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26 março 2015

Iémen, palco de uma luta fratricida

(foto do ©Público, de 26Mar2015)
O Iémen desde há muito que se tornou no palco do confronto fratricida entre duas correntes islâmicas da Península Arábica: de uma lado os sunitas apoiados pela Arábia Saudita; do outro xiitas com o suporte financeiro e militar do Irão.

Raúl Braga Pires, no seu blogue Maghreb-Machrek faz algumas análises à situação no Iémen, a última teve a haver com o massacre a duas mesquitas iemenitas.

Razões que, talvez, e entre outras, nomeadamente a dicotomia sunita-xiita, tenham levado à intervenção, hoje, de uma coligação árabe chefiada pela Arábia Saudita através de bombardeamentos à capital Sanaa e a outras zonas controladas pelos xiitas.

Ainda assim, de destacar que as zonas controladas pela al-Qaeda ainda estão "sossegadas"; ou, mera consideração analítica, não fossem estes sunitas...

Interessante!

Não esquecer que o Iémen controla uma das entradas para o Mar Vermelho e é vizinho frontal do Djibuti e da conturbada Eritreia. E se o controlo do Mar Vermelho cair nas mãos de insurgentes isso terá efeitos catastróficos para o Canal de Suez; daí o Egipto também participar na coligação.
...

12 junho 2014

Al-Sisi, o novo faraó do Egipto

(Tão colegas que nós éramos...; foto Internet)

Numa cerimónia perante o Tribunal Constitucional e transmitida pela televisão, o senhor marechal, na reforma Abdel al-Sisi (de seu nome completo, Abdel Fattah Saeed Hussein Khalil al-Sisi) que ganhou as presidenciais de 26 a 28 de Maio com cerca de 97% dos votos expressos, onde apenas pouco mais de 47% dos eleitores inscritos a votar, tomou posse o segundo presidente egípcio eleito democraticamente, declarando “em nome de Deus, respeitar a lei e a Constituição” egípcias e defender a independência da nação e a sua integridade territorial. Se não fosse dramático, tendo em linha de conta como a sua eleição ocorreu e como ela teve início – com o Coupe d’État (golpe de estado) contra o anterior e primeiro presidente eleito pelo voto secreto directo e universal, Mohammed Morsi, – a tomada de posse seria risível.

Acontece que o novo presidente egípcio é conhecido pelas suas inúmeras reencarnações. Ele já foi, logo após o golpe, a reencarnação de Muhammad Naguib, o general que liderou a revolta para derrubar a monarquia egípcia em 1952; posteriormente, se transformou em Gamal Abdel Nasser, o coronel que derrubou Naguib e construiu um sistema socialista ambicioso e manipulou o processo árabe e o médio oriente face às superpotências; agora, acha-se próximo de um tipo de líder mais autocrata e autoritário exemplificada em... pasme-se, António de Oliveira Salazar, um professor de economia política que governou, sob mão-rígida, Portugal durante quase quatro décadas, com início na década de 1930. Um sistema político que durou até 25 de Abril de 1974…

Coitado dos egípcios, coitada de África!

Só falta vir dizer que também é uma reencarnação de um qualquer faraó do Egipto antigo; ainda está a tempo de descobrir um cartomante que o diga ou ateste…

De recordar que o senhor marechal na reserva, al-Sisi, tomou o poder em 03 de Junho de 2013, com o derrube de Mohammed Morsi e do governo do Partido da Liberdade e da Justiça, umbilicalmente ligado à Irmandade Islâmica (dito, também, Fraternidade Islâmica ou Muçulmana) e eliminou toda a oposição, islamita, liberal ou laica. Um amor de pessoa que está, efectivamente e “de jure”, no poder desde aquela data…

De evocar que Al-Sissi – na altura do derrube governamental era o chefe do exército – estabeleceu, logo após o golpe, um governo interino, que instalou uma implacável e sangrenta repressão sobre os apoiantes de Morsi, em particular da congregação islamita, Irmandade Islâmica, que venceu todas as eleições desde a queda de Hosni Mubarak, no início de 2011, após as crises da Praça Tahrir.

