28 janeiro 2020

As cogitações do Luanda Leaks: o que trarão?


O processo Luanda Leaks expôs a nu todo um sistema que, há muito, muitos de nós vínhamos a demandar ou a delatar como estando a minar a economia, a política e todo um aparelho nacional.

Fomos sempre olhados como anti-nacionais, como anti-MPLA, como retrógrados, como imperialistas, como reacionários e outros epítetos menos fortes ou não tão apelativos.
Não vou entrar no “programa” nós é que tínhamos razão e ninguém nos levou a sério ou e agora quem são os verdadeiros culpados.

Quere-me parecer que todos temos culpas. Uns porque não teremos sabido ser imperativos nas nossas questões e denúncias, outros porque se acomodaram, outros ainda porque se o partido dizia estar bem, então tudo estava bem, outros que no Chefe nada se questionava, porque era o líder e o único capaz de gerir o País – principalmente porque vinha de um longuíssimo conflito fraterno – e, outros, por esta ou por aquela razão, achavam que nada estava tão deficiente que fosse necessários questionar e, finalmente, outros – estes parceiros internacionais – porque seguiam, seguem e seguirão eternamente que «money has no color» e, ou, «money is God».

Não sejamos hipócritas e a realidade é clara: seja quem dominar o dinheiro nacional terá sempre muitos “amigos” prontos a defendê-lo até algo correr mal.

E tudo correu e está a correr mal para a empresária Isabel dos Santos e para as suas actividades empresariais. E correu mal não só devido às denúncias de um consórcio internacional de jornalistas de investigação (Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação – ICIJ, via Plataforma para África de protecção a denunciantes contra a corrupção e má gestão – Platform to Protect Whistleblowers in Africa) e de um eventual – repito, eventual, como adiante explicarei – hacker português, mas dela própria quando alardeava que toda a sua fortuna teria começado com a venda de uns quantos ovos entre amigos. Ou eram vendidos em sistema de leilão e quem mais desse, mais direito tinha a ficar com os ditos ovos, ou a hipocrisia reinante era tanta que para “satisfazer” o ego da pequena dos Santos se oferecia pelos ovos preços diamantíferos.

Como ninguém acredita em milagres destes – começar com um aviário e fazer uma fortuna, ´outra coisa completamente diferente – muitos comia, rumorejavam, mas nada diziam.
E isto acontece sempre até um dia.

E esse dia aconteceu.

O tal consórcio internacional de jornalistas denunciou a presença de mais de 715 mil documentos que teriam sido vazados de mais estranhos lugares, onde a família Isabel dos Santos/Sindika Dokolo estaria presente e em situação menos lícita nos seus negócios ou, melhor dizendo – e no caso concreto da empresária Isabel dos Santos –, na origem ou na génese do que levou aos referidos negócios.

Tudo começava a fazer sentido na órbita do combate à corrupção e à lavagem de dinheiro que o Governo do Presidente João Lourenço está a levar a efeito. Uma peça, um processo que parece ter caído do céu…

Milhões de Kwanzas, Dólares, Euros, passaram a ser demais. Empreendimentos físicos e financeiros começaram a ser colocados em causa. Fala-se que até a nacionalidade foi tornada peça importante para ser descartada. O certo é que este processo parece ter caído do céu, para muita gente; em particular para o Governo do Presidente João Lourenço.
Só que há muita penumbra neste processo. Desde logo a forma e os métodos usados para aceder aos mais de 715 mil documentos.

No Jornal Folha 8, por exemplo, há um artigo do seu Director, William Tonet, de há cerca de um ano e agora recordaram, onde era denunciado que numa «mala diplomática de um ministro português» seguiriam documentos com a indicação expressa e com a recomendação de que fossem entregues ao Expresso/SIC.

