já anteriormente recordei, o Congo Democrático é rico em matérias-primas primordiais para as novas tecnologias, tal como alguns dos seus vizinhos, talvez fosse importante que a UA se mostrasse mais activa na defesa dos interesses africanos até porque, e como recorda a dado passo o Lutina Santos “existirem outras forças, pouco visíveis, cujo apoio militar ao líder rebelde parece incondicional” e, num “outro ângulo, uma intervenção militar de forças externas ajudaria a criar situações mais catastróficas nas áreas em conflito e nas proximidades” o que, segundo parece, já estará a acontecer.
Esta é, certamente, a primeira grande oportunidade da União Africana, depois dos fracassos que foram Darfur e Somália, mostrar que tem capacidade para liderar o Continente e conter as crises político-militares nas regiões mais periclitantes, como o é, seguramente, a região dos Grandes Lagos.
06 novembro 2008
Quem quer incendiar a África Central?
(Kabila Jr., quem com ferros matou…)Quando não são umas quaisquer eleições, mesmo que hipoteticamente possam estar viciadas à partida, mas que sejam eleições e recebam o rótulo de democratas, correctas e justas;
Quando não é um presidente que cai em desgraça porque o partido que o sustentava mudou de “senhor” e este está sob vigilância judicial por razões que, só por si, seriam normais para que nem tivesse tomado posse como líder partidário, quanto mais obrigar o partido a derrubar” o seu anterior presidente e presidente do Pai;
Quando não é um qualquer barco de um grupo de ricaços europeus que, apesar de todos os avisos, gostam de sentir a adrenalina que já não conseguem obter na Europa e se aventuram pelas “impróprias” águas somalis à espera de um qualquer rapto e poderem dizer aos netos que foram salvos por uma qualquer secção de um qualquer exército especial do seu País;
Quando já todos estão calados e esquecidos de Darfur e dos crimes contra a Humanidade que ali se tem praticado;
Aparece sempre qualquer coisinha em África para relembrar que aquele é um Continente a manter incandescente porque há muito material bélico em stock para ser vendido e matérias-primas para explorar ao preço mais reduzido, mesmo que, para isso, se tenha de pôr vizinhos contra vizinhos, povos contra povos, provocar a morte de inocentes civis, ou, melhor ainda, criar milhares de refugiados para uns quantos poderem aparecer como salvadores humanitários e vociferarem contra o status quo do momento.
É isso o que se passa na República Democrática do Congo nas ricas regiões do Kivu.
Existe uma MONUC que nada faz, foge – repito FOGE – juntamente com o exército regular de Joseph Kabila Jr. e de xx (filho de Mobutu), as FARDC, face aos rebeldes tutis Banyamulengue, do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), do excomungado (sê-lo-á?) general Laurent Nkunda.
Aparece uma União Europeia, liderada por uma França e Reino Unido, muito aflita a pedir protecção aos refugiados e avisar que estamos perante uma nova catástrofe humanitária, mas esquecendo-se, como convém, que muito do material bélico ali presente tem por remetente os países europeus, nomeadamente aqueles dois bons samaritanos.
Não vemos a União Africana, cada vez mais decrépita e inerte – tal como outras organizações regionais e linguísticas – a exigir uma pronta intervenção, diplomática ou mesmo militar, dos países aliados para pôr fim aos problemas na região. Só se ouve as vozes críticas e preocupadas dos analistas políticos.
E, depois, constatamos que alguns países procuram conceber Conferências para a resolução do conflito, com a participação de outros países que nada têm de proximidade político-militar, nem diplomática, com a região, enquanto outros vão mantendo um silêncio discreto só cortado por declarações avulsas de possíveis intervenções de países terceiros no conflito na linha do que, já anteriormente, tinham feito.
E é assim que, um País que procura consolidar a sua Paz interna – esquece-se, ou parece fazer gala de o esquecer, o que se passa em Cabinda – e o desenvolvimento social e económico do seu Povo e um outro País que, só por acaso, tem a maior e mais gigantesca inflação do Mundo, um Povo à míngua, e um tirano que não quer largar o poder, se perfilam para intervir num conflito quase regional para darem uso ao seu volumoso armazém belígero e manterem ocupados os seus “funcionários” castrenses – os diamantes também se acabam...