Este é um mesmo senhor que, antes das eleições presidenciais (até aí foi, sucessivamente, primeiro vice-primeiro-Ministro e Ministro da Defesa), aceitou que os tribunais egípcios – levou bem à letra a separação de poderes entre o legislativo-governativo e o judicial, principalmente quando isso lhe convém – condenassem à morte centenas de egípcios, ditos próximos dos islamitas.

Pobre África que continua a ter dirigentes como o egípcio al-Sisi, ou Bissau-guineense António Indjai, que decidem superintender os destinos dos seus países através de golpes de Estado e da manutenção subsequente do status quo, directa ou indirectamente, sem que a União Africana consiga, de facto e de jure, anular estas alterações constitucionais de forma imperativa e justificada.

Em ambos os casos nenhum dos países foi suspenso da UA ou tornados párias. E não foi por razões de capacidade potencial; nesse aspecto tanto o Egipto, como a Guiné-Bissau são bem diametralmente opostos!


Talvez que pelas costas dos outros vejamos as nossas…

04 julho 2013

Egipto, e a democracia caiu nas ruas

Depois de vários dias de manifestações na celebrada Praça Tahir e de um ultimato de 48 horas o Exército egípcio derrubou - esta é a palavra certa, independentemente dos factos que o antecederam - o presidente eleito (na boca das urnas, logo legítimo) e colocou - temporariamente, segundo eles - como Presidente de transição, o presidente do Supremo Tribunal Constitucional do Egipto, Adli Mansur.

Uma das razões apresentadas pelos manifestantes e acolhidas pelos militares foi que Mohamed Morsi procurava extrapolar as suas competências constitucionais - que já tinham sido colocadas em causa pelo próprio Morsi e que foram agora suspensas pelo Exército - e tornar o Egipto num estado islamita governado por si e pela Irmandade Islâmica.

Esta é uma situação que deve ser ponderada por outra potência de raiz islâmica mas de governação laica e que também ela tem um forte e estruturado exército: a Turquia. Ou seja, o senhor primeiro-ministro e auto-assumido todo poderoso governante turco, Recep Tayyip Erdoğan, deve olhar para a sua esquerda e ponderar as consequências.

À pala da Arabe Spring há golpes de Estado apoiados, celebrados e aplaudidos pelas ruas!

Este texto foi transcrito no portal do jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/news/mundo/06-07-2013/34881-egipto_ruas-0/)

14 dezembro 2012

Egipto e depois do referendo?


Amanhã o Egipto vai referendar a nova Constituição saída de um Parlamento dominado pela Irmandade (Fraternidade) Muçulmana.

De notar que este Parlamento resultou de um voto popular livre e democrático. Isto se depois, o citado Parlamento não acabasse por ser totalmente dominado pelos Islamitas e as normas de lá emanadas não sejam, primordialmente próximas do dogma político-religioso que sustenta os Islamitas e o actual Presidente que, também ele eleito democraticamente, tentou reverter a seu favor todas as normas que pudessem autocratizar a sua vontade.

Segundo parece, a nova Constituição impõe a Sharia como pedra basilar da vida política, social e de justiça dos Egípcios esquecendo, assim, as outras correntes sociológicas e religiosas do País.

Uma parte qualitativa dos egípcios não deseja esta nova Constituição que está ser imposta não só pelo Parlamento como, e principalmente, pelo Presidente Morsi e seus aliados.

Ora, dever-se-á olhar para o caso egípcio num todo e não só para a potência faraónica que emerge nas margens do Nilo.

Uma vitória de um certo fundamentalismo islâmico poderá ser a vitória não de uma realidade política e social e religiosa) mas o fim de toda uma realidade política que emergiu na Tunísia e que é (re)conhecida como a Primavera Árabe.

Recordemos como uma pequena faísca se tornou numa enorme queimada rejuvenescente e progressiva do Atlântico à margem oriental mediterrânica e ao Gofo pérsico.

