30 setembro 2008

Dia da Quitandeira

(O Pregão da vendedora de milho; Tela de Tóia Neuparth)

Angola celebra hoje o Dia da Quitandeira.

Quantas ocasiões não foram elas, muitas vezes trôpegas e com enormes e pesadas kitandas à cabeça, que nos saciaram a fome e a sede com as suas frutas frescas e perfumadas recolhidas na penumbra do matinal cacimbo.

Quantas vezes suculentos abacaxis, maravilhosas espigas de milho, lindas laranjas, perfumadas pitangas, belas papaias, magníficas bananas, ou deliciosas mangas ou goiabas nos caíram nas nossas mãos ávidas da frescura que elas nos transmitiam esquecendo-nos das longas caminhadas já percorridas pelas, por certo, cansadas quitandeiras.

Associando-me a esta data relembro parte do poema de Luandino Vieira “Canção para Luanda”: E você / mana Maria quintandeira / vendendo maboques / os seios-maboque / gritando, saltando / os pés percorrendo / caminhos vermelhos / de todos os dias? / "maboque, m'boquinha boa / doce docinha; ou, então, propondo-vos uma leitura no Malambas do poema de Agostinho Neto “Quitandeira” ou "Névoas" de Namibiano Ferreira.

Deputados angolanos da 2ª Legislatura empossados

(a passagem do testemunho entre Roberto de Almeida, presidente cessante, e Fernando dos Santos, o novo presidente da Assembleia Nacional; foto via TPA-Internacional)

Apesar de ainda decorrer no Tribunal Constitucional a reclamação da FpD quanto à distribuição dos mandatos de deputados a CNE, que rejeitou, em primeira instância, essa reclamação, decidiu ir por adiante na tomada de posse dos deputados da 2ª legislatura, a primeira da III República.

Apesar de tudo registe-se a cordialidade que decorreu na primeira sessão, em porta fechada, onde todos os
novos membros da mesa foram eleitos quase por unanimidade.

Entre os novos deputados de registar a presença do mais velho deputado angolano, com 94 anos, o rei Ekuikui IV (na foto, via TPA), enquanto o mais novo tem 28 anos, ambos do MPLA. Receberam, protocolarmente e em nome de todos os deputados, os respectivos crachás identificadores.

Vamos aguardar que os novos deputados, estes, se confirmados pelo TC, ou os que o TC vier a reconfirmar, se lembram, como Roberto de Almeida, o presidente cessante da Assembleia Nacional, recordou, que serão os principais e máximos representantes da Nação a quem deverão responsabilidades.

29 setembro 2008

Angola vai ter um Governo só por um ano?

(imagem Club-k-Angola)

"Mário Pinto de Andrade, analista político angolano, numa análise para o Jornal de Angola, relembrou, e muito bem, que este Governo cuja tomada de posse deverá acontecer em breve, poderá não ter mais que um ano de vida governativa.

Pinto de Andrade recordou que a actual Constituição, na alínea b) do 118º artigo da Lei Constitucional, afirma que cabe ao presidente eleito – e as eleições presidenciais irão ocorrer, em princípio, no próximo ano de 2009 – nomear o Chefe de Governo, a partir do partido mais votado e depois de ouvir os partidos com assento parlamentar.

Por exemplo, foi o que fez Eduardo dos Santos, hoje, ao convocar os líderes dos partidos mais votados e com futuro assento na Assembleia Nacional que não contestaram o nome colocado na mesa, até porque, como eles muito bem disseram, tanto poderia ser Cassoma como outro qualquer que fosse indicado pelo MPLA, o partido vencedor.

Ora, como já referi, no próximo ano, haverá, salvo alguma “anomalia” de última hora, eleições presidenciais.

Mário Pinto de Andrade admite que este Governo até possa ser mantido com o aval do novo presidente, no pressuposto, e é isso que infiro das palavras do meu bom amigo e colega, que seja Eduardo dos Santos o eleito. No caso, mais reeleito ou reconfirmado. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , rubrica "Colunistas"

Brasil promulga e Wikipédia disponibiliza

(Machado de Assis; uma tela ximunada aqui)

"Antes de entrar propriamente no artigo um pequeno esclarecimento aos leitores que se impõe. Estas semanas de mutismo se deveram, única e exclusivamente, a razões de ordem académica e nada mais. Um doutoramento a “despachar” e uma participação num júri de mestrado a isso o impôs. Dados estes necessários esclarecimentos vamos ao que interessa.

Comemora-se hoje o centenário da morte do grande escritor e académico brasileiro Joaquim Maria Machado de Assis.

Por isso, nada melhor que esta data para o presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva promulgar Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Dezembro de 1990.

Depois de, e pela primeira vez, as Nações Unidas terem disponibilizado a tradução simultânea do português para as restantes línguas oficiais, depois dos presidentes português e brasileiro terem reafirmado da necessidade tornar a língua portuguesa, uma língua oficial nos diferentes areópagos internacionais, esta assinatura será o marco que a língua portuguesa e a Lusofonia precisavam para melhor a credibilizar no Sistema Internacional.

Provavelmente, e uma vez mais, os puristas dos dois países irão vociferar contra esta promulgação, esquecendo-se, ou talvez não, que a língua deve ser vista como um ser vivo, ou seja, com algo mutável e, simultaneamente, acolhedor às novas terminologias e aos neologismos recebidos a partir dos países onde o português se implantou e, ou venha a implantar.

O português é uma língua viva, evolutiva e tendencialmente exploradora. É altura dos puristas reconhecerem este facto e deixarem de bloquear, politicamente, a evolução natural da língua, falada e escrita. Essa é uma das razões porque só em 2015 o Acordo estará totalmente implantado em Portugal.

