31 dezembro 2008

Bom Ano 2009

(autor desconhecido mas que se percebe ser de Cabo Verde; recebido vi e-mail)
O Pululu deseja a todos os seus leitores e comentadores, nomeadamente àqueles que sob anonimato mais lhe batem, Feliz Ano Novo e que o Dia Mundial de Paz que amanhã se comemora seja – assim os dirigentes da Terra da Conflitualidade, onde cada vez há menos inocentes, se recordem do Dia – mesmo de Paz e de Fraternidade.

Já agora, a secção portuguesa da rádio
Deutsche Welle vai emitir uma resenha de 2008 e perspectivas para 2009 onde deverá estar incluído uma análise minha sobre Angola.

Já agora há que saudar a 53ª São Silvestre de Luanda que este ano teve uma participação record de atletas deficientes o que deve ser um caso único nas S. Silvestres mundiais. Registe-se que, para não variar, os etíopes venceram nas duas categorias acompanhados de quenianos. Quanto aos angolanos, sei que a primeira angolana ficou em 5º lugar e que dos homens ainda não sei o resultado, excepto o facto do melhor angolano não ser da selecção angolana. A TPA tem de melhorar as suas transmissões desportivas.

E por fecho de actividades desportivas saúde-se a vitória do judoca angolano Harrison Medina "Indio" que conquistou, na passada segunda-feira, o primeiro lugar no campeonato universitário russo, na categoria dos 74 quilogramas.

Bom Ano!!

Como pode haver surpresa?

Um dirigente Bissau-guineense da Liga Guineense dos Direitos Humanos ficou surpreendido e desagradado pelo presidente João Bernardo (dito Nino) Vieira ter recebido e saudado o número dois do Golpe de Estado ocorrido na Guiné-Conakry após a morte de Conté.

E mais surpreendido ficou quando os dirigentes golpistas estão sob a alçada da União Africana e esta organização ameaçou suspender a República da Guiné.

Só se sente surpreendido quem anda um pouco distraído. Como poderia o senhor presidente “Nino” Vieira não receber quem o andou apoiar nos diferentes e diversos golpes por onde andou metido.

Basta relembrar 1984, 1998 ou os diferentes hipotéticos golpes contra Nino em 2008.

Quem não se recorda do regresso de Nino a Bissau a bordo de um helicóptero do exército de Conacry?

Era impossível não receber e saudar, como saudou, o número dois do golpe.
E se nos recordarmos que "Nino" Vieira andou a protelar a tomada de posse como primeiro-ministro do seu "inimigo público", vencedor de umas – até provas em contrário – eleições livres e justas, o que só deverá acontecer no primeiro dia útil de 2009. Há certas espinhas difíceis de engolir...

30 dezembro 2008

Eduardo dos Santos no final de 2008

(foto Club-K)

O Presidente Eduardo dos santos proferiu a sua habitual – habitual em todos os Chefes de Estado por esta altura – comunicação de fim de ano (deveria ser ouvida aqui ou aqui mas que não está disponibilizada, estranhamente, mas pode ser lida, integralmente, aqui).

Recordou aquilo que já todos tinham alertado quer na assembleia nacional, quer na vox populi, ou seja, que o OGE estava sobrevalorizado e que os preços de referência tanto do petróleo como de outros produtos-base deveriam ser melhor analisados, mas que o Governo ponderou não tomar em consideração, pelo que terá de haver reajustamentos tanto no Orçamento como no Plano. É o que dá a teimosia e a mania das maiorias absolutas (diga-se que neste aspecto, Angola tem um bom professor no extremo ocidental da Europa).

Que espera do Governo angolano um cumprimentos das metas sociais e que passam pelo aumento do emprego, crescimento da produção nacional, incentivos ao investimento, nomeadamente privado, e um completo equilíbrio entre a economia e a ecologia (talvez por isso Baía Farta já está cada vez mais separada de Angola, os rios começam a estar “menos rios”, as cheias e as derrocadas mais intensas, etc.

Voltou a relembrar algo que já tinha proferido na sua última alocução durante a campanha eleitoral mas que alguns parecem ter, ou não ouvido ou julgado que era faladura para campanha, ou seja, voltou a recordar aos angolanos – e a uma certa estrutura angolana – que se devem mudar as mentalidades. Talvez agora que ainda não estão ébrios do fim do ano nem já estão inconscientes da entusiasmada campanha eleitoral pode ser que ouçam o Presidente.

E por falar em campanha eleitoral o Presidente elogiou, mais não deveria fazer, a participação cívica e massiva dos angolanos nas legislativas. Tão massiva que no Kwanza-Norte atingiu os 100% e em outros bem acima dos 95% (os observadores eurocratas conseguiram descortinar uma participação de 108%; não sei em que província mas como na Lunda-Sul a CNE omitiu a percentagem de votação…).