Se na maioria dos países por onde essa onda rejuvenescedora se estabilizou, na Síria os rebeldes tentam derrubar o regime de Bashir al-Assad – na realidade é um regime Baath (do Partido Árabe Socialista Baath), inicialmente liderado por Hafez al-Assad (o pai) – e estabelecer, segundo eles, um regime mais democrático, no que é apoiado por pretensos amigos da Síria onde se encontra o Ocidente.

Todavia, a realidade mostra que talvez, e uma vez mais, que o ocidente pode estar a apostar num “equídeo errado” e que, tal como na Líbia o resultado pode ser diferente do esperado.

Actualmente, tal como no Egipto a Síria tem no seu seio diferentes correntes política e, principalmente, religiosas que, conforme as referidas correntes e os interesses instalados, se movimentam com maior ou menor liberdade.

Ora os rebeldes têm mostrado que defendem uma maior implementação dos dogmas islâmicos no país, particularmente os de maior reaccionalidade e ortodoxia. Bem ou mal são acusados de gozarem de apoio declarado do Irão.

Tendo por mostra o que se passa no Egipto será que o Ocidente vai continuar a defender o fim do regime de al-Assad em nome de uma pretensa maior liberdade democrática tendo já em conta alguns dos actuais resultados, inclusive, nos países vizinhos?

Veremos se amanhã no referendo irá vingar o fundamentalismo ou o bom senso, porque neste resultado não estará só a vontade dos egípcios como a estabilidade de toda uma enorme região – o lago mediterrânico…

24 novembro 2012

O novo faraó ou a afirmação de Hassan al-Banaâ?


Mohamed Morsi assumiu esta quinta-feira poderes que nem Mubarak tentou fazer: autodeclarou-se inimputável face aos juízes sendo que todas as normas por ele mandatadas não poderão ser revogadas pelas autoridades judiciárias.

Coloca-se, assim, acima do poder judicial, dado que, para e segundo ele, os seus decretos são inapeláveis. Recorde-se que, recentemente, demitiu o Procurador-geral da República que se mantinha desde a era Mubarak e substituiu-o por outro da sua confiança.

É a completa afirmação da vontade de Hassan al-Barraâ fundador dos Irmãos Muçulmanos (também reconhecidos como Irmandade Muçulmana) e a aprofundação da nova Constituição que está a ser criada pelos islamitas no parlamento (mesmo se sabendo que este está a ser investigado pelo tribunal Constitucional).

Os líderes da oposição propuseram que no dia de ontem houvesse "um milhão em marcha" contra o "novo faraó" e na Praça Tahrir algumas centenas de pessoas responderam ao apelo.

As sedes do partido de Morsi foram atacadas e incendiadas e a polícia chamada para conter os inúmeros protestos. Note-se, no entanto, que apoiantes de Morsi estão a fazer comícios a saudar as directrizes do presidente egípcio.

30 junho 2012

Egipto empossou primeiro presidente civil


(imagem Internet/Google)

Depois de, na véspera, ter sido recebido pelos mais altos comandos militares que, na prática, dominam a vida política e administrativa do Egipto, Mohamed Mursi (ou Morsi), o vencedor candidato da Irmandade Muçulmana, na eleição presidencial, tomou ontem posse perante o Tribunal Constitucional, face à dissolução do Parlamento decretada, poucos dias antes da eleição, pelos militares.

Mursi um islamita, engenheiro formado no Egipto e nos EUA, com a mão sob, creio, o Corão, declarou que iria cumprir a Constituição e defender a República laica e Independente do Egipto. Apesar deste “natural compromisso” constitucional, não teve problemas em acrescentar, no discurso, que só “teme a Deus” e, numa clara alusão aos militares, que “nenhuma instituição estará acima do povo”.

De notar que Mursi já tinha tomado posse virtualmente na véspera na Praça Tarhir perante a multidão que o aguardava e o saudou vendo nele, apesar de alguns receios que muitos egípcios sentem com a entrada de Irmandade Muçulmana no mais alto cargo do poder, o obreiro para uma mais justiça, um país melhor e mais desenvolvido.

