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27 abril 2008

Tão diplomático que ele foi...

(DDR; algures na Iternet)

"Ontem, e após alerta de um Amigo, televi, no passado sábado à noite, a entrevista do presidente da UNITA, Isaías Samakuva, a Nuno Rogeiro e Martim Cabral no programa “Sociedade das Nações, da SIC-Notícias.
Televi e fiquei, desculpe-me senhor Samakuva, se por um lado satisfeito e orgulhoso, por outro bastante preocupado.
Fiquei satisfeito porque vi que para Angola se perspectiva um futuro e brilhante Ministro das Relações Exteriores para defesa dos nossos elevados interesses internacionais.
Preocupado porque aquele que poderia – e devia – ser o próximo líder nacional, já que é o líder da UNITA e putativo candidato natural do partido às presidenciais, mostrou pouco à vontade e acutilante perante as câmaras e os entrevistadores que, diga-se, por mais de uma vez, deram-lhe essa possibilidade mesmo sabendo que, naturalmente, a emissão poderia cair em Luanda por causa de uma “inoportuna” – como muitas que acontecem com a SIC ou a RTP-África – quebra de energia eléctrica.
De facto, o presidente da UNITA, Samakuva, mostrou um forte tacto nas respostas mas pouca acutilância para colocar o seu rival político fora do actual pedestal aliado ao facto de, não poucas vezes, parecer esquecer-se que a UNITA não é – repito NÃO É – oposição mas parceiro a tempo integral do partido mais forte da Coligação – o GURN –, o MPLA. (..)
" (continuar a ler aqui)
Publicado n', edição 200, de 25/abril/2008, sob o título "Boca "calada em Angola, boca "calada" no estrangeiro" (artigo escrito em 20 de Abril pp)

15 abril 2008

Líder dos Massukos um dos vencedores da Goldman Environmental Prize

(Feliciano dos Santos evidenciado a vermelho)

O cantor moçambicano Feliciano dos Santos ganhou o prémio Goldman Prize [Goldman Environmental Prize], considerado por muitos como o prémio Nobel do ambiente. Feliciano que lidera a banda moçambicana Massukos, é distinguido pelo seu trabalho na divulgação dos problemas da saúde, água e Sida [ver texto explicativo da Goldman aqui].
As Nações Unidas estimam que as doenças diarreicas matam por ano 1,8 milhões de pessoas. Feliciano recebeu o prémio numa cerimónia na cidade norte-americana de São Francisco. Em declarações, Feliciano começa por descrever o que sentiu quando soube que tinha sido distinguido. “Foi uma surpresa, pensei que fosse brincadeira, nunca pensei que estando na província do Niassa no Norte de Moçambique tão longe do mundo, não acreditei que fosse possível”. Feliciano acredita que a música tem poder para fazer passar mensagens para o público. “Em África quando se toca um batuque, as pessoas aglomeram-se e aquele é o momento próprio para começar a transmitir aos outros aquilo que lhe vai no coração”.
Música sobre latrinas serviu para alertar para problemas de higiene “Eu sinto que a música tem um poder muito forte e transmite aquilo que são as nossas necessidades básicas”. A motivação de Feliciano surgiu das más condições de higiene e da má qualidade da água que tinha disponível na província do Niassa. Em 1992, depois de ter formado a banda Massukos, ele promoveu em conjunto com a Unicef um projecto para promover as latrinas.
Em 1996, ele estabeleceu a ONG “Estamos”, que tem por objectivo promover melhores condições de vida através de melhores condições sanitárias. “Este prémio serve para as pessoas perceberem que não interessa de onde nós vimos, o que é importante é realizar coisas que marcam a diferença”, refere Feliciano dos Santos. O prémio de 150 mil dólares vai servir para “alertar para os problemas que as populações de Moçambique e de África enfrentam no dia-a-dia”, conclui.

Artigo publicado n’O Observador, edição 192, de hoje e que muito gostosamente aqui transcrevo como incentivo a que outros africanos também continuem a contribuir para elevar o nome do Continente para além dos problemas políticos, da fome e da guerra, com que, predominantemente, somos relembrados.

08 abril 2008

Quando a derrota é indigesta…

"Algumas das maiores máximas dos ditadores (ou ditadorzecos) e seus seguidores utilizam para se perpetuar no poder passa, invariavelmente, ou por protelar ou mesmo não divulgar, através da “sua” Comissão Eleitoral Nacional, os resultados eleitorais, por prender jornalistas – os eternos abelhudos que se metem onde não são chamados – e políticos adversários, ou, e esta é a última do seu cardápio manietante, exigir recontagem dos votos mesmo que para além do prazo legal.