Ora, as notícias que correm são que o “fornecedor” do consórcio internacional de jornalistas teria ido o hacker português Rui Pinto, facto, sublinhe-se, que, de forma indirecta, já teria sido igualmente denunciado por Sindika Dokolo; se esta foi uma forma do hacker tentar minorar a sua situação jurídica em Portugal e, por esta via, obter mais apoios internacionais no sentido de passar de “invasor” a “denunciante”, principalmente junto de autoridades europeias e, agora, angolanas, gostaria de recordar que, recentemente, os gestores da Sonangol denunciaram que antes da emissão do Luanda Leaks documentos teriam sido destruídos em ataque informático o que podem colocar em causa a “denúncia libertadora” de Rui Pinto…

Este é um processo que todos estão em causa, mesmo que a base, ou por isso mesmo, seja a corrupção. Como recorda o jornalista e economista Carlos Rosado, citado pelo Novo Jornal, a luta contra a corrupção não pode ficar pelo começo e fim na família dos Santos, porque «a corrupção em Angola é uma coisa generalizada e envolve a cúpula do Estado e a cúpula do MPLA» e que, acrescento, envolve, também, muitas pessoas ligadas à Oposição. Qualquer angolano perguntará como muitos chegaram sem nada junto da política nacional e agora – alguns – ostentam grandes fortunas?

É certo que, este processo, colocou no olho do furacão, quase que exclusivamente, a empresária Isabel dos Santos e todos os seus negócios.

É certo que, até agora, a empresária Isabel dos Santos é a principal arguida no processo que corre em Luanda e que assenta, essencialmente não no Luanda Leaks, mas numa queixa da administração da Sonangol contra aquela por «por má gestão e desvio de fundos durante a sua passagem pela companhia petrolífera estatal angolana» facto que parece estar enquadrado no Luanda Leaks. Como também é certo que todos os que, directa ou indirectamente ligados à empresária e que de uma forma directa ou indirecta acabaram ser constituídos arguidos em Angola ou viram as suas vidas viradas ao contrário se defendem das acusações como sendo incorrectas.

A empresária Isabel dos Santos, considera mesmo falsas as acusações de que é alvo e pensa levar o referido consórcio a Tribunal. Segundo o portal do semanário Novo Jornal, Isabel dos Santos diz que vai lutar nos tribunais internacionais para “repor a verdade” dado que «insiste estar a ser vítima de uma campanha “puramente política”, prometendo lutar para “repôs a verdade” e defender os seu “bom nome”».

Só que as pessoas não são estúpidas e ao contrário do que muitos pensam, as pessoas e os angolanos, em particular, pensam e de que maneira: se nada tem a recear e tudo é falso porque a empresária se está a querer desfazer de todas as suas participações em Portugal? Porque eventualmente estará – sublinho, eventualmente estará – a adoptar como nacionalidade base a nacionalidade russa e mudar a sua residência oficial para Dubai, nos EAU? Naturalmente poderá ser tudo especulações…

E esta “saída” leva a outra questão que já alguns colocam: deverão os reguladores portugueses – Banco de Portugal e CMVM –, bem como a Justiça portuguesa cativar os fundos obtidos com a alienação das suas participações, pelo menos, aquelas em que intervierem instituições portuguesas ou localizadas em Portugal?
E qual a posição do antigo Presidente José Eduardo dos Santos no meio deste processo? Teve ou não participação directa num eventual apoio à eventual formação menos correcta de capitais e a fortuna da empresária Isabel dos Santos, primogénita daquele, para a constituição da sua enorme rede de empresas?

Pouco antes da ”explosão” Luanda Leaks, o antigo Presidente ia conceder uma entrevista à agência noticiosa portuguesa Agência Lusa e cancelou-a.

Quando questionado sobre a possibilidade de Eduardo dos Santos ser chamado à PGR, esta afirmou que o antigo presidente estaria imunizado durante 5 anos contra eventuais processos judiciais. Mas, convenientemente ou talvez não, todos parecem esquecer que a Lei, de 2017, que concedeu a imunidade aos antigos Presidente e Vice-Presidentes tem cláusulas e excepção que levaria o levantamento dessa imunidade, como recorda Paulo Zua, no portal Maka Angola «Os actos praticados pelo antigo presidente da República no exercício das suas funções não estão ao abrigo da imunidade de cinco anos». E há aqui neste processo, muitos actos que podem ser imputados por eventual deficiente má-gestão.

