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16 junho 2021

Angola, mais que aviões, precisa de navios!

Segundo o portal/site do semanário Novo Jornal, Angola vai comprar «material militar à china no valor de 85 milhões de dólares com o objectvo de "reforçar o controlo do espaço aéreo e terrestre para salvaguardar os objectivos estratégicos nacionais"».

Para quê mais material terrestre e aéreo?

O que precisamos de reforçar – adquirir – é material naval para defesa das nossas costas, da ZEE e da nossa Plataforma Continental.

Se analisarmos a infografia do "The Military Balance 2021", por exemplo, teremos muito material aéreo (entre caças, bombardeiros e helicópteros de ataque, estaremos entre os cerca de 150 aparelhos); e ainda recentemente comprámos e recebemos aviões de combate russos SU-30K...

De acordo com este respeitável manual de assuntos militares da IISS em 2020 teríamos cerca de 1 milhar de veículos blindado (incluindo, tanques: 9 ASLT – de origem chinesa –, e cerca de 300 MBT, sendo que é certo que a quase totalidade de origem soviética e russa).

E vamos gastar logo 85 milhões de USD em compras à China. Vamos pagar como? Com petróleo, se a China já tem largo excedente pelo que tem vindo a diminuir ou mesmo suspender a compra de crude?

Este valor é para novos ou para pagar os que já, em 2020, comprámos e recebemos «seis aviões de ataque e treino (K-SW) fabricados conjuntamente pela China e Paquistão» e confirmado pela publicação "Chinese Military Aviation" que indica sermos «um“cliente” na compra destes aviões [e que] que 12 aviões foram comprados»?

Pelo artigo do Novo Jornal, tudo sugere que será novos materiais militares, na linha do que já teria sido ponderado em outras ocasiões que o Novo Jornal lá indica…

Mas não tinha havido um acordo com a Rússia, creio que em 2019, para a construção em Angola de uma fábrica de material de militar, incluindo, aviões.

Aceitará Moscovo esta duplicidade entre Angola, China e Rússia no que tange à compra de material militar?

Quererá Angola ser uma plataforma de espionagem militar? E não será só entre Moscovo e Beijing, mas também com a presença de "olheiros" de potências ocidentais que já se prontificaram a vender material militar a Angola?

E, ainda no que diz respeito à Rússia e à eventual construção de fábrica de material militar. Não estava esta associada ao perdão da dívida de Angola à antiga URSS, como recorda uma análise do portal/site da “DW, português para África”, quando recorda que em «1996, a Rússia perdoou 70% da dívida de 5 mil milhões de dólares de Angola, resultado principalmente de vários créditos à exportação que a URSS havia concedido para a compra de armas e equipamentos militares soviéticos»?

Ficam estas reflexões para ponderarem…


20 setembro 2020

Quando tudo pode servir para ajudar uma reeleição; mas como ficam os peões intermédios?

 

(imagem montada a partir de internet)

Pode parecer mera coincidência. Mas quando, por norma os norte-americanos desconfiam de coincidências, principalmente quando está em jogo uma reeleição presidencial, então poderemos pensar que tudo pode servir para o senhor Donald Trump procurar a sua (natural) reeleição presidencial.

Depois de nada ter ligado às questões internacionais, excepto as disputas económicas com a China, agora faz avançar as tropas norte-americanas em duas frentes e contras duas grandes potências – uma antiga (ou renascida) superpotência e outra cada vez mais próxima de o ser – ou seja, Rússia e China.

No Mar da China, está um flotilha norte-americana a procurar salvaguardar a livre navegação em zonas reivindicadas pela China, Japão, Vietnam, Malásia e Taiwan (onde o Secretário de Estado, Mike Pompeo, esteve em visita e, com ele, aviões da República Popular da China a sobrevoar espaço aéreo considerado nacionalista - ver em: https://observador.pt/2020/09/17/avioes-de-guerra-da-china-sobrevoam-taiwan-coincidindo-com-visita-de-diplomata-norte-americano/).
O certo é que, segundo o site do “China Morning Post” citando alguns analistas asiáticos, há já países da área do Sudeste Asiático (Filipinas, Singapura e Malásia) que começam a perceber que, num caso de uma guerra EUA-China,dificilmente poderão ser neutros e a dissecam os prós-e-contras de quem deverão apoiar, e cito, «(que) superpotências em conflito em seu próprio quintal» (ver em: https://www.scmp.com/week-asia/politics/article/3101977/us-china-war-whose-side-southeast-asia-philippines-singapore-and)

