07 novembro 2008

Zimbabué, a crise aumenta...

Segundo o portal do Africa21, o maior produtor de ouro do Zimbabué, Metallon Gold, fechou as suas portas e todas as 5 minas que produziam o "vil metal", colocando no desemprego 5.000 funcionários.

De acordo com o presidente (PDG) da Metallon Gold, Collen Gura, a razão do encerramento da empresa que pertence ao sul-africano Mzi Khumalo, e que cobria 40% da produção aurífera do País, se deveu por falta de pagamento por parte do Banco Central zimbabweano que tem o monopólio do comércio de ouro.

Mas conforme anuncia a Câmara de Minas, não será só a Metallon Gold que estará com problemas financeiros dado que, segundo aquela entidade, o Banco Central deve no total US$ 30 milhões de dólares aos produtores de ouro, desde finais de 2007.

E enquanto Mugabe brinca com a política e com os zimbabueanos o País vai de penúria em penúria...

O conflito no Congo Democrático e a inoperância da União Africana

Sob o título “A União Africana e o conflito congolês”, Lutina Santos, estudante angolano de Ciências Políticas, num artigo publicado na edição online do Jornal de Angola, coloca algumas reflexões sobre a atitude da União Africana (UA) no conflito da República Democrática do Congo e como ela não deveria manter atitudes como as que teve na crise queniana, nos actos xenófobos sul-africanos, ou a pouco, muito pouco, enérgica atitude na crise que opõe a oposição e o Governo de Robert Mugabe.

Entre as reflexões colocadas destaque para estas duas:
1 - Será que a intervenção da União Europeia no conflito congolês denuncia alguma incapacidade interventiva da União Africana?
2 - Será que a União Africana, unilateralmente, não estaria em condições de resolver a crise?


Aquele futuro analista político relembra a pronta atitude da União Europeia (UE) em conflitos regionais europeus, tal como aconteceu recentemente com o conflito entre a Rússia e a Geórgia; nesse conflito a União, por força dos acordos assumidos, mostrou que tinha legitimidade para interferir diplomaticamente ou usar outros meios.

Também a UA, tal como recorda Lutina Santos, “com mais de 50 Estados membros, tem capacidade suficiente para, unilateralmente, encontrar os melhores meios diplomáticos para pôr termo ao conflito congolês”, até porque, de uma forma ou outra, o Congo democrático “tem a sua soberania ameaçada e o facto de dispor de vários recursos, um contingente militar insuficientemente proporcional à sua dimensão geográfica, faz dele um Estado vulnerável a invasões dos rebeldes”.

E se recordarmos que neste conflito além de haver rebeldes e milícias pró-governamentais – em tudo, um pouco semelhante a Darfur – que já deram claras e inequívocas mostras que
não respeitam quaisquer Direitos Humanos, também se perfilam no horizonte a presença de forças militares convencionais externas, bom seria que alguém procurasse esclarecer quem está, realmente, por detrás desta crise dado que as “acções militares do líder rebelde podem estar a encobrir fortes interesses económicos, não só de Estados africanos, bem identificados, mas também de Estados bem posicionados na comunidade internacional”.

Estranhamente, ou talvez não, quem mais se preocupou, no imediato, com a crise foi a UE, através do seu presidente em exercício, a França, e do Reino Unido – por estranho que pareça nem faz parte da actual troïka presidencial (Eslovénia, França e República Checa) – e só depois houve as movimentações pontuais de alguns Estados vizinhos, com Kabila Jr. acusar o Ruanda de proteger os rebeldes e estes acusarem Angola e Zimbabué de se prepararem para intervir no conflito ao lado de Kabila Jr., embora, hoje, um funcionário da ONU e um oficial da MONUC tenham afirmado que as tropas angolanas já estão em Goma a
combater os rebeldes.

Talvez porque foi a UE a primeira a intervir prontamente no alerta para a crise humanitária e militar da região e porque, como já
anteriormente recordei, o Congo Democrático é rico em matérias-primas primordiais para as novas tecnologias, tal como alguns dos seus vizinhos, talvez fosse importante que a UA se mostrasse mais activa na defesa dos interesses africanos até porque, e como recorda a dado passo o Lutina Santos “existirem outras forças, pouco visíveis, cujo apoio militar ao líder rebelde parece incondicional” e, num “outro ângulo, uma intervenção militar de forças externas ajudaria a criar situações mais catastróficas nas áreas em conflito e nas proximidades” o que, segundo parece, já estará a acontecer.

