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20 dezembro 2013

Angola compra porta-aviões?

Por mais de uma vez, inclusive na minha Dissertação de Doutoramento, alertei que Angola se queria ser uma potência efectiva necessitava de ter uma boa e sustentada marinha para proteger não só as suas costas como as suas linhas de abastecimento, em particular a zona do Golfo da Guiné.

Mas comprar, a confirmar-se – o semanário Novo Jornal também fala no assunto esta edição –, uma flotilha de navios obsoletos e prontos para serem desmantelados, como um porta-aviões e quatro navios patrulha (de origem espanhola sem ter um submarino de protecção, não lembra o diabo (a não ser que compre ou peça emprestado um dos submersíveis portugueses…)

Acresce a esta compra a já propalada compra efectuada à Rússia de tanques e aviões, também eles prontos, segundo consta, para irem para abate.

Parece que virámos sucateiros!

E, complementarmente, o citado porta-aviões só costumava albergar aviões de descolagem vertical, tipo Harrier, de origem britânica. Que se saiba não temos este tipo de aviões nem os que vêm da Rússia são deste tipo, pelo que, das duas, uma, ou vamos virar agulhas para os britânicos e comprar mais aviões e deste tipo ou o porta-aviões – dizem que é o desactivado “Príncipe das Astúrias” – irá só operar com helicópteros.

Tudo isto enquanto se fala que as nossas forças estão operacionalmente mal equipadas. Vozes da reacção por certo!

E, já agora, alguém sabe se os sul-africanos, melhor dotados económica e militarmente que nós, foram, por acaso, civilizadamente consultados?...


Sobre este porta-aviões espanhol poderão aceder a informações aqui, aqui, aqui ou aqui

19 fevereiro 2009

O ministro passou-se, excedeu nos comprimidos ou…

(foto ANGOP)

O senhor Kundy Paihama, o actual – por quanto tempo? depois desta? – ministro da Defesa de Angola, criticou os bancos privados nacionais de protegerem os amiguinhos em detrimento do resto do Povo, ou mais concretamente e como ele terá, segundo alguns órgãos de informação, os bancos comerciais, em Angola “de privilegiarem algumas pessoas na concessão de créditos e desprezarem outras, classificando o procedimento de "amiguismo"”.

Se estivéssemos em campanha eleitoral até se compreenderia este lamento. Qual o povo que não condena, hoje em dia e com os problemas financeiros globais, a banca em geral?

Mas longe de mim pensar nisto como uma acusação por parte do senhor ministro. Porque se o fosse teríamos de questionar se o senhor ministro saberia a quem pertence a maioria, para não dizer a quase totalidade, dos bancos comerciais que operam em Angola.

Daí que se pergunte se o senhor ministro passou-se, ou se tomou – como o ex-ministro das finanças japonês – excesso de comprimidos para alguma doença endémica, como a malária, por exemplo, que produz efeitos altamente secundários – como delírios, por exemplo, – ou, então, está-se a perfilar como um potencial candidato à presidência da República, pressupondo que, como ministro das mesmas, terá o apoio inequívoco das forças armadas angolanas.

Como não creio que pense em tão altos voos, nem as forças castrenses angolanas parecem estar interessadas em política – ingénuo, eu?! – só se pode acreditar que o senhor ministro nunca viu a estrutura accionista dos referidos bancos…

Mesmo quando afirma que o que os bancos querem é desacreditar as políticas económicas do senhor Presidente da República em vésperas das eleições presidenciais.

Mas se constitucionalmente quem define as politicas económicas é o Governo…

Tal como, nada como salvaguardar as costas de quem se não quer proteger…

21 novembro 2006

Militares discretamente no poder?

Depois do general Agostinho Nelumba “Sanjar”, que passou de CEMG Forças Armadas para o cargo de vice-Ministro da Defesa, agora é o general Mateus Miguel Ângelo“Vietnam” a mudar de um cargo militar para uma função civil.
O general Vietnam passou de Chefe de Estado Maior do Exército para vice-Ministro da Assistência e Reinserção Social.
Será que, desta feita, com um militar no cargo, os problemas com a reinserção dos desmobilizados das FAA e dos ex-guerrilheiros da Unita vão ser, finalmente, regularizados?

07 julho 2006

Quem contesta a paz de Chicamba?