O problema é que muitos – sejam do MPLA ou da Oposição – têm “telhados de vidro” e temem que Eduardo dos Santos se canse e comece a debitar “mais documentos” que os que levaram à explosão do Luanda Leaks. Ou como me avisava, muitas vezes um velho amigo meu, “nunca cuspa para o ar”. Não é só porque é falta de educação, mas porque não sabes nunca para que lado vira o vento e se podes receber, e volta, o “indejecto”…

Que o bom senso prevaleça. A melhor solução é, ou deverá, ser tratada fora dos Tribunais e o caso seja político – como denunciam a empresária e o seu marido (de notar que logo nos primeiros dias o Presidente congolês-democrata Felix Tshisekedi visitou o seu homólogo angolano, na província e Benguela onde o Presidente João Loureço estava a passar uns dias de férias, e preocupado, também, com a situação do seu concidadão e membro ilustre da sociedade congolesa-democrata, Sindika Dokolo, seu apoiante na luta contra Kabila Kabange, e acabou a aceitar que são os Tribunais a decidirem do processo) –, ou judicial ,deve colocar todas as partes, em Angola ou no exterior a conversar.

Só assim, todas as caras ficarão lavadas e o erário público angolano verá reentrar no País dinheiros que, eventualmente, possam ter saído menos licitamente dos cofres do Tesouro.
Agora de uma coisa também ninguém pode opugnar à empresária Isabel dos Santos: pode ter usado indevidamente fundos nacionais por “ofertação” indevida, mas é verdade que a empresária tem aplicado uma parte desses fundos no desenvolvimento da economia nacional: recordo uma empresa de telecomunicações e da área a alimentação…

Bom senso é o que se deseja.

05 dezembro 2019

Mazuí - apresentação do meu novo livro



Esta quinta-feira, 5 de Dezembro de 2019 vai ser apresentado - lançamento - o meu novo livro que, +e o primeiro que não é ensaio. É, essencialmente, de poesia e também contém contos.

O lançamento, com apresentação de Delmar Maia Gonçalves, que o prefaciou, será na Casa de Angola, Lisboa, pelas 18,30 horas  (Trav. Fábrica das Sedas, nº 7, perto do Rato).

Espero-vos por lá, quem por lá puder passar.

06 setembro 2019

Robert Mugade is dead!


Segundo um tweet do Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, o antigo presidente, Robert Mugabe, faleceu hoje, aos 95 anos (Kutama, 21 de Fevereiro de 1924 – Singapura, 6 de Setembro de 2019), num hospital de Singapura. Segundo esse tweet, Mnangagwa afirma que Mugabe era um ícone da libertação, um pan-africanista que dedicou a sua vida à emancipação e empoderamento do seu povo. A sua contribuição para a história da nossa nação e continente nunca será esquecida. Que a sua alma descanse em paz eterna”.

Sobre este assunto acabei de dar uma entrevista/análise à RFI - Radio France Internationale

Morreu um homem que começou por ser um Libertador e um dos Pais de Zimbabwe -Joshua Nkomo, da ZAPU, e, de certa forma e à sua maneira, o bispo Abel Muzorewa, foram os pais do fim do regime de apartheid que vigorava desde a auto-proclamação da independência da Rodésia – e acabou como um senil déspota e ditador que levou o País à miséria e ao descalabro.

Reconheça-se que Mugabe foi um impulsionador das lutas de libertação na África Austral, nomeadamente, no apoio que deu ao ANC, da África do Sul; País que hoje vive um difícil período de crises sociais e políticas com ataques xenófobos a imigrantes, nomeadamente, nigerianos e moçambicanos, mas que, também, e em situações similares às actuais e pelas mesmas razões, chegou a atacar pessoas e interesses zimbabweanos e moçambicanos. A História é sempre rapidamente esquecida, quando os interesses pessoais são postos em causa…

De qualquer forma as minhas condolências ao Povo Zimbabweano pela morte do seu antigo estadista!
  