Por onde é que, realmente, anda a União Africana e a sua vontade na resoluções de conflitos? Porque esperou tanto tempo para convocar uma Conferência em Nairobi?
Será que só aparecerá quando a África Central estiver totalmente em chamas? Esquecem-se que os históricos ventos da região são sempre inconstantes e que as chamas se podem propalar para as chanas e nharas ou savanas vizinhas descontroladamente?
Ou querem que apareçam os habituais “médicos” com as suas promessas de ajuda desde que, não esquecendo, comprem tudo aos países deles e forneçam as matérias-primas necessárias e carecidas a custos baixos, muito baixos.
Na região pode não haver petróleo, normalmente o produto associado a conflitos regionais, mas há, e com fartura, minérios – quase únicos e ali unicamente localizados – que são necessários para as novas tecnologias.
Antes quem dominava o Rimland, dominava o Heartland; e quem dominasse o Heartland dominaria o Mundo. Hoje, quem domina as matérias-primas para as chamadas novas tecnologias claramente pode dominar o Mundo, nem que, para isso, se tenha de fabricar portáteis/pochettes.
E, por isso a corrida é desenfreada sem que olhem aos meios utilizados para esse fim!
Mesmo que, para isso, seja necessário incendiar uma região. E, se for em África… como já estão habituados!
21 agosto 2008
Cabinda não tem Paz mas não é assim que se faz ouvir a voz…
Numa campanha eleitoral é admissível, embora nem sempre aceitável, o confronto entre os opositores desde que o mesmo não ultrapasse a via verbal.Por isso tem sido questionado e verberado os ataques que os partidos, nomeadamente os da oposição são alvos, muitas vezes por indivíduos que se dizem afectos – onde se incluem alguns com cargos directivos – ao partido do poder.
Mas mais grave se tornam os ataques quando os mesmos acontecem numa província que o poder e alguns sectores castrenses teimam em afirmar que está quase totalmente pacificada.
Segundo o Jornal Digital, na última terça-feira, na região de Miconje, uma caravana do MPLA em campanha eleitoral na província de Cabinda terá sido atacada por elementos secessionistas cabindenses – ou que se dizem cabindenses – que provocaram inúmeras vítimas entre os membros da caravana.
Tudo porque a guerrilha cabindense quer impedir a população da província de participar na campanha eleitoral e nas eleições e já avisou que vai continuar com ataques destes.
Uma base democrática começa na aceitação das vontades contrárias à dos próximos.
Se a guerrilha cabindense não admite que pessoas como eles possam ter outros valores que não os mesmo que eles, significa que o espírito democrático não vive entre eles.
As eleições podem ser o princípio de uma alteração qualitativa na província.
Parece que o que querem é a manutenção do actual status quo e não a defesa dos interesses cabindenses.
Não é com ataques como os que levaram a efeito que solidificam simpatias, nem mesmo internamente.
O medo, porque é isso o que querem impor, pode se instalar por muito tempo, por anos, mas nunca se instalará definitivamente.
Ninguém consegue governar sobre o medo por muito tempo. É bom que pensem nisso!
08 agosto 2008
A Euroásia em chamas, efeitos do Kosovo?
Desde a “shatterização” (ou implosão) da União Soviética que os países dela resultantes não se têm entendido.
Desde o combate absurdo e estulto que alguns países fizeram à russofonia, a incapacidade da Rússia em aceitar a perca de alguns das suas regiões, ou a disseminação de povos por regiões diferentes da sua origem que os períodos estalinista e brezneviano provocaram – azeris na Arménia e arménios no Azerbaijão (nas qualificações do último Europeu os dois que se encontravam no mesmo grupo, uma incongruência da UEFA que pensa colocar o futebol acima das questões nacionais levou a que os dois países não se defrontassem e sofressem derrotas por falta de comparência), ou russos no Báltico ou no Cáucaso e na Ucrânia – são alguns desses paradoxos que continuam a criar um clima de conflitualidade latente.
