16 setembro 2004

Maria das Neves, Out?

De acordo com este sítio, Maria das Neves foi, esta madrugada, demitida do cargo de primeira-ministra, por Fradique de Menezes.
Segundo o Africanidade, esta demissão deve-se à sua alegada participação no caso do "saco azul", desde sempre negada por aquela ex-governante.
Já por sua vez o JornalST confirma essa demissão e chama a atenção para a "Mensagem à Nação" lida por Maria das Neves onde, claramente, acusa o presidente santomense de a ter demitido sem justa causa e que a demissão do seu governo aconteceu através de uma «macabra e hedionda mascarada» e que serviu para demonstrar o apego "pelo poder totalitário" do presidente Manezes.
Aguardemos novos equatoriais desenvolvimentos tão caros ao tropicalíssimo arquipélago.

França muda de política sobre Sara Ocidental?

Agora que o representante especial do Secretário-geral das Nações Unidas mudou, transmuda-se também a atitude francesa acerca da questão sarauí?
De facto, até há pouco tempo os franceses apoiavam a atitude crítica e oposicionista de Marrocos ao chamado plano Baker que parecia querer levar aquele longo conflito a uma solução conciliatória e garante dos interesses de ambas (que por acaso são três – há que incluir Argélia) as partes, além de ter o apoio da União Europeia e da OUA/UA (que note-se não tem no seu seio Marrocos devido, entre outros motivos, à questão do Sara Ocidental).
Recorde-se que o plano Baker previa um período de transição de cinco anos ao fim dos quais as tribos sarauís seriam consultadas em referendum sobre a sua integração, ou não, no Reino de Marrocos (estes desejavam que a referida consulta integrasse todos os residentes no Sara independentemente de serem ou não sarauís).
No entanto, e de acordo com a agência PANA o governo francês, através do porta-voz do Quai d' Orsay, Hervé Ladsous, afirmou que a "França é favorável à procura duma solução política realista e duradoura para a questão do Sara Ocidental aceite pelas partes no quadro das Nações Unidas", ou seja, começa a questionar a sempre aceite "marroquinidade" do território.
Tudo isto após o peruano Alvaro de Soto ter sido nomeado como o novo representante especial de Kofi Annan para aquela zona conflituosa de África, do rei Mohamed VI, de Marrocos ter mostrado plena disponibilidade para a resolução pacífica do diferendo e da reunião tripartida de Madrid entre o chefe de governos espanhol, Zapatero, e alemão, Schroeder presidente Chirac.
Ou seja, o governo francês continua na sua linha de uma política de equívocos e inoportunos voltes-face a que nos habituou, seja na Europa e dentro da União, seja, particularmente, no Continente Africano.

15 setembro 2004

Moçambique/RAS: Abolição de vistos de viagem?

De acordo com a vice-Ministra moçambicana dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Francis Rodrigues, e citada pela TVM, os vistos de viagem entre Moçambique e África do Sul vão ser abolidos dentro de 4 semanas.
Este assunto terá sido tratado entre os presidentes dos dois países, estando dependente, unicamente, de problemas técnicos. Nesse sentido, peritos sul-africanos e moçambicanos, estão quase a finalizar a avaliação do impacto da medida, principalmente a nível das receitas consulares.

Chefe de Estado humilhado pelo SEF?

De acordo com o semanário português Expresso (por acaso até conotado com o maior partido político da coligação governamental) e citado pelo sítio Africamente.com, um tal Pedro Pires, ao que parece Chefe de Estado de um tal Cabo Verde (consta que é um país algures em África e que hipoteticamente fala português, talvez... desconheço) teria sido interpelado pelas autoridades policiais do Aeroporto Internacional de Lisboa e forçado a passar por um dispositivo detector de metais.
Mas porque é que não deveria passar; era um cidadão desconhecido, por acaso em trânsito para um país, chamado Líbia, cujo presidente, um tal Kadhaffi foi o mentor de uma tal União Africana, e com quem, recentemente, os EUA e o Reino Unido voltaram a restabelecer relações diplomáticas?
Então esse tal país não foi, até há pouco, integrante dos do eixo de mal? Cambada de ingénuos. Como foi possível fazerem isso.
Sem mais comentários.

14 setembro 2004

As Flecs unificadas

A FLEC/FAC e a FLEC-Renovada, reunidas algures na Holanda, e sob a égide da Igreja Católica, representada pelo vigário geral de Cabinda, Raul Tati, decidiram fundirem-se numa única organização cabinda; Segundo os “Acordos de Emmaus”, Nzita Tiago (ex-FLEC/FAC) foi nomeado presidente e António Bento Bembe (ex-FLEC-Renovada) secretario-geral.
Se esta fusão tiver em vista a união de esforços para uma maior unidade no diálogo franco e honesto com o governo angolano tendo em vista a Paz definitiva no país, então é bem-vinda aquela fusão. Se, todavia, a sua conglomeração visar unicamente uma união de vontades conflituosas cujo o único fim é o derrame de sangue do povo angolano, seja do enclave, seja do resto do país, não acabar com as perseguições mútuas e impedir que os cabindas ascendam aos proveitos económicos a que têm legitimamente direito, então, o melhor, será esses dois senhores continuarem as suas férias na Holanda, gozando dos prazeres que as lâmpadas vermelhas lhes reservam.

Angola: Comissão Diocesana de Justiça e Paz

Na apresentação de hoje dos relatórios anuais, destacaram-se os problemas surgidos com (i) os reassentamento das populações regressadas e deslocadas, tendo sido dado com exemplos os casos dos Bosquímanos refugiados na Namíbia que quando regressarem não poderão recuperar a sua principal actividade recolectora dado o seu principal meio de subsistência - a caça - ter desaparecido com a guerra-civil, e os problemas ocorridos no Kuando-Kubango devido aos "kits de sobrevivência" geradores de tensões entre os regressados e as populações locais mais pobres; (ii) as deficientes ou inexistentes emissões da Rádio Ecclésia (Emissora Católica) que, apesar de tudo e pelo facto de Luanda retransmitir trabalhos radiofónicos de correspondentes locais, têm provocados tensões entre responsáveis diocesanos e administradores locais; (iii) por fim a sobrelotação da maioria das cadeias angolanas devido ao excesso de prisão preventiva (parece ser um mal lusófono).
Os restantes dias serão para debater as Eleições, a Transparência Governativa e o Desarmamento da População Civil. Nestes painéis participarão membros governamentais e responsáveis da polícia nacional que debaterão com entidades não-governamentais convidadas pela Organização do evento.
Ficaremos a aguardar mais desenvolvimentos bem assim as eventuais conclusões que os debates, por certo, gerarão. O assunto interessa a todos, em particular aos angolanos.