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24 novembro 2017

Angola e as Investigações Judiciais em Portugal e Espanha: Dois Pesos, Duas Medidas - Artigo

Um texto sobre as diferenças, ou não, de tratamento por parte de Angola entre a questão Mercasa (espanhola) e Manuel Vicente (portuguesa); ler o meu texto condensado no portal do África Monitor, em 22 de Novembro de 2017

Segundo o jornal espanhol, El Mundo, uma empresa pública espanhola, Mercasa, terá feito uma donativo de mais de 10 milhões de euros à Fundação do ex-presidente de Angola José Eduardo dos Santos - a FESA. Curiosamente a investigação da Fiscalía Anticorrupción e da Audiencia Nacional, no âmbito da «operación Trajano», identificou, ainda, o pagamento de comissões a um outro digníssimo representante da CPLP, do agora detentor da mais da longa presidência em África, Teodoro Obiang, presidente da Guiné-Equatorial.

A comissão alegadamente paga por Mientras, então presidente da Mercasa, terá sido de 2% sobre um valor, que rondaria os 533 milhões de euros, devidos por um concurso, em que a Mercasa, entrou para a construção de um mercado abastecedor, em Luanda. Ora, segundo os advogados da empresa, sob investigação judicial, afirmam que não terá sido pago tanto dinheiro, dado que parte do contrato terá sido cancelado; ainda assim, e segundo as autoridades espanholas, mesmo num cenário mais modesto, a comissão nunca poderá ter sido inferior a 6 milhões de euros.

Ressalve-se que a FESA, no seu direito contestatório e de defesa, já afirmou que nada, do que está a ser ventilado, será verdade. Segundo a FESA, nunca lhe foram pagos 10 milhões de euros, considerando as «noticias de “falsas e difamatórias”. Os advogados da Mercasa também o confirmam; só uma porção, porque parte do contrato terá sido anulado.

25 junho 2009

Taça das Confederações, ninguém avisou a Espanha?

(imagem daqui)

A soberba nunca foi boa conselheira e no desporto, em geral, e no futebol, em particular, como dizia uma antigo futebolista português, previsões só no final do jogo.

Foi o que parece ter acontecido à Espanha que davam, pelo menos os seus jogadores, ou aqueles que tiveram direito a falar à comunicação social, como certa a final e, em princípio, para eles certo, com o Brasil.

Pelos vistos, o departamento técnico espanhol não lhes mostrou como os norte-americanos tinham eliminado a selecção sensação que nas vésperas tinham derrotado a campeã mundial Itália.

Quando as vitórias chegam demasiado alto e queda na realidade é, quase sempre, catastrófica que, por razões da conclusão da minha Tese não pude ver e apreciar. Daí os 2-0 com que o seleccionado do Tio Sam despachou os “manolitos” e espera, agora, pelo jogo entre os “bafana-bafana” e os canarinhos latino americanos…

11 abril 2009

Viagens 1 - Visita a Sevilha



Por vezes há e temos necessidade de espairecer e dar novas imagens ao espírito.

Por isso, no passado fim-de-semana e aproveitando que os espanhóis começavam as férias da Semana Santa, nada como dar um pequeno passeio a Sevilha e palmilhar nos dois dias de 3 e 4 de Abril a zona central e fluvial da capital andaluz.

Deliciem-se com as fotos acima obtidas via telemóvel Nokia (ou vejam em tamanho maior aqui ou aqui).

07 abril 2009

Duas concepções de como casar a cidade e o seu rio…

(Sevilha, junto à Torre de Oro com barcos para passeios no rio Gualdiquivir de 30 em 30 minutos; foto ©Elcalmeida, 2009)

Há aqueles que acham que o Rio é da Cidade e a Cidade – leia-se, os cidadãos – deve conjugar o verbo “amar” com o Rio através de margens livres para peões, bicicletas e passeios ribeirinhos e imensa canoagem…

(Uma das imagens do Porto de Lisboa e das dos muitos Kms em que Lisboa beija o Tejo; imagem daqui)

E há os outros que acham que o Rio e a Cidade devem estar separados por contentores e outros “imóveis” obscuros e ocultantes.