Esta é, certamente, a primeira grande oportunidade da União Africana, depois dos fracassos que foram Darfur e Somália, mostrar que tem capacidade para liderar o Continente e conter as crises político-militares nas regiões mais periclitantes, como o é, seguramente, a região dos Grandes Lagos.

Ialá com acusações destas, passou-se de vez! Só pode…

(Foto a partir daqui)

Então o senhor Mohamed (ex-Kumba Yalá) Ialá Embalo, num comício, ocorrido ontem, para as próximas eleições legislativas da Guiné-Bissau de 16 de Novembro, não teve o desplante de denunciar o senhor presidente (não me enganei na letra pequena) João Bernardo “Nino” Vieira de estar conotado com o tráfico de droga na Guiné-Bissau acusando de “«ser o responsável» pelo tráfico de droga no país” e de ter provas caso a justiça assim o deseje? E ele que, ainda não há muito andava de mãos dadas com “Nino” Vieira…

Quem se deve estar a rir com isto, se bem que na prática deverão estar é a chorar porque não gostariam de ter razão, serão personalidades da área de intervenção cívica como os jornalistas
Orlando Castro, Fernando Casimiro “Didinho” ou António Aly Silva, estes dois últimos Bissau-guineenses, que já tinham já questionado como é que os “barões” da droga se movimentam tão alegremente à vontade no País, e como certas pessoas em Bissau alardeavam indícios de riqueza num País que nem para pagar aos seus funcionários consegue arranjar dinheiro.

Agora que um ex-presidente e candidato ao poder legislativo faz estas graves acusações, espera-se que a União Europeia, tão pronta sempre a dar fundos para a Guiné-Bissau e ajuda para as eleições coloque as suas autoridades policiais a investigar estas graves e frontais declarações.

Se a União Europeia, e a ONU que muito tem denunciado o tráfico neste País, não o fizer, até porque Ialá diz ter provas para disponibilizar à justiça, obrigarão as pessoas pensarem e pressuporem que aquela organização supranacional estará conivente com o tráfico da droga!!!

06 novembro 2008

África é um… país; um Palinismo?

(imagem ©Foxnews/AP; daqui)

Eu quero acreditar – só pode – que isto é uma anedota pós-eleitoral.
Digamos que uma vingançazinha pela derrota e que não seja verdade. Mas… se havia um bushismo porque não um... Palinismo?


“Sarah Palin pensava que África era um país

A candidata republicana à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin, pensava que África era um país em vez de um continente, segundo elementos do staff da campanha de John McCain.

O pessoal da candidatura de McCain ficou chocado com a falta de conhecimentos da governadora do Alaska nos briefings, revelou o editor-chefe de política da conservadora Fox News, Carl Cameron.

«Ela não percebia, disseram-me membros do staff de McCain, que África era um continente e não um país e chegou mesmo a perguntar se a África do sul não era apenas parte de um país», disse Cameron no programa «The O'Reilly Factor».

Palin também não conseguia indicar os países envolvidos na NAFTA, a zona de comércio livre na América do Norte, um dos temas importantes da campanha, acrescentou Cameron.

As tensões entre a candidata e o staff da campanha de McCain aumentaram e por vezes as discussões acabavam com elementos do staff a chorar, revelou Cameron.
”

Quem quer incendiar a África Central?

(Kabila Jr., quem com ferros matou…)

