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19 agosto 2026

Cronicando: "Entre o Asfalto e o Musseque as Matinés e os Very-Lights"

 

Olhar para a fotografia é como percorrer a Rua do Quicombo com o olhar de antigamente. No primeiro plano, o Cine São Paulo impõe a sua presença, guardião de tantas matinés da minha juventude. Logo a seguir, enfileiram-se os três prédios camarários e, ao fundo, a fechar o horizonte a azul, o “Prédio do Livro”. A minha memória habita exactamente ali: no terceiro prédio a contar do cinema, no último andar, na última casa do lado da rua. Foi a nossa última morada em Luanda, antes do meu regresso ao Lobito, em 1975.

Saber da recuperação do Cine São Paulo traz um aconchego ao peito, acompanhado do desejo quase infantil de que a intervenção não se tenha ficado pela cosmética da fachada e que aquela sala volte, de facto, a projectar histórias na penumbra.

Aquele pedaço de rua era a linha invisível que dividia dois mundos: a cidade do asfalto, de um lado, e a poeira do musseque, do outro. Logo ali ao lado, numa rua paralela de terra batida, fervilhava o Mercado de São Paulo. A minha mãe nem hesitava: preteria a imponência do mercado do Kinaxixe, pela proximidade humana daquele mercado de terra. As peixeiras já a conheciam pelo nome e sabiam exactamente o que lhe vender, respeitando com um carinho quase terapêutico a colite nervosa que a acompanhava. Havia uma solidariedade informal que só os bairros sabem cultivar.

Mas 1975 trazia também o cheiro a pólvora. Foi ali mesmo que presenciei a primeira “união” de força entre as facções militarizadas dos três movimentos e a tropa zairense de Daniel Chipenda.

Tudo começou por causa de um insensato que decidiu disparar um tiro para o ar – uns dizem que no prédio do meio, outros que no primeiro, logo a seguir ao Cine – para travar uma discussão que prometia acabar em duelo. Ninguém soube explicar a tempo o que se passava e o mal-entendido desencadeou uma busca porta-a-porta.

À nossa casa, calharam-nos as FALA1, que se comportaram com uma educação e um respeito impecáveis. Enquanto isso, a tropa portuguesa mantinha-se em posição defensiva nos terrenos do “Prédio do Livro”, de olhos postos no Sambizanga. Mais tarde correu o mujimbo2 de que estavam ali apenas de corpo presente, com as armas desprovidas de munições.

Apesar de tudo, guardo uma profunda saudade da liberdade daqueles dias. Andava por todo o bairro e entranhava-me pelo Sambizanga fora sem ponta de medo, pelo menos enquanto o sol brilhava. A noite, essa sim, era o território da maka3, rasgada pelo espectáculo trágico e fascinante dos very-lights4 a cruzarem o céu escuro de Luanda.

 

Notas:

1. FALA – Forças Armadas de Libertação de Angola a ("mílicia" da UNITA):
2. mujimbo = boato;
3. maka = problemas;
4. very-lights = balas tracejantes muitos usadas durante os conflitos entre os 3 movimentos na cidade de Luanda


07 outubro 2014

Luanda, quer ser a Nova Iorque de África? - artigo

"A província de Luanda tem novo governo e novos governantes. Nada de mais na vida política e social da grande capital angolana. Uma normal rotatividade entre os detentores do poder angolano.
Só que ainda não foi desta vez que os novos governantes saíram de umas eleições autárquicas, já há muito prometidas constitucionalmente, mas que persistem em se manterem inertes nas esconsas gavetas do poder legislativo.

Ainda assim, e como recordava na sua página social de Facebook, o jornalista Reginaldo Silva, desta vez o poder parece não ter transitado, directamente, do comité central do MPLA para a Mutamba; ou, mais concretamente, o novo governador provincial já não tem de ser, também, o primeiro-secretário do partido.

Parece que se fechou o forno lento usado para destruir algumas carreiras…

Todavia, as primeiras representações que foram emitidas do novo Executivo não passaram pelo novo governador provincial, o senhor Graciano Francisco Domingos – até agora vice-governador provincial de Luanda, para área administrativa –, mas da presença do senhor Presidente da República, engº José Eduardo dos Santos, a presidir ao executivo do Governo Provincial de Luanda, e das medidas que apresentou.