Na Síria, quando tudo parecia indicar que o senhor Trump ia mandar regressar as tropas norte-americanas, dado já ter expulso e derrotado o Estado Islâmico (#Daesh) (mais ou menos sic) eis que volta atrás e para gáudio dos seus apoiantes multimilionários petrolíferos (será que é mesmo para interesse destes ou interesses eleitorais de Trump) mandou ficar as tropas para defesa do petróleo sírio. E, com isso, parece ter criado algum esbarro com as forças russas na área.
Recentemente, um grupo de viaturas militares norte-americanas terão sido abalroadas por uma outra coluna russa, com feridos entre os militares norte-americanos. A consequência foi o comando norte-americano em reforçar tropas na área (perto de 100 soldados, blindados, sistemas de radar e caças – ler em: Público, de 20.Set.2020, pág. 24) para, e cito, «“garantir que são capazes de derrotar a missão do ISIS [Daesh] sem interferências” (segundo o oficial Bill Urban, porta-voz do Comando Central americano, em resposta ao The New York Times, e que reforça) “Os EUA não procuram o conflito com nenhuma nação na Síria, mas não deixarão de defender as forças da coligação, se isso for necessário” (ler em: Público, de 20.Set.2020, pág. 24); mas “segundo um alto responsável militar ouvido pela agência sob anonimato, os reforços visam avisar a Rússia para evitar acções provocatórias contra os EUA e os seus aliados na zona”» (idem).

Tudo muito interessante, principalmente a altura e quando todos sabemos que os norte-americanos respeitam muito os feitos extramuros no que tange à defesa da imagem militar norte-americana.
Algo que, recordemos, o senhor Trump, não poucas vezes, desprezou, como recordamos o que ele pensava de um antigo candidato presidencial republicano, John McCain,
que esteve cativo de forças vietcongs e norte-vietnamitas durante 3 anos e que Trump, por mais de uma vez, destratou, ao ponto de McCain exigir que Trump não se fizesse presente no seu funeral…

30 janeiro 2019

Cooperação, solidariedade, sim, sempre! Mas… paguem!



Segundo as últimas notícias mais de 72,28% do petróleo de Angola vai para a China, sendo o principal exportador para este país, algo que já vem desde 2017, quando ultrapassámos a Rússia, sendo que a India, é o nosso segundo comprador (10% das exportações), seguidos de Portugal e África do Sul.


Mas nada disto me surpreende e por duas fortes (e interligadas) razões:

Amigos, solidários, prontos para a cooperação, mas… paguem!

É o que se pode chamar de, "os bons negócios de e com China” (NJ569); não esquecer que a dívida inclui empréstimos, serviço da dívida (juros) e, em alguns casos até obras que deveriam estar subordinadas aos tais empréstimos por cooperação, mas que surgem como fora destes e dívidas a empresas chinesas – a grande maioria, ou a quase totalidade, como são as grandes empresas chinesas, detidas, maioritariamente, pelo Estado chinês.

Acresce a estes factos que, de acordo com o presidente da Comissão Executiva da Sonangol Comercialização Internacional (SONACI), Luís Manuel, registou, no «quarto trimestre de 2018, um decréscimo de dois milhões de barris, “perdendo-se 512 milhões de dólares (445 milhões de euros) em exportações”» a que não serão alheias as, ainda, tensões políticas e económicas internacionais que envolvem os EUA, a China e o Irão, aliado à ascensão dos norte-americanos à categoria de grandes exportadores.

Com as boas práxis chinesas de “amizade, solidariedade e cooperação” é bom que os países africanos comecem a pensar duas vezes. Talvez fosse assim, ainda que com algumas – boas – reservas e condicionantes – antes de Xi Jiping. Com esse, primeiro a China, a sua economia e as políticas económica externa e diplomáticas chinesas visando um próximo – ainda que não declarado – estatuto de superpotência, como poderão ler na 2ª parte do meu artigo “A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019” cuja 1ª parte foi publicada no Novo Jornal, edição 569, de 25 de Janeiro de 2019.