Pois é exactamente isso o que a ZANU-PF e o seu magnificente presidente, senhor Robert Gabriel Mugabe, estão exigir agora.

E tudo porque o seu adversário político – também África, depois da Europa (Polónia) e da América Latina (Brasil) tudo indica que vai ter um sindicalista presidente que poderá mudar a face e o sistema político da África Austral – decidiu, em definitivo, declarar-se vencedor da eleição presidencial, dado que a “sua”, do Mugabe, ZEN (Comissão Eleitoral) empenou a meio do caminho e não se decide por confirmar, ou não, a necessidade de fazer uma segunda volta para as presidenciais zimbabueanas.

O medo do “Grande Líder” – embora não estejamos na Coreia do Norte nem em Cuba, não podemos deixar de ter, também nós em África, um Grande Líder – e dos seus abjectos e subservientes seguidores do Politburo da ZANU-PF é enorme! (...)" (pode continau a ler aqui)
Artigo publicado n' , edição 187, de hoje, sob o título "Festim indigesto e pouco satisfatório para "cegos" vizinhos do Zimbabué"

20 fevereiro 2008

Combate à pobreza e à fome passa pelo quê?

"Sim à “exploração de biocombustíveis no país, desde que esta indústria não colida com o programa do Governo de combate à fome e à pobreza”. Esta é uma das afirmações do presidente Armando Guebuza, que adiantou, e pertinentemente, que a matéria-prima para os biocombustíveis devem ser cultivadas em terrenos menos férteis.
Sim aos subsídios aos “chapas” porque o povo passa por dificuldades financeiras e, a fazer fé nas palavras acima, fome. Mas não pode esquecer os transportes colectivos inter-regionais e inter-cidades ou continua tudo na mesma e lá se vai o programa do Governo de combate à fome e à pobreza.
Sim ao desenvolvimento económico do País e a consolidação da iniciativa privada mas, minimizem o aumento do pão, porque o povo não pode passar fome e isso contraria o programa do Governo de combate à fome e à pobreza.
Sim à Livre Concorrência, em 2008, à União Alfandegária em 2010, ao Mercado Comum em 2015 e à União Monetária (qual?), em 2018, tal como prevê o Acordo de Comércio Livre da SADC, mas não tentem pôr em causa o programa do Governo de combate à fome e à pobreza.
Sim ao combate às cheias, à erradicação das doenças, à saída dos lavradores das machambas da orla fluvial, ao apoio das vítimas, mas lembrem-se que se não houver cheias e lavradores junto das férteis águas fluviais, mesmo que possam morrer, não vamos ter condições para implementar o programa do Governo de combate à fome e à pobreza e isso não permitiremos.
Sim à liberdade sindical dos trabalhadores moçambicanos, mas quem põe em causa o programa do Governo de combate à fome e à pobreza é um miserável reaccionário e isso não será permitido; mesmo que os trabalhadores evoquem, naturalmente, o elevado custo de vida e, por esse facto, revolucionariamente queiram melhores condições sociais e laborais.
E se dúvidas há quanto ao fracasso do actual programa do Governo de combate à fome e à pobreza basta ver como os “reclamantes” têm sido tratados por administradores locais e regionais e como a PIR tem sido sistematicamente chamada para abafar os protestos.
E eles não se têm confinado a Maputo. Xinavane (Manhiça), na província de Maputo (sul), Chókwe e Chibuto, (província de Gaza) e Inharime, (província de Inhambane) também têm sido palco de convulsões sociais. (...)
" (Continuar a ler aqui ou aqui)
Publicado n', edição 160, de 20/Fevereiro/2008, sob o título "Governo combate os pobres e não a pobreza"

05 fevereiro 2008

Há crise no Chade? África no seu melhor!

"Há crise no Chade? Não há problemas, estão longe…
Se não é isso o que se pensa nos ocidentais lugares de lazer europeus e norte-americanos, para lá caminha.
Há crise no Chade? Não há problemas! Não sei onde fica e como não conheço deve ser lá longe!
Milícias agrupadas numa Frente Comum ou Coligação Tripartida, desde Dezembro, provenientes do vizinho Sudão entraram na capital N’Djamena e cercaram palácio presidencial; formam a coligação a União das Forças para a Democracia e Desenvolvimento (UFDD), de Mahamat Nouri, União das Forças da Mudança, de Timane Erdimi – sobrinho de Débi –, e UFDD-Fundamental – dissidência da UFDD –, de Abdelwahid Aboud.
É crise num tal Chade! Não há problemas! Não sei onde fica e como não conheço deve ser lá longe, fora do périplo dos grandes campos de golfe!
Milhares estão deslocados de N’Djamena; milhares fogem para países vizinhos. Outras centenas morreram ou foram assistidas em hospitais da capital.
É uma crise no Chade! Não há problemas! Não sei onde fica e como não conheço deve ser lá longe, fora do roteiro dos grandes centros balneares! (...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado n', edição 148, de 4 de Fevereiro de 2008

31 janeiro 2008

Angola mostra à CPLP como é...