23 março 2019

O mútuo direito à indignação

José Filipe Rodrigues manifestou, num artigo de opinião, no Jornal Folha 8, a sua revolta social – e pessoal, enquanto terapeuta pediatra e psiquiatra (ao contrário do que alguns alvoram parece que não existe a especialidade de pedo-psiquiatra) - por causa de uma fotografia onde a vice-presidente do MPLA, Luisa Damião, aparece com a criança órfã da "mortalizada" zungueira, Julia Cafrique, por uma bala policial (https://jornalf8.net/2019/a-luisa-damiao-e-nojenta/).
Um artigo que teve, como é normal num Estado de Direito e em qualquer órgão de comunicação responsável o direito ao contraditório. Luisa Damião, presumo, num direito de resposta que lhe assiste e através do Departamento de Informação e Propaganda do Comité Central do MPLA, fez emitir uma “Nota de Repúdio ao Jornal Folha 8 on line”. É um direito que todos os que se sintam visados ou tocados podem e devem recorrer. Nessa nota o DIP exige - provavelmente não terá lido o visado texto na íntegra - que «a redacção do Folha 8, que se retrate formalmente pelo facto ocorrido, recorrendo aos princípios éticos e deontológicos que regem o exercício de um jornalismo responsável» porque se tivesse lido, veria que era um artigo de opinião e, como em todos os órgãos de informação, só responsabiliza quem o escreve e, salvo melhor opinião do Direito Penal angolano, o Director do referido órgão (https://jornalf8.net/2019/direito-de-resposta-do-mpla/).
Este direito de resposta teve um respectivo novo contraditório do analista que sublinhou o seu repúdio pelo acto da vice-presidente do MPLA invocando que, e cito, um eventual falta de «respeito pelo Direitos das Crianças, pela confidencialidade e pelo luto [não demonstrado] pelo órfão e pela Juliana Cafrique» (https://jornalf8.net/2019/direito-a-indignacao-nao-e-propriedade-do-mpla/). Louve-se as duas partes por terem usado de uma prerrogativa que só existe em Estados de Direito: o direito à crítica, num artigo de opinião, o direito de resposta da criticada - presumo - por via de um seu DIP (em vez do serviço jurídico, estranho) e, finalmente, a responsabilidade do editor online do Jornal Folha 8 na publicação dos três factos. Pessoalmente, me parece que um recato de Luisa Damião - e depois de tantas pessoas, quer através da forma como se manifestaram no local, quer depois nas páginas sociais - teria sido o mais aconselhável. Acredito que, como mãe, presumo que seja, tenha sentido a necessidade de apoiar a criança órfã. Creio que todas as mulheres ter~o tido essa vontade. Mas como política e com um
alto cargo num partido político que governa o País há muitos anos, penso que o melhor - e não me recordo que outros partidos ou dirigentes tenham caído nessa rasteira politica - teria sido manter um recato. Poderia fazê-lo, mas sempre fora dos holofotes da opinião pública.
Ao fazê-lo, expôs-se. E expôs-se à crítica!

09 março 2019

Visita de Marcelo a Angola em análise para Sputnik

(Imagem via Internet/Google)

Relativo à visita do presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, a Angola, a minha quota parte de análise para o portal da Sputnik Brasil:

Uma das citações da minha entrevista/análise:

«"Atualmente, Angola está numa situação muito melhor. A atitude do presidente João Lourenço é a de uma maior aproximação. Do lado de Portugal, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa é uma pessoa mais generosa, mais aberta. Isso permite que as relações entre os Estados acabem por ter um aquecimento", diz à Sputnik Brasil o pesquisador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa, Eugénio Costa Almeida.»

O artigo pode ser lido, na íntegra, aqui

08 março 2019

Eu, Angola, Cabinda e FLEC na RDP-África


Hoje, 1 de Março,  estive em directo para a RDP Africa a falar sobre #Cabinda e o comunicado "de guerra" da FAC, da Cabinda Flec.

A minha participação pode ser ouvida aqui




13 fevereiro 2019

Participações como académico e analista na semana de 5 a 11 de Feverereiro


Para conhecimento as minhas recentes participações, que, na maioria, ocorreram neste passado fim-de-semana, de 8 a 10 de Fevereiro:

Jornais:
  • Novo Jornal, edição 571: A segunda parte e última parte do meu ensaio «A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019», publicada em 8 de Fevereiro (em anexo, também o pdf da primeira parte) - falta o acesso à segunda parte no portal do Novo Jornal, mas tal como na primeira, só será um pequeno trecho;
  • Vanguarda, edição 105, de 8.Fev.2019, uma analise sobre a visita de Tshisekedi a Luanda (este jornal não coloca no site as análises de convidados, mas, além do pdf, podem aceder a este acesso: https://www.elcalmeida.net/File_pdfs/V105_20190208_Tshisekdi%20em%20Luanda_Analise.pdf )
Sites/portais:  

30 janeiro 2019

Cooperação, solidariedade, sim, sempre! Mas… paguem!