04 março 2009

Parece que produzir mais é um erro…

(jornais históricos que padecem da mesma doença: “aumento de vendas!”; montagem via Internet)

O Jornal de Notícias (JN), órgão de Comunicação Social onde tive a honra de ver publicados alguns comentários meus sobre assuntos internacionais, nomeadamente sobre a Lusofonia, publica uma notícia que pelo seu conteúdo faz crer que produzir mais é um contra-senso e inoportuno.

Recorde-se que o JN, tal como o Diário de Notícias, o Jogo, a TSF e alguns jornais regionais pertence ao grupo Controlinveste que terá despedido cerca de 119 funcionários, entre jornalistas e alguns não-jornalistas.

E por essa razão, os seus funcionários
estarão hoje em greve. Veremos, amanhã, como sofreu a qualidade destes órgãos comunicacionais; se sofreu, porque, honestamente, duvido que tenham aderido à mesma. Tirando alguns “génios” (desculpem o insulto – aos génios, claro) que estão sentados no poder em Portugal, todos reconhecem que a crise económica e social é enorme e que o desemprego é preocupante, quase desmesurado, pelo que…

Recorde-se, também, que os jornais deste grupo económico foram dos que registaram mais subidas de vendas no ano de 2008, na senda, se bem me recordo, de anos anteriores.

Ou seja, produziram mais mas verificam-se despedimentos por razões de gestão e económicas. Estanho, mas…

Quanto
à notícia em questão, a mesma prende-se com um despedimento quase colectivo – ficaram-no pela metade – de jornalistas e outros funcionários do espanhol ABC.

Tal como o JN, também o "ABC", do grupo Vocento, vai despedir por razões de gestão e económicas e, tal como o JN, também o ABC registou uma subida nas vendas, nomeadamente no passado mês de Janeiro em 14,2%.

Realmente algo não parece estar bem estudado na Península Ibérica.

Ou os economistas ibéricos estão todos desfasados, e temo por isso porque uma familiar minha formou-se em economia o que me deixa apreensivo quanto à qualidade de ensino na Ibéria, ou os gestores destes dois grupos andam mal assessorados.

É que com aumentos de vendas verificam-se despedimentos… das duas, uma, ou os números de vendas estão errados e aqui cabe às autoridades verificar quem está a manipular as estatísticas, ou produzir na Península Ibérica é um erro tremendo…

03 junho 2008

Algarve ou Allgarve? em que ficamos?...

"Como é uma questão de lusofonia, ou seja, de linguagem de matriz lusófona, aqui fica uma reflexão para um eventual debate.

O deputado social-democrata Mendes Bota
questionou o Governo português sobre o que este está a fazer quanto à utilização indevida, segundo o deputado, da palavra Algarve por parte dos espanhóis.

Segundo o deputado português, eleito pelo círculo eleitoral da província mais austral de Portugal, uma empresa – ou entidade – de Ayamonte está a publicitar (ou propagandear – antigamente em técnica de vendas, chamava-se, propaganda e não publicidade –, agora…) um campo de Golfe com o estando inserido no Algarve espanhol.

Ora o deputado português considera uma apropriação inaudita, ou utilização abusiva, esta atitude espanhola e, embora considere os dois países ibéricos irmãos – ele lá sabe porquê – quer manter a actual linha fronteiriça " por mais algumas centenas de anos".

Para o deputado português não faz sentido que os promotores chamem de Algarve Espanhol como nunca faria sentido que se propalasse uma Andaluzia Portuguesa. (...)
" (continuar a ler aqui ou aqui).
Publicado na rubrica "Lusofonia" do , de hoje, sob o título "Algarve ou Allgarve?"