"Já há muito que se vinha a falar e escrever que a CPLP precisava de uma televisão que correspondesse às expectativas dos lusófonos quanto às notícias dos seus países, principalmente se estiverem fora deles.
Já há muito que se escrevia e reclamava por um órgão informativo, de preferência televisionado e com alcance global e livre, que nos oferecesse as notícias que gostaríamos de ouvir, mesmo que elas nem sempre sejam as melhores, dos nossos países, nomeadamente, e principalmente, se estivermos fora do nosso meio materno.
Há anos, escrevi que já era tempo do Protocolo de Luanda ser realmente implementado através de uma CPLP-TV, ou, em alternativa, criar um Afro-TV, porque a RTP-África, que recentemente comemorou 10 anos, mais não parece que um canal 2 da RTP Internacional.
" (pode continuar a ler aqui)
Publicado n' , edição 146, de 31-Janeiro-2008, sob o título "Quando Angola pensa a CPLP pula e avança!"

27 janeiro 2008

Será que vale a pena ter a Democracia?

Ainda sobre o caso Kundi Pahiama e a sua oratória na Matala (ver nos comentários parte do discurso reproduzido).

"Ainda que semanticamente Democracia seja, ou queira, ou deveria, significar “povo (Demos) no poder (Kratia)” e que no seu início aristotélico fosse considerada como uma forma de governo injusta em contraponto à “politeia” ou, no latim, “res publica” (coisa pública), supostamente a Democracia representa a forma mais justa, na moderna Ciência Política, de governar e porque quem estivesse a fazê-lo, fá-lo-ia em nome do Povo, pelo Povo e a favor do Povo.

Isto se as circunstâncias da vida política forem as normais.

Todavia, quando um Ministro da Defesa das equatoriais ilhas maravilhosas, por sinal militar e também titular da Ordem Pública nacional, acusa indivíduos, por acaso parlamentares e em pleno Parlamento, de andarem a apoiar uma eventual tentativa de derrube do governo por vias não legais nem democráticas sem fazer provas do que afirmou e manter o seu lugar impune e sem que a Presidência – ou o Governo a que pertence – venha a terreiro questionar estas afirmações e, no caso de falta de provas – que deveriam ter sido feitas no local próprio, Tribunais – demiti-lo e julgá-lo por difamação e alarmismo nacional.

Ou, mais recentemente e um pouquinho mais a sul, quando um pretenso – porque se falou como falou só pode ser pretenso – governante, mesmo que em missão política partidária – ou por isso mesmo – se digna a rebaixar o Povo que quer governar através de um mandato que aquele lhe poderá conferir por via do voto, então pergunta-se se vale a pena ter democracia.

Se no primeiro caso esteve presente a difamação particular – reafirmo que mesmo que verdadeira seriam o Ministério Público e os Tribunais, únicos competentes, que deveriam fazê-la – no segundo caso o eventual insulto tingiu todo um Povo angolano.

E digo eventual porque quero acreditar que o dito governante foi mal interpretado, talvez por deficiências linguísticas de ter passado, assim o penso, muitos anos na mata o que lhe tolheu o desenvolvimento da língua oficial e não-materna. (...)" Continuar a ler aqui ou aqui
Publicado n', edição 143, sob o título "Vale a pena a democracia?" e no sob o título acima.

17 janeiro 2008

Ricardo de Mello, sinónimo de Liberdade

"Há 13 anos, Ricardo de Mello, director do jornal “Imparcial Fax” era assassinado em Luanda. Tal como com outras vozes incómodas, o “móbil do crime” foi furto ou similar, como, por exemplo, “saias”. Só que 13 anos depois as dúvidas continuam e o crime ainda está por ser, clara e inequivocamente, um não enigma.
Tal como Ricardo de Mello, também Mfulumpinga Victor, o então líder do PDP-ANA, foi assassinado à porta do seu escritório, e, tal como Ricardo de Mello, o móbil do crime – hediondo como todos os que são perpetrados como o foram os dos dois – foi o roubo do seu todo-o-terreno, vulgo, jipe.
Entre os dois crimes passaram-se 10 anos. Nos dois crimes, duas vozes incómodas foram silenciadas e ainda hoje as autoridades se escudam no móbil do roubo para não “conseguir” descobrir os verdadeiros culpados. (...)
" (pode continuar a ler aqui)
Artigo publicado n', ed. 137, de 18 de Janeiro de 2008 sobre os 13 anos da morte do jornalista angolano Ricardo de Mello

07 janeiro 2008

Os EUA estarão mesmo preparados para a mudança?

