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19 setembro 2016

Qual o impacto da crise do Delta do Níger no Golfo da Guiné? - artigo

"Uma das posturas que o antigo presidente nigeriano Goodluck Jonathan tomou face aos antigos “partisans” que operavam em miríades de grupos armados no Delta do Níger para terminar com os assaltos e ataques diversos – e, não poucas vezes, muito cirúrgicos – contra a economia nigeriana no Delta, nomeadamente, contra as instalações petrolíferas (exploração e transporte de crude), foram conceder-lhes em finais de 2009, com a uma amnistia, o pagamento anual de cerca de 200 milhões de dólares norte-americanos aos diversos grupos de activistas que operavam (operam) no Delta.

Ora, em Março, o general Paul Boroh, que coordena o Programa de Amnistia Presidencial, segundo instruções do novo governo liderado por Muhammadu Buhari, decidiu suspender os pagamentos ao ex-guerrilheiros e activistas – em média correspondia a cerca de US$ 200 por mês a cada antigo activista (adoptemos esta terminologia para os diferentes grupos armados ou não) – justificando que as receitas do Estado nigeriano teriam caído devido à quebra mundial do preço do petróleo, cuja produção representa 70% das receitas financeiras da Nigéria; seria o fim do Programa de Amnistia de Jonathan. Em contrapartida o Governo nigeriano estudava substituir este Programa por um outro que tinha como objectivo uma estratégia programática que fosse de mais longa e mais credível resolução financeira e política.

Só que esta visão política governativa não convenceu os activistas que operavam (e operam) no Delta, dado que, quase de imediato, desferiram uma onda de ataques contra instalações de petróleo e gás, compelindo a produção petrolífera para menos de 1,4 milhões de barris por dia (bpd), considerado como o menor dos últimos 25 anos! Registe-se, no entanto, que o ministro da Energia nigeriano terá dito, em Londres, no final de Julho, que já começava a haver registos de uma recuperação significativa na produção de crude, chegando esta a 1,9 milhões de barris/dia ainda longe dos orçamentados 2,2 milhões de barris/dia.

Apesar destas notícias optimistas do Governo nigeriano, constata-se – aliado ao enorme problema chamado Boko Haram e que merece outro tratamento em outro artigo – que os ataques no Delta continuam a persistir e a colocar em causa a exportação do crude nigeriano que representa. Desde o início do ano a produção desceu mais de 21,5% ao ponto da Nigéria ter sido ultrapassada por Angola como o maior produtor da África subsaariana (1,5 milhões bpd nigerianos contra os 1,78 bpd de Angola – valores da OPEP; e reafirmado pelo recente relatório da agencia Internacional de Energia “Africa Energy Outlook”, para o período 2016-2020).

Continuam a ser vários os grupos que, com maior ou menor força operacional, actuam no Delta: MEND (Movement for the Emancipation of the Niger Delta) – ainda que este esteja em declínio ou persista através de alguns activistas que se intitulam como sendo remanescentes deste movimento e que poderão emergir como um novo grupo operacional –; MOSOP (Movement for the Survival of the Ogoni People); NDLF (Niger Delta Liberation Front); NDPVF (Niger Delta People's Volunteer Force); NDV (Niger Delta Vigilante); ou os emergentes Red Egbesu Water Lions (havendo quem os também denomine, provavelmente de modo errado, de Pensioners Egbesu); Asawana Deadly Force of Niger Delta (ADFND); Joint Niger Delta Liberation Force (JNDLF); Niger Delta Revolutionary Crusaders, (NDRC): Niger Delta Greenland Justice Mandate (NDGJM). Todavia, quem se assume como um claro potencial e perigoso grupo a operar no Delta, ainda que recentemente tenha aceitado negociar com Abuja, um acordo de paz para a região são os Vingadores do Delta do Níger (NDA – Niger Delta Avengers).

Segundo as forças de segurança nigerianas, nos últimos meses, o NDA foi responsável por metade dos ataques ocorridos no Delta do Níger, distribuídos entre os estados de Bayelsa e do Delta (ambos no delta do Níger). Registe-se que o exército nigeriano prevê estarem a operar no Delta cerca de 13 grupos extremistas, a maioria de aparecimento efémero.