12 março 2008

Portal senegalês inventiva emigração clandestina

(embarcação “cayuco” com clandestinos chegando a Tenerife, Canárias; imagem Reuters/El Pais)

De acordo com o jornal espanhol El Mundo, um portal senegalês, reconhecido pelo incentivo que faz à emigração clandestina para a Europa, afirma que Espanha é o melhor destino para a emigração senegalesa pelo menos nos próximos 4 anos em Governo socialista porque, segundo aquele portal citado pelo periódico espanhol, Zapatero “facilite mucho la obtención de permisos de residencia a los senegaleses”.
Ainda de acordo com o El Mundo o portal senegalês explica como poderão chegar às Ilhas Canárias e, daí, entrar em Espanha onde, pela sua situação na União Europeia, os senegaleses – e por extensão todos os africanos que partem do Senegal – poderão circular livremente no espaço europeu.
Como há grandes empreendimentos a decorrer, é natural que se precise de mão-de-obra menos qualificada – leia-se mão-de-obra barata para fazer o que os gentios não o querem fazer –, logo, há que receber os clandestinos.
Ainda bem que a hipocrisia ainda não mata…
Talvez assim, Portugal possa, e pela mesma dupla razão – imunidade à hipocrisia e a construção do TGV, Aeroporto de Lisboa, auto-estradas, etc. –, começar a colocar menos entraves na entrada de imigrantes palopianos – que raramente são clandestinos – de uma organização linguística de que faz parte e que o seu presidente ainda recentemente considerou de se implementar para bem de todos os países que dela fazem parte. Cavaco Silva, referia-se à CPLP que, parece pensar ainda existir. Só se for no Brasil, onde ainda parece haver objectivos e ideias…

14 dezembro 2007

Em dia de Tratado Reformador, uma anedota luso-espanhola…

Um português estava calmamente sentado a tomar o seu café da manhã quando um espanhol, a mastigar pastilha elástica, se senta ao seu lado. O português ignora o espanhol, que não se conforma e começa a puxar conversa:
Espanhol: - Comes esse pão inteirinho?
Português (de mau humor): - Claro.
Espanhol: - Nós não. Nós comemos só o miolo, a côdea juntamos num contentor depois processamos, transformamos em croissants e vendemos para Portugal.
O Português ouve calado.
O Espanhol insiste: - Tu comes esta geleia com o pão?
Português: - Claro.
Espanhol: - Nós não. Nós comemos frutas frescas com o café da manhã; mandamos todas as cascas e sementes para contentores, depois transformámos em geleia e vendemos para Portugal.
Português: - E o que é que vocês fazem com os preservativos depois das relações sexuais?
Espanhol: - Deitamos fora, claro!
Português: - Nós não! Vamos guardando tudo em contentores, processamos, transformamos em pastilhas elásticas e vendemos para Espanha.
… e viva a União Europeia…Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

28 agosto 2007

Garzón e uma cooperação mista jurídica

O confrade “O Jumento”, creio ser a primeira vez que o faço, mas que sem aqui o citar é de leitura obrigatória pelo humor e pelas incisivas setas que dispara, escreve hoje sob o título GARZÓN ESTÁ A IR LONGE DEMAIS, o que segue
“Aceita-se que Portugal colabore, dentro de determinados limites, com o combate ao terrorismo em Espanha, compreende-se que um magistrado espanhol considere que essa colaboração é indispensável, admite-se que esse magistrado proponha ao governo espanhol que solicite a colaboração portuguesa usando os canais próprio. Mas são inaceitáveis os termos em que o juiz Garzón, não lhe cabe fazer propostas envolvendo as polícias portuguesas, a sua magistratura acaba na fronteira, a partir daí coloca-se uma questão de soberania, não cabendo aos magistrados substituírem-se aos canais diplomáticos.”
Só que desta vez não concordo, na totalidade, com o Jumento. O juiz Baltazar Garzón mais não fez do que limitar-se a levar à letra a proposta de Saramago e de um iberista Ministro do actual Governo “Autónomo” de Portugal: Isto ainda vai ser – é!! – uma grande Ibéria!!!!