Amanhã, em New Hampshire, haverá o segundo grande teste nas primárias para a presidência norte-americana quer para os democratas quer para os republicanos – estes já tiveram um caucus intercalar em Wyoming onde, desta feita, o vencedor foi Mitt Romney que garantiu 8 dos 12 delegados.
Mas a grande questão continua a ser a hipótese dos democratas escolherem para candidato uma mulher (Hillary Clinton) ou um afro-americano (Barack Obama) embora não se deva esquecer John Edwards.
As previsões, tal como em Iowa, dão Hillary como possível vencedora. Mas, tal como em Iowa, Obama poderá surpreender e sair vencedor (segundo a AFP, e tendo por base o eleitorado feminino, Obama deve ganhar em New Hampshire).
E se isso acontecer será que acreditam que os norte-americanos vão eleger um candidato que, além de ser “afro-americano” (o politicamente correcto para indivíduo não branco, ou caucasiano, nem hispânico, ou latino-americano) é ou parece indiciar ter um apoio que uma larga, larguíssima, franja de apoiantes norte-americanos nunca aceitará ver na 1600 Pennsylvania Avenue?
Ou seja, e tomando como válida a acusação de certos sectores políticos, eventualmente mais moderados, norte-americanos, a maioria dos presidentes que ocuparam aquele reconhecido número de uma conhecida vivenda “Casa Branca” seriam apoiados pelos dólares de uma importante comunidade cuja sede nacional está, e muito bem para raiva de alguns outros povos, numa parte da Palestina.
Isso mesmo, pelos judeus e pelo seu capital.
Por isso pergunto se será possível que um senhor que viveu uma significativa parte da sua vida na maior e mais populosa república islâmica, a Indonésia, e tem como sobrenome Hussein, poderá, alguma vez ocupar a Casa Branca?
Exacto! O pré-candidato Obama, filho de um queniano e de uma norte-americana, chama-se, de seu nome oficial completo, Barack Hussein Obama e nasceu em Honolulu, Hawaii, tendo, parece, sido educado por um padrasto indonésio, que o levou muito novo - entre os 6 e os 10 anos - para a Indonésia.
Por isso, a minha dúvida não só quanto à sua eleição como a quase certeza de um eventual desconhecimento de parte do eleitorado norte-americano sobre as suas raízes onomásticas, tão discreta quanto subtilmente ocultas na sua página de candidatura.
Porque, se assim não for, e os norte-americanos realmente o conhecerem, então acredito que o Mundo vai dar uma grande volta…

Publicado n', ed. nº 129, de 9-Jan-2008, na rubrica "O Mundo dos Outros", sob o título "Clinton e Obama Tiram teimas em New Hampshire"

26 dezembro 2007

E elas voltam de novo

(foto ©DN)

Um ano depois, as cheias voltam ao centro de Moçambique.
Tal como há cerca de um ano, já estão a fazer vítimas além dos elevados prejuízos que acarretam sempre.
Até quando o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades e o Governo vão permitir que as populações continuem a construir nas orlas fluviais e nas zonas de aluvião sempre sujeitas às cheias e às consequências delas inerentes?
Um facto cíclico que parece haver quem o queira manter. E ainda estamos no início do ciclo.
Provavelmente os fundos dados pela caridade humanitária são mais interessantes que as vidas e os prejuízos decorrentes das cheias…
Moçambique não precisa de viver deste artifício. Basta que o INGC e o Governo façam cumprir a lei e, de certeza, que o dinheiro gasto na recolha e realojamento das vítimas será melhor aplicado.
Ou também talvez haja quem se queira aproveitar das cheias para ganhar melhores condições de habitabilidade…

03 dezembro 2007

“Guebuza não quer para si um louro que pertence a Chissano”