Uma das medidas, que se esperam sejam uma transição para um modela nas – esperadas – futuras eleições autárquicas, passa pela dar uma maior capacidade administrativa – como recorda David Filipe, na última edição do Novo Jornal, a partir de 2015 terão “um estatuto equivalente a governadores provinciais” o que não me parece curial e poderá colidir com as naturais competências governativas do GPL –; outra das medidas visa a maior fluidez do tráfico urbano com a criação de um metro de superfície, em toda a província, bem como a implantação de novos eixos viários na zona da Corimba.

Tudo visando melhorar a mobilidade dos cidadãos luandenses.

Só que é difícil fazer alterações sustentáveis numa cidade cuja raiz ainda assenta num plano de ordenamento colonial.

Como sabemos as sucessivas crises militares da pré e pós-independência, trouxe para a capital, milhões de pessoas que se tiveram de procurar a sua satisfação pessoal de qualquer forma. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 349, de 3 de Outubro de 2014, pág. 22 do 1º Caderno!

22 setembro 2013

Angola e o 41º Campeonato do Mundo de Hóquei

(logo obtido via portal do Campeonato)

Começou na passada sexta-feira,  em Luanda, no Pavilhão Multiusos o 41º Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, o Angola 2013.

E começámos bem com a vitória 8-2 sobre a equipa da África do Sul.

hoje começou no Namibe (Luanda e Namibe são as duas sedes do Campeonato).


Interessante jogo no Pavilhão Multiusos do Namibe (Welwitschia mirabilis) entre Colombianos e Norte-americanos (Colômbia 4 – USA 4 com 2-3 nos penalties).


E isto foi algo que não entendi neste novo – só pode – regulamento do Campeonato; até agora em nenhum Campeonato do Mundo e durante as poules existiram penalties para desempates. Só havia penalties nas eliminatórias.

Como também me parece ser altura do Comité de Rink Hockey alterar as dimensões das balizas que, salvo erro, são desde os primórdios do hóquei. Como se viu com o guarda-redes norte-americano e a sua avantajada volumetria (ajudado pelo equipamento), ele tapava a baliza por completo;

25 janeiro 2013

E a Kianda faz hoje anos...



Hoje a cidade-capital de Angola, a cidade da Kianda, de nome oficial, São Paulo de Assumpção de Luanda, faz a bonita e sábia idade de 437 anos.

Parabéns Luanda!

17 maio 2012

Novo aeroporto de Luanda…


(Maquete do novo aeroporto; foto Zwela Angola)

“O novo aeroporto internacional de Luanda, cuja conclusão da primeira fase está prevista para o segundo semestre deste ano, está projectado para vir a ser dos maiores de África, garantiu em Luanda o ministro dos Transportes.”

Estas últimas e recentes medidas não acham que isto se deverá ao facto de cheirar a eleições muito brevemente?

E por falar nisso, quem tem certezas não necessita de apresentar obras “feitas” e quando ainda estão previstas “partes, e só parte” da obra por muito grandiosa – e necessária, assuma-se – que elas sejam!

O aeroporto estará disponível – parte, recorde-se – no segundo semestre deste ano. Fala-se nele, mas ainda não ouvi ninguém falar dos acessos e das ligações rodo e ferroviárias.

Esqueceram-se, ou estão a deixar para mais tarde?

De facto, mostrar tudo de uma vez não convém…

04 setembro 2011

A manif de 3 de Setembro...

Segundo sei esta manifestação estava autorizada pelo Governo de Luanda pelo que não compreendo o que levou as autoridades a ter uma atitude que parece ter sido repressiva.

Por certo, e só me posso guiar pelas notícias que ouvi, televi e li (aqui, aqui ou aqui e aqui) ou como a que se segue, parte, do Notícias Lusófonas, que terá de ter havido algo que transbordou a taça.

Segundo televi na no noticiário das 20 horas da RTP, em despacho do seu correspondente, até a sua equipa terá sido alvo de ataque de pessoas mas que não consegui perceber quem eram.

Algo está mal, principalmente quando uma manifestação termina em violência, em detidos - que, segundo alguns emails, estão incomunicáveis, mesmo para o advogado - ou em vítimas.

