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16 dezembro 2011

A UNITA a Congresso

Realiza-se este fim-de-semana o congresso da UNITA que vai eleger um novo (?!) Presidente, como seria natural, segundo os seus Estatutos, mas…

No Congresso há duas candidaturas a concurso: Isaías Samakuva e José Pedro Katchiungo.

Um, se for eleito, é uma reeleição (mas, a fazer fé em certas leituras estatutárias, Samakuva pode mesmo ser reeleito? É que está há oito anos no assento do “galo”); o outro é uma candidatura que parece estar contaminada pelo vírus da derrota, logo de início.

A dúvida, natural, que se levanta prende-se que esta candidatura de um considerado indefectível de Abel Chivukuvuku que, já o disse, participará no Congresso e será sempre candidato da UNITA.

Talvez um aplainar de terreno para uma próxima e efectiva candidatura daquele que é considerado como o mais possível e credível candidato da UNITA para fazer frente ao MPLA.

Até lá só há um caminho, por sinal pouco risonho; que nas próximas eleições legislativas a UNITA não siga o mesmo caminho da FNLA e se transforme num partido residual.

Esperemos o que nos mostrará p Congresso!

07 julho 2008

STP recebe mais um painel sobre turismo e ambiente

O Centro de Estudos Africanos do ISCTE (CEA/ISCTE), a Associação Internacional de Investigadores em Educação Ambiental (NEREA-Investiga), a Direcção-Geral de Ambiente e a Direcção de Turismo e Hotelaria da República Democrática de São Tomé e Príncipe organizam e promovem a realização de um Seminário Internacional sob o tema "Educação, Ambiente, Turismo e Desenvolvimento Comunitário".

O Encontro terá lugar no Palácio dos Congressos, na cidade de São Tomé, entre 21 e 28 de Julho de 2008. O tema dos trabalhos é de grande actualidade, permitindo uma reflexão aprofundada e interrelacionada sobre as temáticas do Turismo, Ambiente e Desenvolvimento Comunitário, partindo da estratégia educativa.

Para a reflexão e o debate conta-se com a participação de investigadores, académicos, educadores, representantes da administração e da sociedade civil de São Tomé e Príncipe, bem como outros interessados provenientes de Portugal, Espanha, Brasil e Cabo Verde.

Com a coordenação da Doutora Brígida Brito, do CEA(ISCTE)/UAL, este encontro científico enquadra-se entre as acções integradas do Projecto de Investigação, co-financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT/MCTES) e intitulado "Os Impactos do Turismo no Desenvolvimento Comunitário em África: análise de experiências insulares", em curso no CEA/ISCTE, e consiste numa análise comparativa entre Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Por outro lado, este evento é uma continuidade de Encontros Internacionais anteriores, como seja o caso do Encontro Internacional "Comunidades de Investigação, Aprendizagens e Intervenção" realizado na Cidade da Praia, em Julho de 2007, e promovido pela NEREA-Investiga, e do "I Congresso de Educação Ambiental dos Países Lusófonos e Galiza", realizado em Santiago de Compostela em Setembro de 2007, e promovido pelo CEIDA.

19 março 2008

Já não se respeita a Convenção de Viena?

Segundo uma notícia da agência noticiosa portuguesa LUSA, 3 elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) terão entrado no Consulado-Geral do Brasil, em Lisboa, sem solicitar autorização ao cônsul em manifesta infracção ás Convenções Internacionais, nomeadamente, ao facto do Consulado-geral, seja do Brasil ou outrem, ser, oficialmente, território estrangeiro e como tal, só ser possível de ser “invadido” a pedido das autoridades do país em causa ou quando ocorra uma manifesta falta de segurança que possa pôr em causa direitos civis e os responsáveis do “referido território” se encontrem impossibilitados de dar algum acordo ou aval.
E pelo teor da notícia isso não parece ter acontecido. Bem pelo contrário!
Será que em Portugal as autoridades policiais desconhecem a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, de 1963 (24 de Abril)?
Talvez seja bom que o Palácio das Necessidades, onde “habita” o Ministério dos Negócios Estrangeiros – são “negócios” , não são “relações” –, comece a esclarecer as suas autoridades policiais das suas naturais limitações.
Talvez que os elementos da PSP ainda não saibam bem o “inglês socialista” actualmente ministrado nas escolas primárias portuguesas – convenhamos que os policiais já devem ter passado por essa escola há uns anos bem largos – e não tenham capacidade para ler a Convenção na língua de Sua Majestade, apesar do Sindicato dos Trabalhadores Consulares e das Missões Diplomáticas português parecer facultar uma versão em português conforme a imagem ao lado. Mas, quanto a isso não há problemas, como também já não tenho idade para esse tal inglês limito-me a ler a versão disponibilizada pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro e nem preciso dos tais 6 anos para compreender o que lá está escrito.
Provavelmente foi isso. No Consulado deveriam estar alguns “perigosos” elementos do professorado português ali a aprender a nova ortografia sem quererem esperar pelos tais incompreensíveis 6 anos de aprendizagem e a PSP pensou que estavam refugiados a preparar mais alguma manifestação. Seria?