Em alusão ao artigo de Eugénio Almeida com título “Política e fisicamente a HCB é nossa, contabilisticamente ela continuará em mãos não-nacionais” , publicado na edição n.º 0111, recebemos a carta da leitora Ludovina Davi que a seguir publicamos na íntegra:
“Bom dia,
A seguinte informação/frase “Guebuza quer para si um louro que pertence, por inteiro, a Joaquim Chissano A passagem da gestão de Cahora Bassa para Moçambique”. É absolutamente falsa, emotiva porque desprovida de fundamentos e oposicionista.
Pf. Opinem com isenção. O louro não pertence inteiramente a nenhum deles. Não sou admiradora de nenhum deles, mas pelo muito que sei deste processo e pelo muito ou pouco? Que vocês sabem deste processo, acredito que estão conscientes de que Guebuza não recebeu o processe concluído e nem lhe foi dado de Bandeja. É Falso.
Cumpts,
LD
”
Nota do Autor: É evidente que a leitora tem razão. Os louros não pertencem nem a um nem a outro.
Mas tão só á falta de visão estratégica de Portugal e da vontade que em Portugal se criou de se desfazer daquilo a que chamavam pejorativamente de “elefante branco”. E este epíteto se deve ao facto de muitos se terem locupletado do HCB. Cahora Bassa foi sempre um prato saboroso que todos se queriam tomar como sua gestão.
Que eu saiba nunca nenhum dos gestores portugueses convidados para a Administração do HCB recusou tal convite.
Nem mesmo quando grassava a guerra em Moçambique. Porque seria?
Quanto à afirmação de que o presidente Guebuza quis para si “para si um louro que pertence, por inteiro, a Joaquim Chissano” mais não é que uma constatação de um facto.
Quando Guebuza recebeu o processo quase fechado, ou seja, só faltava assinar, já Chissano tinha acordado com Portugal a transferência da gestão da HCB.
Se da parte moçambicana há louro para distribuir – e há-os – esses pertencerão por inteiro a “entourage” de Joaquim Chissano que soube negociar a entrega da HCB. Aproveitou-se, sabiamente, das tais falta de estratégia internacional portuguesa e do querer desfazer-se a qualquer custo de um objecto que ainda trazia a um certo sector português a imagem de um Portugal Colonial – o complexo da esquerda portuguesa de que nunca se libertará – e o facto dos milhões de dólares entregues servirem para Portugal minimizar a sua dívida externa e o respectivo rácio.
Em qualquer dos casos foi bom terem questionado a matéria. Sinal que estão atentos e que o O Observador é lido com ponderação crítica.*
* in O Observador, edição 113, de 3-dez-2007

28 novembro 2007

HCB será que mudou mesmo alguma coisa?

E aqui estão algumas das respostas às questões anteriormente apresentadas sobre a passagem do testemunho da HCB de Portugal para Moçambique:

"«Ela é mesmo nossa!»
Foi assim em Songo que Guebuza lembrou aos moçambicanos que a gestão da Barragem de Cahora Bassa passou, maioritariamente – 85% do capital social –, para as mãos de Moçambique (os restantes 15% continuarão nas mãos de Portugal, até ver; perante a falta de visão estratégica portuguesa e a necessidade mercantilista de diminuir a qualquer preço o seu défice não surpreenderia que Portugal vendesse essa parte a quem lhe der alguns Euros…).
Foi assim que Guebuza afirmou que Moçambique estava a sair, pela segunda vez, do jugo estrangeiro no País.
Guebuza quer para si um louro que pertence, por inteiro, a Joaquim Chissano. A passagem da gestão de Cahora Bassa para Moçambique!Mas Guebuza não esclareceu como pensa manter a gestão da Barragem que, como muito bem relembrou Afonso Dhlakama se Moçambique recebeu política e fisicamente a Barragem, contabilisticamente ela continuará em mãos não-nacionais. (...)
" (continuar a ler aqui).
Publicado n', edição 111, de 29-Novembro de 2007, sob o título " Política e fisicamente a HCB é nossa, contabilisticamente ela continuará em mãos não-nacionais"

24 novembro 2007

Exército privado ou pretensa desestabilização?

(não confundir; estas são mesmo as FAA em parada)