Não esqueçamos que a chamada "primavera Árabe" começou com pequenas manifestações que degeneraram em graves crises sociais e... políticas...

"Manif contra Dos Santos resulta em morto(s), feridos e detidos"

Um número (in)determinado de agentes da Polícia Nacional travou, in extremis, a marcha que cerca de trezentos manifestantes pretendiam fazer em direcção ao Palácio Presidencial da Cidade Alta, depois de se terem manifestado na Praça da Independência na manhã deste sábado. O ponto mais alto da referida manifestação teve lugar na Avenida Joaquim Kapango (imediações da igreja Sagrada Família) onde registou-se um confronto entre militantes da JMPLA e os manifestantes. Da refrega resultou um morto, alguns feridos e vários detidos. O jornalista angolano Alexandre Neto, ao serviço da emissora Voz da América, reportou a manifestação que teve como escopo "exigir” a destituição de José Eduardo dos Santos" e a "democratização dos órgãos públicos"


A polícia conseguiu travar os manifestantes já perto de mil e quinhentos metros do local de onde partiu, em parte graças a intervenção de homens à civil fisicamente bem constituídos que se supõe pertencerem as forças especiais. Várias pessoas ficaram feridas, outras detidas e alguns jornalistas agredidos em consequência da manifestação que hoje um grupo de jovens angolanos realizou em Luanda para exigir a destituição do presidente José Eduardo dos Santos. A polícia nacional reprimiu violentamente a marcha de centenas de manifestantes que se dirigiam para o palácio presidencial, na cidade Alta. Pelo menos dois feridos foram registados durante as investidas protagonizadas pela polícia que teve de pedir reforços em homens e meios. (...)"

13 julho 2011

Catumbela já é município

(as duas "novas" províncias deverão, futuramente, ficar assim)

A vila de Catumbela, desde sempre ligada ao município e cidade do Lobito – dista somente cerca de 3 a 4 quilómetros desta minha cidade dos flamingos (onde é que eles andam?) – vai ser elevada à categoria de município, de acordo com a proposta dimanada da 2ª secção extraordinária da Comissão Permanente do conselho de Ministros, realizada ontem, sob a tutela do ainda presidente Eduardo dos Santos e com a presença, segundo algumas fontes, de todos os governadores provinciais.

Nessa reunião foi ainda apreciado uma proposta de Lei para redefinir as províncias de Luanda e do Bengo. Esta perderá os municípios de Icolo e Bengo, da Quissama a favor da província de Luanda.

Também foi considerada apresentar uma proposta no sentido de elevar a município a comuna de Cacula, na província da Huíla.

Todas estas propostas vão ser remetidas à Assembleia Nacional para aprovação e posterior ratificação.

12 julho 2011

Kilamba-Kiaxi, a nova cidade-satélite de Luanda






(imagens que circulam na internet)


Foi, oficialmente, inaugurada ontem a nova centralidade de Luanda, a cerca de 40 km a sudoeste do centro da cidade, no novo município de Belas, a cidade do Kilamba Kiaxi.

A nova centralidade irá, quando totalmente completa, receber cerca de 400 mil habitantes, em 80.000 habitações, e apresenta-se com novas funcionalidades que prevêem uma melhor qualidade de vida aos luandenses, que não têm agora.

Esta foi a primeira de uma série de centralidades que o Governo está a fomentar para suprir a tal meta de 1.000.000 de habitações na sua actual legislatura.

E se pensarmos que esta termina no próximo ano e que, por esse facto, e salvo melhor e conveniente decisão superior, haverá eleições…

25 janeiro 2011

A cidade de Kianda faz 435 anos!

(Praça da Independência, Luanda, foto Elcalmeida, 2009)


Luanda enleia-me o pensamento

perturba-me o raciocínio.

quero ser objetivo, analítico,

mas a semente emocional brota,

erva daninha inelutável,

adoçando as ideias

e amolecendo o coração. (…)

.
Extracto do poema “Luanda revisitada” de Mnjardim (ler na íntegra aqui)

A minha homenagem à terra da Kianda pelos seus 435 anos!

17 março 2010

Aeroporto 4 de Fevereiro… Será possível?!