20 setembro 2006

A lixeira dos outros

(imagem ©daqui)

Um pequeno artigo do Jornal de Notícias despertou-me, uma vez mais, para uma realidade cada vez mais evidente de África continuar a ser a lixeira dos outros.
O referido artigo considera o continente africano, o “pobre continente africano” como o caixote de lixo dos países ricos.
Nada mais errado.
Somos isso sim o caixote de lixo de todos os outros e de nós mesmos.
Somos nós que não sabemos manusear os detritos diários e os resultantes da pouca actividade económica no continente. Além de não sabermos fazemo-lo mal e despreocupadamente. Perdemos a nossa ancestral matriz de respeitar os que lá vêm depois de nós.
E ao não sabermos fazer bem, ainda nos damos ao luxo de, a troco de umas suculentas migalhas devidamente colocadas em bancos de primeira ordem em locais devidamente seguros, recebermos aquilo que os países mais industrializados e os de desenvolvimento médio despejam.
É que nesses países o tratamento de perigosos resíduos industriais e tóxicos é caríssimo – qualquer coisa como cerca de 10 vezes mais que em África –, preferindo confrontar com pequenas, e por vezes ridículas quando está em causa o Ambiente, multas que possam ter de pagar pelos transportes em obsoletos e cadavéricos barcos, alguns dos quais servem de caixão para os resíduos, ou deixá-los algures a marinar numa qualquer baía de um qualquer corrupto país pobre e, de preferência, em crise ou em guerra.
Que se lixem a Convenção de Basileira ou a de Estocolmo sobre resíduos tóxicos e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climática.
Porque enquanto acontecerem nos outros os derrames tóxicos, os nossos terrenos e os nossos mares estarão sempre livres. Pague-se as multas e as migalhas.
Ainda se perde tempo em fazer Convenções sobre o tráfico de resíduos tóxicos…

31 agosto 2006

A camada do Ozono

(imagem ©daqui)
Andávamos nós todos felizes e contentes a chatear o senhor Bush porque não permitia a redução de fumos e outros compostos para atmosfera que criava o chamado “efeito de estufa” e reduzia, também, a celebérrima camada do Ozono, fomentadora do não menos célebre “Buraco – não, não estamos a falar de Mateus, da celebrada falta de dinheiro e afins – do Ozono” e eis que vem a NASA estragar todos os nossos simpáticos planos de “martelar” a cabeça do “cóubói” e dizer que a camada está a recuperar.
Graxistas…
Bom! pelo menos parece que um dos protocolos já está a ter efeitos: o Protocolo Internacional de Montreal, de 1987. Já só falta o de Quioto.
Até quando?

27 março 2006

A China ou quem tem medo de Virgina Woolf

Quem tem medo de Virgínia Woolf foi a pergunta que o embaixador de Angola, Assunção dos Anjos colocou à mesa e à plateia que assistia ao seminário “Diplomacia, Cooperação e Negócios: O Papel dos Actores Externos em Angola e Moçambique”, organizado pelo Inst. de Estudos Estratégicos Internacionais (IEEI) e que decorre até amanhã, perante um cenário de uma China “papão” em África, em geral, ou em Angola, em particular.
Para o senhor embaixador, a China não é, nem será, mais que "um" qualquer outro interlocutor internacional nas relações com Angola.
Quanto a isso, quero deixar bem claro que a China, enquanto Nação, e os chineses, enquanto povo, não me metem medo. Nisso concordo com o embaixador de Angola, serão um mais no sistema internacional se…
Aí vem o se!!
Sobre a China ou o que representa a projecção do sistema político chinês e o que ela encerra deixei já a minha opinião num artigo publicado no semanário santomense “Correio da Semana”, ed. 56, de 11-Março-2006, sob o título “O perdão da China ou o efeito do Mahjong”, que pode ser lido aqui.
Lá está a minha visão e não mostra medo de Virgínia… já não sei se posso dizer o mesmo de Woolf.