De acordo com um dos seus conselheiros políticos uma das primeiras medidas que Mursi pensa tomar relaciona-se com os seus braços direitos, os vice-presidentes. Para este cargo estarão, pelo menos, reservados dois lugares, um para uma mulher e outro para um cristão copta.

Entretanto, enquanto Mursi tomava posse, o seu adversário ao cargo presidencial, o ex-primeiro-ministro de Mubarak, Ahmed Shafiq, terá fugido para os Emirados Árabes Unidos, depois de um tribunal egípcio ter suspendido o decreto que permitia que militares prendessem civis e da PGR ter aberto um inquérito sobre eventuais denúncias de corrupção havidas durante seu mandato como ministro da Aviação Civil onde terão ocorrido “fugas de dinheiro” entre 2002 e 2011 bem assim por desvio de verbas na construção dos novos terminais do aeroporto do Cairo, obra que foi adjudicada a familiares de Mubarak.


Este apontamento foi transcrito no portal do jornal Pravda.ru (http://port.pravda.ru/mundo/02-07-2012/33281-egito_presidente-0/)

18 junho 2012

Egipto: e quem está a perder é… o Povo!


Neste fim-de-semana houve a segunda volta das eleições presidenciais no Egipto sob o espectro da contestada decisão do Alto Supremo Tribunal Constitucional que descredibilizou as eleições legislativas e os respectivos resultados e deixou o campo aberto para os militares voltarem a assumir o poder.

Houve eleições e, naturalmente, houve um vencedor.

Perdão, um vencedor não! Dois vencedores e um único perdedor!

De facto, os dois concorrentes, Mohamed Morsi, presidente do Partido Justiça e Liberdade (fundado e apoiado pela Irmandade Muçulmana) e de Ahmed Shafiq, o último primeiro-ministro de Mubarak, seu antigo ministro da Aviação e também considerado como o candidato dos militares, já anunciaram, em plenos pulmões, que venceram o pleito eleitoral. São os dois vencedores.

As primeiras projecções dão uma certa primazia do candidato islamita com algumas sondagens a darem-lhe uma vitória por volta dos 56%. Todavia Morsi diz que venceu com cerca de 52%. Um extremista islamita moderado?...

O único perdedor, pelo menos até voltar a despertar, foi o povo egípcio que não só perde um resultado eleitoral que abriria as portas a uma nova Constituição como teve de se afrontar entre um extremista islâmico e um “travesti” (nas palavras de Mohamed ElBaradei).

Uma das consequências da pouca vontade em escolher um deles está no facto de só cerca de 46% dos 52 milhões de eleitores terem comparecido às mesas de voto.

Outra das consequências que formalizaram a derrota dos egípcios está no facto dos militares se terem comprometido em libertar o poder até 30 de Junho próximo e agora afirmarem que só retomarão definitivamente aos quartéis quando for elaborada uma nova Constituição, facto que, também, impedirá o novo presidente de governar e ser empossado!

Vamos aguardar pelos resultados oficiais e quais as respectivas consequências…

15 junho 2012

No Egipto, Tribunal Constitucional dá golpe?


(da Internet)

Depois de ter sido aceite como válida a candidatura à presidência de Ahmed Shafiq, um antigo membro (primeiro-ministro) do Governo de Mubarak e confirmada a mesma candidatura à segunda volta pelo Alto Tribunal Constitucional egípcio – que revogou a “Lei de Isolamento Político”, que proibia antigos altos funcionários do regime de Hosni Mubarak de participarem em eleições presidenciais.

De notar que a segunda volta das eleições presidenciais que têm como candidatos Shafiq e , Mohammed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, vencedor da primeira volta, realizam-se amanhã, sábado, e domingo.

Mas se Aquele Tribunal que sancionou a candidatura de Shafiq, com a revogação da referida Lei, está a dar mostras de parecer querer estar a dar um golpe de Estado jurídico-palaciano.