Segundo o portal Angola24horas, o Aeroporto 4 de Fevereiro, recentemente reinaugurado devido a obras de beneficiação, também, em parte, por causa do CAN2010, terá sido afectado “com a chuva de ontem as 0H50 algumas partes deste aeroporto tinha desabado e dois funcionários ficaram feridos”.


Luanda, como infelizmente uma grande parte do País tem sido afectada por fortes chuvas. Também a província do Cunene, ou a localidade de Caimbambo, na província de Benguela, são alguns dos mais preocupantes exemplos que têm sido fustigadas pelas fortes pluviosidades.


Ora, ainda de acordo com o referido portal, as obras de ampliação e modernização do aeroporto 4 de Fevereiro, que aumentaram a capacidade do movimento de passageiros de 1,2 milhões para 3,6 milhões por ano, teve orçamentos em mais de 150 milhões de dólares e foram efectuadas por uma reconhecida empresa portuguesa de construções.

E andava eu preocupado com as obras rápidas dos chineses…

16 fevereiro 2010

Carnaval de Luanda, e o vencedor foi… o Semba

(Carnaval de Luanda; ©foto Tonspi/José Silva Pinto)

Catorze grupos alegóricos desfilaram na pista do 4 de Fevereiro, à Marginal. Doze fizeram-no sob a musicalidade e o ritmo do Semba e duas sob a batida da Kazukuta.


Pode-se, por isso dizer, que o grande vencedor foi o Semba.


Mas houve outros claros vencedores.


As multicoloridas roupas, o ritmo – apesar de achar que 25 minutos por turma foi um pouco exagerado, pelo menos a nível de televisão, mas que é sempre pouco para os espectadores que iam dando uma perninha –, alguns carros alegóricos – um deles, creio sambila, que colocou uma latinha com a sigla GPL por causa da reconstrução de Luanda, foi bem achada – e os dois grupos finais que encerraram o desfile…


A própria TPA que nos ofereceu dois acontecimentos quase em simultâneos, o Carnaval de Luanda e o de Baía farta, na província de Benguela. Se foi uma vencedora em termos de espectáculo, voltou a pecar por um defeito que há muito venho constatando: o som. De facto, por vezes, ora estava muito alto ora tremendamente baixo, não permitindo compreender bem os intervenientes, nomeadamente os coros dos cantores em desfile.


E, aqui, houve outro erro, ou pelo menos, deveria ter sido tomado em conta que – como os próprios locutores o confirmaram – nem todos falam kimbundo. Deveria a Ministra da Cultura, Rosa Cruz Silva, incentivar, a par da língua regional – desculpem não dizer nacional porque essa é, deve ser, parte da Nação Angolana – o português. Não esqueçamos que um dos grupos juntou além de angolanos, brasileiros, portugueses e alemãs; e não me parece que, estes, nomeadamente estes últimos, saibam mais que um rudimentar português.


E por falar na Ministra da Cultura, pareceu-me ver na minha patrícia – permita-me esta liberdade – um pouco de nostalgia, talvez a pensar naquele que foi considerado como o segundo mais belo e importante Carnaval do Mundo – que querem, é a imodéstia a falar – o do Lobito. O que vale, e aqui, uma vez mais o meu lamento pela sonoplastia – é assim que se diz? – da TPA que me pareceu ouvir que o grupo que fechou o desfile de Baía Farta era do Lobito.


Já agora que falamos em personalidades, não posso deixar de sublinhar o semblante de quem se estava claramente a divertir – está bem, chamem-me o que quiserem que estou para aí virado… – de Eduardo dos Santos em contraponto, por exemplo à segunda figura de Estado, o vice-presidente Fernando Piedade que apesar de estar todo à desportiva mostrava um enfado enorme; como não o conheço até pode ser assim mesmo. Mas outros houve que mostravam o quanto pareciam estar ali por frete…


Amanhã saber-se-á qual foi o grupo vencedor; quem sucederá à União Kiela, uma das três, creio, pelas razões já anteriormente evocadas, que cantou em português. No ritmo, não há dúvida, foi o Semba!


Nota: de acordo com a ANGOP, o grupo "Unidos do Caxinde" destronaram a "União Kiela" por 7 pontos. Em terceiro terá ficado a "União Sagrada Esperança". Aos vencedores e a todos os meus parabéns.

15 junho 2009

Luanda, a capital mais cara… qual a surpresa?