Reproduzido no Jornal Folha 8, com o título «Solidários e Cooperantes, mas... paguem!» (https://jornalf8.net/2019/solidarios-e-cooperantes-mas-paguem/)

A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019 - 1ª parte




A primeira parte do ensaio acima e publicado no Novo Jornal, em 25 de Janeiro de 2019, edição, 569, página 35 (ou ver o artigo completo aqui)

03 maio 2018

09 fevereiro 2018

Os 35 anos das relações sino-angolanas (artigo)


Estão a decorrer os 35 anos a relações sino-angolanas que têm pautado, essencialmente, mais pelo predomínio das relações económicas e financeiras, que políticas.

E isso foi visível num recente artigo de opinião, no Jornal de Angola, do embaixador chinês, em Angola, senhor Cui Aimin,, quando relevou os empréstimos que a República Popular da Chin já fez a Angola, principalmente depois de 2002, com o fim da guerra-civil entre com a UNITA e que ,ascendem a cerca de 60 mil milhões (ou biliões na versão norte-americana) de US Dólares (ou cerca de 50 mil milhões de €uros).

Sabendo-se que estes empréstimos estão caucionados pelos fornecimentos de petróleo e que este está a preços pouco satisfatórios para que o País possa cumprir na resolução desta dívida a curto-médio prazo, ó podemos inferir que os chineses não foram nada simpáticos nesse contrato leonino que fizeram connosco. Erro nosso na percepção de custos do crude, uma providencial visão capitalista chinesa? A dívida está cá e é colocada em causa pelos economistas.

O certo é que da visita que a visita do ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, a Luanda ocorrida entre 13 e 14 de Janeiro passado, esperava-se que, a mesma, tivesse trazido melhores condições de cumprimento ou reformulação da dívida, como Aimin sublinha, do “segundo maior parceiro comercial, o maior fornecedor dos petróleos da China em África, um dos maiores mercados ultramarinos de obras empreitadas".

Nada transpirou que isso o indique, excepto, talvez a assinatura de um acordo para facilitação de vistos em passaportes ordinários ou a continuidade do financiamentos chineses a Angola, como atestou o nosso  Ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, ainda que este tenha sublinhado que teria sido decidido que equipas técnicas do dois países iriam “trabalhar no âmbito da preparação da segunda sessão da comissão orientadora de cooperação económica e comercial” entre os dois países; ou seja, fortalecer o mecanismo que coordena e supervisiona a cooperação económica bilateral, com todos os aspectos/critérios económico-diplomáticos que isso possa envolver. (continuar a ler aqui)



Publicado no Novo Jornal, edição 519, de 2 Fevereiro 2018, página 17

26 julho 2015

A paciência da política chinesa ou a Teoria do Mahjong

"Quando Mao Tse Tung faleceu, em 1976, não houve qualquer alteração substancial na política interna e externa chinesa, com o seu sucessor, Deng Xiaoping, excepto, talvez, uma abertura económica permitindo investimentos estrangeiros incentivando a competição, o lucro e até mesmo o consumismo, embora, sem que se registasse qualquer abertura política baseada nos princípios democráticos. Um exemplo evidente dessa falta de abertura política foi o massacre dos estudantes na Praça de Tiananmen, em 1989.
Por sua vez, quando os antigos dois territórios chineses, sob administração europeia, Hong Kong (britânica) e Macau (portuguesa), retomaram à posse da China, levaram com estas duas regiões administrativas especiais, um sistema capitalista pouco consistente com o sistema socialista vigente na China. Face a isso, e visando, também, a possibilidade – nunca descartada – de Taiwan voltar a ser reintegrada, oficialmente, na China – que também mantém um sistema político e económico baseado nos princípios liberal e capitalista –, o líder chinês Deng Xiaoping, a 1 de Setembro de 1982, no discurso de abertura do 12.º Congresso Nacional do Partido Comunista da China, apresentou, em exclusivo e pela primeira vez, o termo “Socialismo com características chinesas” que viria a ser conhecido pelo princípio de «um país, dois sistemas».
Em que consiste o princípio «um país, dois sistema»? Na sua essência, pode-se caracterizar este princípio como sendo uma coligação entre o capitalismo e o socialismo. Um sistema único que não apresenta paralelo no mundo. (...)" (podem ler o artigo completo aqui)
Publicado no semanário Novo Jornal, edição 390, de 24-Julho-2015, página 17 (1º Caderno)

03 julho 2015

A China e a reformulação de um paradigma geopolítico - artigo

"Ultimamente a maioria das conversas políticas – e sociais – giram em torno da visita de sua excelência o senhor Presidente da República, José Eduardo dos Santos, à República Popular da China, onde, segundo consta, terá rubricado um ou vários acordos cujo cariz é desconhecido; e essa, infelizmente pela não divulgação dos mesmos, tem sido uma das razões, oportunas e salutares, para tanta conversa, quase diáfana, mostrando que a comunidade política e a sociedade civil estão cada vez mais atentas ao que se passa no País.