02 julho 2005

Simulambuco, Tratado ou acordo?

Image hosted by Photobucket.com(© travel-image.com)
Uma vez mais, e por causa de Bento Bembe, vou deixar aqui a minha opinião sobre Simulambuco, se um Tratado ou se um Acordo.
Não questiono as opiniões de cada um, nem vou responder forte e feio, como espera o meu caríssimo amigo Orlando Castro, porque, forte não é, dado as letras serem pequenas, feio não será, porque a imagem encima este apontamento até é bonita.
O que está em causa é tão-somente a interpretação historico-política e, talvez, jurídica de Simulambuco.
Numa perspectiva histórica, e Orlando Castro é um historiador (a referência aos dois esquecidos Tratados – chamemos assim – que o antecederam são prova disso), o documento de Simulambuco foi rubricado, em 1885, pelo capitão-tenente Augusto Brito Capelo, comandante da corveta portuguesa “Rainha de Portugal”, provavelmente mandatado pelo seu rei, e por alguns príncipes, dignitários e chefes locais, cabindas.
Mas num ponto de vista de um politólogo (ou analista político ou sociólogo político, ou como queiram-nos chamar) Simulambuco ultrapassa a questão da assinatura e da qualidade da mesma. Se trata de um Tratado ou um Acordo.
Na politologia e no Direito Internacional Público, um Tratado caracteriza-se por ser um instrumento internacional concluído por escrito entre Estados e regido pelo direito internacional, quer esteja consignado num instrumento único, quer em dois ou mais instrumentos conexos, e qualquer que seja a sua denominação particular” enquanto que um Acordo acontece quando é rubricado entre personalidades ou entre estas e Estados; em regra, rege-se pelo Direito Internacional Privado.
Ora na minha concepção é um mero Acordo.
Mas, reconheço que atrás de Simulambuco existe toda uma história político-militar que não deve ser esquecida.
Como se sabe, quando aconteceu a divisão de África com a régua e esquadro, Berlim 1884/85, um dos artigos obrigava à livre circulação pelo rio Congo ou Zaire (o nome autóctone era Nzaidi, mais tarde, por corruptela passou a designar-se, sucessivamente, "zairi" e "zaire") mas quando o rei belga Leopoldo II, na prática o verdadeiro dono da coutada a que chamou Association lnternationale Africaine, embrião do futuro Estado Livre do Congo, se decidiu por levar a efeito uma Conferência – que foi aproveitada pelo chanceler prussiano Bismarke – exigiu uma saída para o mar.
Ou seja; de acordo com as cartas marítimas portuguesas a costa africana entre a região gabonesa e o Cunene era explorada por capitães portugueses a quem lhe tinham sido conferidos capitanias.
Quem também se aproveitou dessa exigência belga, foram os franceses que desejavam levar para sul o seu poder territorial.
E foi assim que Portugal ficou com um pequeno território encravado entre os territórios francês e belga, mas sem consistência jurídica ou política.
Daí que o reino português começasse a ver perigar a sua posição na região – facto que levaria também à perca de Angola, não tenhamos dúvidas, ingleses e alemães viam este território como uma mina a conquistar – se decidisse por impor – e esta é a palavra certa – um Acordo aos povos cabindas. Por outras palavras impôs-lhes a política emergente teoria norte-americana do “big stick” ou “política da canhoeira”.
Alguém acredita que os régulos cabindas se oporiam a uma corveta? Ou que Leopoldo II iria acudir os cabindas. É evidente que não. Ele sabia também que por detrás das questiúnculas cabindas estavam os franceses que queria descer até o Zaire e, isso contrariava as suas pretensões de uma saída para o mar. Por isso não se intrometeu.
E foi isso que, na prática, aconteceu. O próprio preâmbulo do documento a isso faz referência quando “os signatários cabindas afirmavam que face aos acontecimentos que se verificavam no continente africano, solicitaram ao comandante Brito Capelo que, em nome do rei português, com eles celebrasse um tratado pelo qual ficariam sob o protectorado de Portugal, “...tornando-nos, de facto, súbditos da coroa portuguesa, como já o éramos por hábitos e relações de amizade”.
Não está em causa a descontinuidade do Território; nem tão-pouco a sua especificidade etnolinguística onde se incluem, também, kubas, ogués e tshogos – a maioria no Congo –, nem, muito menos, a sua enorme riqueza quer no subsolo, quer no solo e mar.
Sabemos que uma Cabinda independente, se fosse ter em conta as suas riquezas sobreviveria mais facilmente que alguns países africanos e, porque não dizê-lo, europeus ou asiáticos e americanos.
Só que a realidade é muito diferente.
Cabinda independente de Angola, rapidamente seria partilhada entre os dois Congos. Não esqueçamos que existiu (existe) um acordo secreto de partilha entre Brazza e Kinshasa – facto que alguns analistas consideram ter levado Angola e intervir militarmente nos dois países – e que, por certo, seria rapidamente reactivado.
E qual seria a solução?
Provavelmente se suserar a uma potência que a protegesse dos lobos. Um EUA, uma França, seriam as potências prontas para tal.
Ora suserania, por suserania, não é melhor estar como está?
Não há dúvidas que Cabinda tem que ser olhada por Luanda de outra forma. Temos de começar por deixar mais fundos no território, devido à exploração petrolífera e madeireira. Os problemas sociais não se diluem com matracas ou com envio de forças armadas – a sua vocação não é ser polícia - mas com harmonia social e política.
Como um território descontinuado (um enclave) que deverá gozar de privilégios específicos. Uma plena autonomia – tipo Porto Rico – que daria um país, dois territórios.
Seria a prossecução final para a Paz definitiva do país.