A comunicação social angolana – e alguns blogues – estão a lamentar que Luanda continue a ser, pelo segundo ano consecutivo, a cidade-capital mais cara do Mundo.

Não vejo onde esteja a surpresa.

Como sabem, estive cerca de 10 dias em Angola – e não só em Luanda – onde pude constatar que os preços estão elevados e não são só na capital.

Por exemplo, uma garrafa de água “engarrafada”, num bar ou num restaurante, varia entre os 600 e 800 Kwanzas (AKZ), se for de 1,5 litros, ou anda pelos 250 AKZ, se for de 33 cl. Se fizermos as contas verificaremos que uma garrafa de água de 1,5 litros custa qualquer coisa entre os 7,69 e os 10,25 US Dólares (ao câmbio oficial, porque no câmbio paralelo, felizmente, estariam entre os 6,74 e os 8,99 USD) e uma de 33 cl cerca de 3,21 USD).

Por outro lado uma refeição decente e não complexa anda entre os 8.000 e os 12.000 AKZ (ou seja, qualquer coisa como valores entre 102 USD e os 153 USD) e um café perto dos 100 AKZ como eu paguei num dos aeroportos nacionais onde passei... e ainda por cima era Delta (passe a publicidade, uma empresa portuguesa…).

É cara? Não me parece.

Se fosse o Governo, por certo, já teria tomado providências para acabar com a especulação que se regista.

E atenção que estou a falar de restaurantes e não de minis ou supermercados. Por esses não contam para o Turismo algo que qualquer Governo actual e moderno privilegiaria, principalmente quando estamos em vésperas do maior evento desportivo realizado em Angola, o CAN 2010, e que, naturalmente, poderia atrair inúmeros turistas, alguns até de preparação para o Mundial que ir-se-á realizar na África do Sul no mesmo ano.

Um Governo preocupado com a imagem do País e não só se o petróleo e os diamantes sobem ou não, procuraria e tomaria, por certo, medidas para acabar com a especulação, não só imobiliária como alimentar.

Mas parece que o nosso governo ainda não percebeu bem quais as vantagens da defesa do Turismo e como deve combater não só a especulação como a presença de parasitas que querem obter divisas e dinheiros à custa de eventuais turistas, mesmo que para isso, procurem insultar a inteligência destes denegrindo imagem das autoridades. E eu sei do que falo porque isso se passou comigo (ouvi alguém a dizer que a Polícia de Trânsito não interessava para certos assuntos, só a Polícia Nacional, aquela que estava perto, se ouviu nada fez para mostrar a sua autoridade, mas quando me dirigi a militares da marinha, ali perto, o meliante que me seguia para extorquir dinheiro e documentos desapareceu num ápice…).

Por outro lado quando um turista, e pondo-me nesse papel, deseja visitar museus ou fundações e constata que as mesmas ou estão fechadas – e aos fins-de-semana os museus estão mesmo fechados quando seria a altura melhor para a população poder visitá-los e sei que está um pedido nesse sentido quer no GPL quer no Ministério da Cultura mas ainda sem despacho – ou dão mostras de inoperacionalidade não há turismo que aguente.

Isto para não falar no caos do trânsito – apesar de tudo surpreende, felizmente, como há tão poucos acidentes, como pude constatar – ou a falta de energia que obriga o País gastar recursos desnecessários em geradores complementares alimentados a gasóleo que ainda é refinado fora do País – para quando uma política energética mais verde e quase gratuita quando temos tanto sol, ou vento, e durante tanto tempo num ano? – ou o desordenamento das cidades – embora pareça que começa a haver vontade de melhorar este parâmetro, mas para isso é necessária vontade férrea do Governo em tomar medidas impopulares e politicamente não correctas como obrigar aqueles que não têm condições para estar nas cidades voltarem aos seus lugares de origem onde, por certo, poderão fazer mais pelo País que vegetar pelas ruas da amargura como infelizmente também pude verificar – mas isto, reconheça-se há em todas as grandes cidades do Mundo.

São factos que não abonam a favor de um desenvolvimento turístico do País – e se o País tem inúmeras condições para desenvolver esta indústria (praias, parques nacionais, paisagens e, acima de tudo, um Povo aberto e pronto ao contacto) – e que deveriam merecer uma melhor análise do governo.