E não deixam de ser oportunas, repito, essas naturais interrogações quando o que as motiva continua no segredo dos corredores governamentais e a própria Assembleia Nacional parece estar ausente da leitura dos conteúdos que, eventualmente, tenham norteado os tais – caso tenha ocorrido, claro, – acordos sino-angolanos. E para reforçar as dúvidas, o desencontro entre uma notícia da ANGOP, quando da presença do senhor Presidente na China, e as posteriores declarações da Cidade Alta, quase que totalmente desencontradas.

Ora se há algo que nunca foi cabal e correctamente explicado à sociedade civil foram os acordos celebrados entre Angola e a China; as únicas razões evocadas foram que os chineses tinham aberto uma linha de crédito a Angola para a reconstrução das infraestruturas do País – bem necessários após uma longa e sangrenta crise militar fratricida –, acordos esses celebrados sob a garantia do fornecimento do petróleo nacional. O que se sabe é que o Ocidente, nomeadamente o FMI, terá virado as costas a Angola através de exigências que, à época, eram difíceis de serem cumpridos.

Por outro lado, a China sempre se pautou por um paradigma político que consiste em não querer saber do que se passa na vida politica interna dos outros Estados, desde que estes não ponham em causa as políticas governativas, económicas e sociais de Beijing.

Mas este não é um paradigma inócuo levado a efeito pelos chineses. Por detrás deste paradigma, ou, talvez, para ser mais exacto, a par deste habitual paradigma político, há um outro muito mais importante e que se reveste de uma importância capital para a expansão chinesa e que denomino da Teoria do Mahjong. (...)" (continuar a ler aqui ou aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 387,  de 3.Jul.2015, 1º caderno, página 198

04 junho 2014

Tiananmen, e vão 25 anos...


Há nove anos recordava a Liberdade esquecida; agora que se estão a recordar 25 anos da tentativa dos chineses em chegar à Liberdade política, Hong Kong recorda esta data com a inauguração de um Museu a perpectuar Tiananmen e com uma manifestação no passado domingo a exigir Democracia agora”, “Fim do partido único” e “Libertem Gao Yu”.

Na China como em outras partes do Mundo continua-se a exigir aquilo que alguns dirigentes teimam em negar: Liberdade política e Democracia "real"!

24 março 2014

Voo MH370 pode ter despenhado – comentário

(imagem da Internet)

Segundo a Malaysia Airlines o voo “perdido” há cerca de duas semanas ter-se-á despenhado no Oceano Índico, ao largo da cidade australiana de Perth, sem que haja sobreviventes.

Até aqui nada demais, se…

Se a rota indicada para a autonomia do voo – mesmo considerando um acréscimo previsto de mais uma hora de voo – não estivesse fora, e bem fora, a área indicada do possível despenhamento.

E como só agora uma empresa britânica é tão certa nas suas conclusões, quanto ao despenhamento do avião Boeing 777; ora segundo uma foto ontem divulgado o satélite Inmarsat estará posicionado numa área bem longe do previsível local da queda da aeronave, mas...

Se o voo “perdido” continuasse em zona de cruzeiro, ou seja, a 30 mil pés de altitude, cerca de 12 a 15 mil metros, e não, como estão fartos de indicar que o avião tenha descido para cerca de 1500 metros de altitude. Uma coisa é consumir combustível em voo de cruzeiro a altitude "normal", outra, bem diferente, é consumir substancialmente mais em voo de baixa altitude; logo, diria, impossível os destroços serem do voo MH370, salvo se…

Se os telemóveis/celulares não continuassem a recepcionar as transmissões que são feitos para eles, embora os seus donos e utilizadores não “respondam”.