Quem não quer a Paz em Angola? e quando falo em Angola, falo de Cabinda ao Cunene e do Lobito ao Luao.
Já aqui há dias abordei esta matéria referente ao Compromisso de Paz para Cabinda. Tal como nessa altura, volto a reafirmar que Cabinda deve gozar de um estatuto especial, não só pela sua especificidade como, e aqui reportava a um interessante artigo de Joffre Justino, no Notícias Lusófonas “Cabinda necessita de solução urgente”, pela sua exiguidade territorial – apesar dos seus 7300 km2.
Depois de cerca de 30 anos de guerras e guerrilhas quase inúteis, angolanos e cabindenses apesar das dificuldades em encontrar interlocutores se têm sentado frente-a-frente e negociado uma Paz que possa satisfazer ambas as partes, onde o compromisso deve – tem de – ser o da equidade.
Parece que isso aconteceu em Chicamba (Chicamba e Simulambuco estão interligados), no passado dia 30 de Junho onde um Compromisso, nesse sentido, foi assinado entre os representantes de Luanda – Chefe Adjunto do Estado-Maior, General Nunda, acompanhado de vários Generais e outros Oficiais Superiores das Forças Armadas Angolanas (FAA) – e do Fórum Cabindês para o Diálogo (FCD) – António Bento Bembe, o mais contestado, pelo Secretário da Defesa da FLEC, o Chefe do Estado-Maior Adjunto das Forças Armadas de Cabinda (FAC Unificada) – embora Estanislau Boma, CEM da FACU, não reconheça o Compromisso –, assessorados por vários Oficiais Superiores desta organização paramilitar – e autenticado pela presença de países vizinhos e observadores internacionais “credíveis que trabalham para a pacificação de Cabinda”.
De, imediato, alguns quantos, contrariando a posição do Conselho Nacional do Povo de Cabinda (Nkoto Likanda), que reconheceu legitimidade a António Bento Bembe para negociar a resolução do conflito com o Governo de Angola, decidiram que o referido Compromisso estava inquinado e carecia de legitimação; ou porque Bento Bembe não estava legitimado para assinar qualquer documento fosse em nome da FCD ou da FLEC, segundo palavras de Nzita H. Tiago, presidente(?) desta última; ou porque o documento foi imposto pelo governo de Luanda, nas palavras da “Mpalabanda”; ou, segundo um padre da Diocese de Cabinda, porque é um compromisso obscuro onde não estão envolvidos todos os membros da FCD … enfim, houve quem, com ou sem razão, decidisse que tudo o que se estava a fazer, ou se tinha feito, não merecia qualquer credibilidade.
Mas o problema maior começa, precisamente, na credibilidade dos contestatários. Não esqueçamos que alguns dessas pessoas que vêem no Compromisso um documento do Diabo, estão ligados a organizações onde as diferenças e divergências internas têm sido tudo menos pacíficas e credibilizadoras.
Ou seja. Tal como no Memorandum de Entendimento de Luena, que trouxe a Paz a Angola – boa ou menos boa é a ainda possível –, não foram os políticos que negociaram o Compromisso, mas os militares. Resumindo, aqueles que, no terreno, melhor conhecem as dificuldades em fazer uma Paz credível.
Talvez seja por isso que a oposição (UNITA, FNLA, PLD, PDP- ANA, FpD, PAI e POC) embora sublinhando a natureza positiva do Compromisso e da paragem de actividade militar no enclave, criticam o facto de terem estado à margem do processo negocial e pedem que não se excluam outros elementos para que a Paz seja duradoira a fim de que haja uma maior abrangência no processo negocial a favor da Paz.
Aqui reside o problema. E saber quem, ou quais, ou quem são, os excluídos? uma presidência da FLEC que está no exterior que, além de não ser reconhecida pelos membros do Secretariado Executivo da FLEC, que estão no interior do enclave, têm no seu seio personalidades estrangeiras que tentam impor directrizes como o encerramento de um órgão informativo? alguns padres católicos, liderados pelo padre Congo, que, não raras vezes, contesta a hierarquia religiosa, assumindo-se quase como um “Ximenes Belo” cabindense?
O que interessa é que a Paz em toda Angola venha e que venha para ficar!!!
É que com ela ganharemos todos nós; os do enclave, os do quadrilátero, os militares cansados da guerra, os empresários, a economia, os políticos e – last but not least – o eleitorado angolano…
Image hosted by Photobucket.com ADENDA: Esta análise foi publicada hoje, sob forma de Artigo de Opinião, no Africamente.com onde também pode lê-la.

04 maio 2006

Onde estão ou quem tem os mísseis balísticos?

(© foto retirada daqui)

Depois do Ministro da Defesa angolano, Kundi Payhama, ter há tempos acusado a UNITA de manter armas escondidas no Togo e na Costa do Marfim, acusação essa reafirmada por pelo Ministro numa sessão da passada semana no parlamento angolano quando “obrigou” um deputado da Unita e ex-representante do Galo Negro na Costa do Marfim, John Marques Kakumba, a admitir essa eventual existência, o presidente da Unita, Isaías Samakuva, que, inicialmente, tinha negado a citada posse de armasque contrariaria o protocolo de Luena, sem prestar mais outros quaisquer esclarecimentos, decidiu, desta feita, vir a terreiro explicar o que realmente se passa.
De acordo com uma notícia veiculada pela RTP África e pela Multipress-VOA, Samakuva confirmou que por quando dos acordos de 2002 foram indicados ao Governo angolano, à ONU e à troika de observadores a existência de depósitos de mísseis balísticos e outros materiais bélicos exponencialmente perigosos nos dois países. Esse material encontrava-se nos referidos dois países devido às sanções que a Unita, em tempo oportuno, sofreu e que condicionou o seu envio para as zonas do Galo Negro.
Ora, segundo Samakuva, se o referido material ainda está no Togo – como parece estar – essa responsabilidade caberá, por inteiro, a quem deveria estar a tratar do seu reenvio para Angola.
Uma coisa é certa.
A fazer fé em certos comentários que correm em Luanda, os hipotéticos mísseis balísticos seriam da última geração de uma classe de mísseis norte-americanos, que, há muito, quer russos quer chineses andam a ver se conseguem obter.
Será que haverá alguém que, à revelia das FAA, claramente consideradas como o organismo mais apartidário, democrático e incorruptível de Angola, e do próprio Ministro, ande a ver se faz algum dinheiro à custa dos tais mísseis balísticos?
Mas que realmente é estranho e preocupante que as armas ainda não estejam - como parecem não estar - em poder de quem deveria estar, as Forças Armadas Angolanas, lá isso é!!!!