Segundo as últimas notícias mais de 72,28% do petróleo de Angola vai para a China, sendo o principal exportador para este país, algo que já vem desde 2017, quando ultrapassámos a Rússia, sendo que a India, é o nosso segundo comprador (10% das exportações), seguidos de Portugal e África do Sul.


Mas nada disto me surpreende e por duas fortes (e interligadas) razões:

Amigos, solidários, prontos para a cooperação, mas… paguem!

É o que se pode chamar de, "os bons negócios de e com China” (NJ569); não esquecer que a dívida inclui empréstimos, serviço da dívida (juros) e, em alguns casos até obras que deveriam estar subordinadas aos tais empréstimos por cooperação, mas que surgem como fora destes e dívidas a empresas chinesas – a grande maioria, ou a quase totalidade, como são as grandes empresas chinesas, detidas, maioritariamente, pelo Estado chinês.

Acresce a estes factos que, de acordo com o presidente da Comissão Executiva da Sonangol Comercialização Internacional (SONACI), Luís Manuel, registou, no «quarto trimestre de 2018, um decréscimo de dois milhões de barris, “perdendo-se 512 milhões de dólares (445 milhões de euros) em exportações”» a que não serão alheias as, ainda, tensões políticas e económicas internacionais que envolvem os EUA, a China e o Irão, aliado à ascensão dos norte-americanos à categoria de grandes exportadores.

Com as boas práxis chinesas de “amizade, solidariedade e cooperação” é bom que os países africanos comecem a pensar duas vezes. Talvez fosse assim, ainda que com algumas – boas – reservas e condicionantes – antes de Xi Jiping. Com esse, primeiro a China, a sua economia e as políticas económica externa e diplomáticas chinesas visando um próximo – ainda que não declarado – estatuto de superpotência, como poderão ler na 2ª parte do meu artigo “A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019” cuja 1ª parte foi publicada no Novo Jornal, edição 569, de 25 de Janeiro de 2019.

Reproduzido no Jornal Folha 8, com o título «Solidários e Cooperantes, mas... paguem!» (https://jornalf8.net/2019/solidarios-e-cooperantes-mas-paguem/)

A Geopolítica e Geofinanças da China em África: depois de 2018, segue-se 2019 - 1ª parte




A primeira parte do ensaio acima e publicado no Novo Jornal, em 25 de Janeiro de 2019, edição, 569, página 35 (ou ver o artigo completo aqui)

30 dezembro 2018

Minha Actividade em Dezembro de 2018



Relação da minha actividade literária - e não só - no mês de Dezembro de 2018:

Intervenção directa:
“Ainda é cedo para termos a certeza do alcance das mudanças de João Lourenço” (in: Changing World / blog do CEI, em 07/12/2018);
O porquê de haver uma boa Marinha de Guerra (in: Vivências Press News, em 15/12/2018);
No adeus a 2018, que expectativas para 2019 (in: Vivências Press News, em 28/12/2018);

Citações de afirmações ou comentários meus:
Lisboa: MPLA e o 27 de Maio de 1977 são temas de Mestrado no ISCTE (citação e entrevista, decorrente da minha orientação para um Mestrado em Estudos Africanos, no ISCTE-IUL) (in: Vivências Press News, em 06/12/2018);
Angola – A New Politics of Memory? The President and the Ruling Party’s Dark Past texto da investigadora do CEI-IUL, Cláudia G. Almeida) – Citação ( in: Presidential Power, em 18/12/2018);
 As Presidenciais no Congo Democrático (análises de Raúl Braga Pires e Rui Newmann - citação aos +/- 13' 43'') (in: VOA Português, em 26/12/2018);


Obra literária (publicada no primeiro trimestre de 2018, mas só agora o recebido em 21/12/2018)


16 julho 2018

Os meus artigos no VPN no mês Junho de 2018



Relação dos meus artigos e análises publicados durante o mês de Junho no Vivências Press News (VPN):