Se tivesse despenhado e ficado destruído, como indicam as últimas notícias, não me parece que os referidos celulares continuassem a recepcionar as chamadas telefónicas, mas…

E é estranho que a companhia afirme que está confirmado o despenhamento e que o primeiro-ministro malaio também o confirme e não mostrem provas, efectivas desse despenhamento, salvo umas hipotéticas fotos de um satélite chinês e obtidas a demasiado altitude para um satélite e sem boa resolução.

Até agora não ouvimos as autoridades australianas afirmarem que recolherem peças identificadoras do avião malaio, que terá despenhado. Mas…

Mas, ainda bem que não somos das teorias da conspiração, principalmente depois de ter sido desviado, de haver conluio de ou dos pilotos, de…, enfim…

Parece haver, da parte da companhia malaia e depois de muitas críticas, uma vontade expressa de descartar qualquer intenção de manter a dúvida por mais tempo, mesmo que isso implique desvirtuar qualquer verdade do voo MH370.

Ou da companhia malaia ou das autoridades chinesas para não admitir que dentro do país também há vontades secessionistas que vão do Tibete aos territórios do noroeste de maioria islâmica.

25 outubro 2012

Se isto é internacionalismo…


(Agricultura angolana de subsistência; imagem daqui)

Segundo a rádio VOA (Voz da América) a província do Kuando Kubango está sob a mira de indivíduos, segundo parece, chineses, que estarão a ocupar indevida e inopinadamente terras agrícolas e de pasto para cultivo de arroz, nomeadamente, na região do Rio Longa.

Se já era incompreensível a usurpação de terrenos, sem que os sobas e as autoridades tradicionais locais nada consigam fazer para impedir, mais impressionante é a acusação de que os mesmos indivíduos estão a recrutar crianças, entre os 14 e 17 anos, para fazerem o “seu" serviço agrícola, contra o pagamento – mais que simbólico, já que o habitual é, também, ele, baixo – de 90 dólares.

E tudo isto a escassos 90 kms da capital provincial, Menongue.

É sabido que a província de KK é considerada como “terras do fim do Mundo” mas, será que serão tão fim de mundo que o Governo provincial e as forças policiais nada saibam, nada ouçam, nada vejam, e permitam que esta absurda e incompreensível situação seja já do domínio público internacional?

Quero crer que não. Que tudo esteja a ser feito ao arrepio das nossas autoridades e que Luanda, em último caso, faça uma intervenção pronta e objectiva sobre todos estes desmandos denunciados.

Já há tempos se soube que brasileiros andavam a ocupar excelentes terrenos agrícolas no Kwanza Sul para produção de soja que seria reenviada, a posteriori e, provavelmente, como produto brasileiro, para a China.

Agora esta estranha, absurda, anómala e incompreensível situação, a que se junta, uma vez mais, a acusação que a China estará a “exportar” condenados seus para Angola. Recordo que já há cerca de 5 anos, quando detinha responsabilidades associativas, ouvi esta acusação que nunca me provaram. Mas…

Todavia, deixem-me ser ingénuo, e não querer acreditar que o “internacionalismo” chinês vá a tal ponto e que os “subsídios” financeiros da China já não sejam só pagos pelo petróleo.

Entretanto, a agricultura de subsistência dos angolanos está desaparecendo naquela região.

E a quem é que isto interessa ?...

20 julho 2012

O eterno apoio dos autocratas aos seus congéneres…


A Síria está a ferro e fogo pelo controlo do país entre aqueles que se arrogam da defesa da Liberdade do país e o já decano presidente Bashar al-Assad alojado no seu bunker de Damasco.

Várias têm sido as tentativas para colocar os dois opositores numa mesa de negociações viável e credível através quer dos países árabes quer, e principalmente, da ONU.

Pois se várias têm sido as tentativas vários foram os vetos “oferecidos” por dois países que, tal como al-Assad são geridos por autocratas que quase se eternizam, sob capas de projectos democráticos, no Poder.

E a desculpa, em parte derivada do fracasso da Líbia, é que qualquer eventual resolução aprovada abriria o caminho a intervenção armada de terceiros na Síria.

E há dois países a quem o caso da Líbia ainda mantém a ferida muito viva, embora, como adiante refiro, este não seja o único interesse.