Não sei se a notícia que a seguir analisarei, ou disso, tentá-lo-ei, é deste fim-de-semana ou do outro.
Eu explico. O fim-de-semana passado estive fora destas lides e destes magníficos suportes a que se chama “novas tecnologias”. De imprensa só a escrita e, mesmo essa, nem toda.
Durante a semana estive em diferentes Conferências e Seminários que me tolhiam o acesso às informações menos imediatas. Por esse facto só hoje, e com calma pude constatar a notícia que não posso garantir ser recente dado que o portal de onde ela foi respigada, por vezes, está uma semana sem actualizações.
Verifiquei que em outros portais angolanos e lusófonos e nada foi escrito ou dito. Daí que a confirmar-se o destaque do “Angolense” foi aquilo que os jornalista chama de “cacha” ou, então, é terreno tão pantanoso que o medo imperará muito mais fortemente que o interesse da notícia.
A citada notícia saída da pena da editora-chefe Suzana Mendes, sob o título “
Força marginal desmantelada em Luanda pode ter 3.000 homens registados” e o sub-título “O comandante das forças tinha planos para executar um golpe de Estado” aborda um pretenso grupo paramilitar privado ilegal denominado Forças Armadas de Segurança Estratégica de Defesa de Angola (FASEDA), liderado por um antigo “militar do extinto ELNA (Forças Armadas da FNLA) e das Forças Populares de Libertação de Angola (FAPLA)”. Segundo afirma o Angolense terá sido um “trabalho aturado do departamento de investigação criminal da Polícia Nacional (PN) levou ao desmantelamento dos cabecilhas de um exército paralelo” e à detenção de cerca de 60 indivíduos dos tais pretensamente 3000 operacionais que o líder da tal Faseda teria disponível desde 2002 para levar a efeito eventuais desmandos, nomeadamente um possível Golpe de Estado que, para o qual, contaria com a colaboração e apoio de eventuais países vizinhos.
De acordo com o Angolense entre os tais pretensos vizinhos fala-se da África do Sul – também se falava dela no caso Miala – mas penso que a confirmar-se esse pretenso apoio não se deverá descartar uma R.D.Congo que tem mantido, ultimamente, algum resfriado nas relações com Luanda – sabe-se lá porquê?...
Por outro lado a PN tem mantido um certo segredo no assunto e nas investigações iniciadas em 9 de Setembro devido a uma detenção feita junto de um “
cidadão com uniforme das Forças Armadas Angolanas, que estava mal uniformizado, algo que é punido no quadro do regimento interno” e que quando “foi abordado, apresentou como identificação um cartão” da tal força paramilitar; os homens da PN estão a ser “muito cautelosos na divulgação de dados para não "espantar a caça"”.
É que de acordo com a articulista, e citando fontes da PN, o objectivo da organização paramilitar seria chegar aos “
9.000 homens”, tendo sido apreendidos “diverso material bélico como 7 armas de fogo (3 AKM), 3 carregadores, 36 munições diversas, assim como dois computadores, 2 impressoras, vários pares de uniformes em uso nas Forças Armadas Angolanas, para além de passes de identificação.”
Claramente um exército privado bem estruturado como se pode ler no referido artigo. Um exército com patentes militares como as das FAA, mas onde a patente mais baixa era de capitão, e com conselheiros importantes e com “
ainda manuais de instrução e de propaganda” presumindo-se que possa haver campos de treino já que, periodicamente, a força paramilitar realizava “paradas regulares, tinha um regulamento interno e uma estrutura hierárquica clara (com generais, brigadeiros e coronéis, por exemplo), à semelhança do que acontece num exército regular”.
O espantoso foi como o assunto foi finalmente despoletado ao fim de dois meses de investigações. Conseguiram-no devido a uma avaria do automóvel do pretenso líder em plena estrada entre Viana e Luanda e quando se preparavam para o deter em casa…
É certo que esta pretensa Faseda já seria conhecida de outras andanças pelo facto do seu líder parece ter estado ligado ao batalhão Búfalo e ter mantido reuniões com antigos comandos portugueses. Por isso se estranha só agora estar tão evidenciada a notícia que, ainda assim, não deixa de ser alarmante pelos contornos que evidencia.
Esperemos que o assunto vá até às últimas consequências e não seja um motivo para adiar as eleições legislativas – ainda não oficialmente marcadas, em Angola, como deverá ser e não no estrangeiro – e quando já se fala em eleições autárquicas.

NOTA: Texto igualmente publicado n', edição 109, de 27 de Novembro, sob o título "A existência de exércitos privados poderá ser pretexto para adiar as eleições angolanas"

23 novembro 2007

Cabinda - É hora da Presidência da República colocar um ponto final aos desmandos

"É ponto assente e disso faço questão de reafirmar. Tal como aceito aqueles que defendem o contrário.
Ou seja, para mim, Cabinda é uma província angolana, embora pela sua especificidade territorial mereça ter um estatuto especial como prevêem os diferentes acordos até agora assinados.
Isto na livre suposição que quando duas entidades assinam documentos de livre vontade sejam “acordos” e não documentos imposto. Eu, pelo menos, quero acreditar que tem sido assim.Mas quando acontecem casos como o de Raul Danda, ou, mais recentemente, a prisão do correspondente da Voz da América, em Cabinda, sob a estapafúrdia acusação de fomentar uma rebelião no Enclave, então a situação do país fica em xeque. (...)" (pode continuar a ler aqui)
Publicado n', edição 106, de 22-Novembro, sob o título acima.