09 janeiro 2007

Se a desfaçatez pagasse imposto…

(foto ©EFE/lasprovincias)

«“ETA reivindica atentado Barajas, mas diz cessar-fogo em vigor”
O grupo terrorista basco ETA reivindicou hoje a autoria do atentado contra o aeroporto de Barajas, em Madrid, mas afirma que o cessar-fogo permanente iniciado a 24 de Março de 2006 «continua em vigor».”
»

Comentário: Pelo que se vê a Batasuna tem muito poder… ou será ela quem tem mesmo o poder decisório final? Reparem que a assumptividade do acto foi menos de 24 horas depois do líder do Batasuna ter proferido as declarações públicas de manutenção das tréguas sem, contudo, condenar o atentado de Barajas.

07 junho 2006

A primeira partilha do Mundo Moderno

(painel do Museu da Marinha)

A 7 de Junho de 1494, foi assinado aquele que se pode considerar o primeiro acto de clara partilha geopolítica do Mundo moderno entre duas superpotências: o Tratado de Tordesilhas.
O Tratado de Tordesilhas (Tordesillas, localidade espanhola da comunidade autónoma de Castela e Leão) foi definido por um meridiano situado a 370 léguas a oeste de Cabo Verde que determinava que as terras à sua esquerda seriam dos espanhóis e os territórios à direita, que incluía o Brasil, como se verificaria mais tarde, seriam de Portugal.
O acordo também assegurava o domínio português sobre o Atlântico Sul.
E contou com o beneplácito de uma terceira hiperpotência, a Igreja Católica, e aceitação táctica dos ingleses e franceses que estavam exangues por via de conflitos internos e externos.