São os casos da Rússia e da China a que não faltam outros apoios em sectores muito próximos dos sírios, embora, estranhamente ou talvez não, politica e religiosamente incompatíveis aos sino-russos.

Recordava, por exemplo, do Irão…

Ou seja, três autocracias evidentes que têm por hábito apoiarem e suportarem, às vezes até à exaustão política, social e económica, os seus comparsas autocratas em todo o Mundo.

Bom, mas diga-se que, no que toca a apoios estranhos, estes três coadjuvantes no estão sozinhos. Alguns de muitos países do chamado Mundo Livre também gostam, enquanto o petróleo e os minérios especiais lhes caem livremente nas suas economias, apoiar alguns certos autocratas instalados há decénios no Poder…

12 agosto 2009

Aung San Suu Kyi, mais 18 meses…

(Imagem ©Jornal de Notícias)


Até quando o “poder” da China Popular vai ser suficiente para o Ocidente e o Mundo continuar a admitir esta sistemática violação de Direitos Humanos sem ter uma efectiva e clara atitude?

Ah! sim, esquecia-me. Enquanto uns têm muito petróleo, há aquele que domina grande parte das finanças norte-americanas…

14 julho 2009

É por destas que tenho receio das pressas da construção chinesa…

É demasiado verdadeiro para ser um mero “instrumento” tratado em Photoshop.
Tal como recebido por e-mail e na versão original assim vai ser colocado (todavia, e posteriormente, pude confirmar a notícia
aqui onde poderão ver mais fotos, ou no China Daily).

At around 5:30am on June 27, an unoccupied building still under construction at Lianhuanan Road in the Minxing district of Shanghai city toppled over. One worker was killed.

16 abril 2009

Angola e a Imigração regular versus a irregular

(foto ©Apostolado)

"Segundo os dados oficiais, hoje tornados públicos pelo serviço de Migração e Estrangeiros estarão em Angola, em situação regular – ou seja, como habitualmente dizemos, legais – cerca de 40 mil chineses.

Todavia, já informações não oficiais haverão mais de 100 mil chineses a viverem no País, a maioria, como se depreende, em situação irregular (vulgo, ilegais).

Faço esta destrinça entre legalizados e não regulares porque, muitos dos que estão nesta situação, por certo, e não acredito que tenha sido de outra forma, apesar de parecer que muitos chineses como ainda há dias alertava, creio que Pepetela, colocam anúncios no Jornal de Angola denunciando a perca de passaportes, entraram com visto regular mas que terão ficado pelo País no final de contratos desprezando o regresso.

Mas esta situação dúbia entre os que estão legalizados, mais concretamente, entre os números oficiais e os irregulares, ou “não-regulares” faz-me lembrar uma muito semelhante num outro país mas, desta feita, com os angolanos como imigrantes. Refiro-me, naturalmente, a Portugal.

De facto, os números oficiais apontam para um número entre os 35 e 40 mil angolanos em situação regular ou inscritos nos Consulados. No entanto, tal como em Angola, as fontes não oficiais apontam para valores entre irregulares e descendentes para cima dos 100 mil concidadãos.

Outras paragens a mesma questão. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , "Colunistas" de hoje.

17 dezembro 2008

Transparência de negócios?

A oposição liderada pela UNITA quer mais transparência nos negócios e investimento do e no Estado angolano e justificações presidenciais à Assembleia Nacional – ou não fosse, ainda, um regime semi-parlamentar (ou semi-presidencial) o que vigora em Angola (Kabango bem quer que, com a nova Constituição, continuem separados os dois pólos administrativos nacionais, mas…) – quando faz e porque faz viagens ao estrangeiro.

Perfeitamente legítimo esta solicitação num País democrático e num Estado de Direito…

E já agora, que negócios tão vantajosos para Angola que o presidente Eduardo dos Santos rubricou na China e que
tipo de aprofundamento se referia o presidente Hu Jintao?

E alguém explica como é que a TAAG poderá sobreviver com viagens a Pequim? Não é a TAAG que está em refundação? Justifica-se uma nova rota quando fecharam a de Adis Abeba?

Será esta uma das razões que levam Jintao a apelar ao “investigamento” – aprofundar significa investigar, logo aprofundamento… – de parcerias sino-angolanas?