E porque o Acordo pretende visar a unificação e simplificação a forma de escrever nos oito países onde a língua portuguesa é oficial, o portal Wikipédia (http://pt.wikipedia.org) vai acompanhar esse processo introduzindo o novo Acordo Ortográfico no portal em duas fases: (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado no , "Lusofonia"

26 setembro 2008

Identificar depressa para o que antes era verdade depois já não o seja…

(foto Sem. Angolense)

Há cerca de duas semanas, o Semanário Angolense, na edição nº 282, pág. 6, avançou o nome de António Kassoma, governador da província do Huambo, como o mais que provável futuro primeiro-ministro do Governo saído das eleições de 5 de Setembro (perdão, 5 e 6 de Setembro).

Muito rapidamente, alguém que se identificava como fonte autorizada do MPLA, desmentiu essa notícia e que nada havia ainda em análise quanto a nomes para a chefia do Governo.

Um desmentido que soou a natural até porque quem determina “quem é quem” é o Presidente da República – apesar da Constituição dizer que Angola é uma república semipresidencialista, é-o, na prática, bem presidencialista, – e não o partido vencedor, qualquer que ele seja.

Todavia, não era de descartar a notícia dado que o líder do partido é, também ele, Presidente da República; mas, ao longo da história recente da política angolana, houve nome ventilados, e não poucos pelo Comité Central do Bureau Político do MPLA, que depois se viram vetados ou, pura e simplesmente, ignorados, pela Cidade Alta.

Por isso ficámos, muito naturalmente, sentados a aguardar os próximos desenvolvimentos.

Foram precisos só pouco mais de uma semana para sabermos que o Bureau Político do MPLA, decidiu, em
reunião havida hoje, indicar o nome de António Paulo Cassoma para chefiar o Governo e o de Fernando Dias dos Santos “Nando” para chefiar o futuro Parlamento angolano e João Lourenço e Joana Baptista para os 1º e 2º vice-presidentes das Assembleia Nacional.

Dado que, foneticamente, o nome não me era estranho e porque tal como o indicado pelo Semanário Angolense também é governador provincial do Huambo, só pude chegar à conclusão que a dúvida da tal fonte autorizada confundiu as pessoas por causa da letra inicial. Um escreveu o apelido com “K” e o Bureau identifica-o com um “C”.

Como uma letra pode fazer tanta diferença…

O que se espera é que ambos sejam melhores nos novos postos que o foram nos anteriores e que saibam que estarão a gerir os destinos de Angola e do povo angolano e não umas quaisquer suas eventuais fazendas.

Para eles, principalmente para C(K)assoma, já que dizem que o brilharete da província se deveu a uma pessoa que não ele, infelizmente recentemente falecido em desastre de aviação, o benefício da dúvida.
Nota complementar: Para além de que C(K)assoma poder ir, cada vez mais quase certo a sua nomeação, chefiar um Governo onde nada pôs nem dispôs como se pode inferir do artigo da edição desta semana do Semanário Angolense, nº 284, que, na página 2, claramente afirma que serão o presidente Eduardo dos Santos e o general Hélder Vieira «Kopelipa» Dias, quem estão a cozinhar o Governo.

24 setembro 2008

35 anos de que independência?

A República da Guiné-Bissau comemora hoje o 35º aniversário da sua independência.

Seria uma data para celebrar, e é-o, de certa forma, se o país não estivesse a braços com graves crises sociais, políticas e económicas para já não citar a continuada acusação de ser um dos países onde o narcotráfico melhor de movimenta.

Ainda assim, reconheça-se, há quem queira pôr termo a esta liberdade. Há poucas semanas um avião foi retido por, previsivelmente, estar ligado ao tráfico de droga da América Latina para a Europa – só não se compreende como “esconderam” do juiz que os pilotos estavam com mandatos de captura internacional, pelo que, correctamente e face às leis vigentes no país, os mandou soltar, o que agradeceram escapando do país – além de receber apoio de polícias de países amigos e da Interpol para o referido combate.

Mas outras situações mantém o país no rol dos mais pobres, economicamente, e dos mais insalubres, socialmente. A cólera é dos paradigmas mais marcantes da actual situação sanitária da Guiné-Bissau. Dizima pessoas – já vão em cerca de 200 mortos – e os parcos fundos económicos que tanta falta faz ao país.

Mas para que isto deixe de ser uma endemia e passe a ser casos pontuais é necessário que a Guiné-Bissau melhore o seu saneamento básico. Um país limpo é um país feliz e sadio.

É preciso que a República da Guiné-Bissau comece a ostentar o seu título com orgulho e que esse orgulho seja retransmitido ao seu povo. Para isso muita coisa tem de mudar. Como escreveu Aly Silva, no seu blogue “Ditadura do Consenso” é preciso que a Guiné-Bissau aprenda "que um País é um País e é assim, País, que deveria ser"; ou seja, os Bissau-guineenses precisam de tentar consolidar a democracia, as instituições do Estado, o desenvolvimento humano e económico, ao mesmo tempo que devem combater o narcotráfico instalado no país e em certas instituições.

Tal como é altura de certas instituições deixarem de vislumbrar, continuamente, Golpes de Estado atrás de Golpes de Estado; insubordinações por detrás de insubordinações; conjuras sobre de conjuras!

Como afirmou "Nino" Vieira – às vezes também sabe falar para fora – o "sonho da independência continua por realizar". É possível que as eleições legislativas de Novembro – será que se realizarão? – possam ajudar a cimentar o conceito de Estado e fazer recordar aos Bissau-guineenses que nenhum Estado sobrevive sem pagamentos de impostos. Mas para haver pagamentos de impostos é preciso que os contribuintes recebam, a tempo e horas e continuadamente, os seus vencimentos.