De facto, ontem o Alto Tribunal Constitucional anulou e considerou inconstitucional o Parlamento saído das últimas legislativas devolvendo o poder legislativo e governativo ao Conselho Militar que dominou o país após a queda de Mubarak.

Ora as manifestações na Praça (Tahrir) Tarik vão, por certo, intensificarem-se não só porque muitos não aceitam a presença de antigos membros dos governos de Mubarak como candidatos ao Poder como, agora com o apoio dos Irmãos Muçulmanos, vencedores das legislativas – mesmo que sem maioria absoluta –, irão aumentar esses protestos.

Depois dos recentes movimentos contestatários na Tunísia e das confusões – previsíveis, embora menos do que seriam expectáveis – na Líbia, volta a Primavera Árabe a desencadear mais protestos.

Com isto, Assad, na Síria, pode respirar um pouco mais livremente porque o ocidente deseja, primeiro que tudo, estabilizar as crises sociais e políticas no Norte de África.

Têm maior impacto na economia e na estabilização do sul da Europa…


E em África os golpes de Estado persistem...

28 novembro 2011

Hoje há eleições em África…

A trilogia eleitoral deste fim-de-semana, iniciada em Marrocos, na sexta-feira, continua hoje em dois outros Estados africanos.

1. Num dos casos, no Egipto, começaram as eleições legislativas que decorrerão até 11 de Janeiro próximo. Sei que são cerca de 40 milhões de eleitores, mas tanto dias para umas eleições? Não haverão legítimas dúvidas no final das mesmas quanto há possibilidade de haver duplicação de votantes, mesmo que coloquem o “dedinho” no tinteiro. Parece-me que a chamada tinta indelével só dura, no máximo dos máximos, uma semana…

2. No outro caso ocorrem eleições legislativas e presidenciais. É na República Democrática do Congo (RDC) onde se prevê a reeleição de Kabila para um segundo mandato – na prática é um terceiro porque já se encontrava no poder há 5 anos quando foi legitimado pelo voto no primeiro turno – facto mais reforçado por ter provocado uma alteração constitucional onde a simples maioria simples e numa única volta é suficiente para ser (re)eleito.

Apesar desta simples equação, ou talvez por causa dela, já houve distúrbios no Shaba/Katanga na linha do que já tinham acontecido, por toda a RDC antes das eleições se iniciarem.

3. As eleições em Marrocos deram aos islâmicos moderados do Partido Justiça e Desenvolvimento (PJD), liderado por Abdelilah Benkirane, que terão obtido entre 80 e 107 – varia consoante as fontes lidas – das 395 cadeiras da Câmara de Representantes, correspondendo a 27% das vagas do Parlamento, o que faz com que o partido, ainda que vitorioso, seja obrigado a fazer alianças com outras siglas para obter uma maioria absoluta confortável para governar.

O PJD, ficou à frente do partido Istiqlal (Independência ou Partido Nacionalista), do atual premiê, Abbas el Fasi, que obteve 60 cadeiras, e da Reunião Nacional de Independentes (RNI), do ministro da Economia e Finanças, Salahedin Mezuar, com 52.

De registar que nestas eleições houve uma quota específica para jovens e mulheres (cerca de 90 assentos) e que tiveram como resultado final a igual supremacia do PJD com 24 lugares seguido do Istiqlal, com 13 deputados, do RNI, com 12 assentos, e do PAM (Partido Autenticidade e Modernidade), com outros 12 eleitos.

11 fevereiro 2011

Mubarak já está out!!

O presidente do Egipto, Hosni Mubarak, ao fim de quase duas semanas de contestações cairotas e após ter redito, ainda ontem que só abandonava o poder em Setembro, por quando das legislativas marcadas para essa data, terá, hoje, apresentado a sua demissão.


Terá demitido ou, mais provavelmente, “aconselhado” pelos seus antigos amigos e discípulos militares que dever-se-ia demitir podendo, caso contrário, ter algum maior dissabor e, talvez, perder uma grande parte, senão mesmo, a totalidade, da colossal fortuna ainda há dias revelada.