08 agosto 2008

JO-2008, e começa hoje o passeio para a fama

(logo COI)

Começam hoje, em Beijing, os jogos mais politizados desde Moscovo e Montreal, o Jogos Olímpicos 2008.
Que os Direitos Humanos não sejam esquecidos e que os Atletas sejam respeitados nas suas culturas, ideias e religião pelos organizadores e pelo discreto e “liberal” COI!

Os países lusófonos vão estar todos representados conforme segue:

Angola: vai estar representada em 32 atletas, a saber: Andebol feminino, Atletismo, Basquetebol masculino, Canoagem, Natação (que não aconteça como nos Mundiais da Austrália, em 2007) e Voleibol de Praia; o Basquete (apesar da equipa de Ginguba contar só, na sua série inicial, com os EUA, a Espanha, actual campeã do Mundo, a Grécia, vice-campeã,a China e a Alemanha) e o Andebol são as modalidades onde se esperam mais destaque e melhoria da classificação face aos últimos Jogos (de notar que o presidente José Eduardo dos Santos vai estar presente na cerimónia de abertura, tal como Lula da Silva, do Brasil, Armando Guebuza, de Moçambique, e Ramos-Horta, de Timor-Leste…);

Brasil: terá a maior representação da Lusofonia com 270 participantes, distribuídos por: 31 modalidades, destacando-se as modalidades de Futebol (começou os JO com uma vitória sobre a Bélgica por 1-0) e Voleibol;

Cabo Verde: estará representado com 3 atletas nas modalidades Atletismo e Ginástica rítmica (Wânia Monteiro);

Guiné-Bissau: terá igualmente 3 atletas nas modalidades de Atletismo (Holder Silva e Domingas Togna, por convite) e Luta livre (Augusto Midana, apurado directamente);

Moçambique: levará 5 atletas para as modalidades de Atletismo (entre eles a grande campeã Lurdes Mutola), Judo e Natação;

Portugal: a segunda maior representação lusófona, terá 77 participantes espalhados por 17 modalidades, sendo o Atletismo e o Trialto as que mais esperam acolher medalhas;
.
São Tomé e Príncipe: também com 3 atletas, estará nas modalidades de Atletismo (Celma Bonfim, a porta-bandeira, e Naiel Almeida) e Canoagem (Alcino Vaz que leva na bagagem a esperança de uma boa classificação);

Timor-Leste: a representação mais pequena, estará unicamente presente no Atletismo com 2 participantes, ambos na maratona.

05 agosto 2008

A Media anda pelo purgatório?