Fala-se nos corredores governamentais de Abuja procurar fazer com estes novos grupos o que Jonathan fez com os anteriores. Negociar uma nova amnistia “paga”. Só que grupos como NDGJM, ADFND ou NDRC já disseram que exigem muito mais que isso. Uns desejam a independência dos Estados do delta; outros querem participar na gestão e distribuição dos produtos petrolíferos nas mãos de grandes empresas e multinacionais estrangeiras, nomeadamente, Shell, ExxonMobil, Total/Elf/Fina, Chevron, ou a ENI/Agip, bem como a nigeriana NNPC.

Todos estes ataques colocam em dúvida a se a antiga importância estratégica petrolífera da Nigéria ainda importa para os principais importadores de crude. Veja-se como os EUA se viraram para Angola ou como a China ou a Índia, dos actuais maiores importadores de crude, quase têm ostracizado o petróleo nigeriano.(...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 448, de 9 de Setembro de 2016, 1º caderno, “Análise”, página 14

17 fevereiro 2015

Quando o terrorismo serve para perpectuar o poder…


(A comunidade internacional anda muito distraída...; imagem daqui)

"No próximo domingo, a Nigéria estava preparada para ir a eleições gerais. Estava! Porque os militares, evocando a situação social e militar, que acontece só numa parte do País, solicitaram à Comissão Eleitoral que adiasse as eleições de 14 de Fevereiro.

As eleições estão agora programadas para 28 de Março, as presidenciais, e 11 de Abril, as legislativas.

Segundo Sambo Dasuki, um assessor dos militares e conselheiro de segurança do presidente Goodluck Jonathan, em seis semanas “todos os campos conhecidos do Boko Haram serão desmantelados”. Também os militares disseram terem resgatado as meninas raptadas pelo Boko Haram e até hoje nunca ninguém as viu, se não, aqueles que conseguiram fugir ou que os radicais islamitas enviaram com “recados”.

Como pode um exército fazer em 6 (seis) semanas o que não conseguiu em quase uma década? Destruir o Boko Haram. Ou será que a corrupção, que eventualmente haja no seu seio, é tão evidente que já não podendo disfarçar tenta anular o que antes não conseguiu?

Por outro lado, até agora nunca nenhum exército da região – e aqui incluem-se, os da Nigéria, Camarões, Chade e Níger – conseguiram qualquer desenvolvimento efectivo e real contra os radicais.

Como recorda o matutino português, Público, e cito com a devida vénia, é certo que “acaba de ser aprovada uma força regional de 8700 membros do Chade, do Níger, das Camarões e do Benim para se juntarem aos nigerianos, mas grande parte destes militares e polícias vão operar nas regiões de fronteira.” Como também é verdade que só o Chade, e de momento, “está envolvido em batalhas no Nordeste da Nigéria.

Ora os radicais nigerianos do Boko Haram já avisaram – e nisso, não pedem meças aos militares nigerianos, se ameaçam, fazem – que é sua firmeza desestabilizar outros países, nomeadamente o Níger, onde já têm lançado ataques quase diários, ou os Camarões, onde o exército os tem confrontado. (...)" (continuar a ler aqui)

Publicado no semanário Novo Jornal, edição 367, de 13 de Fevereiro de 20155, página 21 (1º Caderno)

29 janeiro 2013

Angola, Nigéria, CPLP e… Guiné-Bissau


Na recente reunião da União Africana (UA), onde o presidente etíope recebeu a presidência rotativa da Comunidade, a problemática Guiné-Bissau foi abordada com o previsível confronto entre duas potências regionais com interesses não só na região como na projecção da sua influência: Nigéria e Angola.



Por Angola esteve presente o secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, que, segundo o África 21 Digital, terá afirmado que as reuniões, entre Angola, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), com a Nigéria à cabeça, e os restantes PALOP, devido à situação política na Guiné-Bissau, teriam sido acaloradas.