Recordou alguns dos anátemas da moderna sociedade como o combate ao consumo desregrado de álcool, de drogas e a todas as práticas anti-sociais como a violência doméstica, nomeadamente as agressões às mulheres e contra as crianças, e defendeu o fortalecimento do papel dos pais e professores, como agentes fundamentais da educação e formação da juventude,

Falou, também, na alteração da Constituição angolana e da via que permitirá as presidenciais. Mas se não se esqueceu de recordar que as liberdade individual e colectiva e a igualdade de todos perante a Lei são direitos invioláveis que nos permitem agir e contribuir para o bem comum já se esqueceu de um pequeno, pequeníssimo, mas importante pormenor: não indicou se iria haver ou não eleições presidenciais em 2009. Talvez um pequeno lapso derivado ao tempo; porque o tempo em rádio e televisão são muito caros…

Mas se o Presidente Eduardo dos Santos prevê que Angola vai continuar na senda dos triunfos que a reconstrução nacional tem proporcionado, já o presidente da UNITA, Isaías Samakuva, qual desmancha-prazeres,
afirma, e provavelmente com a sensatez da razão, que 2009 vai ser terrível para o povo angolano já que vai sofrer os impactos da crise económica e financeira mundial agravados, segundo Samakuva, pelo aumento da despesa pública – natural quando se quer construir estádios grandiosos para o CAN ou recuperar as vias rodo e ferroviárias que ainda se encontram em mau estado além de alguns aeroportos – e, last but not least, o aumento da corrupção (ainda há países onde isso, pelo menos, é reconhecido como existindo ao contrário de outros que é tão evidente e ninguém sabe o que isso é; só conhecem uma tal… cunha).

2009 molda a língua e traz novo país lusófono…

"O ano de 2009 parece que vai trazer muitas alterações ao espaço lusófono, quer a nível linguístico – aí está o Acordo –, quer a nível político-administrativo (leia-se, novo Estado lusófono com a independência dos Açores… ou será Azores).

A nível linguístico começa logo no dia 1 de Janeiro com a entrada em vigor da nova grafia da língua portuguesa, o Brasil, ao contrário dos restantes signatários do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, vai ser o primeiro país do espaço lusófono a implementar uma Acordo com 18 anos – esperou pela maioridade – enquanto a maioria vai implementar aos poucos ou quando politicamente for conveniente.

Esquecem-se que em 2013 todos deverão ter de o aplicar conforme está disposto no Acordo de 1990, mesmo que isso provoque alguns embaraços linguísticos quer na juventude lusófona – que ainda não sabe quando deve utilizar em paralelo as duas formas gráficas –, quer nos académicos - que por natureza são contrários a mudanças que não passem por eles primeiro e que venham dos políticos –, quer a nível de editoras que têm de rever os seus textos sob pena de os olharem com arcaicos, quer, e principalmente, a nível dos leitores e dos ouvintes que mesmo sem acordos celebrados ouvem cada alteração na língua produzida por locutores televisivos que assustam. (...)
" (Pode continar a ler aqui ou aqui)
Publicado na rubrica "Lusofonia" do

28 dezembro 2008

E na Terra da Conflitualidade…

Havia uma calmaria estranha entre judeus e árabes entrecortada por uma pequena crise governamental e por alguns mísseis de Gaza para Israel relembrando que a Paz é um mito quase inalcançável entre os Povos da Terra da Conflitualidade.

O petróleo está barato, demasiado barato para a imbecil ostentação que alguns nababos árabes fazem das suas fortunas e dos espampanantes veículos que os transportam.

Já quase ninguém ligava ao Irão e do Iraque já só querem distância e que se entendam.

Por isso nada como um pequeno ataque de Israel a Gaza e relembrar que na Terra da Conflitualidade tudo continua como dantes: Árabes e judeus fazem por provar ao Mundo que os Povos não se podem entender sob pena de alguns perderem as suas fortunas e não serão com pessoas como Madoff.

O seu grande e problemático problema chama-se petróleo a 30 dólares americanos o barril!!!

Tal como
escrevi há 4 anos continua a haver quem goste de dar tiros nos pés e sempre a favor de terceiros, mesmo que, e principalmente, seja a nível económico mais que político…
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NOTA ADICIONAL: E o petróleo aí está em subida, já quase nos 40,00 dólares/barril (já só faltam 10,00 USD para a base mínima decidida pela OPEP) e o ouro a subir 5%. Nada como uma pequena crisezinha mesmo que isso provoque vítimas entre civis (assim como assim não são arianos e a culpa é sempre só de um lado)...

24 dezembro 2008

A contagem regressiva dos pequenos partidos

O jornalista latino-americano Mario de Queiroz faz para o Inter Press Service News Agency (IPS) uma análise à quase certa extinção dos pequenos partidos angolanos, a partir de Janeiro próximo, segundo a lei dos partidos políticos angolanos, sob o sugestivo título (na versão original castelhana) “Angola: Pequeños partidos en cuenta regresiva” (só disponível para quem tem acesso ao produto).

Nessa análise, originalmente publicada em espanhol, o articulista honra-me com citações que me solicitou em tempo oportuno de que deixo parte, na versão inglesa, a que se tem acesso integral:

"
Angola’s vast, confusing party landscape is about to undergo a major transformation: as of January, 22 parties and coalitions will simply vanish from the political map.

Next month, Angola’s Constitutional Court (CC) will extend the death certificate to all parties that failed to pass the 0.5 percent threshold in last September’s legislative vote. However, the measure does not apply to parties that did not run in the last election.