(foto DW.de)
Por norma a Comunicação Social (CS), o 3º poder, é olhada, não poucas vezes e quase sempre pelos Governos nacionais e locais, como um enorme e pavoroso “bicho” que deve ser, tão prontamente quanto possível, amordaçada, decapitada, chacinada, numa palavra, abolida.
Em países autocratas cujo vocábulo “democracia” é um palavra vã – leia-se há falta de liberdade de falar, um eufemismo de ditatorial, – é conveniente que a Comunicação Social veja a sua actividade limitada aos interesses comanditários, sejam eles, políticos, sociais ou económicos. Relembra-se para ser mais objectivo e sem temer que este blogue seja colocado como “inapropriado ou reprovável”, o que passam jornalistas e alguns dos jornalistas que cobrem os Jogos Olímpicos de Pequim, na China.
Também há países, que embora se digam democratas, o seu verdadeiro ambiente político é de um amordaçamento, quase descarado, que impele sobre a Comunicação Social não pública, como se tem constatado, infelizmente e em casos concretos, em Angola. Portais houve que estiveram encerrados, segundo estes – e quem somos nós para duvidar das palavras dos próprios, embora ninguém as aceite como plausíveis – por razões técnicas – talvez as mesmas que quiseram calar o ClubK –. Talvez as mesmas razões técnicas que fazem com que os semanários independentes Angolense e Semanário Angolense se mantenham quedos e mudos há duas semanas (por acaso ambos esta(va)m alojados no mesmo sistema que o do Angonotícias, no
AngoAlojamento (toAngola). Mas se eles dizem que foram por motivos técnicos… Já para não relembramos o que se passou com a Rádio Despertar que, também por motivos técnicos viam as suas emissões em certas alturas irem para além do desejável pelo Poder…
Mas se em países cuja a liberdade de opinião é inexistente ou começa a dar os primeiros passos é admissível, mas não aceitável, que a CS sejam vista com um entrave aos seus livre arbítrios, já não o é quando esses países são ditos garantes da Liberdade de Imprensa e do Jornalismo.
Por isso como se pode entender os factos recentemente ocorridos em Portugal e em Itália, só para citar dois.
Em Portugal um dos mais antigos jornais diários, o
Primeiro de Janeiro – já o Comércio do Porto e a Capital também o foram há cerca de uma ano – foi encerrado, primeiro porque iria para reestruturação e mudança de imagem com os seus jornalistas a serem dispensados, para de seguida ser reaberto sem grandes alterações visíveis salvo o facto dos jornalistas continuarem dispensados e quem faz o jornal serem jornalistas de uma separata desportiva, o Mundo Desportivo. Ninguém duvida da capacidade destes em fazerem qualquer tipo de jornalismo – um jornalista é-o seja do desporto ou das áreas sociais ou politicas ou económicas, desde que saibam da matéria – mas que é estranho e não se ouça ondas por parte do poder e de quem o gere, isso acaba por tornar mais estranho este encerramento/reaparecimento.
Já na Itália um jornalista, Marco Travaglio, daqueles que gostam, e parece que têm esse direito, de ver escrita a palavra Jornalismo com “J” e de ser considerado, unânime e eticamente, como um “artigo raro na Itália”, ao ser entrevistado por uma cadeia televisiva (estatal)
denunciou publicamente o poder de estar conluiado com o grande polvo que é a Máfia o que o levou a ser contestado. Que o poder do Poder é enorme em países onde a unidade é quase nula, como é o caso da Itália, já nós sabemos. Mas que esse Poder seja tão enorme que o entrevistador quase pediu desculpas mudas ao visado e a própria emissora, a RAI, também já se demarcou das palavras de Travaglio. É que o senhor Berlusconi não gosta de ser visado nem que visem os seus correligionários…
Com um Jornalismo e uma Comunicação Social assim amordaçados quem ganha, é sempre o Poder!

25 maio 2008

Esta é a África que africanos não querem!!

Relembra-se hoje mais um Dia de África!
Mais um Dia que alguns africanos fazem por tornar recordável pelas piores razões!
No Zimbabué o ainda presidente Mugabe “obriga” um avião da Air Zimbabwe a “despachar” os seus passageiros – pagantes – para ir fazer uma viagem até à China. Uns dizem que é uma viagem de negócios, outros que vai lá por razões de saúde. Por mim penso que vai perguntar aos chineses se desejam voluntários – começa a haver demais no Zimbabué por causa daqueles que não votaram nele e dos que, infelizmente, são obrigados a voltar devido ao xenofobismo sul-africano – para recuperar do desastre natural que foi o sismo de Sichuan – passe a ironia, que não têm a culpa e parece ter humanizado a nomenclatura chinesa – e agradecer os utensílios domésticos e de lavoura – armas, munições e diversos do navio An Yue Jiang – que a China parece ter conseguido fazer chegar ao Zimbabué de Mugabe!
No Sudão os interesses imperiais estão cada vez mais acintosos.
Norte-americanos e chineses disputam os terrenos sudaneses mais “fertéis” em petróleo por via de rebeldes do Darfur e tropas de Cartum e
Nem uns, nem outros respeitam ninguém.
Enquanto isso, o povo do Sudão vai vendo grupos armados assaltarem forças de Paz sob o olhar da AMI ou assistem à troca de armas que são vendidas por quem os deveria defender, as tropas da União Africana
Antes havia a disputa ideológico-imperial pelo Mundo entre norte-americanos e soviéticos. Agora vemos que essa disputa se tornou económico-imperial só que agora é entre os norte-americanos – os sobreviventes – e os chineses (na prática, estes sempre foram imperialistas apesar de o negarem em nome e sob a capada dos Não-Alinhados).
Entretanto, na Somália, no Chade, na República Democrática do Congo, na Nigéria, ou na África do Sul…
Ou, ditadores continuam no poder, enquanto outros são presos – e depois de circularem livremente na Europa – mas só quando já lá não estão ou quando os senhores do TPI lhes convém, e continuam ricos, cada vez mais ricos, enquanto a maioria dos seus povos estão pobres, cada vez mais pobres e esfomeados...
Assim não há Dia nem África que aguente!