De acordo com o embaixador Manuel Augusto, houve – há  vontade da CEDEAO em forçar a UA levantar as sanções contra a Guiné-Bissau porque, segundo os nigerianos, “a situação já está normalizada e que há um governo de transição inclusivo”, fazendo, provavelmente, um paralelo com a situação do Mali que, também estes, foram alvo de dois Golpes de Estado e acabaram por ser “aceites” pela UA.

Segundo Manuel Augusto parece que Angola e os restantes PALOP conseguiram fazer valer os seus argumentos no que foram seguidos por outros países.

Houve, nesta reunião, uma clara tentativa de marcar posições dentro do panorama político africano, nomeadamente, na África Ocidental, com particular enfoque no Golfo da Guiné, quer por parte da Nigéria – aproveitando os recentes encontros do seu presidente em Davos – como por parte de Angola, potência emergente que prefere mandar outros aos encontros presidenciais e ministeriais, que o seu presidente, ora, legitimamente eleito (recordo que há uns anos, havia um país europeu onde o seu Presidente do Conselho era conhecido por “ter ido” – sem ninguém o ter visto – ou por nunca ir: e este tinha tomado o Poder…).

Por outro lado, a actual situação do Mali veio, uma vez mais, pôr em evidência as carências político-militares dos africanos. Só depois da intervenção armada francesa é que a Afisma, (“African-led International Support Mission to Mali” – força africana de cerca de 3464 soldados da CEDEAO), prevista após a Resolução 2085, da ONU, começou a chegar ao País.

Uma força similar à que deveria entrar na Guiné-Bissau para regularizar a situação militar dos Bissau-guineenses. E do que se conhece só ainda lá estão algumas centenas de militares nigerianos além das visitas regulares de superiores hierárquicos militares senegaleses, outros interessados no actual status quo da Guiné-Bissau e que se mantém calados!

Este texto foi igualmente publicado no Notícias Lusófonas (Colunistas) e transcrito no portal do Pravda.ru

São Tomé e o petróleo do Golfo


São Tomé e Príncipe quer saber como andam os dossiês do petróleo que, por acaso, e só por mero acaso, estão nas mãos dos nigerianos que, por sua vez, demonstram estar disponíveis para os divulgar.

Recordemos que quando assinaram a parceria – em 2001 foi criada uma Comissão parlamentar conjunta para fiscalizar o processo de exploração de petróleo da zona de sobreposição entre os dois países – a Nigéria ficou com 60% do petróleo explorado na zona da aplicação do contrato celebrado entre os dois Estados (Nigéria e São Tomé e Príncipe) com a Guiné-Equatorial a ver o panorama…

Isto foi em 2001.

Estranhamente o actual responsável pelo departamento que deveria controlar este(s) dossiê(s) terá afirmado que a não existência dos referidos documentos – nem de relatórios das reuniões dos dois responsáveis ministeriais do petróleo – se devia ao facto do organismo, entretanto criado, ser novo – por só ter 4 anos…

Ora, de 2001 a 2013 são… 12 anos e não 4 anos. Será que alguém parou no tempo? A criação de um novo organismo não para o desenvolvimento da exploração do petróleo...

Ou, como se previa, os santomenses continuam a fazer o papel de acanhados perante uma potência regional que manda, dispõe e… nada contrapõe! Ou seja, não paga nada do que usufrui em proveio próprio?!

Em 12 anos de exploração dos hidrocarbonetos – que dão grandes fundos à Nigéria e á Guiné-Equatorial – como é possível que STP continue sem ver retorno dos mesmos? Será que, por mero acaso, claro, só a zona santomense não dá petróleo?

A ser verdade não se compreende que haja interessados a pagarem os direitos de prospecção e exploração na área santomense do Golfo…

Este texto foi igualmente publicado no Notícias Lusófonas (como Manchete) e transcrito no portal do Pravda.ru

28 agosto 2011

Não vencemos o Afrobasket 2011

Angola perdeu na final com a Tunísia por 56-67 a oportunidade de elevar para 11 os campeonatos ganhos e a entrada directa nos Jogos Olímpicos de Londres de 2012.

Ainda há uma nova hipótese no torneio de apuramento onde entram o segundo e terceiro classificados deste Campeonato.

No terceiro lugar ficou a Nigéria que derrotou a Costa do Marfim (77-67).