Por isso, não continuemos a lamentar que Luanda seja a capital mais cara do Mundo!

04 dezembro 2008

Desabamento do DNIC já esquecido?

(imagem d' O Apostolado)

"Depois do que li aqui, ou seja, desmoronamento do edifício-sede do Corpo de Segurança dos Diamantes, nada mais evidente constatar que o desabamento do edifício do DNIC, e subsequentes mortes que o mesmo causou, em Março passado, parece que já foi liminarmente esquecido.

Sabemos que é e parece haver vontade de tornar a cidade de Kianda numa floresta de betão. Como li há dias algures escrito por alguém, honestamente não me recordo quem, que a cidade de Luanda, nomeadamente a marginal, caminhava para uma nova Manhattan ou Dubai devido, pelo que percebi, aos seus elegantes e espigadíssimos imóveis como, não poucas vezes, me fazem chegar as suas imagens pré e pós construção.

Que se queira construir para dar uma imagem de uma cidade nova e moderna, até nem contesto. Mas há que o fazer sem espezinhar ninguém, assenhorar-se indevidamente de terrenos alheios sem compensação e, principalmente, analisar bem os terrenos onde construir e os adjacentes.

A construção desenfreada e inconsequente pode provocar muito do que, ultimamente, acontece em Luanda: cheias, cheias, cheias descontroladas e aluimentos de terrenos (...).
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Elaborado em 3/Dez/2008 e publicado no /"Colunistas" de hoje.

06 setembro 2008

Luanda vai ter dia 2

(imagem via TPA Internacional)

A CNE anunciou, através do seu presidente, juiz Caetano de Sousa, que tendo em consideração os problemas que ocorreram na Província de Luanda decidiu alargar a votação até o dia 6 em um número restrito de mesas de votação, que corresponderá, segundo o órgão fiscalizador das eleições a cerca de 10% de votantes, respeitantes a um número não superior a 320 assembleias, que não abriram.

Esta prorrogação extraordinária, que, reafirme-se só é válida para a Província de Luanda, vai permitir que os eleitores que até ao momento não votaram vão poder fazê-lo amanhã entre as 7,00 horas e as 19,00 horas.

Até ao momento não parece que algum dos partidos em disputa tenha contestado esta decisão extraordinária o que se presume teve a concordância dos mesmos.

De registar, e esperamos que se mantenha, o acto eleitoral foi até ao momento considerado, exceptuando os casos pontuais já enunciados e confirmados ao longo do dia, um acto sem problemas e, de uma maneira geral, sem factos claros que o possam inquinar.

Vamos continuar que assim seja até ao fecho efectivo e total das urnas e a apresentação final dos resultados esperando que estes sejam apresentados o mais rápido possível e que seja aceite, inequivocamente, por todos os Angolanos.

11 julho 2008

Nova capital para Angola? um assunto que volta...

Via e-mail recebi a mensagem que a seguir se reproduz.
Já a tinha recebido há uns dias. Mas perguntas que tenho recebido via e-mail complementadas por um comentário colocado num dos últimos apontamentos levaram-me a vir aqui.
Depois da capital proposta pelo arquitecto angolano Troufa Real, em 2003/2004, a
Nova Luanda ou Angólia, ao sul da actual capital, volta ao “barulho” a capital solicitada(?!) a Óscar Niemeyer.
A esperança é que não seja mais que um fait diver em tempo de pré-campanha eleitoral até porque de acordo com uma
entrevista do ministro do Urbanismo e Ambiente, Diekumpuna Sita Nsadisi José ( Sita José), em Janeiro de 2008, esta situação ainda não estará nos planos do Governo (ou será por isso que o ministro Rabelais não quer conversas na imprensa sobre as obras governamentais?!).
Por outro lado, também não concordo com algumas comparações aqui deixadas, mas respeito o conteúdo do e-mail...