29 maio 2006

O iberismo Olivençal

Enquanto ministros – e outros intelectuais ou pseudo-como-tais – manifestam uma forte atracção pelo Iberismo – e eu também começo a senti-lo quando vejo os impostos mais baixos, bem assim os preços dos combustíveis e dos veículos, do outro lado da fronteira – recebi do Grupo de Amigos de Olivença (GAO), via e-mail, esta epístola que, pela oportunidade – sem temer que me acusem de “tuga” – não posso, e com a devida vénia, deixar de colocar parte da mesmo:
“A Questão de Olivença é reportada pela CIA (“The World Factbook")
O Relatório Informativo da
CIA de 2006 (“The World Factbook") dá notícia do litígio que opõe Portugal e Espanha a propósito de Olivença:
«Disputes - international: Portugal does not recognize Spanish sovereignty over the territory of Olivenza based on a difference of interpretation of the 1815 Congress of Vienna and the 1801 Treaty of Badajoz»
O assunto é explicado por Carlos Luna (membro da Direcção do GAO), em artigo que se transcreve:
AS HESITAÇÕES DA C.I.A.
Tudo começou em 2003. A instituição norte-americana C.I.A. publica, desde há muito, uma espécie de relatório anual, o "The World Factbook", agora na "Internet". Esse relatório, actualizado anualmente, contém dados de todo o tipo sobre todos os países e territórios do mundo. Como estatística. Não se trata de uma selecção com intuitos políticos, ainda que, como sabemos, nada seja neutro neste mundo.
No que toca a disputas territoriais, eram assinaladas mais de 160, incluindo discordâncias fronteiriças entre o México e os próprios Estados Unidos. O que era novidade era a inclusão de mais uma disputa. De facto, lia-se, no que a Portugal dizia respeito: "Portugal tem periodicamente reafirmado reivindicações sobre os territórios em redor da cidade de Olivença (Espanha)".
Claro que, no que a Espanha se referia, também era assinalada a disputa:"Os habitantes de Gibraltar votaram esmagadoramente em referendo contra o "acordo de total partilha de soberania" discutido entre a Espanha e o Reino Unido para mudar trezentos anos de governo da colónia; Marrocos protesta contra o controle espanhol sobre os enclaves costeiros de Ceuta, Melilla, o Peñon de Velez de la Gomera, as ilhas de Peñon de Alhucemas, as ilhas Chafarinas e as águas circundantes; Marrocos rejeita também o traçado unilateral de uma linha média a partir das Canárias em 2002 para estabelecer limites à exploração de recursos marinhos e interdição de refugiados; Marrocos aceitou que os pescadores espanhóis pescassem temporariamente na costa do Sahará Ocidental, depois de um derrame de crude ter sujado bancos de pesca espanhóis; Portugal tem periodicamente reafirmado reivindicações sobre os territórios em redor da cidade de Olivenza (Espanha)".”
(…)As reacções em Espanha, todavia, excederam o compreensível. Vários jornais noticiaram que a C.I.A. comparava Olivença a Caxemira e a Gaza, e davam a entender que a C.I.A. via movimentos terroristas (?) na Terra das Oliveiras. Chegou-se ao cúmulo de se fazerem entrevistas com autoridades locais, que troçaram da estupidez da C.I.A. e desafiaram os seus agentes a procurar terroristas por aqueles lados.(…) A C.I.A. reformulou o seu relatório, e, no que toca a Olivença, 2004 viu surgir a espantosa afirmação de que "alguns grupos portugueses mantêm reivindicações adormecidas sobre os territórios cedidos a Espanha em redor da Cidade de Olivenza".
(…)Em 2005, desaparecia do relatório da C.I.A. qualquer referência a Olivença. Portugal, no que toca a disputas/reivindicações internacionais, surgia classificado com um "none" (isto é, "nenhuma"; uma só palavra...talvez para poupar espaço...
(…)Felizmente, em 2006, a situação foi recolocada em termos, em geral, correctos. Decerto "alguém" do Estado Português, verificando o erro, se deu ao trabalho de informar a C.I.A. de que Portugal mantém mesmo reservas sobre a soberania espanhola em Olivença. Recorde-se que esta questão ganhou nova importância com o Alqueva, dados os problemas ligados à posse das águas no Guadiana.
Assim, desde Maio de 2006, pode-se ler na "CIA Homepage", sobre Portugal, no que toca a disputas internacionais, o seguinte: "Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre o território de Olivença com base numa diferença de interpretação do Congresso de Viena de 1815 e do Tratado de Badajoz de 1801."(…)"em 2003, os habitantes de Gibraltar votaram esmagadoramente, por referendo, a favor de permanecerem como colónia britânica, e contra uma solução de "partilha total de soberania", exigindo também participação em conversações entre o Reino Unido e a Espanha. A Espanha desaprova os planos do Reino Unido no sentido de dar maior autonomia a Gibraltar; Marrocos contesta o domínio da Espanha sobre os enclaves costeiros de Ceuta, Melilla, e sobre as ilhas Peñon de Velez de la Gomera, Peñon de Alhucemas e Ilhas Chafarinas, e as águas adjacentes; Marrocos funciona como a mais importante base de migração ilegal do Norte de África com destino a Espanha; Portugal não reconhece a soberania espanhola sobre o território de Olivença com base numa diferença de interpretação do Congresso de Viena de 1815 e do Tratado de Badajoz de 1801."
”

Esta longa epístola poderá ser lida, na íntegra, no sítio do GAO.

20 maio 2006

Portugal é do Terceiro Mundo?