(Porque hoje é o Dia Mundial da Criança, porque toas as Crianças têm direito a serem pássaros livres, divertidos e brincalhões sem se preocuparem com o futuro imediato, para terem tempo de aprender, sem terem de ser trabalhadoras cedo, e como recorda o professor Domingos da Cruz, num ensaio que hoje estará apresentar em Luanda,, […]);

(Depois de uma semana sabática devido a preparação e conclusão de conferências, mesas-redondas e aulas-abertas volto ao vosso convívio com 4 pontos a reter e a ter em conta em futuro próximo: O Presidente João Lourenço fez um périplo por terras francófonas (França e Bélgica) onde convidou os empresários destes países a investirem em Angola, […]);

(Fomos hoje acordados com uma notícia da portuguesa Agência LUSA – e que o Vivências faz eco e que, segundo o portal da secção africana da rádio Deutsche Welle (DW), terá ocorrido no passado dia 20 de Junho – de uma eventual tentativa de “subversão da ordem constitucional” em São Tomé e Príncipe (STP), em […]);

(A União Europeia, depois de uma longa noite de facas longas, criada, em particular, pelo novo governo conservador – será? – italiano e, com não menos impacto, pelos governos conservadores húngaro e austríaco, parece ter chegado a acordo quanto à questão das migrações – leia.se, refugiados e imigrantes – irregulares – leia-se, ilegais. Segundo o […])

Podem aceder a todos os meu artigos no Vivências Press News em: https://vivenciaspressnews.com/category/opiniao/eugenio-costa-almeida/

09 julho 2018

Estado da Nação: Investigador diz que dossiê económico é prioridade da visita de Costa a Angola


(foto ©RTP via MSN.com)

Análise/Entrevista concedida à jornalista Joana Hadeler, da Agência Lusa, no final da semana passada e hoje mais desenvolvida.
(parte desta entrevista, publicada no passado dia 5 pode ser lida, por exemplo, em: https://www.publico.pt/2018/07/05/politica/noticia/investigador-lusoangolano-diz-que-rio-foi-a-luanda-como-secretario-pessoal-de-costa-1836999 (jornal “Público”) )