As perguntas que agora ficam são onde estão os cerca de 88,6% que o elegeram nas últimas eleições e os 60% que o (re)aprovaram em Setembro de 2005?

E mais importante ainda, como se posicionarão os novos líderes egípcios face ao Próximo Oriente (normalmente reconhecido como Médio Oriente pelos norte-americanos) e, especialmente, com Israel.

Não podemos esquecer que os Irmãos Muçulmanos – e não Irmandade Muçulmana ou Islâmica como os jornalistas portugueses continuam estupidamente a se referir a eles e ainda num recente programa da RTP, Prós e Contra, um historiador o voltou alertar para esse erro – devem a sua génese ao anti-semitismo e são umbilicalmente contrários à presença judaica na região.

E, não esqueçamos, que o partido fundado por Mubarak, até agora no poder, está integrado na Internacional Socialista.

Interessante como muitos partidos ditos democráticos, mas com práticas bem autocratas e ditatoriais e no poder há muitos anos, alguns há mesmo mais de vinte anos, são aliados ou associados da Internacional Socialista…

31 janeiro 2010

Egipto Tri-Campeão no CAN 2010, de Angola; e assim se fecha o pano

Egipto, sete títulos, três consecutivos

Depois de ontem, em Benguela, a Nigéria ter conquistado o terceiro posto, frente à Argélia, vencendo esta selecção por 1-0, hoje foi a grande final, com a vitória do Egipto frente ao Gana por 1-0.

Assim terminou aquela que está considerada como uma das mais bem organizadas provas de futebol das Nações Africanas, o Angola-Orange CAN2010.

Só se lamenta que dois dos estádios, nomeadamente o Nacional 11 de Novembro”, em Luanda, onde aconteceram a abertura e encerramento e a maioria dos jogos apresentassem péssimos relvados. Também o “Chiazi” pautou por mau relvado. Em comparação os relvados de “Ombaka”, Benguela, e do “Tundavala”, no Lubango, apresentaram-se sempre em excelentes condições.

Mas como o que conta são os vencedores, o Egipto, excepto o troféu “Jogador Fair-Play” do torneio que foi para um ganês, arrecadou todos os títulos. Ao de Tri-Campeão de África juntou o de melhor Guarda-redes, El Hadary; o de melhor marcador, Gedo, com 5 golos; e o de melhor jogador do CAN, o capitão A. Hassan.

A festa encerrou com um belíssimo espectáculo coreografado por Ana Guerra sob a precursão das nossas marimbas e tambores, seguido de um espectáculo de pirotecnia.

Adeus CAN2010, em Angola, e até 2012 no CAN conjunto do Gabão e da Guiné-Equatorial.

Apesar dos jogadores do Togo não terem a culpa e serem as maiores vítimas saúdo a atitude da CAF que
suspendeu aquele país por dois CANs devido à interferência do Governo de Lomé ao arrepio dos atletas que desejavam manter-se no CAN em respeito pelo desporto e pelos seus colegas feridos no abjecto ataque levado a efeito em Cabinda.

04 maio 2009

A força abusiva de uma religião-estado?

Há muito que o Egipto anda à procura de impor em todo o país o islamismo como única religião, deixando de ser uma religião no Estado para se tornar numa religião do Estado.

São conhecidos os entraves que alguns sectores políticos e jurídicos egípcios têm colocado nas áreas ecuménicas não islâmicas, como por exemplo, os Baha’is mesmo que os direitos de cidadania baha’i estejam reconhecidos pelo governo e justiça egípcia. Mas nem por isso deixem de ser claramente perseguidos ao ponto de, segundo parece, uma determinada comissão inter-ministerial ter exigido ao Parlamento do país que considerasse a Fé Baha’i como uma seita que coloca em causa a segurança nacional.

E se a Fé Baha’i é, ou tem sido desconsiderada, já os cristãos coptas, embora em minoria, eram aceites e respeitados.

