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16 dezembro 2017

Discurso de João Lourenço trouxe desafios e interrogações

O rescaldo do recente seminário do MPLA, que teve por base o combate à corrupção, ao nepotismo e ao branqueamento de capitais, poderá ter sido mais amargo para algumas pessoas e militantes do partido do que a iniciativa fazia prever.

Se na abertura do Seminário, José Eduardo dos Santos, enquanto presidente do MPLA, defendeu que os militantes deveriam dar um claro apoio ao Executivo, saído das eleições de 23 de Agosto no combate à corrupção e ao nepotismo no país e que o MPLA tem de liderar uma “sociedade mais justa”, algo que já defendera em recentes discursos ao País de Ano Novo e na AN, saltou igualmente à vista dos analistas a total omissão do nome do líder do Executivo e o ênfase ao caminho do partido.

Por isso era esperada com alguma curiosidade as palavras de encerramento de João Lourenço, Presidente da República, líder do Executivo e vice-presidente do MPLA. E elas não decepcionaram; e começou logo pela saudação onde o ricochete da “lapada” se fez sentir: o “Camarada Presidente” foi omitido!

Mas o mais importante que sobressaiu das palavras de Lourenço foram, ou acabaram por ser, além do sublinhar dos combates que o Seminário abordava, foi o repto aos capitais nacionais expatriados retornarem a Angola, sem custos ou penalizações, para serem reinvestidos em empresas geradoras de bens, de serviços, indústrias e outras para benefício dos angolanos.

E sublinhou que esse retorno não só não implicaria algum tipo e investigação – tipo “caça às bruxas” – sobre a forma como teriam sido obtidos esses capitais e como teriam saído, como seria um certo incentivo ao investimento externo no País. E sublinhou que esta exigência não tinha qualquer ideia subentendida de perseguição aos ricos ou a famílias abastadas, mas um claro combate à corrupção.

As dúvidas que se põem prendem-se em duas pertinentes questões: i) findo um prazo apresentado e não havendo cumprimento do livre retorno dos capitai, como é que o Estado angolano poderá considerar, estes, dinheiro de Angola e dos angolanos e como tal agir junto das autoridades dos países de domicílio, para tê-lo de volta, e como é que isso se poderá concretizar, de facto, o seu retorno? ii) e em que medida esta decisão envolverá Portugal, considerado como um dos destinos preferenciais de capitais angolanos?

Duas questões que só as relações jurídicas entre os Estados poderão resolver, depois do Executivo legislar sobre esta matéria. E, no caso de Portugal, será mais interessante, tendo em conta o caso Fizz/Manuel Vicente.

Finalmente, outro facto importante, ou talvez, ainda mais, nas palavras de João Lourenço. O “exigir” que a AN cumpra a sua função de exercer “de facto a sua função fiscalizadora do Executivo, nos termos previstos na Constituição e na Lei”. Ora, sabe-se que o Tribunal Constitucional, a pedido do Executivo de dos Santos declarou que o Parlamento não (de)tinha essa competência. Fica a questão.

Publicado no jornal português Público, em 15 de Dezembro de 2017, página 4, sob o título «Discurso de João Lourenço trouxe desafios e interrogações»; e, na véspera, ao princípio da noite, no portal: https://www.publico.pt/2017/12/14/economia/opiniao/discurso-de-joao-lourenco-trouxe-desafios-e-interrogacoes-1796046

31 agosto 2017

As minhas intervenções no período eleitoral (antes e pós); e como “Gorbatchev angolano” teve tanto impacto

Relativamente ao processo eleitoral de Angola houve mais intervenções minhas, fossem como análises escritas, fossem através de entrevistas; aqui ficam alguns, sendo de destacar a expressão por mim avançada de João Lourenço, poder ser um “Gorbatchev angolano”, em entrevista ao jornal Público, face à mudança que, também ele, propôs nos seus comícios, e que teve o impacto que se conhece e que mereceu a resposta de querer ser não um Gorbatchev, mas um Deng Xiaoping!



26 setembro 2012

Já temos Presidente... oficial!

A minha contribuição para o artigo de João Manuel Rocha, hoje, no matutino português Público, sobre a investidura de José Eduardo dos Santos, há momentos ocorrida (neste artigo há ainda contributos de Rafael Marques, Xavier Figueiredo e de Elias Isaac).

Oficialmente temos o primeiro Presidente da República eleito através do voto popular (ainda que não directo e universal, mas como "Roma e Pavia não se fizeram num dia", tenho também essa esperança que um dia os elegeremos directamente como os outros deputados...)

31 agosto 2012

As eleições angolanas no jornal Público


(páginas 2 e 3, da edição do Público, de hoje)

O matutico português Público, nas páginas 2 a 5, e na sequência de outros artigos elaborados durante a semana, concluem com uma abordagem geral às eleições angolanas que hoje se realizam.

No extenso e interessante artigo de Ana Gomes Ferreira é analisado segundo a Perspectiva de vários analistas, os possíveis efeitos pós-eleitorais e as eventuais consequências.

Um dos citados é este vosso escriba que, incorrectamente – e do facto, via email, já dei conta disso à autora –, sou citado como sendo Professor do ISCTE quando, na realidade, sou Investigador do CEA do ISCTE-IUL. A correcção pública fica aqui embora sem sequelas de maior.

Os restantes analistas citados são Alberto Colino Cafussa, politólogo, Fernando Pacheco, do Observatório Político e Social de Angola, e Alex Vines, do think tank Chatham House (Londres).

05 março 2010

Parabéns Público

Um jornal, onde por vezes, e não poucas vezes, gosto de ir buscar alguma da boa informação, o matutino português “Público” faz hoje 20 anos. Os meus parabéns e votos que continuem a nos oferecer a qualidade e o ineditismo com que primam no papel ou na internet!