(foto de satélite daqui; realmente só com riscos - têm de aumentar a imagem para os ver - se separa Portugal de Espanha, porque da França os Pirinéus mostram a separação)

"A Espanha lançou uma ofensiva diplomática contra a imigração ilegal. Confrontado com uma vaga de clandestinos desde o início do ano, que ameaça bater todos os recordes, o executivo de Madrid tenta resolver o problema na origem…
Maria Teresa Fernandez de la Vega, vice-presidente do governo, explica que a Espanha "é um país do Primeiro Mundo que faz fronteira com o Terceiro Mundo. A escassas milhas encontra-se o continente mais empobrecido, o mais esquecido e o menos atendido
"(in: Notícias Lusófonas)

Tudo isto porque a Espanha quer conter a imigração clandestina tendo, inclusive, arrendado um satélite para controlar as migrações clandestinas.
Até aqui tudo natural num país que deseja salvaguardar as suas fronteiras políticas.
O que já não se entende bem são algumas das palavras da vice-presidente do Governo de Zapatero que a Espanha é um “país do Primeiro Mundo que faz fronteira com o Terceiro Mundo”. Se bem entendo Portugal e França serão países do Terceiro Mundo já que são eles que têm fronteiras com a Espanha. As Canárias, são ilhas e Ceuta e Mellila são enclaves num país, Marrocos, que até tem relações privilegiadas com a União Europeia.
Querem ver que deverá ser só a França.
É que me esquecia que Portugal faz parte do iberismo… embora Portugal esteja dentro do “mais empobrecido e menos atendido…”

24 março 2006

ETA entra hoje no jogo democrático?

"Euskadi Ta Askatasuna ha decidido declarar un alto el fuego permanente a partir del 24 de marzo de 2006."

Em princípio a Espanha, em geral, e o povo basco (dos dois lados da fronteira porque muitos esquecem que o País Basco está dividido entre a Espanha, cerca de 2/3, e França), em particular, passarão a deixar de contar com o seu pior carrasco, enquanto fazedor de terror.
Com o pragmatismo que, nestes casos, se deve abraçar e não entrando na fácil euforia que alguns já se alardeiam, mas também não esquecendo que haverão alguns quantos milhares que, pelas mais diversas e justas razões, não olvidarão o terror e os danos colaterais que o mesmo implicou nem o sofrimento ou o medo do dia seguinte, é igualmente verdade que muitos sentir-se-ão aliviados pelo fim real do terror que o mesmo possa trazer.
Se, alguns como eu, crêem que, embora não esquecendo os crimes de sangue – alguns bem desnecessários – se deve, também, dar uma oportunidade à Paz, e aqui tomo a liberdade de citar O. Sanchez, no seu interessante “dias estranhos” referindo-se à frase, em itálico, que inicia este apontamento “… a frase que levábamos anos desexando escoitar foi pronunciada por fin hoxe. É a primeira dun comunicado inequivocamente esperanzador, escrito cunha prudencia inusual na banda terrorista, afastada esta vez dos rexistros histéricos doutras ocasións. Nunca está de máis a cautela, pero teño para min que o de hoxe xa non ten volta atrás [por outro lado O. Sanchez relembra, e muito bem, que] … o governo que español non é a mesma tropa de resentidos de hai uns anos, o mundo cambiou bastante neste tempo (e o 11-M aínda fica no recordo de todos), e se o chamado MLNV quere sobrevivir politicamente debe dar pasos decisivos pola paz canto antes [e por isso, e porque os espanhóis/castelhanos levam] tres anos sen mortos, sen secuestros, aínda que si con outros xeitos de extorsión, pero en calquera caso a sociedade vasca, que non atende ás mesmas razóns hoxe que hai vinte anos e que xa se acostumou a unha convivencia tranquila e pacífica, non consentiría un só morto máis. ETA non regresará ás armas porque hai camiños que non teñen volta atrás”; há aqueles que não duvidando da boa-fé dos etarras preferem esperar para ver como comentava Óscar H. que, embora brindando a atitude etarra, mas “… a celebración oficial fareina cando escoite as súas armas... facer crack”, que igualmente subscrevo.
Depois do IRA, é a ETA… e depois destes, pode ser que seja a Palestina a próxima a ser bafejada pela Paz. Demos um voto de confiança a esta.

17 abril 2005

Racismo!!!!