Vamos esperar que até ao torneio Angola consiga estabilizar o seu grupo técnico e, por extensão, a sua equipa no global.

Força Angola. Contamos contigo nos Olímpicos!

18 abril 2011

Na Nigéria, Goodluck mantém-se?

Tudo aponta para que o presidente Goodluck Jonathan se mantenha no cargo após as eleições presidenciais deste fim-de-semana na Nigéria.

Até ao momento Goodluck já terá conquistado 31 dos 36 Estados nigerianos, além do Distrito federal que inclui a capital Abuja, derrotando o candidato proveniente dos Estados norte muçulmanos, Muhammadu Buhari, ex-comandante militar.

Apesar dos observadores terem afirmado que estas foram as mais livres, justas e críveiseleições, ultimamente registadas, no mais populoso país de África e principal exportador de crude do continente, no dia de hoje jovens, na maioria, estudantes e nas cidades do norte islâmico, manifestaram-se contra a propalada reeleição, levando a uma intervenção dos militares que terão disparado para o ar.

Só esperemos que as balas não tenham, eventualmente, ricocheteado nas nuvens e provocado vítimas entre os manifestantes…

27 junho 2007

Dois artigos no Correio da Semana, em Junho

Por só agora ter obtido o acesso e confirmação da sua publicação aqui ficam os acessos aos meus dois últimos artigos publicados no semanário santomense Correio da Semana que, em breve, passará a estar também ele disponível nas ondas netianas.
Para aceder aos artigos basta clicar nos respectivos títulos.

30 maio 2007

Nigéria tem novo presidente ou novo patrão?

Apesar das greves que proliferam no País, a Nigéria viu hoje mudar o novo inquilino do Palácio presidencial no “Dia da Democracia”.
Sai Olusegun Obasanjo e entrou o islamita Umaru Musa Yar'Adua, um claro defensor da sharia, que impôs no seu estado de origem, o de Katsina, a norte do país.
Mas nem por isso o País está mais sereno nem parte da população continua a aceitar a sua eleição.
O prémio Nobel da Literatura, Wole Soyinka, continua a achar que Umaru Musa venceu em eleições pouco claras e por esse facto, hoje não foi dia de celebrar nada. Soyinka foi mais longe e em comunicado afirmou que “O ceú está nublado, sombrio e depressivo onde estou inevitavelmente ocupado neste momento, mas ainda nada tão preenchido com pressentimento como a nuvem escura suspensa sobre a nação nigeriana”.
De notar que entre as ausências institucionais destacam-se as de Angola que não se vê tenha estado representada na investidura – o que talvez não seja tão surpreendente assim –, ao contrário, por exemplo da África do Sul que se representou ao mais alto nível.
Igualmente esteve ausente o Vice-Presidente, Atiku Abubakar, o candidato derrotado nas eleições presidenciais de 21 de Abril.

21 abril 2007

França e Nigéria, eleições presidenciais

Este fim-de-semana vão acontecer duas importantes eleições presidenciais e com natural impacto em cada região onde se inserem: França e Nigéria.
Sobre este assunto um artigo de opinião hoje publicada no sob o título "Um fim-de-semana de eleições" donde se extrai este trecho:
"Este poderá ser um fim-de-semana eleitoral importante em dois diferentes países de duas outras tantas distintas regiões. Em França vai acontecer as eleições presidenciais onde tudo parece conjugar que, ao contrário das anteriores onde se encontraram frente-a-frente o candidato centrista, Chirac, e o candidato surpresa da extrema-direita, Le Pen, desta vez, salvo nova surpresa na segunda fase estarão os dois representantes que configuram e estabilizam a actual política francesa: a direita proto-neo-nacionalista e neo-europeísta de Nicolas Sarkozy e a nova esquerda liberal de Ségolène Royal.
(...)
Na Nigéria depois do fim-de-semana passado ter eleito os novos dirigentes regionais, este sábado, será dia de eleições para ver quem irá substituir Olusegun Obasanjo em Abuja. E com ele serão também eleitos os 360 deputados do Congresso e os 109 senadores.
Pela primeira vez na sua história Nigéria poderá assistir à substituição natural e democrática de um civil por outro civil por efeitos do voto (se outros houvessem que seguissem o exemplo…)
(...)"
Podem continuar a ler o artigo acedendo através do título do NL acima referido.