"Dos novos-ricos não reza a história. Só pelos maus motivos.
O poder do dinheiro leva-os a manifestar a sua pequenez através de decisões folclóricas.
Com níveis de pobreza assustadores, Angola quer construir uma nova capital, a norte de Luanda.
O arquitecto
Óscar Niemeyer já foi contactado por Eduardo dos Santos para tal efeito.
Ao que parece, Brasília é o máximo para a nomenclatura angolana.
E como o dinheiro não falta, paga-se o que for preciso. Niemeyer vai se fazer pagar bem. É o único arquitecto centenário de renome mundial.
Com a nova capital pretende-se um 'começar de novo'.
Para quem?
A resposta oficial é fácil de adivinhar: para os angolanos.
Mas as barracas e os pobres não entram. Os membros da burguesia burocrática, corrupta e completamente improdutiva, serão os novos habitantes da nova metrópole. Juntamente com os estrangeiros, que sempre dão um ar cosmopolita. E as sedes de empresas multinacionais. De petróleo e diamantes.
De repente veio-me à memória Houphouët-Boigny. Construiu uma réplica da Basílica de S. Pedro em Yamoussoukro, a capital da Costa do Marfim, um país maioritariamente muçulmano.
E Jean-Bédel Bokassa, o imperador canibal do “Império” Centro-Africano. Mandava fazer tronos em ouro maciço para se sentar.
O que há de comum em todos eles?
A pobreza extrema em que vive o seu povo. Os sonhos megalómanos dos dirigentes são concretizados à custa de milhões de pessoas que lutam diariamente pela sobrevivência.
A riqueza de um país não pertence aos seus governantes nem à burguesia nacional. É um bem público, que deve ser administrado para o bem de todos.
Num país onde nem sequer há um presidente eleito nem uma democracia consequente, é fácil adivinhar o rumo que tudo isto vai tomar.
Os palácios na Europa, os aviões privados e os milhões de dólares em bancos estrangeiros já são uma realidade há muito tempo.
Agora só falta a cidade e o trono, para o show off.
A História anda aos círculos e as vítimas são sempre as mesmas.
Haja decoro.
"

13 abril 2008

Ainda a maka da hipotética falta de água em Luanda

Um simpático e cordial Anónimo - continuo a não compreender porque não assinam no fim dos mesmos, principalmente quando os comentários são educados e, não raras vezes, pertinente - questionou no meu apontamento sobre a a hipotética falta de água que pendia sobre Luanda devido a uma eventual sentença de uma juiza em Luanda.
Esse anónimo não acreditava que uma juíza pudesse sobrepor a necessidade de utilização livre de um bem público - água potável - decretando o fecho das Instalações do Marçal que, segundo julgo saber, fornecia água potável - ou parte dela - à cidade-capital.
Era pertinente e carregada de lógica a dúvida incerta no comentário.
Infelizmente não só era verdadeira como, efectivamente, aconteceu. de acordo com uma notícia da VOA-Multipress, de 11 do corrente, o Tribunal Provincial de Luanda (TPL) terá mandado encerrar as portas da EPAL podendo com essa sentença colocar em cauda a tranquilidade dos, e passo a citar, "cerca de quatro milhões de cidadãos que poderiam ver-se privados de água potável".
Felizmente que o bom senso imperou e o TPL e a EPAL acabarm por chegar a um consenso para que a companhia que explora as águas de Luanda não tivesse que encerrar as portas.
Para isso a EPAl comprometeu-se a depositar uma caução de "178 mil 228 dólares" enquanto, em simultâneo, o seu advogado interpôs recurso.
Tudo porque a EPAl, considerando-se, e talvez com razão em função das regras nacionais quanto à exploração de água potável e por razões de trabalhos nas condutas de água, tinha decidido desactivar duas giratas - instrumentos extractores de água para revenda a camiões cisternas -, propriedade(?) de dois indivíduos que se sentiram lesados pela atitude da EPAL e que viram, agora, o TPL dar-lhes razão.
A livre iniciativa e o interesse público nem sempre são compatíveis.

10 abril 2008

Luanda e a maka da falta de água e luz...

(secou? imagem daqui)

De acordo com um e-mail proveniente de Luanda, a cidade da Kianda vai ficar sem água potável devido a uma ordem do Tribunal e sem luz devido às obras "chinesas".
Para melhor entendimento transcrevo o e-mail tal como recebido, não identificando, por razões obvias, o remetente do mesmo..