02 abril 2006

O caso Miala II

De acordo com a agência africana Panapress em despacho de Luanda, o presidente dos Santos terá ordenado o afastamento do director-geral do Serviço de Inteligência Externa (SIE), general Fernando Miala, bem assim a sua “desgraduação e reforma compulsiva nas Forças Armadas Angolanas (FAA) por "graves violações às normas de trabalho e disciplina"”.
Tudo isto teve como base o relatório da Comissão criada para analisar as críticas que se faziam à conduta de Miala e alguns dos seus colaboradores no SIE. Segundo o referido relatório, estas entidades são “também acusados de aproveitamento, no desempenho das suas funções, de determinadas reuniões internas e encontros pessoais para a manifestação de atitudes de desrespeito ao Presidente da República e de insubordinação, chegando ao ponto de alvitrarem a hipótese de tomada de "medidas activas"” e que o SIE andou a realizar “expedientes operativos (de investigação secreta) contra governantes, membros dos Serviços de Apoio ao Presidente da República e determinadas actividades do governo de carácter estratégico, bem como se intrometia nas missões e actividades da Segurança Presidencial sem orientação superior”.
Realmente, a ser verdade todas estas acusações, é muito grave num Estado que se quer justo e democrático.
E uma pergunta que se deixa no ar: a quem interessou o despoletar desta questão que tem tanto de melindrosa como de preocupante, ainda por cima em vésperas de saída de Eduardo dos Santos do país - ia ao Brasil - e em vésperas de chegar o chefe de governo português a Luanda? Ou será que alguém quer mostrar uma Angola, politica e militarmente, instável e desgovernável?

29 março 2006

Que se passa no seio das FAA?

Depois da crise(?) resultante com o afastamento – claramente pouco esclarecido – do general Fernando Miala da chefia dos Serviços de Inteligência Externa (SIE) e dos rumores subsequentes como uma eventual hipótese de tentativa de um “coup d’ état” ou de um assassinato de José Eduardo dos Santos – será por isso que foi fazer, ao Brasil, uma visita mal-sucedida a um médico (esteve numa unidade coronariana), para um habitual tratamento a um pé? – eis que surgem novos dados que mostram como está a insatisfação que corre pelas veias das Forças Armadas Angolanas (FAA), em especial no sector aéreo.
De acordo com notícias de Luanda e veiculadas pelo Notícias Lusófonas, a partir de um artigo de Jorge Eurico, o comandante da Força Aérea, general Pedro Neto, e o chefe do Estado-Maior das FAA, general Agostinho Nelumba (Sanjar), estarão em quase completa rota de colisão devido ao tratamento dado, posteriormente, ao acidente com um helicóptero das FAA, ocorrido em finais de Fevereiro passado, perto da Barra do Dande, e que registou “treze mortos, igual número de feridos e quatro desaparecidos”. O problema não será tanto o acidente e a rota de colisão mas os rumores que a eles estão subjacentes.
Há que clarificar, a bem da Democracia e do bom-nome governativo de Angola, o que se passa.
O Mundo olha-nos e perscruta-nos com cada vez maior atenção.
Para alguma coisa Angola é, neste momento, um dos maiores e “mais produtivos” produtores e exportadores de crude, sendo só, e nesta altura, o maior fornecedor de crude à China desalojando a Arábia Saudita.

17 julho 2005

Adeus comissionistas?


Algo parece estar a mudar na sociedade angolana.
De acordo com o Semanário Angolense, a Direcção de logística das FAA, mais concretamente o seu Chefe, o general Raul Hendrick, decidiu seguir uma máxima de um anúncio português; ou seja, e passe a publicidade, “o que é nacional é bom”.
Vai daí que começou por cortar com 90% de produtos importados a favor dos produzidos em território nacional, nomeadamente na Huíla e no Namibe, que mantinham excedentes, de boa qualidade, não escoados.
Será que vai conseguir manter os comissionistas fora da jogada. Segundo parece já há “gritos” por tudo o que é Logística Militar.
E, já agora, quem são esses comissionistas que andavam a viver à custa do erário público e militar angolano?