O artigo «
Estado da Nação: Investigador diz que dossiê económico é prioridade da visita de Costa a Angola» da Jornalista Joana Hadeler, com áudio (link em baixo)
O investigador luso-angolano Eugénio Costa Almeida defendeu hoje que o dossiê económico, nomeadamente o tema da transferência de divisas dos trabalhadores para Portugal, deve ser um tema prioritário a abordar pelo primeiro-ministro, António Costa, na sua visita a Angola.
O investigador do ISCTE (Instituto Universitário de Lisboa) considerou, em declarações à Lusa, que as relações entre Portugal e Angola “já estiveram muito mais frias do que agora, pelo menos em termos institucionais e governativos”. 
Por outro lado, o relacionamento entre os povos dois países “mantém-se normal e saudável”.
“Em termos gerais, as relações estão a melhorar”, disse, dando o exemplo de as autoridades angolanas já terem designado o novo embaixador em Lisboa, Carlos Alberto Fonseca, que deverá entregar as cartas credenciais ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na próxima quarta-feira.
O especialista em Angola comentava o atual panorama das relações entre Lisboa e Luanda e as perspetivas da viagem oficial do primeiro-ministro português a Angola, um tema que poderá ser abordado no debate do estado da nação, na próxima sexta-feira, na Assembleia da República.
A viagem “está a ser tratada com luvas de veludo”, considerou, referindo que “além das relações políticas e institucionais, há vários dossiês que têm de ser tratados”.
A facilitação das transferências de divisas dos expatriados portugueses em Angola é um dos temas prioritários, no entender de Eugénio Costa Almeida, que apontou como um dos entraves o facto de Luanda continuar a utilizar como moeda corrente o dólar, advogando que Lisboa pode ajudar aquele país africano a “ter acesso ao euro mais vantajoso”.
Por outro lado, a “normalização do pagamento das importações” é outro assunto pendente entre os dois países, mencionou, referindo que “Portugal não espera que Angola pague tudo de um dia para o outro, terá de ser de forma faseada”.
“O dossiê económico vai ser complicado e tem de ser abordado com ponderação e paciência”, disse.
Antes, Eugénio Costa Almeida comentara que, historicamente, o MPLA (partido no poder em Angola) tem melhores relações com o PSD português do que com o PS, apesar de ambos os partidos pertencerem à Internacional Socialista.
Em causa está, na sua opinião, apoios de setores do PS à UNITA, maior partido da oposição em Angola, durante a guerra, “um trauma que é difícil de ultrapassar”.
A visita de António Costa a Luanda está prevista para este ano, após ter sido sucessivamente protelada devido ao processo que corria na justiça portuguesa envolvendo o ex-vice-presidente angolano Manuel Vicente, e que as autoridades angolanas exigiam que fosse transferido para o seu país.
Da parte do Governo português, a intenção é que a deslocação de António Costa se realize ainda este verão, mas o Presidente angolano, João Lourenço, foi mais cauteloso, dizendo apenas que será certamente este ano e que ele visitará Portugal depois.
João Lourenço também garantiu que a visita não está dependente do processo que envolve o ex-vice-Presidente angolano Manuel Vicente, o que o Governo português tinha classificado como “um irritante” nas relações entre os dois países.
Questionado sobre se esta posição do executivo angolano respeita o princípio da separação de poderes, Eugénio Costa Almeida considerou que “a justiça e o poder político em Angola estão casados com comunhão de bens”, referindo que “Angola ainda não está suficientemente madura nessa separação”.
O chefe da diplomacia angolana, Manuel Augusto, estará hoje e terça-feira em Portugal, sendo recebido por Marcelo Rebelo de Sousa e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, sendo a preparação da visita de António Costa um dos temas do encontro dos dois governantes.  
A Procuradoria-Geral da República (PGR) de Angola informou no final de junho ter recebido da congénere portuguesa, no dia 19 de junho, a certidão digital integral do processo envolvendo o ex-vice-Presidente angolano, mas indicou só com a receção em formato papel poderá continuar diligências.
O envio do processo de Manuel Vicente para as autoridades judiciárias angolanas resultou de uma decisão, em sede de recurso, do Tribunal da Relação de Lisboa.
O julgamento da Operação Fizz teve início em 22 de janeiro e assenta na acusação de que o ex-procurador Orlando Figueira recebeu 760 mil euros para arquivar processos de Manuel Vicente no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), um deles, o caso da empresa Portmill, relacionado com a aquisição em 2008 de um imóvel de luxo situado no Estoril.
JH (IEL/PD/PVJ/FC/CC/GC) // VM
Lusa/Fim

23 junho 2018

BNAP 2017 anthology - OS MELHORES “NOVOS” POETAS AFRICANOS 2017

BEST “NEW” AFRICAN POETS 2017 ANTHOLOGY
ANTHOLOGIE DE “NOUEVEAUX” MEILLEURS POETES AFRICAINS 2017
OS MELHORES “NOVOS” POETAS AFRICANOS 2017

Compiled and edited by Tendai R. Mwanaka (Zimbabwe) Daniel Da Purificação (Angola)

Estou aqui nesta Antologia com 3 poemas: "Negro-Rubra"; "Destempo" e "Lobito";
Já à venda, via online, por exemplo em: http://www.africanbookscollective.com/publishers/mwanaka-media-and-publishing

edited by Tendai Rinos MwanakaDaniel da Purificação

Best “New” African Poets 2017 Anthology is the third in a continuing series. In the 2017 anthology there are poems from 191 poets, 338 poems/translations and articles on poetry, in 13 African languages: English, Portuguese, French, Shona, Afrikaans, Kiswahili, Yoruba, Igbo, Akan Twi, Setswana, Mbesa, Dholuo and Spanish. The poets are from 40 African countries and the Diasporas with Nigerian poets dominating, but also there are substantial entries from Kenya, South Africa, Zimbabwe, Cameroon, Angola and Uganda. With the remainder of the poems coming from African poets based in Togo, Italy, Spain, Portugal, Cuba, Mexico, Botswana, Lesotho, Swaziland, Malawi, Tanzania, Ghana, DRC, Congo Brazzaville, Taiwan, Korea, China, UK, France, USA,  Gabon, Ethiopia, Switzerland, South Sudan, Sudan, Equatorial Guinea, Cabo Verde, Tunisia, Sierra Leone, Rwanda,  São Tomé, Brazil and Mozambique.