Eram porque, aproveitando a crise epidemiológica que a Gripe A/H1N1, ou “gripe suína”, tem provocado a nível mundial e sabendo que os porcos são considerados pelos islâmicos – tal como pelos judeus e neste aspecto, a gripe suína conseguiu o que muitos políticos e estrategas não têm conseguido, fazê-los falar a uma só voz e em unanimidade – como animais impuros, unicamente criados e como fonte de alimento pelos cristãos, o Egipto decidiu mandar
matar todos os suínos que existem no País, nomeadamente, nos bairros pobres de Cairo.

E mesmo sabendo, como a OMS o tem repetido, que não são os porcos os “culpados” desta gripe mas tão-só a razão do nome que foi dada à mesma.

Há aqui um claro ataque de radicais islamitas às outras convenções ecuménicas a que não será alheio, por certo, o poder dos
ayatollas iranianos e as suas interferências na política interna religiosa do Egipto…

Estas atitudes contrariam todos os valores que os teólogos islâmicos moderados tentam incutir e mostrar ao Mundo, ou seja, que o Islão, tal como as outros duas grandes comunidades ecuménicas, se tem pessoas que usam a religião para prevaricar, também as há as que respeitam e sabem respeitar os valores de cada comunidade.

Mas enquanto o Mundo estiver refém do petróleo árabe – e, sejamos honestos, os maiores fundamentalistas até nem são os iranianos (que não são árabes) mas os sauditas – ou temer a eventual força nuclear de Teerão e o poder dos fundamentalistas suicidas – a maioria provenientes de zonas de baixos recursos ou pouco cultas –, os radicais iranianos manterão este status quo e esta “umbrella” social sobre o Mundo Ocidental e alguns dos seus vizinhos!

16 novembro 2008

Al-Ahly justifica o porquê de ser o Clube do Século para a CAF

(foto do meu arquivo antigo via net)
Em, pelo menos, 7 tentativas para ganhar a Taça do Campeões Africanos, o Al-Ahly, do Egipto, conquistou seis troféus (1982, 1987, 2001, 2005, 2006 e 2008). É o primeiro clube africano a ganhar 6 troféus da Taça dos Campeões Africanos, em 12 já disputadas.

Hoje, depois de ter vencido na primeira mão, por 2-0, os camaroneses do Coton Sport, de Garoua, nesta sua primeira final dos Campeões, os homens do Al-Ahli, onde pontuam dois angolanos Flávio (5 golos marcados nesta Liga) e Gilberto, empataram nos Camarões, a duas bolas, conquistando mais um troféu da Liga dos Campeões, denominado CAF/MTN Champions League.

Pela terceira vez, e a primeira que isto acontece a nível mundial, a equipa egípcia vai estar presente no Campeonato Mundial de Clubes.

10 fevereiro 2008

CAN2008: Egipto bi-campeão

(o golo dos campeões; foto ©elcalmeida via Eurosport)
.
O Egipto venceu a final do CAN-Ghana2008 ao bater na final os Camarões por 1-0, com golo de Abou Trica.
Um golo que saiu de um erro defensivo de um excelente e veterano jogador camaronês, o capitão Rigobert Song, o que vem comprovar que o erro não acontece só aos inexperientes e que na final a pressão, por vezes, tolda os sentidos dos mais habituados.
Uma final interessante que disse adeus ao Ghana e um até já a Angola, para 2010.
Um bi-campeonato para o Egipto que passa a ter 6 CAN's ganhos! O recordista dos CAN!
Morreu o CAN-Ghana2008 viva o CAN-Angola2010.
Nota: Nos lugares imediatos classificara-se o Gana que bateu a Costa do Marfim por 4-2.