16 janeiro 2007

A crítica situação do delta do Níger

(milícias do delta do Níger)

As milícias anti-petrolíferas nigerianas continuam a não respeitar as vidas humanas independentemente de serem, ou estarem, afectas aos negócios do petróleo e das grandes companhias que o exploram e exportam.
Nesta altura, são já mais milícias anti-regime do que propriamente para aquilo que, de início, diziam praticar: ataques a instalações petrolíferas e sequestro de trabalhadores, tanto estrangeiros como nacionais; a grande maioria destes grupos mais não são que mafias locais, em intra-disputas, pois muitos dos sequestros que praticam visam a obtenção de avultadas somas em dinheiro para ganhar poder na zona onde operam.
No último domingo uma emboscada matou 12 pessoas, incluindo chefes tradicionais, que se dirigiam ao reino de Kula, no estado de Rivers. O ataque, e uma vez mais, foi efectuado na região do oleoduto da petrolífera Shell no Delta do Níger que viu, também, um barco da sua estação petrolífera Ekulama 2 ser incendiado. Os responsáveis daquela empresa petrolífera já mandou retirar as suas equipas que estão nesta estação temendo mais ataques, a maioria devido a lutas entre milícias.
Mas se este foi o último ataque, desde Dezembro último que um grupo de milícias mantém sequestrados 3 italianos e um libanês, todos trabalhadores da italiana Agip e desde Janeiro 5 chineses empregados da Telecom estão também sequestrados por outra milícia.
Para quem é o 8º produtor mundial de petróleo, e o maior de África, e diz querer dominar a corrupção, estas notícias não são animadoras.

05 janeiro 2007

Angola com pagamentos parciais da dívida

Segundo um comunicado da construtora portuguesa Teixeira Duarte, esta aceitou o pagamento de somente parte da dívida que Angola tinha para com ela, perdoando o restante.
O montante liquidado, que corresponde na metade da dívida, foi de USdólares 53.128.252. Este montante que, repito, corresponde a metade da dívida, está a ser liquidado em duas fases: a primeira, de imediato, foi de cerca de USD 48,3 milhões e o restante USD 4,8 milhões, durante este mês de Janeiro. Este pagamento insere-se no âmbito do acordo negociado entre os Estados angolano e português para a solvência da dívida privada angolana.
Como só foi liquidada metade da dívida, e Angola não é um país pobre ou de fracos recursos, espera-se que a outra metade seja para minorar os problemas económicos e sociais do povo angolano e não para pagar as recuperações(?) rodoviárias dos chineses.
Bom, mas uma coisa se saúda. O começo do pagamento da dívida e o fim das reestruturações da mesma.
E, já agora, será que vai começar a haver uma competição entre Estados africanos para ver quem mais depressa liquida a dívida externa.
Também a Nigéria liquidou junto do clube de Londres uma parte substancial da sua dívida externa de 4,6 mil milhões de USdólares. E, só por curiosidade, qual será o montante do serviço da dívida?
.
NOTA: Além da Teixeira Duarte, também as construtoras portuguesas Mota-Engil e Soares da Costa anunciaram ter perdoado metade da dívida angolana com as empresas do grupo, em troca do pagamento imediato dos restantes 50%.