NOTA: Este texto foi elaborado na altura em que escrevi o apontamento "Cabinda é Angola, mas..." e por razões de edição só agora foi publicado.
Entretanto saúde-se o excelente Seminário que hoje decorreu na Sociedade de Geografia de Lisboa sobre Cabinda, "Cabinda, os caminhos para a Paz", levado a efeito pela Associação Tratado de Simulambuco-Casa de Cabinda que contou com a presença de oradores tão ilustres quanto política e sociologicamente diferenciados mas imbuídos na análise social de um problema que se chama Cabinda, destacando-se, entre outros, a presença de Alcides Sakala (líder parlamentar da Unita), Justino Pinto de Andrade (professor universitário e actualmente um militante do MPLA na reforma política), Joel Batila (médico cabinda e líder de uma associação de refugiados), Luís Araújo (da SOS Habitat), Filomeno Vieira Lopes (presidente da Frente para a Democracia), o padre e professor Raul Tati e Eduardo Welsh (representante da UNPO).

21 novembro 2007

Castigo de Deus ou Vingança?

(Carlos Cardoso; imagem BBC)
O artigo que se segue, publicado hoje n' O Observador, relembra o 7º aniversário da morte do jornalista Carlos Cardoso, que se recorda em 22 de Novembro, em contraponto ao triste passamento de Nyimpine Chissano que, como muito bem relembrou e destacou o Director-Executivo d' O Observador, ficou agora privado de poder provar a sua inocência na morte de Carlos Cardoso.
Tal como em Portugal, a antiga potência colonial, a ex-colónia aprendeu um mau hábito; deixar a Justiça correr por tempo indeterminado ao ponto de, por vezes e por via do Destino, não haver quem faça a Justiça ou o arguido não poder fazer prova de auto-inocência.
O caso paralelo de Nyimpine, que decorria nos Tribunais, já se arrastava há uns bons anos e, com isso,...

"Nyimpine jamais poderá provar a sua inocência no execrável acto de cobardia que foi o assassinato de CC
Há cerca de 7 anos uma figura incómoda por aquilo que dizia e escrevia foi barbaramente silenciada. Sete anos depois ainda perduram dúvidas quanto aos reais motivos por que Carlos Cardoso foi assassinado e quem, realmente, esteve por detrás do terrível e inaudito acontecimento.
Nestes sete anos, onde o jornalismo moçambicano floresceu, aconteceram diversos acontecimentos. Entre eles o julgamento dos supostos assassinos – pelo menos foi provado em tribunal os actos perpetrados – mas nunca o que, realmente, esteve por detrás do acto.
Relembremos que durante o julgamento os confessos assassinos – pagantes e executores – terão afirmado que o mandante efectivo teria sido uma personalidade próxima do poder, embora desde sempre se tenha pautado pró estar fora do mundo da política e dos holofotes do mundanismo mas reconhecido por maus-fígados no que toca a relações com a comunicação social a quem, não poças vezes, terá acusado de fazer mal a si e á sua família. Segundo os arguidos o tal mandante terá pago cerca de um milhão de meticais para que o arguido “pagante” Momed Abdul Satar «Nini» entregasse ao principal suspeito do assassínio, o “executor” Aníbal dos Santos Júnior «Anibalzinho» para a realização do acto.
Quando perfazem quase sete anos do assassinato de Carlos Cardoso, o sempre referenciado mandante que também sempre se escusou, com clareza, rejeitar a autoria intelectual do acto, morre vítima de ataque cardíaco na República da África do Sul. (...)
" (continuar a ler aqui)

Publicado n', edição 105 de hoje, sob o título "Castigo de Deus ou a vingança do fantasma de Carlos Cardoso".

14 novembro 2007

"O Observador", e venham mais 100

"Desde que o Homem aprendeu a se conhecer que houveram factos que o caracterizaram. À partida, e desde logo, a capacidade de se tornar interlocutor e comunicar entre si.
Mas outros, não menos importantes, igualmente acontecerem.
Um, e talvez dos primeiros, terá sido o descobrimento do efeito do fogo que tanto o protegia do frio como lhe permitia melhor saborear a comida.
O outro poderá ter sido o descobrimento da roda que lhe permitia mover objectos volumosos e pesados entre dois ou mais pontos e fazer trocas entre si.
Um outro, e este talvez derivado do anterior, foi ter conseguido ser comerciante e por via disso inventar um sistema interessante. Hoje em dia ser comerciante exige alguns determinados requisitos como, por exemplo, falar, escrever e apontar. Ora o comerciante dos primórdios do Homem já se comunicava mas não necessitava de escrever. Isso só iria ser necessário descobrir largos anos depois quando alguns decidiram que a transmissão oral da História cansava e tolhia a sua capacidade para outros fins, como a caça, a guerra ou o divertimento – cada um diverte-se como sabe.
Pois o que o Homem descobriu foi o número!" (continuar a ler aqui o que aqui está citado)
Publicado na edição 100 d', de 14 de Novembro de 2007, sob o título "Que venham mais 100 Obs"