07 junho 2005

Petição por Nigéria-Angola

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Senhor Presidente da República de Angola;
Senhor Primeiro-Ministro da República de Angola;
Senhores Ministros de Informação da República de Angola e da República Portuguesa;
Senhores Ministros dos Desportos de Angola e de Portugal;
Senhor Presidente da Televisão Pública de Angola (com sítio fora de serviço há bastante (demasiado) tempo)
Senhor Presidente de Rádio e Televisão de Portugal;
Senhor Director de Programas da RTP-África;
Exmos. Senhores,
O(s) abaixo(s) assinado(s) ve(ê)m mui respeitosamente solicitar a V. Exas, se dignem em pôr em marcha o Protocolo de Luanda, de 2003, e assinado por, entre outros, o então Ministro da Informação de Angola, senhor Hendrick Vaal Neto.
Por esse protocolo era crível que a Diáspora – qualquer que fosse a sua nacionalidade – iria gozar do prazer de ver eventos relacionados com a sua génese nacionalista.
Parece, todavia, que, e uma vez mais, os interesses daqueles que realmente poderiam ganhar com a implementação desse Protocolo ficaram num qualquer espaço quimérico.
Ora tudo isto tem a haver com a sistemática não transmissão de eventos desportivop-culturais pela empresa que, em teoria, poderia ser o elo de ligação entre os povos dos PALOP, a RTP-África.
Ao contrário da sua congénere radiofónica, a RDP-África, que retransmite os relatos provenientes dos países afro-lusófonos, a televisiva prima pela ausência.
Oferece-nos, um programa às terças-feiras, de cerca de meia-hora, com sintéticas informações desportivas.
Tudo isto para quê?
Meus caros Senhores, muito simplesmente para vos rogar o favor da transmissão, do importantíssimo jogo que oporá as duas primeiras classificadas do grupo 4, entre a fortíssima Superáguias e a nossa amada selecção dos Palancas Negras, ou seja, entre a Nigéria e Angola, cuja vitória de uma delas - e que seja de Angola – colocará quase, inevitavelmente, essa selecção no Mundial de Alemanha, em 2006.
Meus Senhores,
Tendes uma semana e meia para pensar na alegria que dariam à Diáspora.
Já que os senhores da RTP-África falharam o importante jogo que opunha Cabo Verde, segunda classificada, à África do Sul – agora principal favorita para vencer o grupo, que não falhem com Angola.
Fico(amos) à espera.
A Diáspora

Nota: quem a quiser subscrever retransmita-a e passe-a.