"Vamos ficar sem água. Uma juiza decretou o encerramento das instalações da Epal- Empresa Pública de Águas de Luanda, numa causa perdida em juizo a favor de dois cidadãos angolanos. AS INSTALAÇÕES DO MARÇAL EM LUANDA, ESTÃO ENCERRADAS, DESDE ONTEM ÀS DOZE HORAS.

Também muita gente, muitos povos estão sem energia eléctrica devido a avarias em oito transformadores fabricados, fornecidos e montados recentemente por uma empresa chinesa. Tá-se mesmo a ver que foi mais uma argolada chinesa. Digo mais argolada, porque as obras de restauração da Cidadela Desportiva efectuada por chineses, estão literalmente a desabar. Assim vai o esbanjamento dos milhões de dólares que muito brevemente serão exiguos, com tanta idiotice progaramada, leia-se corrupção mal organizada.
"

Os pagamentos do petróleo estão a mostrar, com cada vez maior intensidade, a qualidade chinesa. E vão alguns países afro-lusófonos avançarem para a construção de empreendimentos desportivos, nomeadamente estádio de futebol, esquecendo-se o que aconteceu ao celebrado estádio bissau-guineense...

09 abril 2008

Inauguração de uma Escola pública ou partidária?

(foto via “Repórter” da RTP-África)
No Bairro do Palanca, em Luanda, no Kilamba Kiachi, foi inaugurada uma escola secundária, conforme nos mostrou o programa “Repórter” (ou, talvez por aqui, aqui [-8'35'']) da RTP-África.
Um acto que se sublinha e aplaude dado que aquele Bairro passa a dispor de uma escola primária, uma secundária e um Instituto. Ou seja, um ciclo escolar completo.
Até aqui nada de anormal, até porque é uma escola que prevê receber 1500 alunos, tem o que pareceu ser uma boa biblioteca, locais de diversão e actividades desportivas, salas amplas e uma entrada apelativa; pareceu ter para ser um aprazível local de estudo e de saber.
Agora o que não entendo é como numa escola, em princípio pública, inaugurada pela Responsável do Governo Provincial de Luanda, algumas bandeiras flamejadas e abanadas visíveis eram de um partido político e não da República de Angola (a única que vi estava à entrada, e bem, da escola).
Será que afinal era uma escola privado-partidária e não pública e a imprensa enganou-se no conteúdo?
Algo começa a não estar nada bem neste período pré-eleitoral…

31 março 2008

Bispo critica repórter

É possível que o que o repórter tenha visto fosse verdade.
Mas isso, e nesse aspecto concordo com as críticas públicas do Bispo auxiliar de Luanda, D. Anastácio Kahango, não deveria ser dito publicamente e em directo mas denunciado às autoridades e, só na ausência de alguma atitude destas, feita a denúncia pública.
O repórter da Rádio Ecclésia terá dito pelos microfones que os socorristas só se preocupavam em procurar dinheiro entre os escombros em vez de vítimas.
Uma acusação grave que não acredito que fosse generalizado como o repórter fez crer.
Mas, não deixa de ser um pouco estranha a rápida ida do Bispo aos microfones da Rádio Ecclésia para atacar o repórter.
D. Anastácio Kahango quis prestar a merecida homenagem aos socorristas e ao seu labor na incessante busca de vítimas. Poderia e deveria tê-lo feito sem colocar em causa o trabalho do repórter. Ao fazê-lo e do modo como o fez acabou mais por sancionar as palavras críticas do repórter do que apagá-las.
E se lembrarmos que já não é a primeira vez que um repórter da Rádio Ecclésia é desautorizado pelos seus superiores eclesiásticos começa a ser preocupante esta atitude da Rádio Ecclésia.
Será que temem ser calados antes das eleições como já o tentaram com a Rádio Despertar?
Mais importante que denunciar o repórter e a sua falta de sensibilidade perante o drama dos luandenses o senhor Bispo deveria criticar os responsáveis – onde é que eles estão? – do DNIC por o edifício ter começado a ruir à 1 da manhã – ou às 23 horas, mais grave ainda, como afirma um dos sobreviventes preventivamente detido – e nada terem feito para retirar as pessoas antes da derrocada total às 4,30 da manhã que já provocou mais de dezena e meia de vítimas cujo o único crime oficial!!! era estarem no local errado à hora errada.
Essa é que seria uma atitude corajosa do senhor Bispo!