11 novembro 2007

E lá vão 32 anos


Há 32 anos, Angola, numa difícil noite de 11 de Novembro de 1975, ascendia à sua independência como Estado e como uma República embora politica e militarmente dividida mas unida na mesma génese: a Liberdade.
Comemoremos pois mais um dia da Dipanda e esperemos que os nossos políticos meditem sobre o dia de hoje e se lembrem que os Angolanos só pensam numa única cláusula, por sinal a maior delas todas, como pessoas, como cidadãos e como Mulheres e Homens: ANGOLA.
É preciso que se realize duas das estrofes do Hino de Angola: "Honramos o passado e a nossa História, / Construindo no Trabalho o Homem novo" para que se cumpre "Pátria Unida, Liberdade, / Um só povo, uma só Nação".

ADENDA: No âmbito dos 32 anos da Dipanda ver artigo no /“Colunistas”, sob este mesmo título, e n’ sob o título “Angola (ainda) não honra o seu passado nem a sua História” que pode aceder através daqui.

01 novembro 2007

Cimeira UE-África, em Dezembro, esquece Marrocos?

Os dirigentes das União Europeia e Africana acordaram nos termos que deverão ser efectuados os convites para a Cimeira UE-África e a quem deverão endereçar os convites.
De acordo com o Ministro dos Negócios Estrangeiro português e Presidente em exercício da União Europeia, Luís Amado, todos os presidentes e chefes de governo da União Africana e da União Europeia irão ser convidados.
E Luís Amado, em Accra, reafirmou e sublinhou: todos os Presidente e Chefes de Governo da União Africana, incluindo Zimbabué, e da União Europeia.
Acho bem! mesmo que certos estômagos venham a padecer de uma certa azia…
Só não concordo que se exclua um dos principais países africanos e, por sinal, um dos mais próximos da Europa e o país africano mais próximo de Portugal: Marrocos.
Provavelmente a encefalopatia do Palácio das Necessidades – sede do MNE português – deve desconhecer que o Reino de Marrocos não faz parte da União Africana conforme a imagem, ao lado, e desde que a OUA, predecessora da União Africana, começou a aceitar a presença da RASD-Frente Polisário no seu seio.
Por uma vez, não seria mais interessante e mais correcto que os senhores do Palácio das Necessidades começassem a ter mais respeito pelo seu ministro e o instruíssem melhor para evitar lapsos linguísticos e diplomáticos como o que Luís Amado, e por mais de uma vez, proferiu junto dos órgãos de Comunicação Social?
É que há certos lapsos diplomáticos que são perigosos, principalmente quando no País “desprezado” está a emergir uma forte corrente islamita e está a uma simples travessia aérea ou de ferry-boat para Espanha e, em tempos, para Portugal…
Igualmente publicado n' , edição 094, de 6-Novembro-2007

O mestre e o pupilo

"José Eduardo dos Santos visitou, durante 2 dias a República de Moçambique e o seu presidente Armando Guebuza. Ou seja, o Mestre foi ver com se estava a portar o Pupilo na condução do país dos Mambas.
Por outras palavras, aquele que está habituado a tudo mandar, a tudo ter, e nada de si distribuir, foi ver como estava aquele que, em tempos, afirmou que no seu Pais, jornalista que quisesse fazer certas e inconvenientes perguntas, que ele não tolerasse, teria um certo destino; qualquer coisa como o que teve Carlos Cardoso. (...)
" (continuar a ler aqui)
Publicado n', edição 91, de 1 de Novembro de 2007.

Nota: Aconselho a leitura do excelente comentário de Uabalumuka no apontamento "E vão três...", principalmente quando realça que Eduardo dos Santos declara que vão ser "convocadas" e não afirma, clara e explicitamente, que vão ser "efectuadas"...

24 outubro 2007

Em Moçambique manda ele e já o tinha alertado...

Depois de ler uma interessante análise que Orlando Castro escreveu na sequência da outorga do prémio da Mo Ibrahim Foudation, a Joaquim Chissano, e o contraponto que é este estadista com o seu sucessor, não posso deixar de considerar oportuna e quase profética aquela análise depois de ler o artigo abaixo que vai sair na edição 085, de amanhã, d’ O Observador.