04 fevereiro 2008

Adeus CAN2008, Viva CAN2010

(Angola (de branco) e Egipto (de encarnado) nos 4º final; foto ©elcalmeida via Eurosport)

Caímos de pé como valentes guerreiros, perante o campeão em título.
Fomos talvez um pouco modestos no desenvolvimento do jogo. Mas quem sou eu para questionar um treinador que já mostrou poder levar Angola a patamares nunca antes alcançados e ombrear com as maiores potências do futebol africano ao ponto dos Palancas Negras fazerem cair treinadores como o do Senegal e pôr em causa Carlos Alberto Parreira à frente dos Bafana-bafana.
Caímos perante o Egipto por 2-1 com um magnífico golo de Manucho e dois golos, nomeadamente o segundo, um pouco infantis, concedidos aos faraós.
Caímos, mas não nos vergámos, mostrando porque hoje era o Dia da Luta Armada.
Prova disso as imagens finais do jogo quando os egípcios se acantonaram na defesa ou o treinador deles substituiu um elemento das linhas avançadas por um defesa e a festa que fizeram no relvado como se tivessem ganho o CAN2008.
Agora cabe-nos a nós preparar o “nosso” CAN2010 e a ida ao Mundial de 2010 na vizinha África do Sul.
Entretanto vamo-nos deliciar, por certo, com uma final antecipada que oporá os finalistas do último CAN2006, Egipto e Costa do Marfim.
Quem vença o menos mau porque as duas são mesmo boas equipas.

22 fevereiro 2007

Bloguista incómodo no Egipto é amordaçado

Abdelkareem Nabil Soliman, um estudante de Direito de Alexandria, é um companheiro egípcio destas lides.
Até aqui nada de relevante se não fosse o facto de hoje ter sido condenado a 4 (quatro) anos de cadeia por no seu blogue ter segundo as leis islâmicas egípcias “insultos ao Islão e difamado o presidente Hosni Mubarak”.
Entretanto já começou uma campanha internacional bem assim várias demonstrações bloguísticas em países e cidades como Bahrein, Londres, Estocolmo, Paris, Roma, New York (por duas vezes) e Washington DC para a libertação deste bloguista.
Vamos apoiar esta censura à censura de quem não gosta que os nomes sejam ditos com todas as letras: autocratas e ditadores!!

16 outubro 2006

Flávio põe Al-Ahly na final

O angolano Flávio marcou o golo que colocou o Al-Ahly na final da Liga dos Campeões Africanos onde irá disputar com os tunisinos do CS Sfaxien, que eliminou os sul-africanos do Orlando Pirates, o título de campeão africano, que ainda detém.
O Al-Ahly beneficiou do golo fora marcado aos costa-marfinenses do ASEC Mimosa.
De notar que os dois finalistas já se encontraram na fase de grupos com uma vitória para cada um.

10 maio 2006

Ministro egípcio questiona disposição do Tribunal

(O mundo Baha'i)

O governo egípcio vai recorrer da decisão de um tribunal administrativo que decidiu a favor dos direitos da pequena minoria baha'i, afirmou o ministro dos assuntos religiosos Mahmoud Hamdi Zakzouk. Perante o Parlamento, o ministro declarou que a base do recurso seria a opinião do principal clérigo muçulmano, o Sheikh de al-Azhar, segundo o qual "o Bahaismo não é uma religião revelada reconhecida pelos muçulmanos"”.

Pessoalmente, o que do bahaismo conheço – e muito pouco – devo ao blogue “Povo de Baha”. O que aqui está em causa não é a qualificação deste rito religioso mas, tão só, o direito de um Governo questionar as deliberações de um tribunal suportando-se numa opinião de um imã local que não considera este rito como religião. E isto não será o princípio de um retorno ao radicalismo religioso dos Irmãos e Irmãs Muçulmanos que, ultimamente, vêm ganhando posição no Parlamento e na vida social egípcia (sobre este assunto aceder aqui, nos Ensaios), bem assim acompanhado do aumento de violência e atentados contra interesses turísticos no país?
E os coptas estarão em sobreaviso?
Por onde é que anda a liberdade religiosa e os Direitos Humanos?

24 abril 2006

África de novo sob ataque terrorista

Bin Laden espirrou e África sofreu as consequências da eterna incapacidade Ocidental em gerir conflitos político-religiosos.
No Egipto, e quase um ano após a outro similar, uma estância balnear é vilmente atacada e o primeiro resultado cifra-se em 30 mortos e 160 pessoas ficam feridas.