Na semana que está a acabar uma notícia sobre o racismo no desporto voltou a criar parangonas nos órgãos de informação escrita, falada e televisiva.
Muito sinteticamente um jogador argentino terá insultado verbalmente um jogador brasileiro (as palavras não eram audíveis mas os actos não deixavam dúvidas que o argentino não estava a perguntar ao brasileiro pela saúde dos familiares).
Um blogue que muito prezo, “O Bazonga da Kilumba” sob o título “
Aconteceu no Brasil” veio a terreiro também dar a sua opinião sobre o assunto fazendo um paralelismo entre a rapidez da justiça brasileira e a celebrada morosidade da portuguesa.
Hoje recebi um e-mail de uma amiga brasileira sobre o assunto que, pela sua oportunidade e certeira flechada merece que o mesmo seja aqui colocado.
Complemente-se, ainda, que esta semana também a Comunidade Europeia criticou o Estado português por haver poucos casos de origem rácica, como se cá não houvesse também a sua quota-parte de racismo ou não houvesse atentados rácicos.
Há-os como bem referiu um representante da justiça portuguesa a uma rádio nacional. Mas há também uma norma jurídica em Portugal que impede que seja tipificada a etnia do queixoso ou da vítima; uma forma de evitar atitudes racistas até por quem esteja a receber a queixa ou por quem a produza. É legítimo, é certo… pessoalmente aprovo esta medida. Não existem etnias ou raças, existem pessoas. Umas caucasianas, outras negróides, outras mongóis…
“
Em recente entrevista, Dalmo Dallari, comentou sobre o racismo que são vítimas os jogadores negros que atuam na Europa.
O caso virou manchete no Brasil após o jogador argentino Desabato ofender em campo o jogador Grafite do São Paulo. Os meios de comunicação não divulgaram todas as palavras ofensivas que Desabato disse. Quem navega na net e tem assinatura de algum provedor teve acesso as ofensas. Além de chamá-lo de negro, Desabato disse-lhe para enfiar uma banana no rabo e chamou-o de macaco. Grafite deu queixa do jogador argentino. Muitos comentáristas e jornalistas brasileiros "acharam" exagero.
Todos sabemos que há uma rivalidade enorme entre brasileiros e argentinos, principalmente no futebol.
O Marcelo Tas que tem um blog no UOL também achou exagero e publicou nos seus comentários a pergunta: Por que o Grafite é chamado de Grafite?
A pergunta era uma provocação aos que responderam ao seu comentário anterior criticando-o.
Que existe racismo no Brasil não resta dúvidas. O racismo atinge aos negros e também aos nordestinos. Baiano no Brasil é sinônimo de gente indolente e preguiçosa.
Ao meu ver existe uma grande diferença entre os jogadores do São Paulo chamarem o colega de Grafite e o Desabato chamá-lo de negro e mandá-lo enfiar uma banana no rabo.
De toda essa polêmica o que mais me deixou perplexa é que no Brasil o racismo é crime inafiançável e o Desabato saiu da prisão após pagar 10 mil reais de fiança.
Desse jeito é melhor rasgar a lei...uma vez que o judiciário não a cumpre.
”
Para ajudar à festa, o UOL-Notícias voltava à carga com mais um acto racista contra um atleta de raça negra, no caso passado, e uma vez mais, em Espanha (ultimamente tem sido useira e vezeira nestes casos; foi contra a Inglaterra, Roberto Carlos também já foi vítima destes energúmenos que vilipendiam uma Nação):
“
A torcida do Atlético de Madri fez uma nova manifestação de racismo ao atirar uma banana em direção ao goleiro camaronês Carlos Kameni, do Espanyol, no empate entre as duas equipes por 0 a 0 neste sábado, em Madri, pelo Campeonato Espanhol.
Kameni defendeu um pênalti cobrado pelo atacante Fernando Torres, do Atlético de Madrid, evitando a vitória da equipe local. Esta foi mais uma demonstração de racismo no futebol da Espanha
.
”

Até onde é que iremos?