27 dezembro 2006

Os oleodutos da desgraça

(imagem SIC)
Desta vez foram cerca de 500, talvez mais, os mortos resultantes de mais um furto de combustível dos oleodutos nigerianos. Foram 500 a juntar a outros milhares que, ao longo destes últimos anos, têm tido o mesmo destino e, nem sempre, alvo de notícia.
Nigéria, o maior produtor de crude da África, ao sul do Sahara, é também o maior deficitário em combustível de produção interna.
A maioria da sua exploração petrolífera nigeriana é para exportação, o que faz ao longo das centenas de oleodutos que saem das zonas de exploração e produção atarvés, a maioria, do delta do Níger. E cada empresa petrolífera tem o(s) seu(s) oleoduto. Cada oleoduto que é furado é um ganho qualitativo – leia-se lucro – para a outra empresa; sejam elas americanas, holandesas, francesas ou inglesas.
Mas o que interessa que em cerca de 133 milhões morram mais centena ou menos centena. Os lucros do crude e dos seus derivados são mais importantes que as vidas miseráveis das pessoas que vêem as suas terras, a maioria, as mais férteis do delta, serem ocupadas por oleodutos das grandes companhias petrolíferas com a conivência de governos locais – que por sua vez acusam o Governo Central, que agora os quer enterrar – e dos militares nigerianos.
Foram mais uns 500 a juntar a outros milhares. Mas quem liga a isso?!
Amanhã já todos terão esquecido que algumas centenas de pessoas tentaram aproveitar um furo de um oleoduto para minguar a fome de combustível no maior produtor e exportador sub-sahariano de crude.

22 outubro 2006

Ministra nigeriana acusa Angola falta de transparência

(imagem ©daqui)
Numa Conferência ocorrida em Oslo, Noruega, e patrocinada pelo Banco Mundial, sob o título Iniciativa para a Transparência da Indústria Extractiva (EITI), a Ministra de Educação da Nigéria, a senhora Obiageli Ezekwesili, terá acusado Angola de ser um dos casos paradigmáticos africanos de falta de transparência e de corrupção referindo ao país como “… um caso acabado de economias em que a abundância dos recursos naturais tem uma enorme preponderância sobre os altos níveis de pobreza aos invés de contribuir para o bem-estar das populações” e só comparável ao antigo Zaire, de Mobutu.
Todas estas acusações foram feitas na presença do vice-Ministro das Finanças de Angola, Job Graça, que, segundo parece, se quedou pelo silêncio.
Não vou defender que não exista corrupção, compadrio, usura e má utilização da coisa pública em Angola.
Mas a Nigéria – onde a primeira-dama chegou a ser uma das mais visadas – vir acusar Angola de corrupção faz lembrar aquele adágio “diz o roto ao nu…

20 agosto 2006

O poder gera habituação

(a cadeira e o poder sempre juntos, figura pictória retirada daqui)
Parece que apesar dos inúmeros problemas, nomeadamente corrupção, com mais de metade dos governadores federais acusados ou indiciados, o presidente nigeriano Olusegun Obasanjo deseja prorrogar por mais tempo a sua estadia no palácio presidencial.
Esta é uma tentativa que já terá acontecido, em tempos, por partidários seus; tentativa essa na altura frustrada pelas duas câmaras legislativas do país.
Note-se que a segundo – e último – mandato de Obasanjo terminará em Maio de 2007.
Será que este pedido tem a haver com a divisão do petróleo do Golfo?
Ou será o velho problema de alguns dirigentes africanos que não sabem o que significa rotatividade democrática? A habituação à cadeira do poder…

05 agosto 2005

As contas africanas para o Mundial de 2006

Sem qualquer comentário remeto-vos para o artigo do sítio Angonotícias intitulado "Nigéria joga tudo por tudo" e, principalmente, para as palavras de um técnico nigeriano que, a dado passo, afirma este mimo "a qualificação de Angola ao mundial seria um tremendo insulto" por isso há que jogar "a política do jogo" não especificando qual era essa política.
Ide ao sítio e "divirtam-se" como se isto não fosse preocupante.
Gostaria de saber se a CAF, ou a FIFA, leram as declarações nigerianas e que ilações retiraram.