Mas também dentro da Rússia se verificam situações análogas. Recordemos a Chechénia e as centenas de vítimas que o consulado de Vladimir Putin conseguiu provocar dentro da região e no próprio País. Quem não se recorda do morticínio numa escola russa levada a efeito pelo terror checheno com, cada vez mais corroborado, a conivência da incapacidade russa em gerir calmamente as crises.
Agora, no dia em que o Mundo parecia estar pregado às belíssimas imagens televisivas da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing e quando se esperava que as “crises” viriam dos manifestantes pelos Direitos Humanos e pela liberação do Tibete, Geórgia e a Rússia decidiram incendiar a região por causa dos separatista da Ossétia do Sul.
Georgianos afirmam que russos invadiram e bombardearam o País tentando consolidar a secessão ossetiana e, futuramente, anexá-la junto à russa Ossétia do Norte.
Os russos declaram que se limitaram a defender os seus militares que estão a defender os russófilos e que teriam sido atacados por tropas georgianas.
De uma coisa o presidente russo Dmitry Medvedev fez questão de afirmar, citando de certa forma o seu quase antigo colega George W. Bush, que a Rússia defenderá os seus filhos onde quer que eles estejam.
Ou seja, o presidente russo limitou-se a dizer que a Rússia estava preparada, de novo, para projectar o seu poder militar e político de uma forma planetária pelo que os Países deverão aceitar esta declaração como um aviso de guerra uranorama.
E s pensarmos que também Putin, o ex-presidente e agora Primeiro-ministro russo, fez um sério aviso quase semelhante em Beijing e ao mesmo tempo que demontrava uma calma olímpica durante a cerimónia…
Enquanto isso o Conselho de Segurança das NU vai se reunindo sabendo de antemão que o resultado do voto está definido. Russos ou Norte-americanos, consoante o disposto na resolução irão dar o seu… veto!!
E às 1400 vítimas actuais muitas mais se vão juntar e a Eurásia ficará, inevitavelmente, em chamas para gáudio dos especuladores do petróleo que assim terão mais uma razão para voltar a ver o crude aumentar de preço!
07 junho 2008
Guiné-Bissau, há 10 anos...
(Bijagós; foto daqui) 02 maio 2008
Somália, até quando um pária em África?
Até quando o Mundo, já que parece a União Africana não tem capacidade ou não quer chamar a si essa responsabilidade, vai continuar a aceitar um pária em África chamado Somália?
Não é só o Zimbabué ou o Sudão que têm graves problemas e merecem as parangonas diárias da comunicação e o enleio de artistas conhecidos.
Na Somália ainda se acoitam e se manifestam, porque a Lei isso o permite afinal, mesmo com a presença de tropas etíopes, supostamente cristãs, e de um governo próximo dos EUA, piratas que não só colocam em causa a navegabilidade ao longo do Corno de África como a chegada de mantimentos às populações somalis.
A guerra para desalojar os islamitas de Al Shebab, continua insana e, apesar da morte recente de dois dos seus líderes, Aden Hashi Ayro e o xeque Muhidin Mohamud, devido a um ataque aéreo norte-americano a Dusamareeb– o Al Shabaab é considerado como o grupo da Al Qaeda na Somália – não parece dar mostras de minorar, fazendo fé nas dezenas de mortos que juncam as ruas de Mogadíscio e dos ataques jihadistas sobre algumas das principais localidades somalis.
Como não bastasse a guerra entre os jihadistas e a coligação somali-etíope, uma pequena explosão em Baidoa levou os militares da coligação começarem a disparar desenfreadamente provocando vítimas entre civis o que só aproxima estes dos islamitas.
Finalmente como se não bastasse o anteriormente já referido, os somalis ainda padecem das desinteligências entre os diferentes líderes dos diferentes clãs islamitas que ainda proliferam no País.
Até quando a União Africana vai continuar assobiar para o lado e só falar daquilo que o Mundo externo fala?
Esperemos que o novo presidente da Comissão da União Africana (UA), o gabonês Jean Ping consiga o milagre que o seu antecessor, o maliano Alpha Oumar Konaré, tantas vezes tentou e não conseguiu: criar uma força pan-africana para substituir os etíopes e colocar um fim à crise da Somália.