Quando não é porque um qualquer tirano está afrente de um depauperado e aflito Pais e não quer sair por nada deste Mundo – nem do outro – e goza do apoio descarado de alguns “amigos”;
Quando não são umas quaisquer eleições, mesmo que hipoteticamente possam estar viciadas à partida, mas que sejam eleições e recebam o rótulo de democratas, correctas e justas;
Quando não é um presidente que cai em desgraça porque o partido que o sustentava mudou de “senhor” e este está sob vigilância judicial por razões que, só por si, seriam normais para que nem tivesse tomado posse como líder partidário, quanto mais obrigar o partido a derrubar” o seu anterior presidente e presidente do Pai;
Quando não é um qualquer barco de um grupo de ricaços europeus que, apesar de todos os avisos, gostam de sentir a adrenalina que já não conseguem obter na Europa e se aventuram pelas “impróprias” águas somalis à espera de um qualquer rapto e poderem dizer aos netos que foram salvos por uma qualquer secção de um qualquer exército especial do seu País;
Quando já todos estão calados e esquecidos de Darfur e dos crimes contra a Humanidade que ali se tem praticado;
Aparece sempre qualquer coisinha em África para relembrar que aquele é um Continente a manter incandescente porque há muito material bélico em stock para ser vendido e matérias-primas para explorar ao preço mais reduzido, mesmo que, para isso, se tenha de pôr vizinhos contra vizinhos, povos contra povos, provocar a morte de inocentes civis, ou, melhor ainda, criar milhares de refugiados para uns quantos poderem aparecer como salvadores humanitários e vociferarem contra o status quo do momento.
É isso o que se passa na República Democrática do Congo nas ricas regiões do Kivu.
Existe uma MONUC que nada faz, foge – repito FOGE – juntamente com o exército regular de Joseph Kabila Jr. e de xx (filho de Mobutu), as FARDC, face aos rebeldes tutis Banyamulengue, do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), do excomungado (sê-lo-á?) general Laurent Nkunda.
Aparece uma União Europeia, liderada por uma França e Reino Unido, muito aflita a pedir protecção aos refugiados e avisar que estamos perante uma nova catástrofe humanitária, mas esquecendo-se, como convém, que muito do material bélico ali presente tem por remetente os países europeus, nomeadamente aqueles dois bons samaritanos.
Não vemos a União Africana, cada vez mais decrépita e inerte – tal como outras organizações regionais e linguísticas – a exigir uma pronta intervenção, diplomática ou mesmo militar, dos países aliados para pôr fim aos problemas na região. Só se ouve as vozes críticas e preocupadas dos analistas políticos.
E, depois, constatamos que alguns países procuram conceber Conferências para a resolução do conflito, com a participação de outros países que nada têm de proximidade político-militar, nem diplomática, com a região, enquanto outros vão mantendo um silêncio discreto só cortado por declarações avulsas de possíveis intervenções de países terceiros no conflito na linha do que, já anteriormente, tinham feito.
E é assim que, um País que procura consolidar a sua Paz interna – esquece-se, ou parece fazer gala de o esquecer, o que se passa em Cabinda – e o desenvolvimento social e económico do seu Povo e um outro País que, só por acaso, tem a maior e mais gigantesca inflação do Mundo, um Povo à míngua, e um tirano que não quer largar o poder, se perfilam para intervir num conflito quase regional para darem uso ao seu volumoso armazém belígero e manterem ocupados os seus “funcionários” castrenses – os diamantes também se acabam...
Por onde é que, realmente, anda a União Africana e a sua vontade na resoluções de conflitos? Porque esperou tanto tempo para convocar uma Conferência em Nairobi?
Será que só aparecerá quando a África Central estiver totalmente em chamas? Esquecem-se que os históricos ventos da região são sempre inconstantes e que as chamas se podem propalar para as chanas e nharas ou savanas vizinhas descontroladamente?
Ou querem que apareçam os habituais “médicos” com as suas promessas de ajuda desde que, não esquecendo, comprem tudo aos países deles e forneçam as matérias-primas necessárias e carecidas a custos baixos, muito baixos.
Na região pode não haver petróleo, normalmente o produto associado a conflitos regionais, mas há, e com fartura, minérios – quase únicos e ali unicamente localizados – que são necessários para as novas tecnologias.
Antes quem dominava o Rimland, dominava o Heartland; e quem dominasse o Heartland dominaria o Mundo. Hoje, quem domina as matérias-primas para as chamadas novas tecnologias claramente pode dominar o Mundo, nem que, para isso, se tenha de fabricar portáteis/pochettes.
E, por isso a corrida é desenfreada sem que olhem aos meios utilizados para esse fim!
Mesmo que, para isso, seja necessário incendiar uma região. E, se for em África… como já estão habituados!

05 novembro 2008

4-44: O número da Revolução e da História

Que o 4 de Novembro não tenha sido em vão e que o 44º Presidente eleito – o primeiro afro-americano na História da Casa Branca – não desiluda os americanos e o Mundo.

De saudar, igualmente, a vitória Democrata nas eleições para a Câmara de Representantes e nas intercalares para o Senado o que poderá ser um bom suporte para a nova Administração da Avenida Pensilvânia.