08 junho 2005

STP-Nigéria criam comissão para petróleo

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De acordo com uma notícia veiculada pelo Notícias Lusófonas, citando a agência Lusa, São Tomé e Príncipe e Nigéria anunciaram a criação de uma Comissão parlamentar conjunta para fiscalizar o processo de exploração de petróleo da zona de sobreposição entre os dois países (assinada em Fevereiro de 2001).
A referida Comissão, cuja formalização esteve a cargo dos vice-presidentes da Assembleia Nacional da Nigéria, Ibrahim Mantu, e de STP, Carlos Neves, contará no seu seio de dois deputados nigerianos e dois de STP.
Num país onde o maior défice está na estabilidade política, (um primeiro-ministro demitido, Damião Vaz, e outro nomeado – a senhora Maria de Carmo Silveira, economista e governadora do Banco Central) eis que a Nigéria para fazer valer da sua posição geo-estratégica “impõe” a STP uma Comissão para fiscalizar as questões petrolíferas da zona conjunta e impedir casos como o que levou à denúncia de irregularidade num processo petrolífero conjunto e que culminou na adjudicação de cinco blocos de petróleo da referida zona
Considerando que ao lado – e com interesses não disfarçáveis na chamada zona conjunta nigeriano-santomense – está a Guiné Equatorial (por sinal membro observador, e com vontade de entrar de pleno direito, na CPLP) como será que este país irá acolher esta Comissão. Ora se há alguém com um apetite voraz pelo poder e pelo fundos do petróleo, esse alguém chama-se
Será que a Nigéria verá com bons olhos dois países da CPLP afrontarem as suas “decisões”? Principalmente, quando a Nigéria tem direito a 60% das receitas da zona enquanto STP só recebe 40%.
E Angola, que é um claro Estado-Director, na região onde se implanta a STP, deixará Nigéria impor as suas directrizes?
E no meio disto tudo, qual será a atitude da Zona Autónoma do Príncipe, que reclama ser na sua região onde estão os principais veios da região conjunta?
Será que vamos ter uma nova Cabinda?
Várias questões para Fradique de Menezes ponderar até às próximas eleições presidenciais; ou serão as legislativas?
Uma vez mais, não esqueçamos que a estabilidade política em STP ainda está (continua) periclitante. Os militares também não.

07 junho 2005

Petição por Nigéria-Angola

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Senhor Presidente da República de Angola;
Senhor Primeiro-Ministro da República de Angola;
Senhores Ministros de Informação da República de Angola e da República Portuguesa;
Senhores Ministros dos Desportos de Angola e de Portugal;
Senhor Presidente da Televisão Pública de Angola (com sítio fora de serviço há bastante (demasiado) tempo)
Senhor Presidente de Rádio e Televisão de Portugal;
Senhor Director de Programas da RTP-África;
Exmos. Senhores,
O(s) abaixo(s) assinado(s) ve(ê)m mui respeitosamente solicitar a V. Exas, se dignem em pôr em marcha o Protocolo de Luanda, de 2003, e assinado por, entre outros, o então Ministro da Informação de Angola, senhor Hendrick Vaal Neto.
Por esse protocolo era crível que a Diáspora – qualquer que fosse a sua nacionalidade – iria gozar do prazer de ver eventos relacionados com a sua génese nacionalista.
Parece, todavia, que, e uma vez mais, os interesses daqueles que realmente poderiam ganhar com a implementação desse Protocolo ficaram num qualquer espaço quimérico.
Ora tudo isto tem a haver com a sistemática não transmissão de eventos desportivop-culturais pela empresa que, em teoria, poderia ser o elo de ligação entre os povos dos PALOP, a RTP-África.
Ao contrário da sua congénere radiofónica, a RDP-África, que retransmite os relatos provenientes dos países afro-lusófonos, a televisiva prima pela ausência.
Oferece-nos, um programa às terças-feiras, de cerca de meia-hora, com sintéticas informações desportivas.
Tudo isto para quê?
Meus caros Senhores, muito simplesmente para vos rogar o favor da transmissão, do importantíssimo jogo que oporá as duas primeiras classificadas do grupo 4, entre a fortíssima Superáguias e a nossa amada selecção dos Palancas Negras, ou seja, entre a Nigéria e Angola, cuja vitória de uma delas - e que seja de Angola – colocará quase, inevitavelmente, essa selecção no Mundial de Alemanha, em 2006.
Meus Senhores,
Tendes uma semana e meia para pensar na alegria que dariam à Diáspora.
Já que os senhores da RTP-África falharam o importante jogo que opunha Cabo Verde, segunda classificada, à África do Sul – agora principal favorita para vencer o grupo, que não falhem com Angola.
Fico(amos) à espera.
A Diáspora

Nota: quem a quiser subscrever retransmita-a e passe-a.